terça-feira, 3 de julho de 2012

TSE poderá realizar correição eleitoral em Caxias ( MA)





Relatório do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aponta 48 municípios maranhenses ultrapassando o índice considerado normal de eleitores aptos a votar no pleito deste ano pela Justiça Eleitoral, que é de 65% do total de habitantes. Caxias é um destes municípios incluídos na estatística.
O município, segundo o TSE, tem 106.872 eleitores aptos a votar no dia 7 de outubro. O número representa 69,3% dos 154.211 habitantes (população recenseada de 2010). Ainda de acordo com o relatório, Caxias apresenta o terceiro colégio eleitoral de maior abrangência no Maranhão, pois corresponde a 2,3% do eleitorado maranhense.
Se comparado às últimas eleições municipais, houve um crescimento de 10,3%, já que o eleitorado caxiense em 2008 era de 96.879. Segundo a chefe de cartório Michelle Pimentel, esse aumento é considerado normal.
"Os números estão dentro da normalidade. Caxias tem um grande eleitorado e o crescimento de cerca de 10 mil eleitores em quatro anos é considerado natural. Temos que levar em conta a contagem de novos eleitores, como os jovens, que passam a ter idade suficiente para votar, transferências de títulos, entre outros casos", explicou ela.
Quanto ao perfil, o município tem o maior eleitorado feminino, com 56.701 mulheres aptas a votar, o que representa 53,06% dos eleitores. Os votantes masculinos são 50.116, ou seja, 46.89 %. Destes, a faixa etária com maior número de eleitores é a de 35 anos, com 12.801 (masculino) e 13.604 (feminino).
Na estatística, já estão incluídos os eleitores que foram habilitados até o dia 9 de maio, prazo final estipulado pela Justiça Eleitoral para regularizar, transferir ou obter o título de eleitor, tendo como base as eleições deste ano.
Correição - Municípios com eleitorado superior a 65% do total de habitantes estão sujeitos a correição nas zonas eleitorais.
Segundo o artigo 92 da Lei nº 9.504/97, o TSE, "ao conduzir o processamento dos títulos eleitorais, determinará de ofício a revisão ou correição das zonas eleitorais sempre que o eleitorado for superior a 65% da população projetada para aquele ano pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); quando o total de transferências de eleitores ocorridas no ano em curso for 10% superior ao do ano anterior ou sempre que o eleitorado do município for superior ao dobro da população entre 10 e 15 anos, somada à de idade superior a 70 anos do território daquele município".
O estado do Maranhão tem 4.521.118 eleitores aptos à votação para as eleições municipais 2012. O relatório final de eleitores aptos a votar no pleito 2012 deverá ser divulgado somente no início de julho.
Além das cidades com número máximo considerado normal pela Justiça Eleitoral, que é de 65% de eleitores do total de habitantes, o Maranhão apresenta ainda cinco cidades que têm o número de eleitores maior que o de habitantes: Bacurituba, Brejo de Areia, Junco do Maranhão, Porto Rico do Maranhão e Tufilândia.
Distorção
O município do Maranhão que apresenta a maior distorção no número de eleitores em relação ao total de habitantes é Brejo de Areia. Tem 6.744 registros eleitorais, mas a população é de apenas 5.265 pessoas.
Fonte: Blog do Renato Meneses

