quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Mensalão: o que começa a ser julgado amanhã


Carlos Humberto/STF
 
38 réus, 147 volumes, 173 apensos, 69 mil páginas. Os números do processo do mensalão, que começará a ser julgado amanhã (2) no STF

Na sua peça acusatória, o ex-procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza classificou-o como a ação de uma “sofisticada quadrilha” destinada a comprar apoio de partidos para o projeto político do PT e do ex-presidente Lula. Na apresentação de memorial concluído na semana passada, o atual procurador-geral da República, Roberto Gurgel, chamou-o de “o mais atrevido e escandaloso esquema de corrupção e de desvio de dinheiro público flagrado no Brasil”. Em sua defesa, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares diz que tudo não passou de um acerto financeiro feito entre ele e o publicitário Marcos Valério para a concessão de um empréstimo para saldar dívidas de campanha do partido e de aliados. O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu vai mais além: segundo ele, o mensalão não existiu, trata-se de uma invenção do presidente do PTB, Roberto Jefferson, motivada por sentimentos de vingança. Será entre as alegações da acusação e as da defesas, com as provas anexadas, que os 11 ministros do Supremo Tribunal Federal terão de avaliar em que ponto está a verdade. O julgamento que começa amanhã (2), e que deverá se estender por mais de um mês, talvez seja o mais complexo de toda a história da Suprema Corte. A Ação Penal 470, que trata do caso que Roberto Jefferson, delator e réu, chamou de “mensalão”, tem 147 volumes, 173 apensos, 69 mil páginas. Serão julgados 38 réus, dos quais dois – o ex-secretário de Comunicação do governo Luiz Gushiken e Antônio Lamas, que era ligado ao PL (hoje PR) – foram inocentados pelo Ministério Público. Na acusação inicial, os réus eram 40, mas um deles morreu, o ex-deputado do PP José Janene, e  outro, Sílvio Pereira, ex-secretário do PT, fez um acordo com a Justiça.
As acusações de vários crimes – como formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva – pesam sobre os outros 36 réus. Nomes como Roberto Jefferson, Delúbio, Dirceu, os publicitários Marcos Valério e Duda Mendonça, entre outros.
Para ajudar o leitor a entender o que estará em julgamento, o Congresso em Foco reuniu os principais documentos já disponíveis sobre o caso, e faz um resumo do que há contra cada um dos réus e o que eles alegam em sua defesa.




A acusação

No início das 136 páginas da peça acusatória, Antônio Fernando de Souza inicia historiando que o início do caso remete à denúncia de pagamento de propina ao ex-diretor da Empresa de Correios e Telégrafos (ECT) Maurício Marinho. Indicado pelo PTB, Maurício Marinho foi flagrado em um vídeo pedindo e recebendo propina. O flagrante acabou estampando a capa da edição da revista Veja de 18 de maio de 2005, sob o título “O homem chave do PTB”.
“Acuado, pois o esquema de corrupção e desvio de dinheiro público estava focado, em um primeiro momento em dirigentes da ECT indicados pelo PTB”, Roberto Jefferson, então deputado e já presidente do partido, resolveu denunciar a existência de um esquema mais amplo, pelo qual “parlamentares que compunham a chamada ‘base aliada’, recebiam periodicamente, recursos do Partido dos Trabalhadores em razão do seu apoio ao governo federal, constituindo o que se denominou como ‘mensalão’”. Segundo Antônio Fernando, “todas as imputações feitas pelo ex-deputado Roberto Jefferson ficaram comprovadas”.
“O conjunto probatório produzido no âmbito do presente inquérito demonstra a existência de uma sofisticada organização criminosa, dividida em setores de atuação, que se estruturou profissionalmente para a prática de crimes como peculato, lavagem de dinheiro, corrupção ativa, gestão fraudulenta, além das mais variadas formas de fraude”, conclui o ex-procurador-geral da República.
Setores de atuação

