segunda-feira, 3 de junho de 2019

Assessores de Flávio Bolsonaro não tinham crachá e jamais compareciam à Assembleia

 

Andrea Siqueira Valle, a fisiculturista que vive de faxina Foto: Juliana Dal Piva/Agência O Globo
Quando viu a equipe de reportagem, Andrea saiu logo correndo
Juliana Dal PivaO Globo
O senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) empregou nove parentes de Ana Cristina Siqueira Valle, ex-mulher do presidente Jair Bolsonaro, no período em que foi deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). A maioria deles vive em Resende, no Sul do estado do Rio e todos tiveram o sigilo fiscal e bancário quebrado por decisão do Tribunal de Justiça do Rio.
Nas últimas semanas, O Globo apurou que ao menos quatro deles têm dificuldades para comprovar que, de fato, assessoraram Flávio. Em Resende, o vendedor aposentado José Procópio Valle e Maria José de Siqueira e Silva, pai e tia de Ana Cristina, jamais tiveram crachá funcional da Alerj. Ele ficou lotado cinco anos e ela, nove.
SEM CRACHÁ – Apesar de ter nascido em Resende, a cidade não é reduto eleitoral de Flávio. Ele também não possui escritório político lá. Já a irmã Andrea Siqueira Valle e o primo Francisco Diniz constaram como funcionários por mais de uma década e só há registro de crachá para o ano de 2017.
Diniz é o que ficou mais tempo lotado, um total de 14 anos. Durante esse tempo, ele cursou a faculdade de veterinária, em período integral, em Barra Mansa, também no Sul do estado.
O grupo de familiares é alvo da investigação que apura a prática de “rachadinha” no gabinete, devido às movimentações atípicas, em um total de R$ 1,2 milhão, de Fabrício Queiroz, outro ex-assessor.
A FISICULTURISTA – Em Guarapari, no litoral do Espírito Santo, a fisiculturista Andrea Siqueira Valle, de 47 anos, é uma mulher com medo. Ao encontrar a reportagem na esquina de sua casa, Andrea começou a correr em direção ao portão de entrada do pequeno prédio onde aluga uma quitinete a R$ 800 por mês. Questionada se trabalhou para Flávio Bolsonaro, repetiu, insistentemente, que “não tinha nada a declarar”.
Quem conhece Andrea agora não imagina que, até agosto de 2018, ela tinha um salário bruto de R$ 7.326,64, além de receber um auxílio educação de R$ 1.193,36. Ela esteve lotada no gabinete de Flávio Bolsonaro desde 2008, sendo que, por nove anos, jamais teve identificação funcional. Apenas em 2017 foi pedido um crachá da Alerj em seu nome. Nesse período, ela sempre viveu em Resende, na casa dos fundos dos pais.
FAZ FAXINAS – Na cidade, Eliane Montaglione, dona da Academia Physical Form, disse que, no passado, Andrea era conhecida por participar de concursos de fisiculturismo e malhar várias vezes ao dia. O Globo apurou que Andrea trabalhava com faxina para residências. Questionada se soube que ela trabalhava na Alerj, Eliane demonstrou surpresa: “Nossa! Nunca soube.”
Atualmente, em Guarapari, as dificuldades financeiras de Andrea não são segredo. A três quadras de casa, ela malha na academia Sports Center. A proprietária Renata Mendes contou que tem permitido que ela use a academia de graça como meio de patrocínio. “Ela também me ajudou com faxina na academia. Ela faz esse tipo de serviço aqui na academia”. — contou Renata. “A filha dela já foi morar com o pai, para poder ajudar ela também”.
A única lembrança de uma pessoa próxima da família sobre a vida política de Andrea é vê-la distribuindo santinhos em período eleitoral.
O VETERINÁRIO – Lotado no gabinete de Flávio Bolsonaro por 14 anos, o veterinário Francisco Siqueira Guimarães Diniz, de 36 anos, é primo de Ana Cristina e filho de Marina Siqueira Diniz, tia da ex-mulher do presidente Jair Bolsonaro e também ex-assessora de Flávio. Tanto mãe como filho tiveram os sigilos fiscal e bancário quebrados pela decisão judicial.
Chico Diniz é conhecido em Resende por estar sempre no campo com cavalos e outros animais, exatamente como mostra sua página no Facebook. Ele foi lotado inicialmente no gabinete de Flávio quando tinha 21 anos, em fevereiro de 2003.
Dois anos depois, em 2005, ele começou a cursar a faculdade de Medicina Veterinária no Centro Universitário de Barra Mansa, cidade a 140 quilômetros do Rio e próxima a Resende.
HORÁRIO INTEGRAL – Dalila Fernanda Manduca cursou faculdade junto com Diniz e contou ao Globo que ele frequentava as aulas e se formou com ela. A faculdade era integral, as aulas ocupavam manhã e tarde. A turma concluiu o curso no fim de 2008 e Diniz se formou.
