quarta-feira, 2 de março de 2022

Partido Republicanos (leia-se Igreja Universal) continua fazendo ameaças diretas a Bolsonaro

 

 

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Edir Macedo sabe exatamente como deve tratar Bolsonaro…

Iander Porcella
Estadão

O Republicanos se afasta cada vez mais de Jair Bolsonaro (PL). Apesar de integrar a base aliada do presidente no Congresso, o partido avalia anunciar neutralidade na eleição presidencial. Em entrevista ao Estadão/Broadcast, o líder da sigla na Câmara, deputados Vinícius Carvalho (SP), reforçou a insatisfação. Segundo ele, faltam “lealdade” e “respeito” por parte do governo.

A janela partidária, que vai de 3 de março a 1.º de abril, está no centro do imbróglio. Carvalho afirmou que o Palácio do Planalto tem orientado parlamentares a privilegiarem o PL na hora de trocar de legenda. “Nós não queremos cargos, queremos ser reconhecidos e respeitados pelo potencial que nós temos e pela relevância política que nós temos”, disse o líder.

O que se falava nos bastidores ficou escancarado na semana passada, quando o presidente do Republicanos, deputado Marcos Pereira (SP), declarou que, até então, Bolsonaro só havia atrapalhado o crescimento do partido.

O Republicanos confirmou a filiação do vice-presidente Hamilton Mourão. Isso reduz a insatisfação do partido com o governo?
Não tem a ver com o governo. Esse ato de filiação do vice-presidente ao Republicanos é um alinhamento dele com relação ao perfil e ao programa ideológico do partido. Ele certamente procurou um partido que se identificasse com o seu perfil. O vice-presidente da República é leal à instituição Presidência da República, mas, quanto ao ponto de vista dele de percepção social, política, mundial, ele tem o pensamento dele de independência.

O presidente do Republicanos, deputado Marcos Pereira, disse que o presidente Jair Bolsonaro só atrapalhou o crescimento da sigla. Por quê?
Quando foi feita essa composição do PP, do PL e do Republicanos, (ficou acertado) que se deixasse à vontade para que os parlamentares que saíssem de outras chapas pudessem ter a liberdade de escolher qual seria o partido, entre esses três, no qual eles entrariam. O que está havendo, e percebe-se isso, é uma indicação, uma orientação para preferir um em detrimento de outros. Ou seja, não está havendo a reciprocidade da relação de lealdade.

Falta lealdade do governo, então?
Está faltando a lealdade no cumprimento de uma relação de governabilidade. Os três partidos fazem parte da base de sustentação do governo. Então, tem que ter, por parte dos deputados que acompanham o governo, uma liberdade para escolher com qual partido ele se identifica, não serem orientados para fazer o que eles não querem. Quem está orientando eu não sei dizer se é o presidente da República ou se não é.

O deputado Capitão Augusto, vice-presidente do PL, disse que o Republicanos poderia ser atendido com ministérios em caso de reeleição de Bolsonaro. Essas conversas estão acontecendo?
Só que nós não vivemos no tempo do futuro. Nós vivemos no hoje. Então, a promessa de que, após eleição e a reeleição do presidente, vai ter espaço para ministério não condiz com a prática de quem durante quatro anos trabalhou com lealdade a base de sustentação do governo. Não estamos falando de um partido que é estranho ou está chegando agora. É um partido que, em 90% de suas votações, tem sido leal às orientações do governo, porque entendemos, não por subserviência, a importância de se criar mecanismos para o desenvolvimento econômico, o desenvolvimento social.

O partido se sente desprestigiado? Esse histórico de lealdade do Republicanos deveria ser, a meu ver, levado em consideração em qualquer tipo de menção sobre o Republicanos. Não é um partido aleatório e distante da governabilidade, é um partido de extrema importância e que tem protagonismo. Nós temos o presidente nacional da Executiva, Marcos Pereira, que já foi vice-presidente da Câmara dos Deputados. Ele é respeitado pela palavra que cumpre, pela credibilidade que tem construído como deputado. Então, isso não está sendo levado em consideração. Nós não queremos cargos, queremos ser reconhecidos e respeitados pelo potencial que nós temos e pela relevância política que nós temos. Nós queremos ser respeitados.