A acusação da Procuradoria-Geral da República foi aceita pelo Supremo Tribunal Federal, que abriu a Ação Penal 470, transformando os acusados em réus. O caso foi relatado pelo ministro Joaquim Barbosa. No relatório que detalha a ação, ele repete o que foi narrado por Antônio Fernando de Souza, e estabelece que a organização era dividida em “setores de atuação”.
Havia o “grupo político”, formado pelo ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, pelo ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, pelo ex-presidente do partido José Genoino e pelo também dirigente petista Sílvio Pereira. A função desse grupo era obter junto aos aliados o suporte político para o projeto de poder do partido.
Para viabilizar tal “suporte político”, uniu-se o “grupo operacional”, capitaneado por Marcos Valério. O publicitário mineiro repetiu para o PT o que fizera para o PSDB em Minas Gerais, “especialmente a partir do um esquema baseado em empréstimos feitos “em troca de vantagens patrimoniais no governo federal”. Para garantir o necessário suporte financeiro ao esquema imaginado, juntou-se o terceiro grupo, o “financeiro”, formado pelos executivos do Banco Rural e do BMG.
Memorial

O último documento que o Congresso em Foco torna disponível é o memorial feito pelo atual procurador-geral da República, Roberto Gurgel. O memorial tem sete páginas de apresentação, e mais 338 páginas que resumem as peças de todo o processo, os depoimentos dos réus e testemunhas, documentos do Banco Central, auditorias da Controladoria Geral da União (CGU), documentos do governo dos Estados Unidos que atestariam o crime de lavagem de dinheiro por parte do publicitário Duda Mendonça (responsável pela campanha vitoria do ex-presidente Lula em 2002) e perícias técnicas e contábeis. Ontem (31), o ministro Joaquim Barbosa tornou o memorial disponível aos advogados dos réus.
O Congresso em Foco não obteve a íntegra das sete páginas da apresentação, mas apenas das outras 338 páginas que detalham o processo. Na apresentação, Gurgel classifica o caso que ficou conhecido como “mensalão” como o mais “atrevido esquema de corrupção” da história.
Nas demais 338 páginas, ele destaca trechos do processo. Aponta, por exemplo, que exames contábeis feitas nas contas das empresas de Marcos Valério apontam a existência de fraudes para tentar explicar o empréstimo concedido ao PT. “O contador e os prepostos executaram verdadeira engenharia contábil (…) criando a falsa ideia de que somente o PT foi beneficiário dos recursos”. Documento do Banco Central mencionado por Gurgel no memorial diz que “os empréstimos foram concedidos sem qualquer embasamento técnico de crédito, sendo os valores totalmente incompatíveis com a capacidade financeira” das empresas de Marcos Valério envolvidas. Avalistas dos empréstimos, Genoino e Delúbio, afirmam, ambos, em depoimento, não ter condições financeiras para avalizar os valores emprestados, respectivamente R$ 19 e R$ 10 milhões.
Destaca ainda que a mulher e sócia de Marcos Valério, Renilda Maria Santiago Fernandes de Souza, em depoimento à CPI dos Correios, afirmou que José Dirceu sabia da existência dos empréstimos. “A única coisa que ele me falou é que dr – na época, ministro – José Dirceu sabia dos empréstimos”, disse ela. Na mesma CPI, perguntado sobre o depoimento de sua mulher pelo então deputado Júlio Redecker (PSDB-RS), Marcos Valério respondeu: “Eu confirmo o depoimento de minha esposa”.