Em 2016, o primo de Ana Cristina também apareceu em uma foto da equipe H.G.VET Comércio de Produtos Agropecuários e Veterinários. A empresa, com sede na cidade paulista de Cruzeiro, confirmou que Diniz trabalhou lá por um período, mas não quis detalhar por quantos anos.
Diniz chegou a ganhar um salário bruto de R$ 7.326,64, com direito ainda a auxílio-educação de R$ 1.052,34. Ele só foi exonerado em fevereiro de 2017. Apesar de estar lotado por 14 anos, somente em 2017, quando ele só constou como funcionário por dois meses, é que foi pedido um crachá funcional da Alerj para ele.
Procurado pelo GLOBO, Diniz disse que trabalhou para Flávio Bolsonaro, mas não recordava por quanto tempo. “Trabalhei, sim. Não lembro de cabeça (o tempo)” — disse ele, por telefone. Ao ser questionado como trabalhava quando estava na faculdade em Barra Mansa, desligou o telefone.
A PROFESSORA – A aposentada Maria José Siqueira e Silva, de 77 anos, enfrenta depressão há anos. Tia de Ana Cristina, ela era professora do ensino fundamental e trabalhou no Colégio Estadual Antonina Ramos, em Resende. Devido à doença, foi deslocada para atuar na secretaria da escola. Essa situação perdurou até outubro de 2003, quando o deputado estadual Flávio Bolsonaro, em seu primeiro mandato, a requisitou para seu gabinete na Alerj.
Nessa época, já com 61 anos, Maria José deixou de vez a escola. Ficou lotada no gabinete até maio de 2012 e chegou a receber um salário bruto de R$ 4.400,06. Nunca teve crachá funcional da Alerj.
Ex-vizinha de Maria José, Maria Helena Correia trabalhou como diarista na casa da professora em 2010, quando ela estava lotada no gabinete. Disse, porém, que nunca soube que Maria José trabalhasse para Flávio. “Ela nunca saiu daqui para trabalhar fora não” — contou a ex-vizinha.
Maria José se aposentou em 2012, logo depois da exoneração no gabinete de Flávio. Procurada, disse que não iria se pronunciar.
O Ex-sogro – O vendedor aposentado José Cândido Procópio da Silva Valle, de 76 anos, é pai de Ana Cristina Valle, ex-mulher do presidente Jair Bolsonaro. Ele foi nomeado no gabinete de Flávio em 2003. Lá, teve um salário bruto que chegou a R$ 6.322,28 em 2007. Ele foi exonerado um ano depois. Durante todo o período jamais teve crachá da Alerj.
Questionado se trabalhou para Flávio Bolsonaro, ele disse que não queria falar: “Olha não tenho nada a declarar nesse momento”. Valle, no entanto, não desligou o telefone propriamente e continuou conversando com pessoas a seu redor sobre o telefonema recebido pelo Globo.
“Bati o telefone. Mas toda hora ligam, quando não é um é outro (jornalista)”— disse. Depois emendou: “Eu não ligo para isso não, que isso vai acabar em pizza mesmo. Vai dar em nada”.
Valle disse temer grampos: “Não posso falar muito nisso que posso estar grampeado“ — disse. “Falei para a (Ana) Cristina, para a Henriqueta (sua mulher), não vamos falar antes do tempo. Talvez não aconteça nada”.
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FLÁVIO: FUNCIONÁRIOS DO GABINETE ERAM ‘QUALIFICADOS’
O senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) disse que os parentes da ex-mulher do presidente Jair Bolsonaro foram nomeados em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) porque eram “qualificados para as funções que exerciam”.
Por meio de nota, Flávio disse que eles “trabalharam em diferentes áreas, mas sempre em prol do mandato, tanto que as votações enquanto deputado estadual foram crescentes”. Segundo o senador, as contratações dessas pessoas ocorreram “de forma transparente e de acordo com as regras da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj)”.
A execução do trabalho, diz o senador, também “ocorreu de acordo com as normas”. Ele disse ainda que os cargos comissionados da Alerj são de duas naturezas: “técnica (com o profissional no gabinete) e de natureza política (com o profissional na base eleitoral)”. O senador, porém, não respondeu às perguntas formuladas pelo Globo.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – O problema de Flávio é gravíssimo e o sigilo vai confirmar se houve ou não “rachadinha”. Como diz o Ministério Público estadual, os indícios são robustos, não somente contra ele, mas atingindo também muitos outros deputados. (C.N.)

