sexta-feira, 1 de junho de 2012

Distância do Poder está fazendo mal a Lula

Fábio Pannunzio

Ele está irreconhecível. Faltam-lhe racionalidade, jogo de cintura e bom-senso. Assim é Lula de pijama – um cidadão de espírito inquieto que parece inconformado com a distância entre São Bernardo do Campo e Brasíia.
Desde que deixou a Presidência, um ano e meio atrás, o ex-presidente não para de fazer bobagens. Primeiro, impôs a sua sucessora um ministério contaminado por gente da pior qualidade. Dilma teve que defnestrar meia-dúzia para salvar o cofre da viúva do assédio incansável da malandragem com assento no primeiro escalão.
Enquanto isso acontecia – e a popularidade de Dilma crescia – pareceu não se conformar com os arroubos de autonomia de sua ex-secretária. O sucesso da criatura fez mal ao criador.
No momento seguinte, Lula gastou parte de seu imenso capital político numa operação contra seu próprio partido. Enfiou goela abaixo a candidatura de Fernando Haddad à Prefeitura de São Paulo, cindindo a galeria de aliados de primeira hora como a senadora Marta Suplicy. Criou um candidato esquálido, cuja performance inquieta dos próprios companheiros.
Acometido por um câncer, não se deixou abater. Transformou a suíte do Hospital Sírio Libanês em uma central de conspirações e, antes mesmo de se recuperar, enfiou-se na trincheira do Mensalão ao lado de José Dirceu. Pelo que se viu, não foi um movimento de pouca importância.
Avesso à liturgia e às formalidades imposta pela condição de “ex”, Lula conspirou para que o PT tomasse a dianteira de um processo que todos imaginavam no que daria, a CPI do Cachoeira. Para vingar-se antigos desafetos, como o governador Marconi Perillo, que o advertiu sobre o Mensalão, entrou por um labirinto sem fim – e empurrou seu aliados para ele. Agora, nem o PT, nem Rui Falcão, seu artífice, sabem direito o que fazer para reverter o desgaste que se seguiu.
Como a desenvoltura de Lula só tem paralelo na sua falta de limites, era de se esperar, mais cedo ou mais tarde, uma inversão da lógica do Barão de Itararé segundo a qual “de onde nada se espera, daí é que não sai nada mesmo”. No caso do mais popular dos ex-presidentes brasileiros, espera-se tudo e tudo acontecerá. Até uma canhestra tentativa de constranger um ministro da Corte Constitucional para impedir o julgamento do maior escândalo de corrupção da história da República, o Mensalão.
Como candidato, Lula foi sábio a ponto de transformar a si mesmo para pavimentar a estrada segura que o levaria ao Palácio do Planalto. Como presidente, foi um notável administrador da própria imagem. Teve sabedoria para aproveitar dos antecessores o que era bom e apropriar-se de suas conquistas – e depois da própria história. Foi iluminado ao abandonar o jargão sindical e fiel a ponto de cumprir literalmente tudo aquilo com que se comprometeu na Carta aos Brasileiros. Foi um gênio da oratória. E um administrador competentíssimo da própria imagem.
Agora, falta-lhe sabedoria para ficar calado quando deve calar-se. Falta-lhe tirocínio para evitar as manobras ruins. Falta-se senso crítico para entender a posição que ocupa no cenário institucional. Falta-lhe também esperteza para evitar as ciladas que ele mesmo prepara. E grandeza para superar os rancores profundos e os pequenos ressentimentos amealhados em sua longa convivência com o Poder.
Assim, de tropeço em tropeço, o Lula de São Bernardo vai ganhando feições muito diferentes do Lula de Brasília. Acabou-se a graça, restou apenas a amargura. Acabou-se o charme brejeiro, ficou o histrionismo do ódio.
Será que algo de sua privilegiada inteligência política se perdeu no caminhão que transportou sua mudança do Planalto para a planície ?
(Transcrito do blog de Fábio Pannunzio)