segunda-feira, 2 de julho de 2012

"Playboy do Crime" já está atrás das grades

Acusado de ser o líder da quadrilha que assaltou uma agência bancária do Banco do Brasil em Novo Repartimento, em maio deste ano, Alan Oliveira da Silva, 27 anos, conhecido como “Playboy do Crime”, foi preso na tarde do última sexta (29) em Araguaiana no Tocantins, quando pagava a conta em um hotel de luxo que estava hospedado. A prisão foi realizada pela Polícia Civil do Pará, que iniciou a operação “Expresso Repartimento” desde a última quarta feira (27), seguindo Alan de Goiânia até Tocantins.
De acordo com o delegado André Costa, da Divisão de Repressão ao Crime Organizado (DRCO), o chefe da quadrilha comandava as ações. “Ele entrava nos bancos com a pistola, rendia o gerente e dividia o dinheiro”.
Desse mesmo assalto, o delegado ressaltou que sete pessoas já foram presas e elas teriam confessado que o lucro tinha sido em torno de 300 mil. “Cada um recebia por volta de 45 mil. O Alan contou ainda que não praticava pequenos assaltos e que se hospedava em hotel de R$ 1.500 a diária e gastava em festa R$ 4.000”, contou o delegado. Alan também era proprietário de uma aparelhagem de som avaliada em 60 mil e de uma caminhonete com equipamentos no valor de 12 mil.
Com duas prisões preventivas decretadas no Pará e uma prisão temporária no Tocantins, Alan está a disposição da Justiça. (Diário do Pará)

Belo Monte, guerra ainda longe do fim


Belo Monte, guerra ainda longe do fim (Foto: Thiago Araújo)
(Foto: Thiago Araújo)

Obra que supera R$ 30 bilhões, a construção da hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu, região central do Pará, transformou-se em uma guerra que está longe de acabar. Os envolvidos na batalha – governo federal e grandes grupos empresariais, de um lado, e movimentos sociais, apoiados por organizações não-governamentais nacionais e estrangeiras, de outro – utilizam suas armas de acordo com as conveniências do momento. Os disparos mais recentes sinalizam problemas para os dois lados. O canteiro de obras está ocupado por índios que cobram acordos não cumpridos.
Dias antes, instalações da empresa Norte Energia, madrinha do projeto, foram invadidas e depredadas por ativistas enfurecidos. O troco foi instantâneo: a polícia, a pedido do governo, indiciou e requereu ao Ministério Público do Estado (MPE) a prisão preventiva de 11 pessoas suspeitas de participação no quebra-quebra. A decisão judicial deve sair na semana que começa.
No papel de fiscal da lei, o Ministério Público Federal (MPF) do Pará trava também sua própria guerra para que a construção da usina respeite as condicionantes ambientais que foram ignoradas para darem lugar a uma invenção, a licença parcial, que permitiu o desvio do rio Xingu e a construção do canteiro seguirem adiante. Enquanto nada definitivamente se resolve, a batalha judicial acontece no campo do Direito, mobilizando pareceres, decisões e recursos na Justiça Federal.
AÇÕES
Nos últimos doze anos, o MPF moveu 14 ações, apontando erros na obra. Treze ainda tramitam e apenas uma – a competência do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), e não da Fundação de Amparo ao Desenvolvimento da Pesquisa (Fadesp), para fazer o licenciamento ambiental da usina – teve decisão definitiva. Sinal de que a guerra, também nesse terreno, deve se prolongar por vários anos. Até lá, surge a incrível possibilidade de entrar em cena a chamada teoria do fato consumado. A hidrelétrica poderá estar erguida e em operação, apesar de eventual decisão a favor do MPF para que ela não fosse construída sem a observação dos preceitos legais.
As entidades sociais, pesquisadores de renome e ambientalistas radicalmente contrários a Belo Monte argumentam que a hidrelétrica irá provocar a inundação de 100 mil hectares de florestas, expulsar mais de 40 mil pessoas, inclusive tribos indígenas de várias etnias que dependem diretamente do rio Xingu para sobreviver, além da diminuição da biodiversidade na região e do potencial hídrico do próprio Xingu. Em resumo: é uma obra inviável sob os aspectos ambiental, social e econômico. Até porque, embora planejada para gerar no pico 11 mil megawatts, ela irá produzir menos de 4 mil megawatts durante seis meses de seca do rio.
Indiferente aos clamores dos ativistas, o governo federal afirma que a hidrelétrica é necessária em razão de a atual demanda energética no país estar operando no limite. Ele também faz o velho discurso de que a obra levará progresso e desenvolvimento à região da Transamazônica, oferecendo melhores condições de vida a 4.500 famílias que hoje moram em palafitas na cidade de Altamira. Os problemas ambientais e sociais que a usina irá causar seriam compensados pelo repasse à região de R$ 90 milhões por ano. Outra argumentação governamental é a de que a usina trará menos impactos ambientais do que a utilização de alternativas com energias fósseis. Além disso, os custos serão menores do que outras fontes renováveis. (Diário do Pará)