Bolsonaro tem tentado atrair parlamentares do Republicanos para o PL?
Dos parlamentares do Republicanos que já ventilaram uma possibilidade de sair do partido, apenas um disse que sairia porque seguiria a orientação do presidente. Nós temos no Republicanos três deputados que já disseram que sairão, eu me reservo a condição de não poder citar os nomes, porque é preciso esperar as coisas acontecerem.

Uma eventual falta de apoio do Republicanos a Bolsonaro pode dificultar a reeleição do presidente?
Nós vivemos num cenário de narrativas. Então, todo mundo que tem a sua narrativa própria, de todos os lados, faz uma análise colocando sempre o seu posicionamento como sendo o mais importante ou sendo o mais verdadeiro. Existe, de um lado e de outro, versões. Então, quanto a essa percepção de se prejudica ou não uma reeleição, isso faz parte de um cenário político dentro das narrativas.

O que o partido vai levar em conta na hora de decidir se vai apoiar Bolsonaro, outro candidato ou se manter neutro na disputa presidencial?
Isso vai ser decidido em abril, após a reunião com a Executiva nacional e os presidentes estaduais do partido. Nós devemos observar e ouvir primeiro as peculiaridades de cada Estado. Vai ser o colegiado que vai decidir, não uma pessoa só.

Essas críticas a Bolsonaro são compartilhadas pelo bispo Edir Macedo?
O presidente Marcos Pereira, embora sendo bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus, assim como eu também sou pastor licenciado, trata da questão como sendo política, dentro de uma visão política que é discutida na bancada do Republicanos. Isso é o que posso afirmar. Se teve ou não essa ação dele com a liderança eclesiástica da Igreja eu não tenho como dizer.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – A pergunta mais importante foi a última. Quem manda no partido é o bispo Edir Macedo. Ò apoio da Igreja Universal é importantíssimo para a reeleição de Bolsonaro. E tem um preço, que é muito caro, como é de praxe na trajetória religiosa e dizimista de Macedo, que sabe fazer cobrança como ninguém. (C.N.)  

terça-feira, 1 de março de 2022

“Qualquer candidatura que fure a polarização sairá vitoriosa”, diz Eliziane Gama

 

 por John Cutrim

Líder da Bancada Feminina no Senado, a senadora Eliziane Gama também almeja um papel relevante na eleições, de preferência em uma chapa majoritária. Ela espera a definição da federação que o Cidadania irá compor para saber o seu destino, mas não esconde que aceita a ideia de ser candidata à vice-presidente da República. Confira a entrevista com a senadora.

Quais as preocupações das senadoras nas eleições?
Temos certa unidade em relação aos temas que nos tocam, como violência contra a mulher, mercado de trabalho, igualdade na representação política, mais mulheres na política, enfim, teses históricas. Acredito que, neste ano, precisamos intensificar o debate sobre participação das mulheres nas chapas majoritárias. Atualmente, temos uma governadora e sete vices, mas podemos ousar. E, com isso, insistir para ampliar a nossa participação no Congresso Nacional.

O que está sendo feito para impedir candidaturas laranjas de mulheres?
Temos problemas em relação a isso. Mas, se compararmos as candidaturas laranjas masculinas e femininas, na verdade, nem podemos comparar. Mas precisamos ampliar esse debate comprometendo os homens, sensibilizando, evitando que retirem mulheres desses espaços. E temos os efeitos da cota de mulheres e do Fundo Eleitoral, que agora destina recursos específicos para campanhas de mulheres. Por meio desse esforço, o número de deputadas dobrou na Câmara, e tivemos maior representação também no Senado. Isso mostra que as políticas públicas estão no caminho certo. Queremos desdobrar esses resultados com mais deputadas estaduais, federais e senadoras. E, como eu disse, ampliar a presença de mulheres em chapas majoritárias.

A senhora pretende ser uma dessas representantes?
Meu partido tem candidato a presidente, o senador Alessandro Vieira. No entanto, tenho colocado meu nome à disposição e estarei aí para defender. É importante participar. Estou na política há 15 anos. Percebo o quanto isso repercute em outras mulheres também. Quanto mais espaço você ocupa, mais responsabilidade se tem no que representa. Lógico que também temos a candidatura da Simone (Tebet) à frente, e que seria muito interessante ver duas mulheres numa chapa majoritária.

