quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Gracyanne leva Belo para malhar no último dia do ano e se declara

 

 

Cantor e modelo posaram juntos após treino na academia
 
 
Foto: Reprodução/Instagram
A modelo Gracyanne Barbosa  começou o último dia 2014 fazendo uma das atividades que  mais gosta: malhar. A novidade é que nesta quarta-feira (31), a moça arrastou o marido Belo para malharem juntos.A modelo Gracyanne Barbosa  começou o último dia 2014 fazendo uma das atividades que  mais gosta: malhar. A novidade é que nesta quarta-feira (31), a moça arrastou o marido Belo para malharem juntos.

Governo dos trabalhadores ou governo contra os trabalhadores?



Carlos Chagas
Ao tomar posse na presidência da República, em janeiro de 1951, eleito pelo voto direto da população, no plenário do Palácio Tiradentes, no Rio, Getúlio Vargas jurou cumprir a Constituição. Não ficou nisso. Na calçada havia sido montado um palanque, para que ele falasse a milhares de trabalhadores lá reunidos: “Hoje, estais no governo. Amanhã, sereis o governo.”
Em janeiro de 2003, empossado como o primeiro operário que ocuparia a presidência da República, 52 anos depois, o Lula exaltou o fato de estar se iniciando no Brasil o governo dos trabalhadores. Mais ou menos, porque além dos programas sociais de caráter assistencialista, também foi o governo da continuação do neoliberalismo, das privatizações e até do mensalão. A partir de 1964 haviam sido suprimidos dezenas de direitos trabalhistas antes criados por Vargas, imaginando-se que o Lula iria restabelecê-los, a começar pela estabilidade no emprego. Não quis, ou não conseguiu, mas o que acontece hoje, quando assume outro mandato o segundo governo dos trabalhadores?
Dilma Rousseff inaugura mais quatro anos no poder sob a égide de novas supressões de direitos trabalhistas. Acaba de cortar pela metade o abono salarial, o seguro desemprego, o auxilio doença, as pensões por morte do cônjuge e até benefícios a pescadores impedidos de pescar. Demonstra a falência do governo dos trabalhadores, jogando sobre eles a fatura do combate a crises econômicas. Esperar o quê, nos próximos quatro anos, senão mais supressão de direitos, cortes nos projetos sociais, aumento de juros e desemprego?
Não se espante o trabalhador se lhe forem garfados férias, décimo terceiro, horas extras, vale-transporte e vale-alimentação. De governo dos trabalhadores passamos para o governo contra os trabalhadores. Quando desfilar em carro aberto pela Esplanada dos Ministérios, hoje à tarde, imaginará trabalhadores naqueles que eventualmente venham a aplaudi-la? Ou pelegos pagos pelo seu partido? A presidente descumpre os ideais um dia sonhados. Em vez de impulsionar conquistas, coleciona retrocessos. Logo irá colher fracassos. -
 
 

Charge do Iotti (Zero Hora)


 