Universitária confessa que sequestro foi forjado



Belém _ A universitária Suzan Paola Fadell Corrêa( Foto ) , de 22 anos, que desapareceu no final do mês de junho, confessou que o sequestro foi forjado por ela própria.
A estudante confessou à Divisão de Homicídios da Polícia Civil do Pará , nesta segunda-feria (02), que o sequestro foi inventado para fugir da entrega do trabalho de conclusão de curso (TCC).
O caso
Suzan Paola Fadell Corrêa desapareceu em 26 de junho. Ela teria sido vista pela última vez saindo de uma academia localizada na Travessa Mauriti com a Avenida João Paulo II, por volta das 21h.
Segundo foi relatado na época, Suzan e uma amiga teriam ido para o ponto de ônibus onde a amiga teria subido em um coletivo por volta das 21h10min. No dia seguinte, 27 de junho, Suzam iria defender seu trabalho de conclusão de curso (TCC) em Pedagogia.
O susposto sequestro terminou na noite da quarta-feira. Um outro amigo da jovem a teria encontrado. A Divisão de Homicídios, ficou encarregada de investigar o caso, que teve seu desfecho nesta segunda-feira com a revelação de que tudo não passou de uma farsa.
(DOL)

Conheça a lista de citados em grampos de Cachoeira, com 82 nomes. Até a Dilma aparece.