E quem seria o presidente ideal numa chapa com a senhora?
Estamos discutindo a federação com outros partidos. Temos algumas pessoas do campo democrático que, tenho certeza, poderiam assumir a presidência. Ciro Gomes (PDT) é bastante viável. Temos conversado com o PSDB, partido com o qual mais temos chance de federar, e também acho uma boa candidatura. Não podemos esquecer do Moro. Temos de construir uma candidatura que unifique o campo democrático e seja capaz de vencer a polarização entre Lula e Bolsonaro.

Essa via tem chance de vencer as eleições?
Acredito imensamente que qualquer candidatura que fure a bolha da polarização sairá vitoriosa. Bolsonaro só vence se for ao segundo turno com Lula, e vice-versa. Temos de chegar ao segundo turno unidos e construir a candidatura da vitória. (Do Correio Braziliense)


Escândalo da Lunus, há 20 anos, tirou Roseana Sarney da sucessão presidencial

 

  por John Cutrim

Por Manoel Santos Neto (JP) – Na tarde da sexta-feira 1º de março de 2002, aconteceu em São Luís um episódio que ganhou ampla repercussão na imprensa de todo o País: a Polícia Federal apreendeu R$ 1,34 milhão em notas de R$ 50 no escritório da empresa Lunus Serviços Participações Ltda, de Jorge Murad, marido da então governadora Roseana Sarney (PFL), pré-candidata à Presidência da República.

À época, a pefelista liderava ao lado do petista Luiz Inácio Lula da Silva as pesquisas de intenções de voto. A divulgação da imagem pela imprensa, feita seis dias após a operação da PF na empresa, que ficava na Avenida Colares Moreira, no Renascença, foi considerada fatal para Roseana, que acabou desistindo da candidatura pouco mais de um mês depois do caso.

No dia seguinte ao episódio, o Jornal Pequeno saiu com esta manchete: “Justiça Federal manda devassar empresa de Jorge Murad e Roseana”. O jornal O Estado do Maranhão estampou na capa: “Não vão me intimidar” – Roseana vê motivação política na invasão do escritório de Jorge Murad e reafirma sua candidatura.

A justificativa de Murad e de Roseana foi a de que o dinheiro era para a campanha eleitoral. A pefelista acusou a Polícia Federal de participar de um complô para beneficiar o então pré-candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra.

INVASÃO DA LUNUS

Por volta de duas horas da tarde daquela sexta-feira, oito agentes e dois delegados da Polícia Federal entraram no escritório da Avenida Colares Moreira para iniciar uma devassa completa. Com um mandado de busca nas mãos, eles abriram gavetas e pastas, também vasculharam arquivos de três empresas registradas em nome do empresário Jorge Murad e de sua mulher, a pré-candidata do PFL à Presidência da República e governadora do Maranhão, Roseana Sarney.

Além de documentos, os policiais encontraram nas gavetas R$ 1,34 milhão em dinheiro vivo. Oito horas depois, as portas do escritório foram lacradas, mas o serviço ainda não havia terminado. Os policiais combinaram retornar no fim de semana para se dedicar à leitura da papelada que não puderam examinar na sexta-feira.

“Estávamos atrás de ouro”, disse à reportagem do Jornal Pequeno um dos delegados que participaram da operação. “Mas encontramos ouro, pedras preciosas, pérolas e diamantes”.

Na época, fazia um ano que a Polícia Federal cumprira outro mandado de busca e apreensão, dessa vez num escritório de contabilidade que trabalhava para Jorge Murad. Ali se fez uma descoberta preciosa: uma detalhada documentação sobre a criação de seis empresas no paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas. Todas foram criadas entre 12 e 14 de abril de 1999.

A suspeita do Ministério Público era de que se tratava de um esquema de lavagem de dinheiro. Os responsáveis pelas empresas no exterior eram típicos “laranjas”, sem lastro financeiro para construir negócios dessa natureza.

Na sexta-feira,1º de março, um relatório da polícia das Ilhas Virgens foi encaminhado pelo Coaf, o órgão do Ministério da Fazenda dedicado ao combate à lavagem de dinheiro, ao Ministério Público. Com base nesses indícios é que a Polícia Federal foi ao escritório do marido de Roseana Sarney.

Na noite dessa sexta-feira, temendo um pedido de prisão preventiva contra o marido, a governadora Roseana Sarney mandou reforçar a segurança do Palácio dos Leões, na tradicional Avenida Pedro II. Aos interessados, ordenou que ninguém entrasse no local sem sua autorização.