Atual governo tem caráter “suicidário” e Bolsonaro devia renunciar logo ao cargo

 

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A verdade é que Bolsonaro não tem projeto e não sabe o que fazer
Leonardo Boff
As práticas políticas do atual governo estão destruindo as possibilidades de uma governança que traga alguma melhoria para o povo e aos mais destituídos. Não possui projeto de nação nenhum e mostra comportamentos indignos do cargo que ocupa.
Quando todas as portas se fecham e um governo não vê mais nenhuma saída para sua sobrevida, a alternativa é o suicídio. Este pode ser físico ou político. Com Vargas, foi físico: deu um tiro no coração. Com Jânio Quadro, foi político sob o pretexto de insuportável coação de forças ocultas. Com Collor, foi também político, renunciando antes da conclusão do impeachment.
Com Bolsonaro pode ocorrer algo semelhante, por reconhecer o Brasil como ingovernável e por causa da fortíssima pressão das corporações. Não o evitarão as manifestações do dia 26/5 nem o estranho pacto entre os três poderes, no qual o ministro Toffoli jamais deveria estar.
PIOR CAMINHO – Bolsonaro escolheu o pior caminho: o confronto com o Congresso, com o Centrão, com o STF, com a imprensa e com parte do exército. Tal estratégia debilita toda sua política. A saída seria abandonar a cena e cuidar de salvar a si mesmo e os seus familiares do alcance da justiça.
Efetivamente, o governo Bolsonaro desmantelou as quatro pilastras básicas que sustentam uma sociedade para que minimamente funcione.
A primeira, já herdada de seu antecessor, acusado em vários processos, Michel Temer: a destruição e precarização completa das leis trabalhistas. Uma nação vive do trabalho das grandes maiorias operárias que garantem a vida e a continuidade de uma nação. Concedeu tantos privilégios aos patrões que os operários foram conduzidos a uma situação similar aos inícios do capitalismo selvagem da Inglaterra, sem direitos garantidos e o desmantelamento da estrutura sindical.
DIREITOS E EDUCAÇÃO – A segunda pilastra foi o desmonte da salvaguarda dos direitos fundamentais, penalizado especialmente minorias como LGBT, indígenas e quilombolas As instituições que as implementavam foram em muito esvaziadas.
A terceira é o ataque direto à educação, às escolas, às universidades, à ciência e a suas instituições técnico-científicas. Tentou-se implantar uma “escola sem partido” para dar lugar à ideologia do partido do governo de viés conservador, ultradireitista, intolerante e fundamentalista.
Sob a questionável alegação de contingenciamento mas, na verdade, uma espécie de punição às críticas por parte da inteligência nacional e acadêmica, fizeram-se cortes substanciais à toda a rede de ensino superior e aos centros de pesquisa científica e tecnológica.
MEIO AMBIENTE – Junto a isso se distorceu totalmente a preocupação pelo meio ambiente, para privilegiar o agronegócio, descuidando da preservação da Amazônia e negando o aquecimento global por razões meramente ideológicas e até de supina ignorância.
A quarta pilastra foi a desidratação do SUS, um dos maiores programas mundiais de saúde pública, com o propósito de privatizar grande parte do sistema de saúde. Os cortes atingiram as farmácias populares e os medicamentos gratuitos para várias doenças como diabetes, HIV e outras.
E à frente dos ministérios foram colocadas pessoas sem a menor qualificação para o cargo, algumas bizarras, como a dos direitos humanos e da mulher ou incompetentes como os da educação, do meio ambiente e o das relações exteriores.
PRIVATIZAÇÃO – A sensação que se tem, é o propósito de conduzir o país aos moldes pré-modernos, congelar o parque industrial, um dos mais avançados dos países em desenvolvimento, privatizar o mais possível tudo e tudo, a ponto de o ministro da Fazenda, despudoradamente dizer a investidores em Dallas que até o palácio do Planalto poderia ser privatizado e o BB fusionado com Bank of América.
Por fim, submeteu-se à recolonização do país, condenado a ser mero exportador de commodities; compôs-se como sócio agregado ao projeto de hegemonia mundial pretendido pelos EEUU. O presidente visitou aquele país e lá cumpriu um rito de explícita vassalagem.
A consequência é a condenação do país à irrelevância. A seguir a política de cortes, poderemos ter uma grande parte da população reduzida à condição de párias. Sabemos que o Brasil é decisivo para o futuro ecológico-social da vida e do planeta.
SUBDESENVOLVIDO – Um povo ignorante por lhe negarem um ensino de qualidade e doente por não cuidarem de sua saúde, jamais conhecerá um desenvolvimento sustentado e dar uma contribuição importante à humanidade.
Bolsonaro faria bem ao país e ao mundo se renunciasse à presidência, para a qual confessou não ter vocação. Ideal seria se tivesse a generosidade mínima e um pouco de amor ao povo, para fazê-lo por si mesmo, antes de ser obrigado a isso pelo total solapamento do solo que o sustenta.