Carlos Newton

Como dizia o célebre cronista social Ibrahim Sued, “em sociedade tudo se sabe”. Essa realidade se faz cada vez mais presente. No caso da CPI do Cachoeira, por exemplo, realizar depoimentos sigilosos não adiantou nada. Logo em seguida os jornais divulgavam tudo que havia acontecido.
No depoimento sigiloso que concedeu, nos primeiros trabalhos da CPI do Cachoeira, o delegado Matheus Mela Rodrigues, que coordenou a Operação Monte Carlo, citou uma lista com 82 nomes que tiveram relações ou foram apenas citados em conversas de Carlos Augusto Ramos, O Carlinhos Cachoeira.
A lista inclui nomes de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), de governadores, senadores, deputados federais, prefeitos e até mesmo da presidente Dilma Rousseff.  Apavorado, o presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), fez um apelo, aos parlamentares, para que não comentassem com a imprensa os nomes da lista, uma vez que o fato de estarem citados em conversas do grupo não significa que tenham envolvimento com o esquema de Cachoeira. Afinal, os nomes podem ter sido usados pelo grupo do contraventor sem conhecimento dos citados.
Detalhe importante: Na lista faltam nomes de pessoas que já foram citadas em gravações que vazaram, como do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, por exemplo, mencionado em áudios da operação Monte Carlo.
O delegado Matheus Mela Rodrigues foi responsável pela Operação Monte Carlo, deflagrada em novembro de 2010 e que resultou na prisão de Carlinhos Cachoeira e membros de seu grupo, em fevereiro deste ano. Os 82 nomes citados se referem a esta operação, e não à Vegas, ação policial semelhante, encerrada em 2009.
A Folha, por exemplo, teve acesso à lista dos nomes citados pelo delegado. Constam três ministros do STF, Gilmar Mendes, Luiz Fux e Dias Toffoli; dos governadores Antonio Anastasia (PSDB-MG), Marconi Perillo (PSDB-GO), Beto Richa (PSDB-PR) e Agnelo Queiroz (PT-DF). O nome do presidente do Senado, José Sarney também está na lista.
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VEJA QUEM É CITADO
Veja agora, na lista recebida pelos reporteres Andreza Matais e Ruben Valente, da Folha, os nomes de políticos, jornalistas e autoridades que são citados nas gravações, por ordem alfabética:
* Senador Aécio Neves (PSDB-MG)
* Deputado distrital do DF Agaciel Maia (PTC-DF)
* Governador Agnelo Queiroz (PT-DF)
* Presidente DEM-DF Alberto Fraga
* Secretário de Indústria e Comércio de Goiás Alexandre Baldy
* Governador de Minas Gerais Antonio Anastasia
* Suplente de senador Ataides de Oliveira
* Procurador-geral da Justica de Goiás Benedito Torres
* Governador do Paraná Beto Richa (PSDB)
* Senador Blairo Maggi (PR-MT)
* Senador Demostenes Torres (sem partito-DF)
* Diretor da Delta Carlos Pacheco
* Diretor Regional da Delta no Centro-Oeste Claudio Abreu
* Jornalista Claudio Humberto
* Ex-chefe de gabinete de Agnelo Queiroz Claudio Monteiro
* Ministro do Supremo Tribunal Federal José Antonio Dias Toffoli
* Presidente Dilma Rousseff
* Ex-presidente do Detran de Goiás Edivaldo Cardoso
* Ex-senador Eduardo Siqueira Campos (PSDB)
* Ex-chefe de gabinete do governo de Goiás Eliane Pinheiro
* Vereador de Goiânia Elias Vaz (PSOL)
* Secretário Estadual de Comunicação de Santa Catarina Ênio Branco
* Dono da construtora Delta Fernando Cavendish
* Vereador de Anápolis Fernando Cunha
* Presidente da Caesb Fernando Leite
* Prefeito de Águas Lindas (GO) Geraldo Messias (PP)
* Prefeito de Nerópolis (GO) Gil Tavares (PTB)
* Deputado federal Fernando Francischini (PSDB-PR)
* Ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes
* Diretor da Delta na região Sul e em São Paulo Heraldo Puccini
* Policial Militar, assessor do senador Demóstenes, Hrillner Ananias
* Presidente da Agetop Jayme Rincon
*Ex-sub-secretário de Esportes do DF João Carlos Feitosa, o Zunga
* Secretário de Segurança de Goiás João Furtado
* Jornalista João Unes
* Diretor do Serviço de Limpeza Urbana do DF João Monteiro Neto
* Jornalista Jorge Cajuru
* Prefeito de Aparecida de Goiânia Maguito Vilela (PMDB)
* Deputado federal Sandes Junior (PP-GO)
* Senador Jose Sarney (PMDB-AP), presidente do Senado
* Vice-governador de Goiás José Eliton (DEM)
* Desembargador do TRT de Goiás Julio Cesar Brito
* Deputado federal Jovair Arantes (PP-GO)
* Deputado federal Leonardo Vilela (PMDB-GO)
* Presidente do PRTB Levy Fidelis
* Ministro do Supremo Tribunal Federal Luiz Fux
* Governador Marconi Perillo (PSDB-GO)
* Deputado federal Marcos Monti (DEM-MG)
* Jornalista Mino Pedrosa
* Diretor da Anvisa Norberto Rech
* Jornalista Policarpo Jr, da revista Veja
* Deputado federal Protogenes Queiroz (PC do B-SP)
* Deputado distrital do DF Raad Massouh (PPL)
* Secretário de Segurança do Paraná Reinaldo Sobrinho
* Deputado federal Stephan Necessian (PPS-RJ)
* Jornalista Renato Alves
* Ex-procurador-geral do Estado de Goiás Ronald Bicca
* Vereador em Goiânia Santana Gomes
* Vice-governador do DF Tadeu Fillipeli (PMDB-DF)
* Vereador em Anápolis Wesley Silva
* Secretário de infra-estrutura de Goiás Wilder Morais
* Ex-comandante da PM de Goiás Carlos Antonio Elias
* Ex-governador de Tocantis Marcelo Miranda (PMDB)
* Prefeito de Anápolis Antonio Gomide (PT)
* Ex-vereador de Goiania, Wladimir Garcêz

( Tribuna da Internet ) 

A grande homenagem do gênio Drummond ao gênio Chaplin.