Dilma sonha que se livrou da submissão a Lula, ao PT e ao PMDB



Carlos Newton
Os repórteres políticos de Brasília alardeiam que, com a formação do novo Ministério, a presidente Dilma Rousseff tenta fortalecer e criar novas linhas de articulação política, para reduzir o poder de influência não somente do ex-presidente Lula, como também dos dois principais partidos da base aliada: o PT e o PMDB.
Embora as negociações do PMDB tenham sido feitas pelo próprio vice-presidente Michel Temer, o resultado foi altamente negativo, porque o partido não ganhou um só ministério de importância política. As lideranças ficaram desapontadas, mas não querem passar recibo, como se dizia antigamente. Mas o vice-líder do PMDB na Câmara, deputado baiano Lúcio Vieira Lima, fez questão de denunciar que o único ministério de ponta entregue ao partido, o de Minas e Energia, foi um presente de grego, porque dará uma visibilidade negativa ao PMDB.
“A tarefa de maior importância de nosso principal ministério será o anúncio do reajuste de tarifas”, ironizou o vice-líder, acrescentando que os melhores ministérios foram entregues por Dilma a partidos de menor expressão: PSD (Cidades), PROS (Educação), PR (Transportes) e PP (Integração Nacional).
PT SEM EXPRESSÃO
O PT também se sentiu prejudicado, porque Aloizio Mercadante (Casa Civil), Ricardo Berzoini (Comunicações), Ideli Salvatti (Direitos Humanos), Miguel Rossetto (Secretaria-Geral da Presidência), José Eduardo Cardozo (Justiça) e Juca Ferreira (Cultura) não foram sugeridos pelo partido e são da cota da própria presidente Dilma.
O presidente do PT, Rui Falcão, alardeia que o partido agora faz questão de ganhar o maior número possível de cargos federais do segundo escalão, mas é conversa fiada. Não há a menor perspectiva, porque não houve mudança de governo, a gestão é a mesma, os cargos dos ministérios do PT já estão preenchidos e as vagas nos ministérios da base aliada serão das outras legendas.
O próprio Rui Falcão (assim como Paulo Bernardo, Guido Mantega, Miriam Belchior e Gilberto Carvalho), está ameaçado de ficar no sereno, porque não foi candidato, seu mandato de deputado estadual termina agora e Lula já avisou que vai mudar o comando do PT.
DILMA É PATÉTICA
O Planalto alega que a prioridade neste início de mandato é dar liberdade de trabalho ao novo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, para adotar uma política econômica de ajuste fiscal severo, que pode significar a própria sobrevivência do projeto de governo. Mas ninguém pode prever se a dupla sertaneja Dilma/Mercadante realmente respeitará o projeto traçado por Levy com ajuda de Nelson Barbosa, novo ministro do Planejamento.
Resumindo: a confusão é absoluta, porque Dilma adota uma postura intransigente, ridícula e patética. Não tem liderança, não tem carisma, não tem competência, mas julga que pode governar sozinha, com apoio apenas de Mercadante, que também não tem liderança, não tem carisma, não tem competência e quer ser candidato a presidente em 2018.
A dupla Dilma/Mercadante sonha em manipular Joaquim Levy e Nelson Barbosa. É  uma política arriscada. Se o Planalto pressionar Levy e Barbosa, os dois pegam o boné e deixam o governo na mão, totalmente desestabilizado. Eles só estão no governo para engordar currículo. Por dentro, querem mais que o PT se exploda.
Quanto ao PMDB, o partido está esperando a hora de chegar ao poder, em função do inevitável agravamento dos escândalos da Petrobras e do resto do governo. Se for pedido o impeachment de Dilma, o PMDB de Michel Temer e Eduardo Cunha aprovará no ato. O resto é folclore político, como diz nosso amigo Sebastião Nery.
 
 