Golpe na terceirização: Justiça decide que setor público tem que dar preferência a concursados

Gustavo Henrique Braga (Correio Braziliense)
Uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), tomada esta semana, promete obrigar os gestores públicos a pensarem duas vezes antes empossarem comissionados, temporários ou terceirizados de forma irregular.
A Segunda Turma considerou que a mera expectativa de contratação dos candidatos passa a ser direito líquido e certo no caso de nomeação de pessoal não concursado para o preenchimento de vagas existentes dentro do prazo de validade do certame.
A decisão ocorreu no julgamento de recurso de mandado de segurança apresentado pela candidata Sandra de Morais, aprovada fora do número de vagas previsto no edital para o cargo de professor da rede estadual do Maranhão.
Na avaliação de José Wilson Granjeiro, diretor-presidente da rede Grancursos, a decisão irá beneficiar os candidatos e a todos que pretendem entrar no funcionalismo “pela porta da frente”. Ele lembrou que o entendimento do STJ confirma interpretações do Tribunal Superior do Trabalho em casos semelhantes, o que confere mais segurança a quem investe nos estudos e na preparação para os certames públicos.
“Os concurseiros precisam ficar atentos e monitorar as nomeações publicadas no diários oficiais. Ao detectar alguma contratação irregular, não devem perder tempo, pois a nomeação dos concursados nesse caso se torna líquida e certa”, explicou.

Tribunal paulista afasta um desembargador acusado de corrupção e preserva outros três

Carlos Newton


Por 13 votos contra 12, o Órgão Especial do Tribunal de Justiça de São Paulo decidiu afastar o desembargador Alceu Penteado Navarro de suas funções de presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Estado (TRE-SP), o maior do país, com um colégio de 30,6 milhões de eleitores.
Para o presidente do TJ-SP, desembargador Ivan Santori, que propôs a ação cautelar contra Navarro, a decisão tomada pelo Órgão Especial implica também no afastamento imediato de outras atividades da magistratura.
No entanto, o Órgão Especial decidiu, também, pelo não afastamento dos desembargadores Fábio Monteiro Gouvea e Vianna Cotrin. Os três, Navarro, Gouvea e Cotrin, integraram a Comissão de Orçamento do TJ-SP entre 2008 e 2010. Naquele período, eles autorizaram a si próprios pagamentos de quantias milionárias a título de verbas acumuladas de férias e licença prêmio.
Para o presidente do TJ-SP, existem “fortes indícios” de que os três, em concluio, praticaram uma série de atos ilícitos. Mesmo assim, não foram afastados.
E o pior é que, como se sabe, a punição de juiz corrupto é aposentadoria com salário integral. Muito edificante.( Tribunadainternet )

Alpino e a calcinha encontrada no plenário da Câmara


Diga-me quem te financia, que eu direi para quem governas

Paulo Schueler (membro do comitê central do PCB)