A poesia é necessária, dizia Rubem Braga, tão necessária quanto apreciar esse poema clássico de Carlos Drummond de Andrade,  enviado ao Blog  pelo comentarista Paulo Peres, do site Poemas e Canções.
O poema, se não me engano, foi criado quando morreu Chaplin e discorre sobre a genialidade do diretor, roteirista, compositor e músico inglês, revistando diversas situações das obras imortais do maior mestre do humor universal. (CN)
Carlos Drummond de Andrade
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CANTO AO HOMEM DO POVO – CHARLES CHAPLIN
Carlos Drummond de Andrade
I
Era preciso que um poeta brasileiro,
não dos maiores, porém dos mais expostos à galhofa,
girando um pouco em tua atmosfera ou nela aspirando a viver
como na poética e essencial atmosfera dos sonhos lúcidos,
era preciso que esse pequeno cantor teimoso,
de ritmos elementares, vindo da cidadezinha do interior
onde nem sempre se usa gravatas mas todos são extremamente polidos
e a opressão é detestada, se bem que o heroísmo se banhe em ironia,
era preciso que um antigo rapaz de vinte anos,
preso à tua pantomima por filamentos de ternura e riso dispersos no tempo,
viesse recompô-los e, homem maduro, te visitasse
para dizer-te algumas coisas, sob color de poema.
Para dizer-te como os brasileiros te amam
e que nisso, como em tudo mais, nossa gente se parece
com qualquer gente do mundo – inclusive os pequenos judeus
de bengalinha e chapéu-coco, sapatos compridos, olhos melancólicos,
vagabundos que o mundo repeliu, mas zombam e vivem
nos filmes, nas ruas tortas com tabuletas: Fábrica, Barbeiro, Polícia,
e vencem a fome, iludem a brutalidade, prolongam o amor
como um segredo dito no ouvido de um homem do povo caído na rua.
Bem sei que o discurso, acalanto burguês, não te envaidece,
e costumas dormir enquanto os veementes inauguram estátua,
e entre tantas palavras que como carros percorrem as ruas,
só as mais humildes, de xingamento ou beijo, te penetram.
Não é a saudação dos devotos nem dos partidários que te ofereço,
eles não existem, mas a de homens comuns, numa cidade comum,
nem faço muita questão da matéria de meu canto ora em torno de ti
como um ramo de flores absurdas mando por via postal ao inventor dos jardins.
Falam por mim os que estavam sujos de tristeza e feroz desgosto de tudo,
que entraram no cinema com a aflição de ratos fugindo da vida,
são duras horas de anestesia, ouçamos um pouco de música,
visitemos no escuro as imagens – e te descobriram e salvaram-se.
Falam por mim os abandonados da justiça, os simples de coração,
os párias, os falidos, os mutilados, os deficientes, os indecisos, os líricos, os cismarentos,
os irresponsáveis, os pueris, os cariciosos, os loucos e os patéticos.
E falam as flores que tanto amas quando pisadas,
falam os tocos de vela, que comes na extrema penúria, falam a mesa, os botões,
os instrumentos do ofício e as mil coisas aparentemente fechadas,
cada troço, cada objeto do sótão, quanto mais obscuros mais falam.
II
A noite banha tua roupa.
Mal a disfarças no colete mosqueado,
no gelado peitilho de baile,
de um impossível baile sem orquídeas.
És condenado ao negro. Tuas calças
confundem-se com a treva. Teus sapatos
inchados, no escuro do beco,