O procurador-geral da República ainda menciona de depoimento da executiva do Banco Rural, Kática Rabelo, à CPI dos Correios, na qual ela diz que Marcos Valério “era um facilitador para a interlocução do Banco Rural junto a várias pessoas” para tratar de uma questão que era do interesse do banco, a liquidação extrajudicial do Banco Mercantil de Pernambuco, do qual o Rural tinha uma participação de 22%. Na ocasião, o então deputado Gustavo Fruet (na época no PSDB e hoje candidato pelo PDT à prefeitura de Curitiba, com o apoio do PT), perguntou se ela poderia nominar quem eram as tais “pessoas”. Kátia respondeu: “Perfeitamente. Uma das pessoas com a qual nós tratamos desse assunto foi o ministro José Dirceu”.
O memorial traz ainda relatos de retiradas de dinheiro em espécie no Banco Rural em caixas ou “malas do tipo 007”. Não contém, porém, muitos trechos de depoimentos nos quais os réus se defendam das acusações ou as rebatam.
Colaboraram Fábio Góis e Mariana Haubert/Congresso Em Foco )

Escândalo: Câmara tem 1,3 mil servidores com vencimentos acima do teto de R$ 26,7 mil





Carlos Newton


Reportagem de Cristiane Jungblut e Isabel Braga, no Globo, revela que o Legislativo têm salário médio de R$ 15 mil, o maior entre os três poderes da União, com exceção da média dos salários do Ministério Público Federal. Na lista da Câmara, mais um escândalo: 1,3 mil servidores têm vencimentos brutos acima do teto do funcionalismo de R$ 26,7 mil, estabelecido pelos vencimentos de ministro do Supremo.
A estimativa é de que Câmara e Senado juntos tenham mais de 1,5 mil servidores com vencimentos brutos acima do teto constitucional. Só na ativa, as duas Casas têm mais de 22 mil servidores, entre efetivos e comissionados, mas os maiores salários são pagos aos concursados, 3 mil no Senado e 3,3 mil na Câmara.
Devido à proibição constitucional, na Câmaraapenas 170 marajás (140 inativos e 30 da ativa) efetivamente recebem pagamento líquido acima dos R$ 26,7 mil. Na maior parte dos casos, é aplicado o chamado “abate teto”, cortando os valores acima do limite constitucional.
O pior de tudo é saber que o Sindicato dos Servidores do Legislativo (Sindilegis) conseguiu, na noite de segunda-feira, uma decisão liminar que impede a divulgação dos nomes dos servidores da Câmara ao lado de seus respectivos salários e tenta garantir o mesmo em relação aos servidores do Senado.
A principal batalha dos funcionários do Legislativo era justamente evitar que seus nomes fossem divulgados, conforme determina a Lei de Acesso à Informação e sua regulamentação pelas duas Casas. Certamente, têm vergonha de serem assim privilegiados, num país como Brasil.

( Tribuna da Internet )

Com apoio de Lula e aval de colegas do Supremo, Toffoli vai julgar mensalão



Vera Rosa, Felipe Recondo e Mariângela Galucci  (Estadão)

O ministro do Supremo Tribunal Federal José Antônio Dias Toffoli vai participar do julgamento do mensalão, que começa esta quinta-feira, e deve durar mais de um mês. Em conversas reservadas, Toffoli disse não ver motivos para se declarar impedido. Acrescentou que a pressão para ficar de fora só o estimulou a atuar no caso.
Amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para quem também não há motivos de impedimento, e do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu – apontado pelo Ministério Público como “chefe da quadrilha” do mensalão –, Toffoli construiu sua carreira jurídica dentro do PT. Ele foi advogado do partido – destacando-se na liderança petista na Câmara dos Deputados nos anos 1990, e na consultoria de campanhas eleitorais –, assessor jurídico da Casa Civil quando o ministro era Dirceu e advogado-geral da União do governo Lula.

