quarta-feira, 2 de março de 2022

Deputados do partido Republicanos criticam o governo por dar preferência ao PL e ao PF

 

 

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Vinicius Carvalho é um dos deputado que estão insatisfeitos

Tainá Andrade e Taísa Medeiros
Correio Braziliense

Integrantes do partido Republicanos, ligado à Igreja Universal do Reino de Deus, estão descontentes com o tratamento recebido por parte do governo Jair Bolsonaro e já há rumores de que o partido pode deixar a base do governo antes das eleições. A definição será em abril.

“Os deputados do Centrão estão indo, em sua maioria, para o PL, em detrimento do Republicanos. Nós não estamos sendo tratados com o mesmo tipo de posicionamento dado aos demais partidos”, reclamou o deputado Vinícius Carvalho (PRB-SP). Ele frisou que a legenda tem sido leal ao governo.

ERROS DE BOLSONARO – Um interlocutor do partido disse ao Correio que o motivo da eventual saída da base de governo são as próprias atitudes do presidente. “A partir do momento em que a gente começou a conhecer mais de perto as ações do mandato de Bolsonaro, que são as mesmas da época de deputado federal, a coisa ficou difícil”, afirmou, sob a condição de anonimato.

“A gente esperou para ver se a coisa ia melhorar. Ferir menos a imprensa, aglomerar menos, falar menos. Não foi nada daquilo. Quem está ficando com ele é só por interesse”, acrescentou.

Outro parlamentar  do PRB afirmou, também sob sigilo, que o maior descontentamento ocorreu quando Bolsonaro, supostamente, orientou o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas; e a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, a não se filiarem ao Republicanos e, sim, à sua legenda, o PL.

PRIORIDADE A PL E PP – “Bolsonaro quer fazer uma política partidária apenas com o PL e com o PP. Não acredito que a gente fique neutro. Vamos definir, mais em abril, o caminho que o partido irá seguir”, comentou o parlamentar.

Para o deputado Celso Russomano (PRB-SP), porém, não há possibilidade de a sigla deixar a base do governo. “Há alguns deputados que têm um viés mais voltado para o centro ou a esquerda… Eles ficam plantando isso. Essa vontade interna não é da maioria”, assegurou.

Na quarta-feira, o presidente da sigla, Marcos Pereira, disse que Bolsonaro “só atrapalha” as negociações para que a legenda atraia nomes na janela partidária. “Está caminhando bem a vinda de novos parlamentares. A gente vai sair um pouco maior do que é, sem a ajuda do presidente, porque, até agora, ele só atrapalhou”, disparou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Os deputados do Republicanos estão corretos. Melhor faria Bolsonaro se distribuísse a filiação de ministros pelos partidos da base aliada, ao invés de concentrar as filiações no PL e no PP. Desde o início dos tempos já se sabe que, para reinar, é preciso dividir. Mas o despreparo político reina, absoluto, neste país de cabeça para baixo. (C.N.)

Nada mudou! Ocidente e Oriente estão de novo em luta, só que desta vez é na Ucrânia

 

 

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E a velha história se repete, como farsa e como tragédia

Luiz Carlos Azedo
Correio Braziliense

Quando Alexander Hamilton exortou os norte-americanos a decidirem se “as sociedades humanas são mesmo capazes de constituir um bom governo, com base na reflexão e na escolha, ou se estão condenados para sempre a ter organizações políticas que são fruto do acidente e da força” (O Federalista, nº 1), em 1787, no debate que levou à consolidação a Constituição dos Estados Unidos, traçou o curso da linha divisória que separa o Ocidente democrático do resto do mundo.

Os países que foram capazes de seguir esse caminho constituíram bons governos e foram adiante, ampliando consideravelmente a sua influência mundial; os que tomaram outro rumo, como a Alemanha nazista e, mais recentemente, a antiga União Soviética, amargaram o declínio, a disfunção e/ou o colapso.