são cogumelos noturnos. A quase cartola,
sol negro, cobre tudo isto, sem raios.
Assim, noturno cidadão de uma república
enlutada, surges a nossos olhos
pessimistas, que te inspecionam e meditam:
Eis o tenebroso, o viúvo, o inconsolado,
o corvo, o nunca-mais, o chegado muito tarde
a um mundo muito velho.
E a lua pousa
em teu rosto. Branco, de morte caiado,
que sepulcros evoca mas que hastes
submarinas e álgidas e espelhos
e lírios que o tirano decepou, e faces
amortalhadas em farinha. O bigode
negro cresce em ti como um aviso
e logo se interrompe. É negro, curto,
espesso. O rosto branco, de lunar matéria,
face cortada em lençol, risco na parede,
caderno de infância, apenas imagem
entretanto os olhos são profundos e a boca vem de longe,
sozinha, experiente, calada vem a boca
sorrir, aurora, para todos.
E já não sentimos a noite,
e a morte nos evita, e diminuímos
como se ao contato de tua bengala mágica voltássemos
ao país secreto onde dormem os meninos.
Já não é o escritório e mil fichas,
nem a garagem, a universidade, o alarme,
é realmente a rua abolida, lojas repletas,
e vamos contigo arrebentar vidraças,
e vamos jogar o guarda no chão,
e na pessoa humana vamos redescobrir
aquele lugar – cuidado! – que atrai os pontapés: sentenças de uma justiça não oficial.
III
Cheio de sugestões alimentícias, matas a fome
dos que não foram chamados à ceia celeste
ou industrial. Há ossos, há pudins
de gelatina e cereja e chocolate e nuvens
nas dobras do teu casaco. Estão guardados
para uma criança ou um cão. Pois bem conheces
a importância da comida, o gosto da carne,
o cheiro da sopa, a maciez amarela da batata,
e sabes a arte sutil de transformar em macarrão
o humilde cordão de teus sapatos.
Mais uma vez jantaste: a vida é boa.
Cabe um cigarro: e o tiras
da lata de sardinhas.
Não há muitos jantares no mundo, já sabias,
e os mais belos frangos
são protegidos em pratos chineses por vidros espessos.
Há sempre o vidro, e não se quebra,
há o aço, o amianto, a lei,
há milícias inteiras protegendo o frango,
e há uma fome que vem do Canadá, um vento,
uma voz glacial, um sopro de inverno, uma folha
baila indecisa e pousa em teu ombro: mensagem pálida
que mal decifras
o cristal infrangível. Entre a mão e a fome,
os valos da lei, as léguas. Então te transformas
tu mesmo no grande frango assado que flutua
sobre todas as fomes, no ar; frango de ouro
e chama, comida geral, que tarda.
IV
O próprio ano novo tarda. E com ele as amadas.
No festim solitário teus dons se aguçam.
És espiritual e dançarino e fluido,
mas ninguém virá aqui saber como amas
com fervor de diamante e delicadeza de alva,
como, por tua mão a cabana se faz lua.
Mundo de neve e sal, de gramofones roucos
urrando longe o gozo de que não participas.
Mundo fechado, que aprisiona as amadas
e todo o desejo, na noite, de comunicação.
Teu palácio se esvai, lambe-te o sono,
ninguém te quis, todos possuem,
tudo buscaste dar, não te tomaram.
Então encaminhas no gelo e rondas o grito.
Mas não tens gula de festa, nem orgulho
nem ferida nem raiva nem malícia.
És o próprio ano-bom, que te deténs. A casa passa
correndo, os copos voam, os corpos saltam rápido, as amadas
te procuram na noite… e não te vêem,
tu pequeno, tu simples, tu qualquer.