Governadores exigem que reforma da Previdência atinja os estados e municípios

 

Charge do Duke
Deu em O Globo
Governadores decidiram, neste sábado, se mobilizar para evitar que estados e municípios sejam excluídos da reforma da Previdência, o que estava sendo cogitado pelo relator da proposta, deputado Samuel Moreira (PSDB-SP), em acordo com o governo. Segundo Moreira, caberá aos líderes dos partidos na Câmara bater o martelo esta semana. Após reação negativa de governadores, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que prefere mantê-los no projeto, mas ponderou que a decisão é da Câmara e que ele não tem “nada a ver com isso”.
O plano do relator e da equipe econômica era facilitar a aprovação da reforma no Congresso. Apesar da severa crise fiscal dos estados, boa parte dos parlamentares, sobretudo do chamado “centrão”, resiste a mexer nas aposentadorias dos servidores públicos de seus estados.
LEVAR AOS LÍDERES – Moreira disse que levará o tema, “polêmico e grave”, aos líderes partidários antes de concluir seu texto. Mas ontem, alguns líderes de partidos ouvidos pelo Globo, como DEM e PR, apoiaram a exclusão de servidores estaduais e municipais.
Se forem retirados da reforma, estados e municípios precisariam tentar aprovar mudanças em suas assembleias legislativas e câmaras municipais. O governador paulista João Doria (PSDB) classificou de “temerária”, “egoísta” e “absolutamente deplorável” a possibilidade de exclusão:
“Nós dissemos isso em Brasília e vamos reafirmar aqui: essa medida é temerária, desnecessária e cria problemas de grandes dimensões para governadores e prefeitos”.
FAZER PRESSÃO – Doria afirmou que pretende juntar esforços com os outros governadores para que todos pressionem as bancadas estaduais no Congresso e impeçam a exclusão de estados e municípios da proposta. Doria, Reinaldo Azambuja (PSDB), governador do Mato Grosso do Sul, e o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), também vão discutir essas preocupações em reunião amanhã com o relator da reforma.
No sábado passado, os governadores do Sul e Sudeste reforçaram, em encontro na cidade de Gramado (RS), o apoio à proposta de reforma apresentada ao Congresso pelo governo.
“A União é feita da soma de todas as partes. Se a União exclui estados e municípios da reforma, o que pode acontecer, lá na frente, é que a própria União terá que socorrer estados e municípios sem condições de pagar suas contas por causa das atuais regras previdenciárias” — disse Leite.
DÉFICIT EM ALTA – A situação financeira dos regimes próprios de previdência é considerada dramática por economistas. O déficit das previdências estaduais saltou de R$ 47,4 bilhões, em 2014, para R$ 88,5 bilhões em 2018, segundo o especialista em contas públicas Raul Velloso.
O governador do Piauí , Wellington Dias (PT), afirmou que a exclusão significaria uma “reforma meia-sola, de faz de conta”:
“Já foi feito assim no passado: a Previdência complementar, novas regras para pensões etc. Resultado? Alguns estados, como o Piauí, aprovaram também no Legislativo. Outros, não. A União vai socorrer esses estados? Já faz isto com alguns. Quem paga a conta? O povo brasileiro”.
ECONOMIA – Segundo estudo da equipe econômica, a reforma da Previdência traria uma economia de R$ 329,4 bilhões para os estados nos próximos dez anos.