Horas antes, quando soube da ação da Polícia Federal em São Luís, a governadora Roseana chorou. Em seguida, teve um ataque de fúria. “Querem me acertar”, disse em voz alta, em seu gabinete, no Palácio dos Leões. Depois disparou telefonemas. Conversou com o pai, José Sarney, com o presidente do PFL, Jorge Bornhausen, e com integrantes da bancada maranhense no Congresso Nacional. A todos reafirmou a certeza de que a ação da PF foi tomada para prejudicar sua pré-candidatura e ajudar a do tucano José Serra.

No começo da noite, depois que Jorge Bornhausen ligou para o presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, pedindo explicações, Roseana recebeu uma ligação do Palácio do Planalto. Repetiu para o presidente FHC a suspeita de uma conspiração pró-Serra. “Foi uma vergonha”, reclamou.

O presidente alegou que nem sequer sabia da operação policial, disse que estava mantendo o governo equilibrado na campanha eleitoral e pediu que a governadora ponderasse sua avaliação.

“A PF não faz uma coisa dessas sem o Ministério da Justiça saber”, reagiu a governadora ao desligar o telefone.

À noite, Roseana reuniu-se com Jorge Murad e assessores. Divulgou uma nota oficial recheada de indignação e suspeitas sobre os motivos da diligência dos agentes federais.

Na nota, qualificou a ação como uma “invasão armada”, “violência”, “arbitrariedade” de agentes da PF, órgão do Ministério da Justiça”. “O alvo não é meu marido, sou eu”, escreveu. “A violência representada por essa invasão é inaceitável num regime democrático e tem o único objetivo de me intimidar. Mas não vão conseguir. Não podemos aceitar a violação dos direitos individuais e a utilização do medo e do terror como armas políticas”, frisou.

Em conversa com um cacique do PFL, Roseana disse que não havia possibilidade de a operação ter sido deflagrada sem o consentimento do ministro da Justiça, Aloysio Nunes Ferreira, um aliado do tucano José Serra. “Se é assim que eles querem forçar o apoio do PFL para Serra estão enganados”, disse.

A organização de uma operação contra Jorge Murad era o segredo mais público da campanha eleitoral. Ouviam-se de todos os lados os murmúrios sobre a possibilidade de uma ação dessa natureza. Em várias oportunidades o candidato do PPS à Presidência da República, Ciro Gomes, anunciou que o governo preparava uma grande denúncia para envolver a candidata do PFL. Ciro estava certo.

Na operação da PF, o escritório devassado era a sede de empresas como a Lunus Participações, uma sociedade entre Jorge Murad e Roseana Sarney. João Guilherme de Abreu, então gerente de Qualidade de Vida do Governo do Estado, foi sócio do casal até janeiro de 1999.

Jorge Murad estava envolvido num inquérito da Polícia Federal que investigava desvio de R$ 44,5 milhões, destinados a financiar a Usimar, uma indústria de autopeças que seria construída no Maranhão. O financiamento foi autorizado numa reunião do Conselho Deliberativo da Sudam, realizada em São Luís em 14 de dezembro de 1999, sob a presidência de Roseana.

A governadora, seu marido e todas as 40 pessoas que participaram da reunião foram denunciadas por improbidade administrativa pelo Ministério Público Federal no dia 10 de dezembro de 2001.

Sarney faz discurso agressivo e diz que ação da PF foi “perseguição política” a Roseana

Na quarta-feira 20 de março de 2002, o senador José Sarney (PMDB-AP) foi à tribuna do Senado para declarar guerra ao presidente Fernando Henrique Cardoso e ao candidato do PSDB, José Serra.

Durante uma hora e 15 minutos, Sarney fez um discurso em tom agressivo. Disse que a ação da Polícia Federal na empresa Lunus, de propriedade da governadora Roseana Sarney e de seu marido, Jorge Murad, foi semelhante aos atos de espionagem política conhecidos como “escândalo Watergate”.