Antes de assumir a cadeira no Supremo, Toffoli também atuou como advogado do próprio Dirceu em algumas ocasiões. Até 2009, ele era sócio no escritório da advogada Roberta Maria Rangel, hoje sua namorada, que defendeu outros acusados de envolvimento no mensalão, como os deputados Professor Luizinho (PT-SP), então líder do governo, e Paulo Rocha (PT-PA).
Indicado para assumir a presidência do Tribunal Superior Eleitoral em 2014, Toffoli se diz contrariado com as dúvidas lançadas sobre sua isenção – questionamentos são feitos desde que tomou posse no STF em 2009. “Eu já estou participando desse processo. Não vou sair de jeito nenhum”, disse o ministro, segundo relato de um interlocutor.
Toffoli já analisou, por exemplo, recursos de advogados de defesa dos réus nessa fase anterior ao início do julgamento de fato.
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SINALIZAÇÃO
O presidente do STF, Carlos Ayres Britto, afirmou na segunda-feira, 30, que a participação do colega na análise de questões relativas ao processo do mensalão indica que ele não vai se declarar impedido. “Não me compete opinar sobre nada, se ele vai ou se não vai (julgar o mensalão), e não quero ser mal interpretado. Agora, isso (participar de etapas anteriores) sinaliza participação. Sem dúvida”, disse na segunda em Brasília o presidente do Supremo.
Não há pressão na Corte para que ele não julgue o caso. Nos bastidores, os comentários são de que o Supremo é movido “por espírito de corpo” e, portanto, outros integrantes da Corte, também com ligações políticas, poderiam ser alvos de suspeição e sofrer o mesmo constrangimento caso Toffoli fique fora.
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EXEMPLOS
Na tentativa de desqualificar a pressão sobre Toffoli, dirigentes petistas ressuscitaram a filiação de Ayres Britto ao PT nos anos 90. Lembraram, por exemplo, que ele foi candidato a deputado federal pelo PT de Sergipe, em 1990, e, na época, mantinha ótimo relacionamento com Dirceu. Hoje, o voto de Britto é computado pelo partido na lista dos contrários ao ex-ministro.
Para Marco Aurélio de Carvalho, coordenador jurídico do PT, há “incoerência” em relação à cobrança sobre a participação do ministro. “Os mesmos critérios levantados deveriam ser arguidos em relação ao ministro Ayres Britto”, afirmou Carvalho.

( Tribuna da Internet ) 

O governo vem investindo maciçamente nos esportes olímpicos.



Darcy Leite


Só o judô recebeu R$30 milhões nesse ciclo olímpico (2009-2012), para resultados pífios até agora. Só a Sarah ganhou medalha de ouro e ela foi uma das que menos recebeu dinheiro da Federação de Judô, haja vista que permaneceu treinando em sua terra natal (Piauí) e recusou-se a abandonar seu técnico, que a treina desde a infância, para vir treinar no Sudeste.

O que falta ao Ministério do Esporte é um pouco mais de visão, no sentido de oferecer também uma gama maior de recursos para a massificação dos esportes olímpicos, porque é daí que irão surgir os nossos grandes campeões.
Hoje em dia, apesar da enorme quantia de dinheiro investido,  o esporte olímpico brasileiro ainda vive de talentos individuais esporádicos surgidos praticamente do esforço e competência pessoal desses heróis.
O mérito do poder público brasileiro na formação e na vitória dos nossos “medalhas de ouro ” é quase nenhum. Em todas as Olímpíadas, o que se vê é uma quantidade muito grande de atletas medíocres,  paparicados pelo COB, e cujo rendimento final é nulo.

( Tribuna da Internet ) 