“Seria um passo particularmente grave. Esse trabalho terá que começar do princípio, multiplicado por dois mil na esfera local. Diante disso, a tendência é que nenhuma das reformas locais saia com peso tão grande quanto previsto” — observou Luís Eduardo Afonso, professor da USP.
Secretário de Fazenda de Minas Gerais, Gustavo Barbosa afirmou que “todos os estados teriam problema”. “A discussão regional dispersa a discussão, pode ter situações distintas” — observou. “A reforma previdenciária, desde 1998, sempre foi discutida no Congresso e entendemos que esse deva ser o caminho”.
WITZEL APOIA – O governador do Rio, Wilson Witzel, afirmou que “o Brasil ganha se nós enfrentarmos de uma vez por todas as questões previdenciárias no Congresso”.
“Mas, no Rio, caso seja necessário, temos a legislação pronta para apresentar à Assembleia Legislativa. A reforma da Previdência não acaba aqui” — acrescentou.
Depois de alguns governadores externarem sua oposição à medida ontem, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que quer que estados e municípios permaneçam na reforma, mas disse que o tema será definido na Câmara.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Conforme temos afirmado, o ministro Paulo Guedes está meio perdido. Essa decisão de excluir da reforma os estados e municípios foi uma das maiores maluquices dos últimos tempos. E, ao que parece, o presidente nem sabia dessa “novidade”. (C.N.)

Por que não programar um debate entre Paulo Guedes e a auditora Fattorelli?

 

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Maria Lúcia Fattorelli devia ser chamada para debater com Guedes
Antonio Carlos Fallavena 
A meu ver, o presidente Jair Bolsonaro está indo lerdo demais! O próximo passo, não ocorrendo aprovação de proposta que reorganize a Previdência, é jogar a responsabilidade no Congresso, mas individualmente nos que votem pela manutenção do lixo que hoje está nela. Na minha opinião, para evitar problemas, o congresso deve aprovar a proposta do governo, com as modificações que achar necessárias, e depois submeter a reforma ao crivo dos eleitores, através de plebiscito. Assim, caberá aos atuais e futuros segurados da Previdência não somente decidir, como também assumir os riscos. Fica bem assim? A maioria vence a todos assumem!
Pessoalmente, confesso meu desconhecimento sobre vários itens do problema. No entanto, quando o debate é tão extremado (déficit e superávit são extremos), fico com a certeza de que alguém mente, e mente muito.
DUAS VERSÕES – A auditora Maria Lúcia Fattorelli, nos últimos anos, tem falado, escrito e tudo o mais, proclamando que “é preciso retirar a máscara do falacioso déficit da Previdência”. E a oposição usa as teorias e dados dela para combater a proposta?
Já o ministro da Economia, Paulo Guedes, mantém sob sigilo alguns números da Previdência, mas garante que o país está à beira do abismo e tem de aprovar a reforma de qualquer jeito, caso contrário haverá o caos.
Pergunta de um cidadão que deseja resposta correta: com quem está a verdade? Será que alguém, em algum dos lados, pensou em programar um debate sobre o tema entre a auditora Fatorelli e o atual ministro Guedes? Seria o espetáculo da década!