CRISE SEM PRECEDENTES – Entretanto, depois da débâcle dos regimes comunistas do leste europeu, as democracias do Ocidente começaram a enfrentar uma crise de representação sem precedentes, provocada pela revolução tecnológica que elas próprias protagonizaram e as dificuldades de sustentar um modelo de Estado que se baseava muito mais no fabianismo, uma doutrina liberal-socialista, do que no Leviatã de Thomas Hobbes, o Estado liberal clássico.

O Estado de bem-estar social, que fora fundamental para suplantar o chamado “socialismo real”, entrou em crise. Com isso, a democracia representativa passou a ter dificuldades para acompanhar as mudanças de uma economia globalizada.

É aí que entram em cena um pequeno país asiático e um gigante de dimensões continentais. A pequena Cingapura, que fora governada por Lee Kuan Yew por 30 anos e hoje é comandada por seu filho mais velho, Lee Hsien Loong, e a China de Deng Hisiao Ping, hoje liderada por Xi Jinping, operam um processo de modernização com resultados surpreendentes, a partir de governos autoritários, o que passou a ser referência para diversos países no mundo.

UM NOVO ESTADO – Inicia-se, assim, uma corrida para reinventar o Estado, na qual muitas vezes a democracia e o Estado de bem-estar social estão de mãos dadas numa rota suicida, por causa do populismo e do inchaço dos governos; em outras, em confronto aberto, no Estado mínimo, igualmente perigoso, devido às desigualdades.

Na China, os gestores buscam inspiração no Ocidente, miram o Vale do Silício, nos Estados Unidos, para reinventar o capitalismo; porém, olham para Cingapura na hora do “aggiornamento” do seu governo.

A cidade-estado adota o sistema Westminster de governo unicameral, ou seja, é uma república parlamentar. O Partido de Ação Popular (PAP) ganhou todas as eleições desde a concessão britânica de autonomia interna em 1959. O país tem o terceiro maior poder de compra per capita do mundo, é um dos mais ricos do planeta.

FIM DA HISTÓRIA – Liderada pelos Estados Unidos, desde o colapso do comunismo europeu, a ideia hegemônica no Ocidente é de que a democracia é um credo universal, basta extirpar a tirania para que se enraíze; e que democracia e capitalismo são siameses, a livre escolha de uma parte não existe sem a da outra. Essas são as premissas básicas do famoso ensaio “O fim da História”, de Francis Fukuyama, o filósofo e economista norte-americano.

Democracia liberal e capitalismo, porém, não têm uma relação automática, e a equação capitalismo, autodeterminação e globalização não é de fácil solução. Mesmo nos Estados Unidos e na Europa, a democracia está sendo posta à prova por forças autoritárias e “iliberais”, que buscam a modernização conservadora. Não à toa o fantasma republicano de Donald Trump ronda o governo do democrata Joe Biden.

Na corrida entre governos democráticos e autoritários para reinventar o Estado e modernizar a economia, entre os quais algumas monarquias sanguinárias aliadas aos Estados Unidos, destacam-se a emergência da China, como segunda maior potência econômica do planeta, e a ascensão da Alemanha e da França como líderes de uma Europa Ocidental economicamente unificada.

OPÇÃO DE TRUMP – A resposta de Donald Trump nos Estados Unidos fora iniciar uma guerra comercial com o gigante asiático, ao mesmo tempo em que buscava e estimulava a adoção de um modelo político “iliberal” para acelerar o processo de modernização no Ocidente.

Esse curso foi interrompido pela vitória de Joe Biden, que trouxe a maior potência econômica e militar do planeta para o eixo da reafirmação de sua hegemonia mundial, aliada à Inglaterra no Atlântico, e à Austrália, ao Japão e à Índia no Pacífico, num pacto militar para isolar a China.