Redução das pensões: Dilma arrisca maioria parlamentar por quase nada



Pedro do Coutto
O ministro Aloizio Mercadante, chefe da Casa Civil, anunciou que a presidente Dilma Rousseff está enviando ao Congresso projeto de Medida Provisória estabelecendo reduções em benefícios (direitos, na verdade) hoje existentes na Previdência Social, o destinado a causar maior impacto o corte de 50% nas futuras pensões deixadas para viúvos e viúvas. As propostas contidas na iniciativa presidencial encontram-se magnificamente expostas na reportagem de Luiza Damé, Geralda Doca e Catarina Alencastro. O Globo do dia 30.
Apesar da composição do Ministério, à base de divisões partidárias, não será fácil ao governo aprovar a Medida Provisória tal como a enviou ao Parlamento. Inclusive a reportagem de O Globo já registra as primeiras reações contrárias das centrais sindicais. Esse movimento, somado às críticas que vão surgir inevitavelmente na opinião pública vão ter influência no processo de aprovação. Há um elenco de cortes previstos em diversos setores previdenciários, como o fim até da pensão vitalícia para aqueles que tem até 35 anos de idade.
Algumas restrições podem ser aceitas como as que limitam o seguro desemprego, muitas vezes utilizado por parte de pessoas que preferem deixar o emprego formal, com vínculo trabalhista, para recebê-lo, embora continuem exercendo atividade remunerada, porém na informalidade. Mas o corte de 50% nas pensões é um caso à parte. Um absurdo. Em primeiro lugar, porque todos aqueles que estão contribuindo hoje para os sistemas da Previdência ou da Seguridade Social fazem-no dentro das regras estabelecidas anteriormente às fixadas pela Medida Provisória. Isso de um lado.
De outro, em termos financeiros, o corte nos direitos do pensionista de modo geral pouco vai acrescentar em termos de redução das despesas públicas. Pois é preciso levar em conta, principalmente, que o índice brasileiro de mortalidade anual é de 0,7% e a média da remuneração muito baixa. Assim, o desgaste político será grande para o governo e a compensação em matéria de corte nas despesas muito alto. Este aspecto, o da taxa de mortalidade, certamente não foi levado em conta pelos autores do projeto. Além disso, a compressão de um direito social como esse vai se transformar em fator de desgaste bastante amplo, sobretudo porque colide com as afirmações feitas pela presidente da República ao longo da campanha eleitoral.
DUAS FACES
Surgem então, diante do eleitorado, duas faces: uma assumida durante a jornada para as urnas; outra a adotada depois de proclamados os resultados. Para a oposição, tanto no Congresso quanto na opinião pública, não poderia o Poder Executivo ter feito nada melhor. Inclusive com a perspectiva de abrir uma divisão interna no próprio PT, já abalado indiretamente pelos reflexos do processo Petrobras e pelo clima psicológico reinante, causado em parte ponderável pelo baixo crescimento da economia, 0,2% apenas em 2014.
Em síntese, o corte aplicado às pensões, além de correr o risco de ser rejeitado, fazendo desabar a maioria da base aliada, ainda por cima poderá provocar divergências profundas entre os ministros nomeados e os parlamentares que sustentaram suas indicações. Isso tampouco foi levado em conta. Além de tudo, basta o temor que os cortes provocarão para que a sociedade reduza, de maneira intensa, o consumo de modo geral. O governo anuncia que os cortes produzirão que as despesas públicas caiam em 18 bilhões de reais. O que equivale a 0,3% do Produto Interno Bruto do país.
 
 

Chico Buarque, o rei e o Ano Novo


O  cantor, escritor, poeta e compositor carioca Chico Buarque de Hollanda deixou, historicamente, a ironia fazer festa na letra de “Ano Novo” contra a ditadura militar que, na época, imperava no país. O menino, na primeira estrofe, passa rapidamente da indiferença à comoção, pois o autoridade, o Rei, deseja que todos se alegrem, pois o ano novo está chegando, e ele, obediente, não contesta a ordem. Se ao rei não interessa ver a realidade, mascarem-se os fatos, oculte-se o sofrimento, a cegueira, a doença, a falta. A música ”Ano Novo” foi gravada no LP Chico Buarque de Holanda – Volume II, em 1967, pela RGE.
ANO NOVO
Chico Buarque

O rei chegou
E já mandou tocar os sinos
Na cidade inteira
É pra cantar os hinos
Hastear bandeiras
E eu que sou menino
Muito obediente
Estava indiferente
Logo me comovo
Pra ficar contente
Porque é Ano Novo
Há muito tempo
Que essa minha gente
Vai vivendo a muque
É o mesmo batente
É o mesmo batuque
Já ficou descrente
É sempre o mesmo truque
E que já viu de pé
O mesmo velho ovo
Hoje fica contente
Porque é Ano Novo
A minha nega me pediu um vestido
Novo e colorido
Pra comemorar
Eu disse:
Finja que não está descalça
Dance alguma valsa
Quero ser seu par
E ao meu amigo que não vê mais graça
Todo ano que passa
Só lhe faz chorar
Eu disse:
Homem, tenha seu orgulho
Não faça barulho
O rei não vai gostar
E quem for cego veja de repente
Todo o azul da vida
Quem estiver doente
Saia na corrida
Quem tiver presente
Traga o mais vistoso
Quem tiver juízo
Fique bem ditoso
Quem tiver sorriso
Fique lá na frente
Pois vendo valente
E tão leal seu povo
O rei fica contente
Porque é Ano Novo
(Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)
 
 

