sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

CERVERÓ DEU PROPINAS PARA RENAN, DELCÍDIO E JADER BARBALHO


Cerveró denuncia e Fernando Baiano confirma
Bela Megale e Graciliano RochaFolha
O ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró disse em seu acordo de delação premiada que pagou US$ 6 milhões em propina ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e ao senador Jader Barbalho (PMDB-PA). O senador petista Delcídio do Amaral (MS), preso desde 25 de novembro, também teria sido destinatário de outros US$ 2 milhões, conforme Cerveró.
Os pagamentos não viriam de uma única obra, mas de um emaranhado de propina arrecadada em vários contratos da diretoria internacional, de acordo com Cerveró.
Entre os contratos da área internacional sob suspeita de corrupção estão a construção dos navios-sonda e a compra da refinaria de Pasadena (EUA).
Embora a área internacional fosse feudo político do PMDB, Nestor Cerveró disse que foi nomeado para o cargo graças ao peso político de Delcídio – de quem havia sido braço-direito na área de gás da estatal entre 1999 e 2001.
BAIANO CONFIRMA
Outro delator da operação, o lobista Fernando Soares, o Fernando Baiano, tem uma versão parecida com a de Cerveró. Segundo Baiano, Renan e Jader teriam recebido US$ 6 milhões de propinas em contrato de navio-sonda, enquanto Delcídio teria ficado com uma “comissão” de US$ 1,5 milhão referente à compra de Pasadena.
As acusações do lobista já são investigadas no curso de um inquérito que corre em segredo de Justiça no STF (Supremo Tribunal Federal).
DEPONDO QUATRO DIAS…
O ex-diretor Cerveró concedeu depoimentos por quatro dias durante a semana passada, na superintendência da Polícia Federal de Curitiba. Ele está preso desde janeiro.
Já Delcídio está preso sob suspeita de tentar atrapalhar as investigações da Lava Jato. O petista foi detido após ter sido gravado em uma conversa com Bernardo Cerveró, filho do ex-diretor, onde propôs um plano de fuga e o pagamento de uma mesada em troca do silêncio do agora delator.
OUTRO LADO
O presidente do Senado nega a imputação feita pelo delator. Renan Calheiros afirma que sua relação com empresas públicas e privadas nunca ultrapassaram os “limites institucionais”, segundo sua assessoria de imprensa.
A Folha não conseguiu ouvir as defesas de Jader Barbalho e de Delcídio do Amaral até a publicação desta reportagem.

RENAN DESPREZA A ESTRATÉGIA DO PLANALTO E MANTÉM O RECESSO


Charge de Tamas (reprod. arttamas@blogspot.com.br)
Deu no Correio Braziliense
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), ao confirmar a sessão do Congresso Nacional desta quinta-feira, disse que pretende desafogar a pauta orçamentária. “O objetivo é encerrar, votar tudo que se refere ao orçamento de 2016 de forma definitiva e encerrar, fazer o recesso”, afirmou.
Apesar de confirmar o recesso, ele não se manifestou sobre uma possibilidade de convocação extraordinária do Congresso em janeiro, para a votação sobre o impeachment da presidente Dilma Rousseff.
Renan anunciou que devem votar hoje os projetos que concedem créditos suplementares ao Ministério da Justiça e outros órgãos do Executivo, a Lei de Diretrizes Orçamentárias e a Lei Orçamentária Anual.
No plenário do Senado, a sessão está marcada para o meio-dia. Renan pretende fazer um balanço do ano. “A produção do Senado foi muito boa, apesar da crise”, afirmou, mas ele quer votar ainda pautas que foram combinadas entre os líderes. (da Agência Estado)
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – 
Muito interessante esta mudança de direcionamento de Renan, que estava fechado com a estratégia do governo de suspender o recesso. O Planalto é meio ridículo e acha que o impeachment vai ser decidido pelas manifestações de rua. Ninguém tem coragem de chegar perto da presidente Dilma Rousseff e gritar no seu ouvido: “É a economia, estúpida!”. (C.N.)