Ser tão sozinho em meio a tantos ombros,
andar aos mil num corpo só, franzino,
e ter braços enormes sobre as casas,
ter um pé em Guerrero e outro no Texas,
falar assim a chinês a maranhense,
a russo, a negro: ser um só, de todos,
sem palavra, sem filtro,
sem opala:
há uma cidade em ti, que não sabemos.
V
Uma cega te ama. Os olhos abrem-se.
Não, não te ama. Um rico, em álcool,
é teu amigo e lúcido repele
tua riqueza. A confusão é nossa, que esquecemos
o que há de água, de sopro e de inocência
no fundo de cada um de nós, terrestres. Mas, ó mitos
que cultuamos, falsos: flores pardas,
anjos desleais, cofres redondos, arquejos
poéticos acadêmicos; convenções
do branco, azul e roxo; maquinismos,
telegramas em série, e fábricas e fábricas
e fábricas de lâmpadas, proibições, auroras.
Ficaste apenas um operário
comandado pela voz colérica do megafone.
És parafuso, gesto, esgar.
Recolho teus pedaços: ainda vibram,
lagarto mutilado.
Colo teus pedaços. Unidade
estranha é a tua, em mundo assim pulverizado.
E nós, que a cada passo nos cobrimos
e nos despimos e nos mascaramos,
mal retemos em ti o mesmo homem,
aprendiz
bombeiro
caixeiro
doceiro
emigrante
forçado
maquinista
noivo
patinador
soldado
músico
peregrino
artista de circo
marquês
marinheiro
carregador de piano
apenas sempre entretanto tu mesmo,
o que não está de acordo e é meigo,
o incapaz de propriedade, o pé
errante, a estrada
fugindo, o amigo
que desejaríamos reter
na chuva, no espelho, na memória
e todavia perdemos.
VI
Já não penso em ti. Penso no ofício
a que te entregas. Estranho relojoeiro
cheiras a peça desmontada: as molas unem-se,
o tempo anda. És vidraceiro.
Varres a rua. Não importa
que o desejo de partir te roa; e a esquina
faça de ti outro homem; e a lógica
te afaste de seus frios privilégios.
Há o trabalho em ti, mas caprichoso,
mas benigno,
e dele surgem artes não burguesas,
produtos de ar e lágrimas, indumentos
que nos dão asa ou pétalas, e trens
e navios sem aço, onde os amigos
fazendo roda viajam pelo tempo,
livros se animam, quadros se conversam,
e tudo libertado se resolve
numa efusão de amor sem paga, e riso, e sol.
O ofício é o ofício
que assim te põe no meio de nós todos,
vagabundo entre dois horários; mão sabida
no bater, no cortar, no fiar, no rebocar,
o pé insiste em levar-te pelo mundo,
a mão pega a ferramenta: é uma navalha,
e ao compasso de Brahms fazes a barba
neste salão desmemoriado no centro do mundo oprimido
onde ao fim de tanto silêncio e oco te recobramos.
Foi bom que te calasses.
Meditavas na sombra das chaves,
das correntes, das roupas riscadas, das cercas de arame,
juntavas palavras duras, pedras, cimento, bombas, invectivas,
anotavas com lápis secreto a morte de mil, a boca sangrenta
de mil, os braços cruzados de mil.
E nada dizias. E um bolo, um engulho
formando-se. E as palavras subindo.
Ó palavras desmoralizadas, entretanto salvas, ditas de novo.
Poder da voz humana inventando novos vocábulos e dando sopros exaustos.
Dignidade da boca, aberta em ira justa e amor profundo,
crispação do ser humano, árvore irritada, contra a miséria e a fúria dos ditadores,
ó Carlito, meu e nosso amigo, teus sapatos e teu bigode
caminham numa estrada de pó e de esperança.

