sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Quadrilha é presa por assaltos em Castanhal no Pará

Quadrilha é presa por assaltos em Castanhal (Foto: Paullo Queiroz)
(Foto: Paullo Queiroz)

A Polícia Militar prendeu na manhã de ontem em Castanhal, nordeste do Estado, quatro jovens acusados de cometer assaltos na cidade. Os presos são da região metropolitana de Belém e estavam com armas de grosso calibre, inclusive de uso restrito da polícia.
As prisões de João Felipe Santos da Silva, 27, Edivandro Oliveira Barbosa, 23, José Alex Noronha Rebelo, 24, e Rony Perterson da Silva, 25, aconteceram depois que moradores do bairro da Saudade II desconfiaram da atitude suspeita de um veículo circulando devagar pelas ruas do bairro. A PM foi acionada e fez a abordagem no carro da marca Pálio. Os jovens foram revistados e com eles foram encontradas duas pistolas ponto 40, de uso exclusivo da polícia e um revolver calibre 38, além de muita munição e um alicate que seria usado para estourar cadeados de residências. 
“Nossa guarnição recebeu a denúncia de que quatro homens estavam circulando pelas ruas do bairro em atitude suspeita. Para nossa surpresa eles estavam fortemente armados. A intenção com certeza seria cometer assaltos a moradores ou casas de luxo”, disse o comandante da 12ª ZEPOL, capitão Heyder Nascimento. 
Apesar do armamento encontrado em poder dos acusados não houve reação. Ainda no local os moradores informaram à Policia Militar que o carro com os quatro suspeitos estava parado há muito tempo em frente a uma residência, pertencente a um empresário da cidade.
Recebemos essa informação que eles (acusados) estavam desde as 4h esperando a saída do empresário para abordá – lo. Felizmente conseguimos evitar mais um assalto a residência em Castanhal”, contou Heyder Nascimento.
Os jovens foram levados para a Superintendência do Salgado e autuados em flagrante por formação de quadrilha, porte ilegal de armas de uso restrito e tentativa de roubo qualificado. Os acusados que são dos municípios de Ananindeua, Marituba e Benevides negaram que tivessem recebido informações sobre qual casa deveria ser roubada em Castanhal. “Viemos de bobeira e vimos uma casa bonita, de repente resolvemos roubá-la”, contou um dos acusados. No entanto, a polícia militar não acreditou na versão dos acusados. “É impossível com todo esse armamento e esperando desde madrugada para cometer um assalto, eles não tenham recebido a informação de que a casa pertencia a um grande empresário da cidade. São elementos perigosos e agora estão presos. Falta agora descobrir quem repassou a informação da saída do empresário de sua casa e de seus bens”, concluiu o capitão Heyder Nascimento.
(Diário do Pará)

Mulher de 30 vai pro motel com advogado de 71 e morre

Mulher de 30 vai pro motel com homem de 71 e morre (Foto: Alzyr Quaresma)
(Foto: Alzyr Quaresma)

Uma mulher morreu durante a madrugada de ontem, por volta de 1h, em um motel na companhia de um advogado, de 71 anos, que não quis ser identificado. Segundo ele a mulher passou mal ao longo da noite com ânsias de vômito até o momento em que deitou para dormir.
Ele afirmou ter buzinado e puxado conversa com ela em uma esquina no bairro da Condor, depois ela entrou no carro e ele a levou para o motel localizado na avenida Pedro Miranda, bairro da Pedreira, em Belém. Chegando lá eles tomaram duas ou três cervejas, mas de vez em quando a mulher ia ao banheiro se sentindo mal. O advogado afirmou em seu depoimento ter ficado deitado assistindo televisão até o momento em que notou a mulher muito quieta ao seu lado e ligou pedindo à recepção do local para chamar uma ambulância.
Os paramédicos tentaram reanimá-la, mas não conseguiram e o advogado teve que se dirigir à Seccional da Pedreira para contar o que houve. O corpo foi removido pelo Instituto Médico Legal (IML) e os indícios apontam que a morte seja consequência de um ataque cardíaco. Tudo o que o advogado soube informar sobre sua acompanhante é que se chamava Cristina e morava em uma passagem em frente ao Novo Hotel, na avenida Bernardo Sayão, bairro do Jurunas. Durante a revista policial ao quarto não foi encontrado documentos dela, que aparentava ter cerca de 30 anos. Segundo a delegada Marilene Pantoja, foi encontrada embaixo do colchão do quarto uma pequena quantidade de entorpecente apreendido pelo CPC Renato Chaves para exames.
O homem afirmou não ser o dono do entorpecente e não ter visto a mulher se drogar. “Nós vamos ficar aguardando o laudo sobre as causas da morte dela para decidir o que será feito. Ele também deve fazer exame toxicológico mesmo alegando ter bebido apenas duas cervejas. Vamos instaurar inquérito, se for [morte] natural eu peço o arquivamento”, concluiu a delegada.
(Diário do Pará)

