segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

Artistas e influenciadores digitais pedem a parlamentares para votarem contra Lira nas redes

 

 

Coletivo pede a deputados para declararem posicionamento

Deu no Estadão

Um coletivo de artistas e influenciadores digitais liderado pela produtora Paula Lavigne lançou uma campanha nas redes sociais para cobrar de parlamentares um posicionamento público contra a eleição de Arthur Lira (PP-AL) para a Presidência da Câmara. Nomes como Patrícia Pillar, Fábio Porchat, Ingrid Guimarães, Marcelo Adnet e Leandra Leal pedem a adesão à hashtag #LiraNão.

Os participantes da campanha do coletivo 342 Artes têm publicado mensagens parecidas com essa: “Oi, Deputado! Dia 1º é a votação para presidente da câmara. Acredito que estamos do mesmo lado: o oposto do Bolsonaro. Então, peço para você garantir publicamente que não votará em Arthur Lira. Podemos contar com você?”

COBRANÇA – Ingrid Guimarães, por exemplo, cobrou o deputado Paulo Pimenta (PT-RS), cujo partido já faz parte do bloco que declarou apoio a Rossi. Leandra Leal marcou o subtenente Gonzaga (PDT-MG). Fábio Porchat, por sua vez, mandou mensagens para Tiago Dimas (Solidariedade-TO) e Rogerio Correa (PT-MG). Julia Lemmertz pediu posicionamento de Rafael Motta (PDT-RN).

Alguns parlamentares já responderam aos questionaramentos. Tabata Amaral (PDT-SP) gravou um vídeo para dizer que apoia a campanha de Baleia Rossi (MDB-SP) por ser “o único candidato independente que tem chances reais de ganhar essa eleição”.  O deputado Paulo Ramos (PDT-RJ) respondeu à atriz Patrícia Pillar que não votaria em Arthur Lira.

Baleia Rossi agradeceu as manifestações contrárias à candidatura de Lira. “Sei que não é algo pessoal. Mas todos queremos uma Câmara independente”, escreveu ele no Twitter.Pelo Placar da Eleição na Câmara do Estadão, Lira tem 227 votos e Baleia, 132.

Publicado 

Na reta final de disputa pela Câmara, domingo de candidatos teve churrasco, fonoaudióloga e reuniões fechadas

 

 

Camila Turtelli e Daniel Weterman
Estadão

Com churrasco em área nobre de Brasília, fonoaudióloga para caprichar no discurso de agradecimento, jantar e telefonemas para garantir votos dos colegas, os deputados na disputa pela presidência da Câmara passam o domingo de sol em Brasília. A votação para a escolha do presidente para os próximos dois anos está marcada para amanhã, dia 1º, e deve começar às 19h.

Em sua segunda tentativa de comandar a Câmara, o deputado Fábio Ramalho (MDB-MG), candidato independente, treina um discurso de agradecimento pelo apoio que recebeu durante a campanha. Em seu apartamento funcional, conta com a ajuda de uma profissional da voz. Ramalho deve ainda gravar um vídeo institucional para disparar aos colegas pelo Whatsapp e, só mais tarde, pretende receber aliados para uma pequena reunião.

CHURRASCO – Um dos favoritos na disputa, o deputado Arthur Lira (PP-AL), líder do Centrão e apoiado pelo Palácio do Planalto, foi convidado a passar a tarde de sol e calor deste domingo em um churrasco, no Lago Sul, área nobre da capital federal.

A festa foi organizada pelo PL, partido comandado por Valdemar da Costa Neto, e serviu também para aparar as últimas arestas da campanha. O evento também serve de apoio ao deputado Marcelo Ramos (PL-AM), que deve ter um espaço na Mesa Diretora amanhã, dependendo da formação dos blocos.

Às vésperas da eleição, o adversário de Lira, o deputado Baleia Rossi (MDB-SP) passou o fim de semana em ligações e encontros com congressistas em busca de votos. Agora à noite, ele tem jantar marcado com a bancada feminina da Câmara dos Deputados.

APOIO – Organizado com a ajuda de Perpétua Almeida (PCdoB-AC), o evento tem como mote “mulheres que acreditam na Câmara livre e na democracia viva”. A expectativa na campanha de Baleia é contar com o apoio de 59 das 76 colegas dele na casa, como mostrou a Coluna do Estadão.