‘Já falei que não entendia de economia?’, alega Bolsonaro, indagado sobre o PIB

 

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)
Deu em O Tempo(Estadão Conteúdo)
O presidente da República, Jair Bolsonaro, declarou não entender de economia ao ser perguntado sobre projeções para o país após o Produto Interno Bruto (PIB) cair 0,2% no primeiro trimestre do ano. Ele relacionou o cenário de melhora com questões externas, além da necessidade de aprovar a reforma da Previdência, e afastou a possibilidade de criar impostos.
“Já falei que não entendia de economia? Quem entendia afundou o Brasil, eu confio 100% na economia do Paulo Guedes”, declarou Bolsonaro, após um almoço na residência de um amigo no Lago Sul, em Brasília. “A gente quer melhorar os nossos índices aqui, agora passa por questões até externas”, acrescentou.
LIBERAR FGTS – Ele citou possibilidade de o governo autorizar a liberação de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e afirmou que isso está sendo estudado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes. Prometeu apresentar novas medidas para os Estados após a reforma da Previdência.
“Da minha parte, está descartada qualquer possibilidade de novo imposto ou majorar qualquer imposto, isso não existe”, destacou.
Ele ressaltou a importância de o Congresso aprovar o crédito suplementar solicitado pelo governo para garantir o pagamento da Previdência, de subsídios e de benefícios assistenciais. O governo, afirmou, está trabalhando para garantir a promessa de pagar a 13º parcela do Bolsa Família por meio do combate a fraudes no benefício.
PERDA DE VALIDADE – Em relação a medidas provisórias, disse aguardar decisões do Congresso para encaminhamentos. A MP do Saneamento, por exemplo, perde a validade se não for aprovada até esta segunda-feira, 3. O texto não está na pauta da Câmara ou do Senado.
O presidente não quis falar sobre alternativas antes do prazo. Sobre a que promove um pente-fino em pagamentos do INSS, afirmou acreditar na aprovação segunda-feira, no Senado.
Ele manifestou expectativa de o Senado aprovar a MP que altera o Código Florestal também na segunda-feira, prazo final para o Congresso votar o texto.
ALCOLUMBRE VETOU – O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), no entanto, já garantiu que os senadores não votarão o texto. Para Bolsonaro, a bancada ruralista tem metade dos parlamentares no Congresso e poderia se mobilizar para aprovar a medida na segunda.
Bolsonaro defendeu a manutenção de Estados e municípios nas mudanças do sistema previdenciário, conforme a reforma encaminhada pelo governo ao Congresso. Ele ponderou, no entanto, que há impasse na Câmara sobre a situação por conta de desgaste entre parlamentares.
“Isso está sendo acertado pela Câmara. O que nós gostaríamos é que fosse tudo junto”, comentou Bolsonaro após participar de um churrasco na casa de um amigo, em Brasília “Está esse impasse dentro da Câmara e eu não tenho nada a ver com isso. A Câmara é que decide agora”, declarou.
NO ORIGINAL – O presidente disse querer aprovar o texto “basicamente como chegou lá”. De acordo com ele, alguns parlamentares até são favoráveis à reforma, mas votam contra por causa do desgaste política. “Espero que o pessoal se entenda”, disse.