( Tribuna da Internet ) 

Advogado que livrou irmão de Genoino da investigação dos dólares na cueca também trabalha para Maluf

Às vésperas do julgamento do mensalão, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) inocenta o vice-líder do governo, deputado José Guimarães (PT-CE), da acusação de envolvimento no episódio em que um assessor dele, José Adalberto Vieira, foi preso no Aeroporto de Congonhas em São Paulo com US$ 100 mil escondidos na cueca, e mais R$ 209 mil numa maleta de mão, quando embarcava para Fortaleza.
João Bosco Rabello, do Estadão, conta a história direitinho. A Primeira Turma do STJ – da qual faz parte o novo Corregedor Nacional de Justiça, ministro Francisco Falcão – acolheu no último dia 21 de junho, por unanimidade, recurso para determinar que José Guimarães não figure mais como réu na ação de improbidade administrativa movida pelo Ministério Público Federal, em tramitação na 10ª Vara Federal em Fortaleza, embora ainda não haja até hoje, sentença final de mérito e o processo ainda se encontre na fase das alegações finais.
Como se sabe, o assessor foi preso dia 8 de julho de 2005, em meio aos desdobramentos do mensalão, e precipitou o afastamento do então deputado José Genoíno da presidência do PT. Irmão de Guimarães, Genoíno era alvo de investigação da CPI dos Correios e cogitava deixar o comando do PT. Ele acabou renunciando ao cargo dois dias depois da prisão do assessor parlamentar de seu irmão, que na época era deputado estadual e presidente do PT no Ceará.
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DINHEIRO DE PROPINA
O repórter do Estadão diz que a linha de investigação do Ministério Público é de que o dinheiro apreendido com Vieira seria de propina, fruto de vantagens ilegais obtidas pelo consórcio Sistema de Transmissão do Nordeste S/A, cujo acionista majoritário é a empresa Alusa (Companhia Técnica de Engenharia Elétrica S/A).
O consórcio conseguiu uma linha de crédito de R$ 300 milhões junto ao Banco do Nordeste (BNB) e venceu licitação para construir uma rede de transmissão de energia elétrica entre Fortaleza e Teresina (PI).
Este financiamento teria sido intermediado por Kennedy Moura Ramos, assessor especial da presidência do Banco do Nordeste, e ex-assessor e tesoureiro de José Guimarães, que o indicou para o cargo.
Até 2004, Kennedy foi chefe de gabinete do então presidente do BNB, Roberto Smith. Ambos figuram como réus na ação de improbidade, ao lado de Guimarães, Vieira, e de mais oito acusados, entre diretores do BNB e das empresas ligadas ao consórcio STN. O MP atribui a Guimarães as indicações de Smith e Kennedy para a cúpula do Banco do Nordeste.
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“GRAÇAS A DEUS”
Ao longo das investigações, que envolveram a quebra de sigilos telefônicos e outras provas, o MP verificou contatos pessoais e telefônicos entre Guimarães, Kennedy e Vieira. Os procuradores lembram que Guimarães “apresentou confusas versões” sobre o dinheiro apreendido. Pediu a Kennedy que assumisse a propriedade do dinheiro. E teria exclamado um “graças a Deus” ao ser informado de que Vieira não tinha falado nada sobre ele.
Militante histórico do PT, Vieira era assessor do gabinete de Guimarães na Assembleia Legislativa do Ceará desde 2001. Quando foi preso, portava um celular corporativo do partido. Deste aparelho, disparou a primeira ligação, após sua detenção, para Kennedy, que por sua vez, acionou advogados para livrá-lo.
Um dos indícios de que o dinheiro não pertenceria a Vieira, segundo os procuradores, eram os sinais exteriores de riqueza, incompatíveis com a renda dele. Na véspera da viagem a São Paulo, Vieira comprou um Corsa 1.8, zero quilômetro.
A defesa de José Guimarães afirma que desde o início, não havia elementos que ligassem o deputado aos dólares apreendidos com seu assessor. O advogado Hélio das Chagas Leitão Neto afirma que indícios não bastam para processar o seu cliente.
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NOTA DE REDAÇÃO DO BLOG – O repórter João Bosco Rabello diz que a importante banca de advogados que defendeu o irmão de Genoino foi a mesma que advogou para empresários e políticos, como o deputado Paulo Maluf (PP-SP). Então está explicada a ligação de Maluf e o PT, tudo a ver.
E coitado do Genoino. Por causa dos dólares na cueca, perdeu a presidência do PT, perdeu a dignidade, depois perdeu a releeição com deputado e hoje tem de se contentar com um cargo de assessor do Ministro da Defesa, porque a polpuda aposentadors que recebe com ex-deputado não supre seu alto padrão de vida, com dólares ou sem dólares na cueca.

( Tribuna da Internet )