Que os governos encabeçados pelo Partido dos Trabalhadores (PT) foram um grande “achado” para a burguesia, qualquer um que não seja movido por má-fé ou tenha por esta agremiação um fetiche masoquista já sabia.
A novidade, divulgada na imprensa neste último final de semana, é que na folha de pagamento da burguesia estão não apenas a “corte” – membros dos altos escalões do governo que se transformam em consultores e lobistas de grandes grupos empresariais e a máfia sindical que se apodera dos fundos de pensões -, isso sem falarmos dos “menos votados” que se transformaram em sanguessugas dos cargos comissionados pagos pelo erário público. Coitadinhos, esse últimos…
A famiglia, o partido, também é muito bem remunerada pelos bons serviços prestados aos exploradores do suor alheio. O PT arrecadou 89,5% das doações de empresas em 2011. Vejamos: dos R$ 54,6 milhões doados por empresas aos 29 partidos políticos registrados na justiça eleitoral em 2011, o PT ficou com 89,5% – cerca de R$ 50,1 milhões, recebidos de 75 doadores, segundo prestação de contas entregue ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A direita clássica deve estar com aquela dor de corno… Afinal de contas, o PSDB recebeu “míseros” R$ 2,35 milhões enquanto o PMDB, segundo na arrecadação, abocanhou apenas 5,2% dos recursos.
Deixemos eles choramingarem suas pitangas com o pires na mão. O revoltante na novidade está mesmo no PT. Com R$ 53,9 milhões de dívidas, ele passou a sacolinha em empreiteiras, bancos, empresas do setor alimentício e petroquímico, chegando ao escárnio de receber dinheiro de um empresário envolvido no mensalão do DEM no Distrito Federal.
Os segmentos doadores deixam claro: boba essa camarilha não é. Foi cobrar sua comissão justo nos setores e empresas mais beneficiados pelo governo federal desde 2003. O setor que mais “contribuiu” foram as empreiteiras (45%, ou R$ 48,9 milhões). Foi também o setor com maior número de doadoras (21) e com a líder em contribuição (Andrade Gutierrez, com R$ 4,6 milhões).
Fornecedoras da Petrobras ficaram em segundo lugar (10,8%), seguidas pelo agronegócio (10,3%). Parêntesis: mão de vaca esses grandes proprietários rurais, hein? Assassinam, usam trabalho escravo, acabaram de ter aprovado o Código Florestal e só repassaram esse percentual aos “companheiros”? Vai ver que é por isso que Dilma vetou alguns artigos do referido Código… O mesmo se pode dizer do setor financeiro (7,9%), que teve o Bradesco e o BMG como doadores.
De acordo com levantamentos da imprensa, há na lista de doadores companhias com contratos “vultuosos” com o governo federal. É o caso da Jurong Shipyard, que irá construir estaleiro em Aracruz (ES) e já adiantou R$ 1 milhão da “comissão” ao PT.
Mas o caso mais escandaloso é o da JBS, a mesma que iria adquirir a empreiteira Delta. Quinta maior doadora petista, tem entre seus acionistas (financiadores) o BNDESPar, braço de investimentos do BNDES. Essa tinha que figurar entre as líderes de doações mesmo, ganhou muito desde 2003!
Envolvido no mensalão, o BMG doou R$ 1 milhão ao PT, após o partido pagar dívida de R$ 1,9 milhão com o banco. Quanta coincidência, quanta idoneidade… Outra novidade: o maior credor da agremiação é a Coteminas, do ex-vice-presidente José Alencar, para a qual o PT deve R$ 5,7 milhões. Mas calma, Coteminas, a desoneração da folha de pagamentos para o setor em que você atua já foi feita pelo Governo Federal!
Sem mais delongas: “Nunca antes na história deste país” um partido soube tão bem aproveitar os benefícios que dá à burguesia em troca de dinheiro vivo, registrado no TSE, tudo dentro da “legalidade”. Uma perfeita máquina de interesses privados que comanda o país.

Mataram, roubaram e depoís foram se drogar no cemitério


Acusados latrocínio são pegos dentro de cemitério (Foto: Sidney Oliveira)
(Foto: Sidney Oliveira)