E OS HOMENS DE BEM ESTÃO DESARMADOS…


Charge Newton Silva (reprodução Charge Online)
Percival Puggina
Não há tese errada, prejudicial ou desastrosa, sob o ponto de vista social, político, moral ou econômico, que não seja, mundo afora, abraçada pela esquerda. Desarmamento da população civil, entre elas. É inconcebível a irresponsável superficialidade, despegada do mundo real, com que os defensores do desarmamento tratam de uma questão tão prática. Transcrevo abaixo, então, para reflexão dos leitores, experiência que relatei numa crônica de 2011. Inúmeros pais de família devem ter passado por situações semelhantes.
O sino de uma igreja distante ecoara doze badaladas, dando por encerrado o dia. Caíra sobre a cidade um silêncio quase campeiro. Silêncio que faz milagres. Até os surdos ouvem o ruído da mais bem lubrificada dobradiça. Eis que a queda de um pequeno objeto faz rugir o travesseiro. Sim, sim, foi exatamente o que você ouviu, Percival. No andar térreo, alguma coisa caiu e precipitar-se ao solo por conta própria não faz parte da natureza das coisas! Na escuridão da casa, no desprotegido abandono do leito, um calafrio se insere sob o pijama e percorre a coluna vertebral em velocidade vertiginosa, imantando os cabelos da nuca, que se erguem em apavorada prontidão.
Suponha-se vivendo tal situação, leitor. Uma verdade alarmante se instala na consciência: você é o homem da casa. Cabe-lhe agir. Suas possibilidades serão poucas. Você, por exemplo, pode ser um seguidor dos maus conselhos da esquerda, que atribui a mortandade de brasileiros à arma trancafiada na gaveta do cidadão de bem. Consequentemente, terá aderido à tese de que a promoção de nossa segurança, em igualdade de condições com quem nos agride, deve ser monopólio do Estado. Você entregou ao Estado as armas que tinha… Nesse caso, pegará o telefone e chamará a polícia. Tenha fé que em questão de segundos sua casa será palco de verdadeira operação de salvamento. Haverá PMs enfiando-se sob as portas e subindo paredes como lagartixas. O visitante noturno desejará ter nascido astronauta.
Mas não, você tem uma arma em casa. Se você for dos que se submeteram à peregrinação imposta a quem pretende ter e conservar arma legalmente havida, veja bem o que vai fazer com ela porque a lei não trabalha em seu favor. Mas se for dos que se recusaram a ser achacados por mais e mais taxas, a correr atrás de renovações de licenças e a tirar negativas que vencem antes de saírem da impressora da repartição, deixe a arma onde estiver. É o que o governo quer. Você não imagina o bode que vai dar se pegar aquele objeto. Parta para outra. Repasse mentalmente tudo que aprendeu nos filmes de Bruce Lee, Van Damme e Chuck Norris. Afinal, se até o Steven Seagal, gordo como está, é capaz de surrar meia dúzia com uma mão nas costas, você muito provavelmente conseguirá dar um bom corretivo no invasor antes de que ele possa dizer “Fui!”.
TESE PRONTA
Neste país da tese pronta, do relatório técnico copiado da Wikipedia, tenho ouvido muita gente defender o desarmamento tirando do bolso o discurso segundo o qual, num assalto, a chance de sofrer lesão física é muito maior entre os que reagem do que entre os que não reagem. Não tenho dúvidas quanto a isso porque, geralmente, a reação é estabanada e o fator surpresa corre a favor do assaltante. Em situações assim, evite mesmo reagir. Mas existem muitas outras em que as circunstâncias facultam à vítima essa vantagem, seja preparando-se ela para surpreender o agressor, seja espantando-o com um tiro de advertência.
Só alguém muito ingênuo não percebe a quem convém a condição totalmente indefesa da população civil ordeira. No campo, serve aos invasores; nas cidades aos bandidos; e na vida social e política a quem controlar o armamento. Dê uma olhada na cena desse debate. Veja quem, sistematicamente, se mobiliza pelo desarmamento. Veja quem gosta de falar em “bancada da bala” para se referir aos parlamentares que querem ver respeitados os direitos de autodefesa dos cidadãos. E saiba: a ingenuidade nunca foi atributo deles! Não vou cobrar royalties por esta verdade cristalina: o crime organizado, o PCC, o Comando Vermelho e o governo estão afinadinhos com o desarmamento da população.


