Carlos Newton
Os repórteres políticos de Brasília alardeiam que, com a formação do
novo Ministério, a presidente Dilma Rousseff tenta fortalecer e criar
novas linhas de articulação política, para reduzir o poder de influência
não somente do ex-presidente Lula, como também dos dois principais
partidos da base aliada: o PT e o PMDB.
Embora as negociações do PMDB tenham sido feitas pelo próprio
vice-presidente Michel Temer, o resultado foi altamente negativo, porque
o partido não ganhou um só ministério de importância política. As
lideranças ficaram desapontadas, mas não querem passar recibo, como se
dizia antigamente. Mas o vice-líder do PMDB na Câmara, deputado baiano
Lúcio Vieira Lima, fez questão de denunciar que o único ministério de
ponta entregue ao partido, o de Minas e Energia, foi um presente de
grego, porque dará uma visibilidade negativa ao PMDB.
“A tarefa de maior importância de nosso principal ministério será o
anúncio do reajuste de tarifas”, ironizou o vice-líder, acrescentando
que os melhores ministérios foram entregues por Dilma a partidos de
menor expressão: PSD (Cidades), PROS (Educação), PR (Transportes) e PP
(Integração Nacional).
PT SEM EXPRESSÃO
O PT também se sentiu prejudicado, porque Aloizio Mercadante (Casa
Civil), Ricardo Berzoini (Comunicações), Ideli Salvatti (Direitos
Humanos), Miguel Rossetto (Secretaria-Geral da Presidência), José
Eduardo Cardozo (Justiça) e Juca Ferreira (Cultura) não foram sugeridos
pelo partido e são da cota da própria presidente Dilma.
O presidente do PT, Rui Falcão, alardeia que o partido agora faz
questão de ganhar o maior número possível de cargos federais do segundo
escalão, mas é conversa fiada. Não há a menor perspectiva, porque não
houve mudança de governo, a gestão é a mesma, os cargos dos ministérios
do PT já estão preenchidos e as vagas nos ministérios da base aliada
serão das outras legendas.
O próprio Rui Falcão (assim como Paulo Bernardo, Guido Mantega,
Miriam Belchior e Gilberto Carvalho), está ameaçado de ficar no sereno,
porque não foi candidato, seu mandato de deputado estadual termina agora
e Lula já avisou que vai mudar o comando do PT.
DILMA É PATÉTICA
O Planalto alega que a prioridade neste início de mandato é dar
liberdade de trabalho ao novo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, para
adotar uma política econômica de ajuste fiscal severo, que pode
significar a própria sobrevivência do projeto de governo. Mas ninguém
pode prever se a dupla sertaneja Dilma/Mercadante realmente respeitará o
projeto traçado por Levy com ajuda de Nelson Barbosa, novo ministro do
Planejamento.
Resumindo: a confusão é absoluta, porque Dilma adota uma postura
intransigente, ridícula e patética. Não tem liderança, não tem carisma,
não tem competência, mas julga que pode governar sozinha, com apoio
apenas de Mercadante, que também não tem liderança, não tem carisma, não
tem competência e quer ser candidato a presidente em 2018.
A dupla Dilma/Mercadante sonha em manipular Joaquim Levy e Nelson
Barbosa. É uma política arriscada. Se o Planalto pressionar Levy e
Barbosa, os dois pegam o boné e deixam o governo na mão, totalmente
desestabilizado. Eles só estão no governo para engordar currículo. Por
dentro, querem mais que o PT se exploda.
Quanto ao PMDB, o partido está esperando a hora de chegar ao poder,
em função do inevitável agravamento dos escândalos da Petrobras e do
resto do governo. Se for pedido o impeachment de Dilma, o PMDB de Michel
Temer e Eduardo Cunha aprovará no ato. O resto é folclore político,
como diz nosso amigo Sebastião Nery.