Ele manifestou confiança na aprovação da reforma em até 20 dias na Comissão Especial da Câmara e ainda fez um aceno ao relator do texto, Samuel Moreira (PSDB-SP), afirmando que o deputado está trabalhando para aprovar “o que for possível da proposta” do governo.
O presidente classificou a medida como a “mãe” de todas as outras reformas e prometeu anunciar outras soluções para Estados após a conclusão da Previdência.
PETROBRAS – O presidente voltou a falar que não vai interferir nas decisões da Petrobras sobre o preço de combustíveis e comemorou a redução do valor nas refinarias anunciada na sexta-feira.
“A gente não vai interferir na Petrobras, eu não tenho como interferir. A minha interferência é demitindo ou não o presidente e seus diretores. Para que fazer isso aí? Eu confio no Castello Branco (Roberto Castello Branco, presidente da estatal), indicado pelo Paulo Guedes (ministro da Economia), uma pessoa que está sendo ‘dez’ lá, no nosso entendimento”, comentou Bolsonaro.
Para o presidente da República, a estatal levou em consideração “questões técnicas” para tomar a decisão de diminuir os preços.
SEM PRESSÃO – Ele afirmou que não conversou com Castello Branco antes da decisão, como havia feito em fevereiro – quando a interferência segurou o reajuste do diesel decidido pela petrolífera e terminou prejudicando a empresa -, mas declarou que recebeu a notícia do próprio dirigente da Petrobras após a decisão. “Eu não sou aquela outra candidata, ou melhor, presidente, de saia, como alguns tentaram pejorativamente me taxar. Não existe isso”, afirmou, em relação à ex-presidente Dilma Rousseff.
Segundo Bolsonaro já disse, no episódio anterior o próprio presidente da Petrobras resolveu – após uma ligação dele – adiar o reajuste do diesel para um índice “muito próximo” do que estava previsto, e não cancelar o aumento. “Não houve interferência nossa.”
EDUCAÇÃO – Na área da Educação, o presidente prometeu divulgar nas próximas semanas ações para as universidades federais, que foram alvos de bloqueios orçamentários, mas não quis adiantar quais medidas o governo adotará na área.
O Ministério da Educação divulgou uma nota uma afirmando que professores e alunos não podem divulgar e estimular protestos durante o horário escolar.
O presidente relatou que não conversou com o ministro da pasta, Abraham Weintraub, sobre o assunto. “O que eu sempre recomendo aos ministros é o menos de marola possível. Faz a coisa em silêncio. Há interpretação, muitas vezes, equivocada e isso não é bom para a gente”, comentou Bolsonaro quando perguntado sobre a nota.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Fica clara a estratégia de Bolsonaro. Na sua malandragem rasteira, digamos assim, ela pensa (?) que pode se eximir da responsabilidade pela crise da recessão e do desemprego, bastando dizer que não entende de economia. A seu ver, a culpa assim será toda do Paulo Guedes, que não tem barbicha mas se adapta bem à função de bode expiatório. Realmente, Bolsonaro não parece ser deste mundo. (C.N.)