MUDAR O REGIME PARA ACABAR COM A CORRUPÇÃO



Carlos Chagas
Amplia-se a corrupção. A cada dia surgem novas denúncias contra políticos, partidos, altos funcionários públicos e empresários. Alguns encontram-se na cadeia, outros em prisão domiciliar, estes aguardando sentenças, aqueles à beira de um ataque de nervos. Mas a maioria vai muito bem, obrigado. Seu exemplo é perfeito. O festival de corrupção explicita generalizado a partir do governo Lula e exposto ao máximo durante o governo Dilma vai conseguindo efeito singular junto à opinião pública: reduzir a capacidade de indignação do cidadão comum, aumentando-lhe a cobiça.
A lista de criminosos denunciados em cascata já não irrita nem assusta a população. Pelo contrario, acende sua inveja, pela evidência de estarem envolvidos com sucesso os mais favorecidos pela roubalheira, primeiro parlamentares e detentores de cargos de nível na administração e na economia do país, mas logo também aqueles que, por se encontrarem de fora, almejam ir para dentro. Fora algumas exceções, comportam-se todos como se nada pareça incomodá-los. Imaginam-se blindados e protegidos pelo regime vigente, pelas leis e regulamentos de espécies variadas. Quando recebem a acusação de ter recebido propinas, promovido desvio de dinheiros públicos e multiplicado de forma irregular suas contas bancárias, aqui ou no exterior, a tentação e a  reação surge sempre maior entre aqueles que apenas observam, já sem protestar: melhor aproveitar, quando der.
A nação está corrompida entre os que roubam e os que não reagem. Estes, certos de que não adiantará nada ser honesto, parecendo preferível seguir o exemplo daqueles, acreditando na possibilidade de lucrar com os usos e costumes adotados pelos outros.
À medida em que o tempo passa, mais se aprofunda essa dupla   prática. Claro que aqui e ali a Justiça consegue resultados. Bandidos têm ido parar na cadeia, mas jamais a ponto de alterar a mentalidade que nos assola.
A ÚNICA SAÍDA
Sendo assim, a única saída possível estará na mudança do regime. Nada de adotar o presidencialismo-parlamentarista ou a monarquia, iniciativas que de nada adiantariam. Muito menos transformar o Brasil numa imensa prisão.
Mudar o regime significa reduzir a diferença entre ricos e pobres. Ampliar direitos de uns e deveres de outros, misturando-os num conjunto capaz de, em algum tempo, significar igualdade. Em certos casos, pela força, mas na grande maioria, pelo convencimento. Pela demonstração da impossibilidade de ser diferente. Continuar como vamos exprime a desagregação, cuja primeira etapa está sendo a corrupção, admirada por cada vez mais gente…