Mensalão no STF: a prova de que poder e dinheiro alucinam



Pedro do Coutto


O escândalo do Mensalão, que explodiu em 2005 e cujo julgamento vai se iniciar agora, agosto de 2012, é mais uma prova ao longo da história política do efeito alucinógeno que o poder e o dinheiro exercem sobre alguns tipos de seres humanos. Os que, por impulsos diversos, se dispõem a atravessar o abismo entre os dois lados, perdem a noção de limites, são movidos por delírios de grandeza e até de onipotência. Assim cometem os maiores desatinos.
O esquema montado no primeiro governo Lula é um exemplo. A atuação desenvolta de PC Farias, no curto período de Fernando Collor, outro. A mais que excessiva centralização de poder a que recorreu Jânio Quadros, mais um da série. A disparada dos sindicatos na administração João Goulart acrescenta-se ao processo a que me refiro. As lideranças trabalhistas estavam no governo. Mas agiam como se fossem da oposição. Queriam mais poder, mais espaço. O poder e a moeda, que tem sempre duas faces, são insaciáveis. Deslumbram.
E quando os deslumbrados atingem um patamar, logo em seguida partem em busca de degraus mais altos. Mas há um limite para tudo. Uma questão de sensibilidade, de prática, de visão. Não de ilusão.
Os economistas costumam classificar os erros administrativos em duas escalas: os de concepção e os de execução. O Mensalão foi um desastre duplo. Afinal a que se destinavam originalmente os subornos? À garantia de uma condição plenamente majoritária no Congresso. Não havia necessidade alguma de Mensalão para isso. Um problema de representação partidária.
O governo Dilma Rousseff não proporcionou condições mínimas para qualquer mensalão e alcança plena maioria parlamentar. Este o ângulo da concepção. Quem concebeu tal coisa era um absoluto idiota. Não identificou a desnecessidade. Quanto à execução, quem montou a engrenagem torpe era mais burro ainda. Não há expressão melhor para definir as articulações.
Era mais que evidente que suborno generalizado escaparia de qualquer controle. Dispara o esquema. Cada um quer receber cada vez mais que o outro. E todos ficam sabendo, sobretudo os que se recusaram a colocar-se à venda. Afinal de contas, nem tudo na vida se resolve à base do dinheiro. Há outros valores que resistem à sedução rasteira de interesses ilegítimos.
Se as combinações entre o poder público e as empresas particulares aparecem, como nos casos de Maluf, Cachoeira, Cavendish, Demóstenes Torres, imagine-se um balcão aberto de compra de apoios políticos, um supermercado de votos parlamentares. Algo impossível de ocultar. Tudo o que aconteceu depois provou a falta de necessidade absoluta. Lula, eleito em 2002 por 62 a 38 pontos, reelegeu-se em 2006 por 61 a 39%. Mais quatro anos, deixou o Planalto com apoio total da opinião pública. Tanto assim que assegurou a vitória a Dilma Rousseff por 56 a 44. Para que Mensalão?
Porém, há pessoas que perdem a noção do limite. Especialmente no plano político, em que a linha que separa a realidade da fantasia nem sempre é nítida. Ao longo de 58 anos no jornalismo, desde o tempo do Correio da Manhã, assisti a rematados absurdos cometidos até por pessoas geniais. Por isso, eram supervalorizadas e também se supervalorizavam no espelho do narcisismo. Jânio Quadros foi um, ao renunciar em 61 para que o povo o levasse de volta ao poder. Carlos Lacerda outro. Candidato à presidência da República lançado pela UDN, em 65 voltou-se contra a posse de Negrão de Lima na Guanabara e, com isso, entregou o poder a Costa e Silva. Sua candidatura acabou ali.
Claro que José Dirceu não pode ser comparado a Jânio e Lacerda. Mas, não fosse o Mensalão, teria sido eleito presidente da República em 2010. Dilma Rousseff permaneceria no Ministério de Minas e Energia. Coisas da política. Talvez do destino.

( Tribuna da Internet ) 