Aos 101 anos, morre Mello Bastos, o piloto que levou Jango a salvo até Porto Alegre em 1961

 

Com sua mulher Edilena, diante da sede da amada Varig, no Rio
Ana Helena TavaresSite Quem Tem Medo da Democracia
Faleceu na última quinta-feira, 30 de maio, aos 101 anos, Paulo de Mello Bastos, conhecido como comandante Mello Bastos. Sindicalista destacado nas décadas de 1950 e 60, piloto habilidoso e militar legalista, estão, entre seus principais livros, “A caixa preta do golpe de 64” (Ed. Família Bastos) e “Salvo conduto – Um voo na história” (Ed. Garamond).
Mello Bastos foi cremado no Memorial do Carmo. Era viúvo de Edelena Bastos. Deixa as filhas Tânia Bastos Heine, advogada, e Solange Bastos, jornalista. Já havia falecido, em 2018, seu filho mais novo Pablo Bastos, conhecido como João Nery, ativista dos direitos LGBT.
HERÓI BRASILEIRO – Símbolo da legalidade, herói em um país que não cultua a memória, Paulo Mello Bastos esteve com Getúlio Vargas, na intimidade de sua fazenda em São Borja. Foi lá, com uma comitiva, para convencer Getúlio a se candidatar em 1950 e sugerir a ele que fundasse a Petrobras. Sugestão que viria a ser aceita.
Mais tarde, em 1961, já como tenente-coronel-aviador reformado e piloto da então glamourosa Varig, foi Mello Bastos quem conseguiu fazer com que, após a renúncia de Jânio Quadros, o então vice-presidente João Goulart (que voltava da China) pousasse em segurança em Porto Alegre para assumir a Presidência. O avião estava ameaçado de ser abatido por caças militares que queriam dar o golpe já naquele ano – era a “Operação Mosquito”. Como Mello Bastos se livrou disso e salvou Jango?
“Eu era comandante de avião a jato. Então, fiz um plano. Em vez de vir a 40 mil pés, 13 mil metros, eu vim a 300 pés, infringindo. Porque, como o avião de caça geralmente ataca, com metralhadora, de baixo para cima, eu vindo baixinho ele não tem espaço para me atacar, senão ele bate. Voeei baixinho sobre o oceano, para não ser localizado”, contou Mello Bastos.
SINDICALISTA – Além de piloto genial, Mello Bastos foi também um líder sindical respeitado, tendo estado à frente do Comando Geral dos Trabalhadores (CGT). No ano em que foi demitido da Varig, em 1963, rodoviários, aeronautas e tripulantes de navios petroleiros, deflagraram, em solidariedade, uma das maiores greves dos transportes que esse país já viu. Batizada de greve Mello Bastos.
Inquéritos que Mello Bastos sofreu mostram que ele era acusado de “comunista” simplesmente por fazer greve. Em 1964, era uma das lideranças mais visadas pelos golpistas. Preso, foi obrigado a se exilar. Mello Bastos partindo para o exílio. Debaixo do braço, o livro “O crime do século”.
Estava longe de ser comunista. Na entrevista ao meu primeiro livro (“O problema é ter medo do medo – O que o medo da ditadura tem a dizer à democracia”), brincou. “Na Varig, cheguei a ganhar mais de 10 mil dólares por mês, você acha que eu lutava pra diminuir meu salário?”
CONTRA A DITADURA – O tenente-coronel Mello Bastos nunca compactuou com a ditadura implantada por 21 anos pelos militares. Ditadura que exilou mentes brilhantes, como ele, destruiu sonhos, censurou, torturou e desapareceu com corpos. Por ter a farda limpa, não se poderia, ainda mais no Brasil de hoje, esperar que tivesse honras militares sobre seu caixão.
Mas ele está bem acompanhado, pois o Marechal Henrique Teixeira Lott também não as teve.
Voe em paz, Comandante!

Governo quer usar PMs de folga para fiscalizar unidades federais de proteção ambiental

 

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Ministro Salles confirma os convênios com a PMs nos Estados
Por G1 — Brasília
O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, confirmou a intenção do governo de contratar policiais militares para fiscalizarem, em horários de folga, unidades federais de proteção ambiental. A proposta foi noticiada na sexta-feira pelo jornal “O Estado de S. Paulo”. Mais tarde, em uma rede social, o ministro confirmou a intenção, e afirmou que o governo começará a implementação do plano pela Amazônia.
Segundo o jornal, a ideia do governo é possibilitar que policiais militares que já atuam na área ambiental trabalhem na fiscalização de áreas florestais em horários de folga.
BONS QUADROS –  “Em todos os estados há bons quadros de PMs ambientais prontos para nos ajudar na fiscalização de maneira complementar ao nosso efetivo e com foco no combate ao desmatamento ilegal. Começaremos pela região da Amazônia. Potencial de 900 policiais a mais nas operações”, disse Salles em sua rede social.
“O objetivo é aumentar o efetivo e ações de fiscalização, sobretudo no combate ao desmatamento ilegal na Amazônia”, disse em nota o ministério.
Pela proposta do governo, os PMs auxiliarão no trabalho dos fiscais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
PAGARÁ DIÁRIAS – O “Estado” afirmou na reportagem que o governo pagará diárias com recursos da União e essa remuneração aos PMs será feita por meio de um convênio direto entre União e cada unidade da Polícia Militar.
Ainda segundo a publicação, o governo encomendou um estudo junto às unidades da PM de todo o país para saber o tamanho do efetivo que terá à disposição e também o valor da diária dos PMs interessados no trabalho, uma vez que cada estado paga um valor diferente para os policiais.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Uma boa providência. Sai barato e os PMs têm autorização para usar armas, o que facilita a repressão ao invasores. (C.N.)