UMA VITÓRIA DE PIRRO NO SUPREMO, QUE ACABA SENDO DERROTA



Charge de Bessa (reprodução de livreimprensa.com.br)
Carlos Newton
Houve comemoração ontem à noite no Planalto/Alvorada, no PT e no Instituto Lula. Festejou-se o que se pensou ser uma vitória, mas agora de manhã, mesmo na ressaca, é preciso racionalizar o que aconteceu. O Supremo Tribunal Federal, presidido por Ricardo Lewandowski, confirmou que continua disposto a servir ao governo, desde que não dê muito na vista, algo que possa ser considerado politicamente correto, e por aí vamos. Mas tudo tem limites e o governo acabou perdendo a questão principal das ações e mandatos apresentados, porque o Supremo não teve coragem de anular a aprovação do pedido de impeachment aprovado pelo deputado Eduardo Cunha, na condição de presidente da Câmara.
Ou seja, o pedido de impeachment continua de pé, alicerçado pelo parecer favorável da Assessoria Jurídica da Câmara. O que realmente houve de positivo para o Planalto/PT/Instituto Lula foi a anulação da votação secreta para eleger a Comissão do Impeachment.
Agora, os líderes terão de aprovar nova lista, para submetê-la à Mesa da Câmara, com vistas a uma decisão simbólica, pois não haverá candidatura avulsa e a eleição será de chapa única.
O AMESTRADO PICCIANI
Nesta mesma quinta-feira, o Planalto conseguiu outra vitória, ao reconduzir o amestrado Leonardo Picciani para a liderança do PT, para indicar os oito deputados que integrarão a comissão, mas Cunha já promete que na terça-feira Picciani será derrubado por um novo líder,a briga é boa.
Enquanto esta disputa interna prossegue, cabe a pergunta: o que decidirá a tão cobiçada Comissão? Simplesmente vai dizer que apoia ou não o parecer do relator, que pode ser contra ou a favor de Dilma, dependendo dos velhos trinta dinheiros que notabilizaram Iscariotes.
Acontece que o impeachment de Dilma Rousseff na verdade será decidido pelo plenário da Câmara, em voto aberto, depois de amplamente conhecida e analisada a acusação desferida pela Assessoria Jurídica da Mesa.
VOTO ABERTO
Como aconteceu com Collor, no plenário a votação será aberta, com cada deputado proferindo seu voto ao vivo e a cores. Dilma precisa de um placar estelionatário que atinja 171 votos favoráveis. Na última eleição, teve 199 votos, mas foi no sistema secreto. Com voto aberto, esses escassos 18 votos que lhe sobraram podem se esfumaçar diante das implacáveis telas da TV.
Com as ações e recursos, o Planalto conseguiu atrasar a votação, quando deveria tentar acelerá-la. O tempo conspira contra Dilma e o Congresso vai entrar em recesso, para complicar ainda mais a situação. Enquanto isso, a economia do país vai se derretendo e o povo pobre volta a sofrer cada vez mais. A solução desta gravíssima crise fica para quando Deus quiser, como é praxe na política brasileira.

À PROCURA DO SORRISO DA AMADA, UM POEMA DE QUINTANA


O tradutor, jornalista e poeta gaúcho Mário de Miranda Quintana  (1906-1994) fez um poema à procura o sorriso de sua amada.
EU FIZ UM POEMA
Mário Quintana
Eu fiz um poema belo
e alto
como um girassol de Van Gogh
como um copo de chope sobre o mármore
de um bar
que um raio de sol atravessa
eu fiz um poema belo como um vitral
claro como um adro…
Agora
não sei que chuva o escorreu
suas palavras estão apagadas
alheias uma à outra como as palavra de um dicionário.
Eu sou como um arqueólogo decifrando as cinzas de uma cidade morta.
O vulto de um velho arqueólogo curvado sobre a terra…
Em que estrela, amor, o teu riso estará cantando?
                  Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