Torcedor deverá ser identificado nos estádios



Proposta apresentada pelo deputado Fernando Hugo visa a garantir segurança nos estádios do Ceará
O deputado Fernando Hugo (PSDB) apresentou projeto de lei na Assembleia Legislativa para identificar os torcedores nos estádios de futebol do Ceará. O intuito do tucano é diminuir a violência nas praças de esporte, prevenindo prejuízos materiais e agressões físicas. De acordo com o parlamentar, a ideia partiu de uma solicitação enviada pelo procurador de Justiça, José Wilson Sales, que atua na procuradoria dos esportes.

Segundo Fernando Hugo, a ideia é reduzir a violência nas praças de esporte, prevenindo prejuízos materiais e agressões físicas FOTO: MARÍLIA CAMELO

O projeto do parlamentar sugere que clubes, entidades mantenedoras e entidades gestoras dos estádios de futebol com capacidade para mais de 10 mil pessoas promovam a identificação dos torcedores. Fernando Hugo defende que os ingressos devem ser numerados, de acordo com a sequencia alfanumérica utilizada no estádio, devendo o torcedor ocupar o local correspondente ao bilhete adquirido.

O artigo 2º do projeto apresentado pelo tucano diz que os torcedores e frequentadores dos estádios serão cadastrados no ato da compra dos ingressos, mediante a apresentação de um documento oficial de identidade e a informação do seu endereço. Desse modo, quem não portar documento de identificação não poderá adquirir o ingresso.

O projeto prevê ainda que os estádios possuam monitoramento das catracas e equipamentos de gravação fotográfica do rosto para identificar os torcedores, além de uma central técnica de informações, com infraestrutura suficiente para viabilizar o monitoramento por imagem do público presente. Na justificativa do projeto, Fernando Hugo alega que a partir do cadastramento será possível impedir a entrada de torcedores que estão impedidos de assistir partidas de futebol por determinação judicial.

Dados
A proposta facilitaria também, conforme defende, cruzar os dados das pessoas presentes aos estádios com as informações dos órgãos de segurança pública, ajudando na organização e manutenção da ordem dos estádios. O novo sistema, pontua, facilitará o controle do acesso de torcedores aos estádios, bem como a aplicação de penalidades aos que cometerem qualquer delito nas praças esportivas.

O deputado lembra que em um jogo ocorrido no dia 11 de novembro, atos de vandalismo deixaram um saldo negativo no Estádio Presidente Vargas que passou recentemente por uma reforma. Segundo laudo feito pela Perícia Forense do Ceará (Pefoce), 619 cadeiras foram quebradas, das quais 68 foram arremessadas no gramado; 14 lixeiras foram danificadas; uma parede de um dos banheiros masculinos foi derrubada, juntamente com uma porta; e um dos hidrômetros foi amassado, além de outros prejuízos.

Fernando Hugo argumenta que para colocar seu projeto em prática não sairá caro para o Estado, entendendo que prejuízo maior é o poder público ter de pagar a conta dos estádios depredados. Além disso, o tucano argumenta que, com uma torcida pacífica, mais torcedores voltarão a frequentar os estádios.

Na avaliação do deputado Moésio Loiola (PSD), para implementar essa mudança, de identificar os torcedores a partir dos ingressos, será necessário mexer em outras estruturas. Ele alega que falta, por exemplo, agilidade na entrada dos estádios. O parlamentar do PSD parabenizou a iniciativa do colega tucano, apostando que a medida vai contribuir para acabar com os ingressos falsos.
( Diário do Nordeste ) 

Pode fechar : Portaria tira do Dnocs gestão da Transposição


Além da imagem abalada por denúncias, o órgão sofre com a falta de pessoal e de investimentos

O risco de esvaziamento do Departamento Nacional de Obras contra a Seca (Dnocs) é combatido por servidores, dirigentes e ex-dirigentes do órgão. A preocupação foi agravada com a designação da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) para exercer as funções de Operadora Federal no Sistema de Gestão do Projeto de Integração do Rio São Francisco com as Bacias Hidrográficas do Nordeste Setentrional (SGIB).

Segundo Eudoro, o grande problema do Dnocs é sua imagem perante o governo federal como órgão onde "reina a politicagem" FOTO: LUCAS DE MENEZES

A determinação está na portaria 603, do Diário Oficial da União, de 14 de novembro passado, assinada pelo Ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra. Mas para o ex-diretor-geral do órgão, Eudoro Santana, o Dnocs, por sua história, seu patrimônio material e imaterial, além de técnicos capacitados, é quem deveria gerir o SGIB.