No caso Watergate, ocorrido nos Estados Unidos no início dos anos 70, ficou provado que o então presidente Richard Nixon foi conivente com a espionagem feita no Partido Democrata pelo Partido Republicano, ao qual Nixon pertencia. De acordo com Sarney, a apreensão de documentos e dinheiro na Lunus não teria configurado, como defende o governo, o simples cumprimento de um mandado judicial, em busca de provas do envolvimento da empresa no desvio de verbas públicas. A ação da PF seria parte de um plano para desestabilizar a candidatura de Roseana à Presidência da República, em benefício do candidato do Palácio do Planalto, o senador e ex-ministro da Saúde José Serra (PSDB-SP).

Com base nesse entendimento, o ex-presidente da República ameaçou em seu discurso pedir observadores à Organização das Nações Unidas (ONU), à Organização dos Estados Americanos (OEA) e ao Inter-Action Council para “assegurar a vigilância internacional da sucessão”.

Em discurso de mais de uma hora, durante o qual não permitiu apartes, José Sarney afirmou que a busca de documentos na Lunus foi uma “perseguição política” à pré-candidata do PFL.

Sarney também comparou a atuação do governo às praticadas pela Gestapo, no Nazismo, e pela polícia política, na União Soviética. “Quem acredita, neste país – qual o idiota -, que uma ação desta magnitude seria armada sem que a máquina estatal de nada soubesse ou dela não participasse? Quem nesse país não sabe que foi uma ação política suja, com propósito determinado?”, perguntou Sarney.

O senador pelo Amapá recordou diálogo que teve com o presidente Fernando Henrique Cardoso, há alguns meses, relatando informações que obteve, segundo as quais agentes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) – órgão ligado à Presidência da República – tinham se deslocado para o Maranhão, o Piauí e o Pará, com o intuito de devassar a vida de sua família e de seus amigos.

De acordo com o relato, Sarney lembrou a Fernando Henrique o prestígio internacional por ele desfrutado e disse que seu governo não podia ser conspurcado no processo de sucessão. Lembrou ao presidente o caso Watergate, que obrigou Richard Nixon a renunciar à Presidência dos Estados Unidos.

Sarney lembrou que Nixon procurava derrotar seus adversários por “métodos amorais”, mas acabou derrotado e com seu nome manchando perante a história. “Como ocorreu em Watergate, as coisas deixaram pegadas. Aqui também algum jornalista vai descobrir a trama e um dia um best-seller vai aparecer, vai surgir nosso Prêmio Pullitzer contando toda a história. E aí os responsáveis não terão como recorrer a negaças”, vaticinou o senador, em outra parte do discurso.

Para Sarney, presidente da República entre 1985 e 1989, a imagem do país no exterior foi ferida com uma “pequena frase, terrível”, publicada pela revista inglesa The Economist – por ele qualificada como “a bíblia do mundo globalizado”. Ao atribuir a Roseana a informação de que a operação contra a Lunus fora “uma conspiração orquestrada pelo governo e seu candidato à Presidência, José Serra”, a revista acrescentou: “Ela pode estar certa”.

O senador citou acusações contra o senador José Serra e ações do Ministério da Saúde, que comandava até o mês passado. Contra Serra, afirmou haver várias ações ordinárias, cautelares, civis públicas e populares, apresentando duas, por improbidade administrativa. Lamentou que “uma cortina de silêncio” tenha baixado sobre o inquérito que apura as ações no ministério do lobista Paes dos Santos.

Sarney citou publicações na imprensa apontando a criação de um centro de espionagem no Ministério da Saúde, sob o comando do ex-ministro José Serra. Lamentou que o nome da Abin – “única detentora da chave criptográfica das urnas e do sistema eleitoral”, cuja atuação deveria estar “acima de qualquer suspeita” – tenha sido envolvida no episódio.

O senador criticou as declarações diferentes feitas pelo presidente da República para qualificar as ações da Polícia Federal na Lunus e na casa do ex-presidente do Banco Central, Francisco Lopes. Segundo o senador, enquanto o presidente classificou a reação à busca e apreensão na empresa de sua filha como “uma tempestade em copo d’água”, a diligência na casa de Lopes – que encontrou um documento conferindo a ele US$ 1,6 bilhão depositados no exterior – foi qualificada por Fernando Henrique como a “volta do arbítrio no Brasil”, uma ação para a qual não cabia nenhuma justificativa.

“Processos, inquéritos, condenações políticas forjadas, foram sempre métodos de intimidação e liquidação de adversários, métodos já ultrapassados na humanidade. O Brasil não pode ter inquéritos secretos para provocar o medo, o terrorismo moral”, afirmou Sarney, acrescentando que, se Roseana não fosse candidata, “nada disso existiria”.