O resultado foi a reaproximação entre a Rússia, que recrudesceu sua doutrina geopolítica ao invadir a Ucrânia, e a China, empenhada em levar a Nova Rota da Seda ao coração da Europa. O confronto entre Ocidente e Oriente está novamente instalado. No lugar do mundo globalizado e multipolar, que se desenhava a partir das disputas comerciais, estabeleceu-se uma nova bipolaridade, que se sustenta no equilíbrio estratégico-militar dessas potências nucleares e tem como divisor de águas a narrativa da democracia como modelo de vocação universal, como exortou o pensador Alexander Hamilton.

Na TV, Ciro Gomes diz que o Brasil precisa ter um voo de águia, e não de galinha

 

 

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Marqueteiro bolou uma mensagem bem criativa para Ciro

Deu na Folha
Coluna Painel

Em inserção de TV que foi ao ar nesta terça-feira (1º) à noite, o pré-candidato a presidente Ciro Gomes (PDT) diz que o Brasil precisa ter um voo de águia na economia, e não de galinha, como tem ocorrido nos últimos anos.

“Ano após ano, o Brasil quer mudar de rumo, mas o convencem a seguir pelo mesmo caminho. Ele vai e cai no buraco. Às vezes, cresce um pouquinho, mas é só um voo de galinha”, afirma Ciro, que é apresentado na propaganda como vice-presidente nacional do PDT.

NA TV, NOVAMENTE – As propagandas partidárias haviam sido extintas em 2017, mas foram recriadas em lei aprovada pelo Congresso Nacional. Em tese, elas se destinam a divulgar mensagens das siglas, e não pedir votos para candidaturas específicas. Na prática, as legendas contornam essas restrições exibindo seus pré-candidatos como se fossem apenas dirigentes partidários.

No caso de Ciro, a propaganda, de 30 segundos, é novamente feita pelo publicitário João Santana, contratado para cuidar da pré-campanha do pedetista. Santana tem buscado modernizar a imagem de Ciro, amenizando sua fama de pavio curto e aproximando-o do eleitorado mais jovem.

“O país não cresce e não gera bons empregos porque há mais de 30 anos segue a mesma receita. É hora de mudar. Já é tempo de o nosso país ter um voo de águia”, afirma o pré-candidato na propaganda, enquanto uma ave levanta voo do seu braço.

Após o Carnaval, o Senado volta a debater uso de armas, mas a venda continuará restrita

 

 

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Charge do Léo (Arquivo Google)

Carlos Alexandre de Souza
Correio Braziliense

Está em curso, no Senado, uma mobilização para definir regras referentes ao uso de armas de fogo e regular a atividade de colecionadores, atiradores esportivos e caçadores, grupo conhecido pela sigla CACs.

O projeto de lei 3.273/2019 seria votado na última quarta-feira (dia 23) na Comissão de Constituição e Justiça, mas a decisão foi adiada após um pedido de vista apresentado pela senadora Simone Tebet (MDB-MS).

ALTERAÇÕES – O relator do projeto de lei, senador Marcos do Val (Podemos-ES), fez alterações no texto. Entre outros pontos, o relatório estabelece o limite de 16 armas registradas para cada CAC; propõe o rastreamento da munição usada por policiais; e suspende o dispositivo que permite legalizar um arsenal apenas com a autodeclaração do proprietário.

O PL 3.273/2019 deve ser votado após o carnaval. Com as mudanças incluídas pelo relator, a proposta voltará à Câmara.

Enquanto governistas buscam formular uma proposta que vá ao encontro dos decretos editados pelo presidente Bolsonaro em favor da flexibilização do uso de armas no Brasil, integrantes da Frente Parlamentar pelo Desarmamento, presidida pela senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA), prometem impor limites na licença armamentista.