O futuro nas mãos do prefeito





Carlos Chagas

Começa amanhã. Com todo o respeito, jamais um julgamento igual aos outros, como disse o presidente do Supremo Tribunal Federal, Ayres Britto. Porque o processo dos mensaleiros  poderá exprimir  um divisor de águas. Uma encruzilhada onde, seguindo por um lado, a mais alta corte nacional de justiça estará decretando o começo do fim da impunidade. Optando pelo caminho oposto, comprovará sermos mesmo uma nação corrompida, realidade da qual não tem escapado nem  escaparão nossas instituições maiores.
Não se trata de condenar todos os 38 réus. Nem de absolvê-los por inteiro. Haverá gradações de culpabilidade ou até de inocência. O importante será o Supremo reconhecer que  crimes individuais praticados em conjunto  transformam o Estado em instrumento a serviço da corrupção.
Se alguém é flagrado roubando, seqüestrando ou assassinando, assistimos a um espetáculo de degradação do ser humano, claro que exposto à punição. Mas se o crime acontece envolvendo governo, partidos políticos, funcionários públicos,  parlamentares e banqueiros, a situação muda de figura. Caracteriza a erosão dos valores  que deveriam sustentar a sociedade. Demonstra a podridão do coletivo, sob o manto da impunidade.
O fundamental no julgamento a se iniciar amanhã será o reconhecimento, ou não, de ter havido mais uma quebra, talvez a definitiva, dos valores que deveriam pautar as relações humanas. A prova de nos constituirmos num país em decomposição.
A decisão, assim, repousa nos onze ministros encarregados de definir o mensalão: apenas um processo a mais para punir ou livrar bandidos ávidos de enriquecer, governantes sem escrúpulo, partidos políticos sequiosos de manter o poder a qualquer custo, banqueiros interessados em receber favores e representantes do povo que nada representsam.
Se o Supremo julgar individualmente os réus, condenando ou absolvendo cada um, terá realmente promovido um julgamento igual aos outros, onde cidadãos serão acusados de  cumprir ordens superiores ou   manipular  recursos para o caixa dois de anteriores campanhas eleitorais. Ficará tudo como está  em matéria de futuro, quer dizer, permanecerá  aberta a larga avenida  para a repetição  de tramas iguais às do mensalão. Com outros personagens ou até com alguns dos atualmente julgados.
No reverso da medalha, se os doutos integrantes do tribunal, acima e além da imprescindível apreciação de cada caso,  conseguirem identificar,  denunciar e punir  algo muito mais grave  na ação do  conjunto, grande passo estará sendo dado na luta contra a impunidade. Precisam entoar  um  grito de “basta!”  Numa palavra, importa  reconhecerem  a participação de todos os atuais  réus  numa prática tornada rotina entre nós, no caso,  o estupro da lei, da ética e dos  costumes que deveriam reger uma sociedade sadia.  Está o futuro nas mãos do Supremo.
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OS BICÕES
Anuncia-se para hoje  greve dos servidores do Judiciário. Não há coincidência alguma. É proposital o aproveitamento da oportunidade justo no  início do julgamento do mensalão, amanhã.  Nem se discute que os funcionários dos tribunais e juízos de primeira instância ganham pouco e são submetidos a condições muitas vezes degradantes. Tem todo o direito de protestar. Só que o protesto transformado em greve, nessa hora,  visa  conturbar  evento muito superior a qualquer manifestação de corporativismo.   Com isso, não é possível concordar.
As informações são de que a paralisação não irá interferir nos trabalhos do Supremo Tribunal Federal.  Tomara que não. A menos que alguns radicais decidam fazer piquetes nas portas da  mais alta corte nacional de justiça.   Nesse caso, com todo o respeito, pau neles!

( Tribuna da Internet )

Dilma não pode demitir Mantega. Lula e os banqueiros não deixam.

 

 

 

Aliás, os banqueiros já tramam contra a reeleição de Dilma. Eles preferem Lula.

Carlos Newton
A presidente Dilma Rousseff não suporta o ministro Guido Mantega. Só aceitou mantê-lo por imposição do ex-presidente Lula, que fez questão de montar o ministério de sua sucessora. Dilma aceitou a pressão, mas fez questão de nomear um economista de sua confiança para a secretaria-executiva do Ministério da Fazenda, colocando Nelson Barbosa na equipe de Mantega, para vigiá-lo bem de perto.