Atleta piauiense que mora na Ucrânia ainda não conseguiu deixar o país, relata prima

 

 

 

 

A atleta piauiense Kedma Laryssa Santos Araújo, de 20 anos, ainda não conseguiu deixar a Ucrânia. A informação foi repassada ao Cidadeverde.com pela prima da jogadora, Mari Araújo. 

"A cidade onde ela mora fica no meio das que estão sendo atacadas. Por isso não tem como ela sair de lá", relatou Mari Araújo. 

Kedma Laryssa atua no time de futebol Kryvbas Women, na cidade de Kryvyi Rih, que está localizada no Sudeste da Ucrânia. Kedma se mudou para o país em agosto de 2021, após sair do clube Tiradentes. Ela e as atletas foram transferidos para um hotel, após o início dos ataques.

A última postagem da atleta piauiense nas redes sociais foi no domingo. Ela pedia ajuda ao Governo Brasileiro para deixar o país e, ao mesmo tempo, pedia orações para que ela e as companheiras de time conseguissem sair da Ucrânia. 

Foto: Reprodução/Instagram

"Estamos bem. Seguras. Nossa cidade está bem tranquila, mas não conseguimos sair daqui ainda. Continuem orando por nós. Obrigada a todos pelas mensgem", escreveu a piauiense na última postagem nas redes sociais.

Brasileiros resgatados 

O Ministério das Relações Exteriores informou no domingo (27/02) que auxiliou 80 brasileiros a escaparem da guerra na Ucrânia, provocada pela invasão militar da Rússia, há quatro dias. Os principais destinos da comunidade brasileira foram a Polônia e a Romênia, países fronteiriços.

O Itamaraty disse que a embaixada em Kiev, capital da Ucrânia, possui registros em lista de outros 100 brasileiros, que permanecem em território ucraniano. Antes da invasão russa, a comunidade brasileira na Ucrânia era estimada em aproximadamente 500 pessoas, um grupo pequeno, conforme dados do governo federal. 

Saiba mais: Itamaraty: 80 brasileiros escaparam da guerra na Ucrânia; outros 100 permaneceram

Foto: arquivo pessoal

Rússia vs Ucrânia 

Os ataques da Rússia contra a Ucrânia começaram no dia 24 de fevereiro, com bombardeios contra alvos militares em Kiev, Kharkiv e outras cidades no centro e no leste. 

Após quatro meses de crise com o Ocidente, a guerra entre a Rússia e a Ucrânia teve início. Kiev e a Otan (aliança militar ocidental) chamaram a ação de invasão total. Essa é a mais grave crise militar na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

Foto: reprodução/gabinete do presidente da Ucrânia

Milhares de moradores de Kiev começaram a deixar a capital da Ucrânia no começo desta quinta após a Rússia iniciar a invasão a várias partes do país. A capital começa a viver um caos. Há imagens de enormes congestionamentos se formando, especialmente nos corredores de acesso às saídas da cidade.

Leia mais: Rússia ataca a Ucrânia com tanques e bombardeios em Kiev e outras cidades.

 

 

 

Nataniel Lima
 cidadeverde 

Jaques Wagner recua e retira pré-candidatura ao governo da Bahia

 

 

Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

O senador Jaques Wagner (PT) não cedeu aos apelos dos aliados e oficializou nesta segunda-feira (28) a desistência da sua pré-candidatura ao Governo da Bahia nas eleições de outubro.

O senador já havia informado ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a sua intenção em não ser candidato nas eleições deste ano. Ele tem mandato no Senado até fevereiro de 2027.

A decisão de não concorrer foi oficialmente anunciada por Wagner em uma reunião extraordinária do Diretório Estadual do PT da Bahia. Até então, ele não havia dado declarações públicas sobre a sua desistência.

"A retirada da minha candidatura não implica na retirada da candidatura do PT. Quem decidirá se terá candidatura ou não, não sou eu, será o partido", afirmou Jaques Wagner aos aliados.

A reunião teve a presença de deputados estaduais e federais, prefeitos, vereadores e dirigentes do PT. O governador Rui Costa (PT) não participou.