RETROCESSO – Os Institutos Igarapé e Sou da Paz são frontalmente contrários à aprovação do PL 3.273, pois consideram-no um retrocesso no controle de armas no Brasil. Em nota técnica conjunta, as instituições afirmam que o PL busca dar um verniz legal a uma realidade assustadora: em 2021, mais de mil registros de armas foram concedidos por dia pelo Exército a CACs.

Em dezembro do ano passado — prossegue o documento intitulado “Os falsos argumentos apresentados em defesa do PL.3273/2019 sobre caçadores, atiradores e colecionadores” —, o Brasil já contava com mais de 1 milhão de CACs ativos. Trata-se de um aumento de 325% em relação a 2018, observam os institutos.

Em outro documento, o Instituto Sou da Paz alerta para a relação entre armas de fogo e violência contra a mulher. Segundo o estudo, a arma de fogo é o principal instrumento utilizado no assassinato de brasileiras. A violência é maior entre as mulheres negras: elas foram 70,5% das vítimas de agressão com armas em 2019.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – A discussão soa ridícula. O que faz diferença numa sociedade não é o número de armas, mas o nível de educação e qualidade de vida. O país com a população mais armada é a Suíça, que tem baixíssima criminalidade, porque seu índice de desenvolvimento humano é altíssimo e disputa o primeiro posto do ranking mundial com Noruega e Irlanda. Aqui no Brasil, um país em que as pessoas (sobretudo no interior) necessitam de armas para defesa própria, os “entendidos” querem fazer de conta que somos civilizados e nada nos ameaça. Ou seja, os criminosos podem ter armas moderníssimas, mas os homens de bem devem permanecer indefesos. É muita hipocrisia desses pseudos defensores de uma paz que infelizmente “non ecziste”, diria Padre Quevedo. (C.N.)

Charge do Duke

 

Charge O TEMPO 01-03-2022

 

Lembranças do Dalai Lama, 30 anos depois de Sua Santidade ter vindo ao Rio de Janeiro

 

 

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Jorge Béja

A pedido do editor da Tribuna, jornalista Carlos Newton, relatei aqui na TI o habeas corpus que impetrei no Superior Tribunal de Justiça, há 30 anos, em favor de Tenzin Guiatzu, o 14º Dalai Lama. Sem que ninguém me pedisse e sem medo de enfrentar o governo brasileiro que cedera à pressão da China, fui lá e o STJ ordenou que o governo brasileiro desse o visto de entrada no Brasil para que o líder tibetano e sua comitiva participassem da importante conferência Eco-92.

E todos puderem viajar para o Rio de Janeiro, sob protestos da China, que tinha condicionado sua participação no evento desde que o Dalai Lama não estivesse presente.

ONDE HOSPEDÁ-LO? – No dia anterior à chegada de Sua Santidade o Dalai Lama, um grupo de budistas foi até meu escritório. Primeiro, agradeceram muito. Depois me pediram uma sugestão do local para hospedar o líder tibetano e sua comitiva.

Sugeri o Mosteiro de São Bento.. Eu era ex-aluno e conhecia o Dom Abade e outros monges, já idosos mas ativos. E todos rumamos da Rua Acre, onde até hoje fica meu escritório, para a Rua Dom Gerardo. E a pé subimos a colina, até a entrada do mosteiro. Por sorte, o porteiro ainda era o mesmo do meu tempo de ginásio e científico.

Todos entramos. Caminhamos juntos pelos pórticos da parte interna do Mosteiro e fomos recebidos pelo Dom Prior, que eu não conhecia. Explicamos tudo. Dom Prior foi atenciosíssimo com todos nós.

Morre dom Eugenio Sales, arcebispo emérito do Rio de Janeiro

A alegria de Dom Eugênio, ao receber o Dalai Lama no Rio

SEM POSSIBILIDADE – Disse-nos o Dom Prior que lamentava, mas não poderia hospedar o Dalai Lama e sua comitiva. Isto porque o Dom Abade estava gravemente enfermo em sua cela e a movimentação seria intensa por causa da presença do líder tibetano. Dom Prior ainda lembrou que oferecer hospedagem era uma das muitas missões e obrigações deixadas por São Bento. Mas naquela circunstância não seria recomendável.