Ainda neste domingo, o DEM realiza uma reunião da bancada a portas fechadas, no Congresso. Convocada pelo presidente da legenda, ACM Neto, para tratar de assuntos partidários, o encontro deverá definir o destino da sigla nas eleições. Os deputados se dividem entre o apoio entre Baleia e Lira.

Entre os senadores, também houve um “esquenta” antes da eleição. O líder do PDT, Weverton Rocha (MA), convidou aliados para um churrasco com a presença de Rodrigo Pacheco (DEM-MG), candidato à presidência da Casa apoiado pelo atual chefe do Legislativo, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e pelo presidente Jair Bolsonaro.

Charge do Duke

 

 

TRIBUNA DA INTERNET | Charge do Duke

“Quem pensa e entende, tem a obrigação de assumir a frente!” – eis uma reflexão que todos devem fazer

 

 

Brasil-Corrupção-2016-Charge-Crise-Charge de Alexandre de Oliveira em 07.09.2016 | Brasil corrupção, Corrupção brasileira, Corrupção

Charge do Oliveira (Arquivo Google)

Antônio Fallavena

Nos tempos mais necessários de trocar opiniões, ideias, informações e sugestões, cada vez mais a sociedade brasileira se distancia da solução de seus problemas. 

Educação virou caso de estado, de justiça e de polícia! Tanto deixaram de fazer e tanto permitiram que, a mistura educação/ensino se consolidou e apresenta os resultados e as contas para nós pagamos: ambas de péssima qualidade!

BAGUNÇA INSTITUCIONAL – O país vive, nos últimos anos, uma de suas maiores bagunças institucionais e sociais.  Todo mundo manda, todo mundo decide, todo mundo tem razão, mas ninguém assume nada, muito menos a responsabilidade por seus atos e pelos resultados!

Partida e repartida, nossa sociedade acumula a cada dia mais e mais problemas. E a culpa sempre está com o outro! 

Conhecimentos gerais e/ou específicos sobre o país, o estado, os governos, são quase inexistentes. Pequenas ilhas detém elevado conhecimento e as decisões. Já o imenso mar acumula cansaço mental, ignorância, desinteresse e muita irresponsabilidade. 

SEM RUMO E DESTINO – O Brasil navega sem rumo e sem destino; sem comando e sem tripulação, lotado de brasileiros sem noção!

Hoje pela manhã, ao acordar, pensei ter sonhado com isto. Na leitura das primeiras matérias e notícias do dia, me vi na mesma realidade de ontem. Conclusão: se fosse sonho, teria se tornado realidade. Nossos líderes já se foram. Nas últimas décadas, nossas escolhas fracassaram e nós com elas. O quadro atual, está muito mais perto do “Inferno de Dante” do que do pior “dos céus de brigadeiro”! 

OBRIGAÇÃO DE IR EM FRENTE – Ontem, enquanto trabalhava em textos, recebi algo que me alertou. Espero conseguir alertá-los também! “Quem pensa e entende, tem a obrigação de assumir a frente!”. Quem espera por milagre, nunca alcança seus objetivos. Quem deixa suas responsabilidades para outros cumprir, perde a vez e a razão!

Uma sociedade é composta de pessoas. Depois dela é que vem leis e instituições! Está tudo invertido! Autoridades, representantes, nós mesmos, somos temporários. Cada um a seu tempo e quantidade de tempo. Já o país e a sociedade devem ser, necessitam ser, duradouros!  

A hora é agora! O Brasil e os pequenos brasileiros são nossa responsabilidade, dependem do que cada um de nós e de todos nós, organizadamente, fizermos a partir de agora, de hoje!

Com as vitórias na Câmara e no Senado, Bolsonaro pensa (?) que escapou do impeachment

 

 

Charge do Márcio Baraldi (Arquivo Google)

Carlos Newton

Parece uma vitória espetacular o governo eleger para presidir Câmara e Senado dois parlamentares contra o impeachment. Mas na política as aparências sempre enganam. Quando um presidente da República entra em viés de queda e tenta se socorrer comprando apoio parlamentar por 30 dinheiros, já é o prenúncio de um final desastroso.