A partir da decisão do senador, os petistas devem se reunir nos próximos dias para discutir a tática eleitoral do partido em 2022. Os dirigentes petistas reafirmaram nesta segunda-feira a decisão do partido de ter candidatura própria ao governo baiano.

O partido, contudo, não possui nenhum nome natural para a disputa entre seus deputados, prefeitos ou secretários estaduais.
São citados como possíveis candidatos a prefeita de Lauro de Freitas, Moema Gramacho, e o secretário de Relações Institucionais do governo e ex-prefeito de Camaçari, Luiz Caetano.

Outra opção seria o apoio ao nome do senador Otto Alencar (PSD), que ainda resiste em concorrer ao governo e mantém sua candidatura a um novo mandato no Senado. Neste arranjo, o governador Rui Costa seria o candidato a senador da chapa governista.

O nome de Otto tem o aval do ex-presidente Lula (PT), que se entusiasmou com a ideia como forma de atrair o PSD já no primeiro turno da corrida presidencial. Mas enfrenta as arestas de uma base que rachou após recuo de Wagner e a decisão do governador Rui Costa de ser candidato ao Senado.

A aliados Otto tem lembrado a necessidade de unidade e organização para lançamento de uma candidatura dessa magnitude. E tem repetido que não se preparou para ser candidato a governador, mas sim a senador.

A candidatura de Otto ao governo também enfrenta resistências no PT. A avaliação entre os deputados do partido é que a escolha de um nome de outro partido poderá resultar na derrota o grupo governista contra a difícil disputa que se avizinha contra o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil).Também representará uma redução da bancada do PT na Bahia.

Na reunião com os petistas, Jaques ainda destacou importância da união dos partidos na Bahia para as eleições deste ano. A coalização que dá sustentação ao governo baiano, comandado pelo PT há 15 anos, é formada por PSD, PP, PSB, PC do B, Podemos e Avante.

O presidente do PT Bahia, Éden Valadares, lamentou a decisão de Wagner de não concorrer ao que seria o seu terceiro mandato como governador - ele comandou o governo baiano entre 2007 e 2014.

"É claro que respeitamos a decisão do companheiro Wagner, mas não a recebemos com alegria. Nossas instâncias se reunirão intensamente nos próximos dias para atualizar nossa posição".

 

Fonte: Folhapress

Polícia faz apreensão de 586 caixas de remédios tarja preta sem nota fiscal em Campo Maior

 

Equipes do 15° Batalhão da Polícia Militar de Campo Maior apreenderam, na noite da última sexta-feira (25), uma caminhonete carregada com 586 caixas de medicamentos sem origem comprovada, avaliada em cerca de R$ 20 mil.

Segundo a polícia, a ação aconteceu durante rondas de rotinas na área do centro comercial da cidade, quando os agentes de segurança abordaram o veículo ao desconfiarem do comportamento do condutor, que não teve a identidade revelada. 

A carga, proveniente da cidade de Tianguá, no Ceará, continha remédios tarja preta como ansiolíticos e antidepressivos, que podem causar riscos à saúde e necessitam de um controle rigoroso, só podendo ser comprados com a retenção da receita médica. À polícia, o motorista da caminhonete informou que o material seria entregue em farmácias de Campo Maior. 

Após a abordagem, o motorista foi conduzido até a Delegacia Regional da Polícia Civil em Campo Maior, onde foi autuado em flagrante por crime contra a ordem tributária, uma vez que o mesmo não apresentou nota fiscal da carga de medicamentos.

 cidadeverde 

Incêndio atinge oficina e destrói três veículos na cidade de Teresina

 

 

Um incêndio na tarde desta segunda-feira (28) atingiu três veículos que estavam em uma oficina localizada no bairro Marquês, na zona Norte de Teresina.

O Corpo de Bombeiros de Teresina informou que foi acionado por volta das 16h, sobre um incêndio em uma oficina localizada na rua Magalhães Filho.

Foto: Reprodução/WhatsApp

Três equipes do Corpo de Bombeiros foram até o local para conter as chamas, que atingiram parte da oficina onde estavam três carros, que eram de três clientes.

Os veículos ficaram completamente destruídos, mas a estrutura no local não foi afetada. Segundo o Corpo de Bombeiros, todos os veículos tinham seguro.

Ninguém ficou ferido e uma perícia será realizada para atestar como as chamas iniciaram no local.

Bárbara Rodrigues e Breno Moreno
 cidadeverde