Reflexões de um esquerdista sobre o novo Ministério



René de Carvalho
Lembro que em muitas manifestações, durante o governo Allende, militantes traziam cartazes em que se podia ler “Es um gobierno de mierda, pero es de nosotros”.  Penso que podemos dizer, em nossa situação atual, que temos um ministério de merda, mas não me arriscaria a dizer que es de nosostros… É na verdade o ministério que nos coube na atual correlação de forças.
Claro, essa correlação não exige kátias e conformes, mas penso cá comigo que poderíamos apenas obter mudanças de forma, mas não de conteúdo. Sei que a correlação de forças na sociedade é melhor do que a do Parlamento… Mas foi apenas suficiente para nos dar uma vitória apertada. O que realmente me preocupa, mais do que uma vitória eleitoral apertada, é que perdemos nos últimos anos, apoio na sociedade. Penso que essa é atualmente nossa grande fragilidade.
Tenho o sentimento de que a compreensão da complexidade da relação entre correlação de forças na sociedade, no parlamento e ministério é muito importante para qualquer definição de tática. O ministério que está sendo composto busca atender à correlação de forças no parlamento, tentando obter relativa maioria parlamentar e reforçar a legalidade do mandato presidencial sob ofensiva do revanchismo oposicionista. Mas não podemos, é claro, considerá-lo um instrumento de melhoria da correlação de forças na sociedade.
CRÍTICAS NECESSÁRIAS
As críticas de esquerda ao ministério que vai sendo montado são necessárias. Seu foco talvez é que poderia ser outro. O nome dos escolhidos / indicados tem seu simbolismo, é claro. E isso importa. Mas importa bem mais os compromissos que cada ministro assume, de público, para a efetivação do programa do governo.
Cada ministro ao ser empossado deveria ser obrigado a apresentar seus planos e compromissos à sociedade: o que o governo se compromete a fazer em cada área, nos próximos quatro anos. E as metas para os dois primeiros anos.
Do jeito que as coisas ocorrem, trata-se apenas de indicações de grupos políticos, sem maiores compromissos com a população e o programa de governo que a mesma elegeu. Essa seria a meu ver a melhor contribuição de um ministério à mudança na correlação de forças na sociedade.
Mas essa mudança será apenas limitadamente fruto de composições ministeriais.  Ela dependerá essencialmente de uma ação política no amplo campo extra parlamentar. E esta carece hoje de construção de estruturas e reorientação de instrumentos de diálogo e mobilização social.
E AS BANDEIRAS?
Quais são as bandeiras do movimento sindical para os próximos quatro anos? Manter conquistas é claro, mas e além?  Para não nos atermos ao corporativismo: qual a relação das bandeiras estritamente sindicais com os avanços necessários na política nacional? Em termos agrários, outro exemplo, como definir mais precisamente a qualidade dos passos a serem dados na consolidação de assentamentos já criados, alguns deles de forte conteúdo simbólico e econômico?  Em que medida esses passos dependem de evoluções da política econômica?
E no que serão, provavelmente, os dois grandes eixos de reflexão, proposição e mobilização dos próximos anos? Quais são as bandeiras mais imediatas no plano da habitação e mobilidade urbana.  Como transformar experiências exitosas [mudanças no IPTU em SP, etc.] em bandeiras de maior alcance e propagação? Quais as bandeiras prioritárias na saúde, para os próximos anos?  Quais as medidas mais imediatas e relativamente exequíveis que podem ser exigidas das diferentes instâncias governamentais?
Como articular construtivamente todas essas bandeiras? Agir corretamente sobre essa articulação é uma questão política central.   Articulação não é somatório, juntar tudo.  Me martela a cabeça a ideia de que a soma das demandas é sempre superior  ao possível. Articular bandeiras que ultrapassem o corporativismo, em termos políticos, é definir o que é possível em cada momento e o que é essencial para ampliar os limites do possível.

TRÊS TEMAS
Me veem à cabeça três temas que me parecem estruturantes: o da reforma política, na medida em que o financiamento empresarial superestima as bancadas parlamentares que são pontas de lança da manutenção do status quo, do conservadorismo, e potencializam os processos de corrupção. A reforma fiscal, instrumento chave de diminuição das desigualdades e que pode aportar mais recursos à ação governamental. E propostas de política econômica [o que efetivamente propomos de forma fundamentada?] que precisam ainda ser amadurecidas e especificadas.
Questões essenciais devem ter ficado de fora dos rabiscos acima: a questão ambiental, a da segurança pública em particular a tenebrosa questão prisional entre outras. Mas a ideia não era ser abrangente. Apenas contribuir para a troca de ideias sobre as importantes questões da tática para o momento presente.
(Artigo enviado por Sérgio Caldieri)