ECONOMIA BRASILEIRA CORRE RISCO DE FICAR ESTAGNADA POR DÉCADAS



Ricardo Paes de Barros defende renegociar a dívida
Ana Estela de Sousa PintoFolha
O governo precisa liderar um corte de gastos rápido e criterioso, ou o Brasil ficará estagnado por décadas e os pobres “sairão dos trilhos de novo”, afirma o professor Ricardo Paes de Barros, do Insper. E esse pacto precisa ser feito apesar da crise política conflagrada pelo processo de impeachment. “Não existe ajuste prolongado. Se a crise perdurar, todos sairão perdendo.”
O matemático e economista defende que a presidente Dilma Rousseff se dirija à nação, diga claramente o quanto o país pode gastar e defina cortes que sigam dois critérios principais: proteger os mais pobres e resguardar os programas eficientes.
“É preciso apelar para uma decisão técnica e não política, porque, se partir para a negociação, a quantidade de injustiça será bem maior.”
Qual o risco, para os avanços sociais recentes, de três ou quatro anos de recessão?Por que haverá três ou quatro anos de recessão? Não houve um grande desastre natural, uma guerra civil, uma gigantesca perda de atividade. Nossa crise foi inventada por nós mesmos. Se o Brasil se organizasse seriamente, uma recessão mais longa seria facilmente evitável.
Quem o sr. chama de “nós mesmos”? O governo federal?O governo federal foi eleito. Nós mesmos o elegemos.
Mas a desorganização é consequência da política do atual governo ou é estrutural?É de gastar mais dinheiro do que se tem. Da irresponsabilidade fiscal. O gasto brasileiro de hoje, como porcentagem do PIB, só se ajusta a uma curva exponencial [que tende ao infinito]. Com isso, a dívida passa a não valer nada, os agentes econômicos se defendem cobrando juros maiores, cortando a produção. Se vivo num país em que o imposto cresce exponencialmente, tenho toda a razão do mundo de reclamar. É preciso definir que a carga vai ser de, digamos, 45% do PIB, para então poder pensar em simplificar a estrutura tributária, resolver o problema da Previdência etc. A saída é definir o gasto, chamar o Congresso e discutir o que fazer. Colocamos na Constituição que tal benefício será conquistado progressivamente ou será preciso revogá-lo, porque é impossível pagar aquela conta.
Há condições de pacto social e político com a situação que temos hoje?Se não houver, o país vai ficar estagnado por décadas, não por quatro ou cinco anos. Alguém vai ter que organizar financeiramente o país, isso é prioritário e envolve fazer escolhas. Se continuarmos achando que os direitos econômicos, sociais e culturais estão acima das questões de possibilidade orçamentária não vamos a lugar nenhum. Será desastre econômico na certa. Mesmo com 100% do PIB o Brasil não consegue garantir vários desses direitos.
O que impede que a presidente assuma esse papel?A presidente é o líder máximo. Deveria se endereçar à nação e dizer “não podemos gastar mais do que temos, é preciso cortar e é justo cortar desta maneira”. Não se pode improvisar, cortando onde dá, onde é mais fácil. O que não entendo nessa história é que não tem alternativa. O desajuste é de uma magnitude, e crescente no tempo, que, sem acordo com os credores, não há solução. Não há saída que não seja aparecer com uma proposta. Vai desagradar a alguns segmentos.
Como negociar com esses segmentos?A proposta tem que ser baseada não em negociação, mas em princípios: “Escolhi cortar tudo o que não chega na metade mais pobre do Brasil, portanto vou cortar nisto e nisto”. Quem for contra terá que reclamar do princípio, não da operacionalização.
Os gastos a ser preservados são educação, saúde e transferência de renda?Será preciso olhar cada programa para não cortar os eficientes. Há a questão distributiva, mas também a da eficiência.
Como fazer isso se o Brasil quase não tem mecanismos de avaliação?Esse é um problema grosseiro. Somos pegos numa crise e não sabemos se podemos cortar aqui ou ali. Mas muitos desses programas têm similares em outros países. Dá para fazer uma avaliação rápida — imprecisa, ruim, cometendo injustiças que seriam evitadas se tivéssemos um sistema de monitoramento melhor, mas uma avaliação possível. É preciso apelar para uma decisão técnica e não política, porque, se partir para a negociação, a quantidade de injustiça será bem maior. A decisão política tem que ser a dos critérios: proteger os 50% mais pobres, que têm 15% da renda.
Qual o impacto de não fazer esses cortes?É possível dar essa marcha à ré sem que os pobres lá atrás sintam nada. Se a locomotiva volta atrás, os primeiros vagões recuam sem pressionar os últimos, porque há espaços, como numa sanfona. Mas há um limite. Em crise longa, perde todo mundo. Em crise curta, graças à enorme desigualdade brasileira, é possível resolver sem prejudicar os pobres. A desigualdade nos salários do setor público é muito maior e mais resistente que a do setor privado. É preciso conter os altos salários do setor público e fazer um corte com critérios. Mas não existe ajuste de longa duração. Se transformarmos uma crise de curta duração em uma de longa duração, estamos dizendo para os pobres: “Não tem jeito. Vocês vão sair dos trilhos de novo”.