Quinta-feira, dia 28, ao discursar em Sergipe, o presidente comemorava antecipadamente a vitória. “Se Deus quiser, segunda-feira teremos o segundo homem do Executivo, o segundo homem na linha hierárquica do Brasil, eleito aqui no Nordeste pela Câmara dos Deputados, o deputado Arthur Lira”, disse ele, demonstrando sua ignorância abissal, porque Lira não estará na linha sucessória, por ser réu em ação penal.

HÁ CONTRAINDICAÇÕES – Bolsonaro também erra grosseiramente ao julgar que ficará livre do impeachment com essa manobra de comprar o apoio de deputados do baixo clero. Como diria o escritor Dias Gomes, é claro que um “rachadista juramentado” como Arthur Lira jamais colocará em pauta algum pedido de impeachment. Mas a novela não termina aí.

A eleição de Lira é como a cloroquina e tem graves contraindicações. A principal é o dano à imagem do presidente, pois a oficialização da velha política demonstra a falta de caráter de Jair Bolsonaro, depõe contra a idoneidade dos generais que o cercam e atinge também as próprias Forças Armadas.

É claro que Bolsonaro não perderá a popularidade e a aprovação dos brasileiros que o idolatram por ter livrado o país do PT. Mas essa idolatria provém de casos patológicos de radicalismo, com traços de obsessão ou mesmo de obsediação.

LIVRE DO IMPEACHMENT? – Na sua ignorância ciclópica, Bolsonaro acha que se livrou do impeachment, mas isso não é verdade. Ele pode ser afastado pelo Supremo, caso algum dos quatro inquéritos contra ele resulte em processo.

As investigações sobre “fake news” e atos antidemocráticos se interligam e se completam, porque ambos os caminhos conduzem ao gabinete do ódio, que funciona no terceiro andar do Planalto, sob comando de Carlos Bolsonaro e do hacker Tércio Arnaud, assessor especial da Presidência da República.

Os dois outros inquéritos também se interligam e se completam, porque investigam a autoconfessada tentativa de Bolsonaro interferir na Polícia Federal e a atuação da Abin na tentativa de anular inquéritos e processos contra Flávio Bolsonaro. As provas são abundantes e irrefutáveis.

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P.S. –
  Para afastar Bolsonaro, basta um dos relatores (Alexandre de Moraes ou Cármen Lúcia) pedir a abertura de processo contra o presidente. O procurador-geral não poderá contestar a ordem, sob risco de ser acusado de crime comum – prevaricação. O Supremo então pede à Câmara a abertura do processo, que precisa da aprovação de 342 deputados. Esse fato causa a completa desmoralização do presidente. Diante das provas exibidas pelo Supremo, os deputados não terão coragem de votar contra, para também não se desmoralizarem. Com Bolsonaro fora do Planalto, afastado por 180 dias, o Centrão logo transfere apoio ao presidente interino, e vida que segue, como dizia João Saldanha. (C.N.)

“Acho que chega, meu Deus, deixe-me sozinho!”, pede o poeta, desesperadamente

 

 

João de Abreu tenta saber para onde vão os sonhos

Paulo Peres
Poemas & Canções

Formado em Letras (Português e Literatura), artista gráfico, músico e poeta carioca João de Abreu Borges (1951-2019) versificou seu “Antipanteísmo”, inconformado com a crença de que Deus e todo o universo são uma única e mesma coisa e que Deus não existe como um espírito separado.

Poetas que escreveram sobre a natureza foram com frequência adeptos do panteísmo. Um bom exemplo desta crença está em alguns poemas de Fernando Pessoa. O panteísmo ensina que Deus é todo o universo, a mente humana, as estações e todas as coisas e ideias que existem. A palavra panteísmo vem de dois termos gregos que significam tudo e Deus.

ANTIPANTEÍSMO
João de Abreu

Acho que chega, meu Deus,
De tantos ateus,
De tantos emigrantes
De suas próprias almas
Sem viver o que
aqui e agora
E só os que morreram
no passado
Ou quase no futuro
Não haverão mais de existir

Acho que chega, meu Deus,
Deixe-me sozinho,
Então,
Com meu corpo estranho
Que um dia irá partir

E eu nem tenho o direito
De saber
Para onde vão tantos sonhos
Tantos caminhos…

Está claro que não se deve contar com um governo que não existe, se é que algum dia existiu

 

 

J. Bosco

Charge do João Bosco (O Liberal)

Deu no Estadão

A palavra do presidente Jair Bolsonaro não vale nada. Diz algo num dia para desmentir suas próprias declarações no dia seguinte, desmoralizando-se como chefe de governo. Bolsonaro tornou-se sinônimo de caos – sua especialidade desde que aprontava como militar indisciplinado.