Foi quando me lembrei de Dom Eugênio Salles, cardeal-arcebispo do Rio de Janeiro, com quem sempre defendi a população carcerária do Rio, junto com o padre Bruno Trombeta.

Fomos procurá-lo. Assim que os budistas pediram, Dom Eugênio concordou imediatamente. E Tenzin Giatzu e sua comitiva ficaram hospedados no Palácio do Sumaré. E foi do Sumaré que recebi o chamado para ir conhecer o Dalai Lama.

ENCONTRO EMOCIONANTE – O protocolo diplomático internacional atribui o tratamento de Sua Santidade (SS) somente ao Papa e ao Dalai Lama.

Fomos ao Sumaré, minha esposa Clarinda e eu. E juntos, nós três conversamos muito, até que, em dado momento, Sua Santidade o Dalai Lama se levantou e colocou uma de suas mãos sobre minha cabeça e a outra sobre a cabeça da minha esposa. E durante uns 5 minutos ficou calado e imóvel. Um encontro raro e emocionante. Quanta saudade!

Ao falar em Dalai Lama, sempre lembramos a situação do Tibet. E vem à mente um sentimento de inconformismo, pois mostra como esta Organização das Nações Unida é fictícia e nada resolve.

ONU INOPERANTE – Em 1950 a ONU emitiu ordem para que a China desocupasse o Tibet imediatamente. Mas até hoje essa determinação jamais foi cumprida. Por isso, nosso Dalai Lama tem de viver na India (Dharampsala) e o povo tibetano teve destruído quase todos os seus templos. Talvez tenha restado um ou outro, não sei ao certo.

Também, pudera, um organismo internacional que tem um grupo seleto de países com poder de veto, entre os quais está a China. Assim, mesmo quando o país seja o réu, o infrator, o criminoso, continua tendo direito de vetar a punição contra si, não importa que tenha sido aprovada por todos os demais membros do Conselho de Segurança.

“E assim adormece esse homem, que nunca precisa dormir pra sonhar”, cantava Caymmi

 

Pin de Julíci Teresinha Vanzela em Frases | Busca da felicidade, Coisas da  vida, FelicidadePaulo Peres
Poemas & Canções

O violonista, cantor, pintor e compositor baiano Dorival Caymmi (1914-2008), construiu sua obra inspirado pelos hábitos, costumes e tradições do povo baiano. Teve como forte influência a música negra, desenvolveu um estilo pessoal de compor e cantar, demonstrando espontaneidade nos versos, sensualidade e riqueza melódica. O samba “João Valentão”, gravado pelo próprio Dorival Caymmi, em 1942, pela Odeon, fala sobre um brutamontes que não dispensa uma boa briga, mas cujo coração amolece no final do dia, quando chega cansado para o aconchego do lar, significando que João Valentão é, simultaneamente, o bruto e o sensível, que vive numa terra tão problemática e tão bela.

JOÃO VALENTÃO
Dorival Caymmi

João Valentão é brigão
Pra dar bofetão
Não presta atenção e nem pensa na vida
A todos João intimida
Faz coisas que até Deus duvida
Mas tem seu momento na vida

É quando o sol vai quebrando
Lá pro fim do mundo pra noite chegar
É quando se ouve mais forte
O ronco das ondas na beira do mar
É quando o cansaço da lida da vida
Obriga João se sentar
É quando a morena se encolhe
Se chega pro lado querendo agradar

Se a noite é de lua
A vontade é contar mentira
É se espreguiçar
Deitar na areia da praia
Que acaba onde a vista não pode alcançar

E assim adormece esse homem
Que nunca precisa dormir pra sonhar

Porque não há sonho mais lindo do que sua terra, não há