Os acusados do asassinato de Elizeu da Silva Rodrigues, de 31 anos, na última sexta-feira(26), foram presos na tarde de quinta-feira (31). Márcia Cristina de Souza e Celso Cris dos Santos, conhecido como “Maluquinho”, mais um adolescente de 15 anos, foram pegos no cemitério Santa Isabel usando drogas.
De acordo com a delegada Perpétua Picanço, da Seccional Urbana do Comércio, onde o caso foi registrado, desde o dia do assassinato a Polícia Civil vinha investigando. “Nós estávamos procurando por eles há dias. Até que conseguimos o paradeiro”, comentou a delegada. Com ajuda de imagens de uma câmera de segurança foi possível identificar os acusados.
Além dos dois acusados e do adolescente, mais dois suspeitos de terem participado estavam sendo procurados. Conforme a delegada, a polícia ainda trabalha com duas versões. “É possível que Márcia tenha atraído a vítima para uma emboscada, ou Elizeu pode ter sido vítima de assalto seguido de morte”, argumentou Perpétua.
O corpo de Elizeu foi encontrado em um estacionamento privado atrás da feira do Ver-o-Peso, com cinco facadas pelo corpo. Todos os pertences da vítima foram levados. A polícia continua investigando para saber as causas do crime.
O principal suspeito, Celso, confessou ter acertado dois golpes na vítima e afirmou que o mentor do crime seria o adolescente, que é seu comparsa. Já Márcia negou ter atraído Elizeu para a feira e disse não conhecer nenhum dos dois envolvidos.
Os dois suspeitos foram autuados por latrocínio e formação de quadrilha. Márcia foi encaminhada para o Centro de Recuperação Feminino e Celso, para o Centro de Triagem de São Brás. Já o adolescente foi encaminhado para a Data.
(Diário do Pará)

Mulheres ligadas ao crime organizado no Pará, já estão na cadeia



Mais de 50 pessoas, entre as quais sete presidiários, e dezenas de produtos eletrônicos, veículos, drogas, armas de fogo e munição apreendidos. Este foi o saldo da operação "Tribus", deflagrada na madrugada desta quinta-feira, 31, em Barcarena, pelas policias Civil e Militar. Presos e material apreendido foram encaminhados à sede da Delegacia Geral, em Belém. A ação - que mobilizou 350 policiais, dos quais 250 civis e 100 militares, de unidades da capital e do interior do Estado - marca o esfecho de uma série de investigações que vinham sendo feitas sobre a atuação de duas organizações criminosas que atuavam no município, onde eram responsáveis por crimes como tráfico de drogas e homicídios.

Das 52 pessoas presas, 15 são mulheres. Os resultados da operação foram apresentados à imprensa pelo delegado geral da Polícia Civil, Nilton Atayde, durante coletiva realizada no auditório A, da Delegacia-Geral. Além da equipe de policiais responsável pela coordenação da operação, esteve presente o promotor de Justiça de Barcarena, Harrison Bezerra, do Ministério Público do Estado, que também acompanhou as investigações.

Ao todo, cerca 60 mandados judiciais de busca domiciliar e de prisão foram cumpridos na operação em Barcarena. Os agentes abordaram simultaneamente os locais apontados pela investigação como pontos de tráfico de drogas na cidade, durante a madrugada. Os presos foram colocados em um ônibus e transportados até a capital. Um caminhão também foi usado para fazer o transporte dos objetos apreendidos, entre os quais, um sistema de aparelhagem de som completo, denominada "Tribusom", que segundo as investigações era usada para "lavagem" do dinheiro adquirido por meio da venda de drogas. Em Barcarena, a execução da operação foi coordenada pelo delegado geral adjunto, Rilmar Firmino, sob supervisão dos diretores de Polícia do Interior, Silvio Maués, e de Polícia Especializada, João Bosco Rodrigues, com suporte do Núcleo de Inteligência Policial (NIP).

De acordo com o promotor de Justiça, os dois grupos rivais foram responsáveis, nos últimos quatro anos, pelas mortes de 150 pessoas, em decorrência da disputa pelo tráfico de drogas na cidade. Entre os detidos estão presidiários responsáveis em comandar o esquema de tráfico de drogas do interior de unidades penitenciárias do Estado. Na chegada à Delegacia Geral, por volta do meio-dia, foram improvisadas salas de flagrante para lavratura dos procedimentos policiais contra cada um dos presos. Todos os objetos apreendidos passarão por triagem para serem individualizados dentro do procedimento flagrancial. Os presos vão responder por tráfico e associação para fins de tráfico de drogas. Em alguns casos, será lavrado flagrante de posse de armas ilegais, entre outros delitos. Entre as armas apreendidas estava uma escopeta com munição. (Agência Pará)