Mantega ficou numa posição desconfortável, mas não largou o cargo, continuou agarrado a ele com todas as suas forças. A presidente Dilma sabe que Mantega não merece crédito, porque está a serviço do “sistema financeiro” desde sua desastrosa passagem pela presidência do BNDES, quando determinou que todas as operações do BNDES fossem “intermediadas” pelos bancos, que levam uma comissão de cerca de 4% ao ano, muito maior do que a percentagem do BNDES, que entra com todos os recursos dos financiamentos.
O BNDES recebe como remuneração a chamada TJLP (Taxa de Juro de Longo Prazo, que gira em torno de 6% ao ano. Atualmente, está em 5,5%. Em alguns programas, o banco adiciona uma taxa de risco ou algo assim. Portanto, subtraindo-se a inflação, às vezes o BNDES nem recupera o dinheiro que oferece para financiamento. Mas os bancos “intermediários” têm os 3%, 3,5% ou 4% garantidos, sem investirem um só centavo.
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SERÁ QUE DILMA SABE?
Será que a presidente Dilma Rousseff tem conhecimento desse inexplicável privilégio do BNDES aos bancos? Será que ela sabe que esse favorecimento foi cortado por Carlos Lessa em 2003 e depois retomado por Mantega em 2005 e até hoje mantido pelo atual presidente Luciano Coutinho? Pode ser que saiba, mas pode ser até que nem saiba nada disso, vamos lhe conceder o chamado benefício da dúvida.
Mas, com toda certeza, Dilma Rousseff sabe que Mantega é um burocrata a serviço dos banqueiros. Aceitou mantê-lo por pressão de Lula, mas exigiu a saída de Henrique Meirelles do Banco Central. Nomeou Alexandre Tombini para o BC e agora o governo está conseguindo um milagre – começar a reduzir a taxa básica de juros, a Selic. Contra a vontade dos banqueiros, é claro.
Mantega, óbvio, era contra a redução da Selic, mas Dilma passou por cima dele como um trator. A presidente o humilha, chama a atenção dele por qualquer motivo, trata mal na frente dos outros, mas Mantega se mantém agarrado ao cargo feito um carrapato financeiro, porque acredita que possa haver um revertere, ele conhece o poder incomensurável dos banqueiros.
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PARA DERRUBAR DILMA
E esta é justamente a grande guerra que hoje se trava nos bastidores do poder. Os banqueiros agora querem destruir Dilma Rouseff de qualquer maneira, e contam com o apoio total de Guido Mantega. Para os bancos, é melhor repor Lula no Planalto do que continuar suportando o ataque de Dilma Rousseff, que está usando a força do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal contra os bancos privados.
Este é o quadro atual. O câncer de Lula foi curado, mas lhe deixou terríveis seqüelas – ele não consegue caminhar direito, tem dificuldades até mesmo para gravar uma mensagem aos eleitores de São Paulo. Na última vez que tentou, sua voz de vez em quando falhava. Agora reclama do inchaço no pescoço.
Tudo depende de Lula. Se ele se recuperar completamente, os banqueiros vão recolocá-lo no Planalto. O exame que fará no próximo dia 6 (segunda-feira) no Hospital Sírio-Libanês será muito importante. Se ele não tiver condições de fazer campanha para Fernando Haddad, a situação se delineia de uma forma. Mas se Lula estiver bem, os banqueiros soltarão foguetes e tudo farão para desestabilizar a candidatura de Dilma Rousseff à  reeleição. Como dizia o genial compositor e publicitário Miguel Gustavo, meu vizinho no famoso edifício Zacatecas, “o suspense é de matar o Hitchcock”.
Se a gente acreditasse em teoria conspiratória, iria dizer que a onda de greves, agora engrossada pelos caminhoneiros e pelos servidores do Judiciário, já estaria sendo incentivada pelos banqueiros. Mas pode ser apenas uma grande coincidência. De toda maneira, os banqueiros são amorais e capazes de tudo. Representam o que há de pior no capitalismo. Banco é serviço público, devia ser estatal. Simples assim.

( Tribuna da Internet )