A rigor, sua gestão nem pode mais ser chamada de “governo”, pois um governo presume alguma direção, projetos claros e liderança política razoavelmente sólida. Bolsonaro não inspira nada disso: é, ao contrário, fonte de permanente inquietação e desorganização.

DILAPIDAÇÃO INSTITUCIONAL – Para o País que trabalha e produz, está claro que não se deve contar com um governo que não existe mais, se é que algum dia existiu. Pior: é preciso encontrar maneiras de defender a vida e o patrimônio da dilapidação institucional e administrativa promovida pelo bolsonarismo.

Raros são os ministros de Bolsonaro que se salvam. A mediocridade é tamanha que o País aplaude quando um ministro não faz mais que sua obrigação e não atrapalha seu setor. Em áreas estratégicas, como Educação, Saúde, Meio Ambiente e Relações Exteriores, há mais do que simples incapacidade: Bolsonaro colocou ali ministros cuja missão parece ser a de ajudá-lo a vandalizar o Brasil.

De vez em quando, alguém lembra do dever de chamar esses sabotadores à responsabilidade.

ENQUADRANDO PAZUELLO – Atendendo a uma representação do partido Cidadania, que acusa o almoxarife que comanda a Saúde, Eduardo Pazuello, de omissão diante da crise de desabastecimento de oxigênio para doentes de covid-19 em Manaus, a Procuradoria-Geral da República requereu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a instauração de inquérito.

Não deve ter sido fácil para o procurador-geral da República, Augusto Aras, fazer o requerimento, mas, premido pela indignação nacional, decidiu afinal tomar alguma providência, e o ministro do STF Ricardo Lewandowski rapidamente atendeu ao pedido de inquérito.

A insanidade no Ministério da Saúde, que agora se tornou caso de polícia, retrata com fidelidade a essência do governo Bolsonaro – mas, em defesa do intendente, enfatize-se que a responsabilidade final e soberana é de quem o colocou lá.

CULPA DO PRESIDENTE – Foi Bolsonaro quem passou os últimos meses a fazer campanha contra a vacina, contra o distanciamento social e contra as autoridades que trabalhavam para conter a pandemia. Promoveu aglomerações, receitou remédios inúteis e perigosos e escarneceu de mortos e doentes.

Pazuello, portanto, não é causa, mas consequência de um catastrófico desgoverno – cujo presidente ninguém de bom senso leva mais a sério e cujo principal fiador, o outrora superpoderoso ministro da Economia, Paulo Guedes, sai de férias e ninguém dá pela falta.

Aos brasileiros aflitos com as sombrias perspectivas econômicas após o fim do auxílio emergencial, Bolsonaro reserva o mais absoluto desdém: “Lamento muita gente passando necessidade, mas nossa capacidade de endividamento está no limite”.

NÃO ESTÁ NEM AÍ… – Ou seja, Bolsonaro não perde o sono diante do sofrimento de milhões de brasileiros a quem lhe coube governar e não toma nenhuma medida para cortar gastos e viabilizar o imprescindível auxílio emergencial.

Tampouco se empenha pelas reformas e pelas privatizações. A recente renúncia do presidente da Eletrobrás, Wilson Ferreira Júnior, está diretamente relacionada à dificuldade de tocar adiante a privatização da estatal, em razão da falta de envolvimento de Bolsonaro. Não foi o primeiro a abandonar o barco por frustração das expectativas criadas pelo discurso supostamente liberal de Bolsonaro – no qual só acreditou quem quis.

BLINDAR A FILHARADA – O objetivo de Bolsonaro na política sempre foi o de salvaguardar os interesses de seu clã. Não é por outro motivo que entrou de cabeça no processo sucessório das Mesas Diretoras do Congresso. Quer ali políticos que lhe sejam fiéis o bastante para livrá-lo do impeachment, blindar a filharada e, de quebra, aprovar meia dúzia de projetos para agradar a sua base de fanáticos.

Os mortos, os doentes, os desempregados e os famintos só lhe interessam na exata medida de seu projeto de reeleição. Foi a isso que Bolsonaro reduziu a Presidência da República.