"A Codevasf não entende nada de semiárido é um órgão de menor porte que cuida de um vale e não conhece a realidade dos demais estados. O Dnocs está presente em toda a região é a verdadeira universidade do semiárido", diz. Segundo Eudoro, o grande problema do Dnocs é sua imagem perante a administração federal como órgão onde "reina a politicagem". "Quando estive à frente do órgão tentei mudar essa imagem, mas outros fatores acabaram reforçando essa imagem ruim", avaliou.

Segundo ele, o órgão também está carente de pessoal e de novos investimentos. Eudoro faz um alerta de que, se os políticos da região não reagirem, o caminho será a extinção do Dnocs, como ocorreu no governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), através da Medida Provisória 1795/1999. Eudoro Santana frisa que no governo Lula, quando o órgão foi retomado, falou-se em criar uma operadora federal para administrar o projeto do São Francisco, com pessoal do Dnocs, Codevasf e Chesf, "Mas agora com essa decisão de entregar tudo para um órgão sem condições e deixar o Dnocs de lado é carimbar o passaporte para seu esvaziamento total", avaliou.

Concurso
Segundo o diretor financeiro da Associação dos Servidores do Dnocs, Jocel Lopes, a questão é política e dentro dessa portaria outras prerrogativas do órgão estão sendo desviadas como a piscicultura e a hidrologia. "O ministro Fernando Bezerra já presidiu a Codevasf, talvez seja por isso que ele baixou essa portaria".

Audiência
Ontem, foi realizada na Câmara dos Deputados uma audiência pública, solicitada pelo deputado Eudes Xavier (PT-CE), para discutir a situação do órgão.

Segundo a secretária adjunta de Gestão Pública do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, Catarina Batista da Silva Moreira, o Dnocs pode fechar totalmente suas portas, em um prazo máximo de quatro anos, por falta de servidores. De acordo com ela, 76,6% dos servidores do órgão estarão aptos neste prazo a solicitar aposentadoria.

Com relação à falta de pessoal, diante da aposentadoria dos servidores, Jocel revela que está previsto para 2013 concurso para 600 vagas no órgão. "O último grande concurso realizado pelo Dnocs foi em 1964, eu mesmo participei e estou até hoje aqui", revela.

Grupo vai discutir reestruturação
Durante a audiência pública de ontem, o diretor-geral do Dnocs, Emerson Fernandes, cobrou maior participação do órgão no projeto do São Francisco. Na reunião também foi tratada a portaria que institui o Grupo de Monitoramento Estratégico (GME), que terá o papel de elaborar um mapa estratégico para o Dnocs.

O deputado Eudes Xavier (PT), que solicitou a audiência, disse que vai intermediar reuniões de trabalho da diretoria e servidores do Dnocs com os ministérios da Integração e Planejamento para debater sua reestruturação. Ele disse também que criará uma frente parlamentar em defesa do órgão.

Já o deputado Chico Lopes (PCdo B) disse que o Dnocs deixou de ser um órgão fim para ser um órgão meio, devido sua subordinação ao Ministério da Integração Nacional e à Agência Nacional das Águas (ANA).

Para o secretário de Desenvolvimento Agrário do Ceará, Nelson Martins é inadmissível a situação atual do Dnocs. "Tem que haver um concurso imediatamente. Neste período de seca, estamos desenvolvendo vários trabalhos em parceria com o Dnocs, como abastecimento, construção de cisternas", disse. Além disso, Nelson ressaltou a importância dos perímetros irrigados do Dnocs para a agricultura. "(O Dnocs) Tem que ser fortalecido e o melhor caminho para isso é a mobilização dos servidores e da bancada de parlamentares, não só do Ceará, mas de todo o Nordeste", destacou.

Flávio Saboya, da Federação da Agricultura do Ceará (Faec), disse que o Dnocs é uma instituição que há mais de 100 anos, vem trabalhando, dia e noite. "É um órgão composto por profissionais competentes, mas carece de equipes de assistência técnica, pois não contrata mais pessoas", afirma. O Dnocs administra 37 mil perímetros irrigados. Em 2011 gerou R$ 260 milhões em riquezas e 38 mil empregos diretos e 76 mil indiretos. ( Diário do Nordeste )

Romário: “Chega de sacanagem no mundo da bola”






O ex-craque da seleção brasileira, agora deputado, começará na próxima semana a coletar assinaturas para instalar uma CPI para investigar a CBF e o futebol

Beto Oliveira/Ag. Câmara
Romário sugere a saída de Marin (à esquerda) da presidência da CBF

O deputado Romário (PSB-RJ) não desiste do ataque. Quem o viu sentado com o olhar distante em uma das primeiras poltronas do Plenário da Câmara, na sessão deliberativa da última quarta-feira (28), pôde ter pensado que o ex-craque da seleção brasileira estava apenas na “banheira”, esperando a hora do arremate. Mera opção tática: depois da participação em audiências públicas e reuniões fechadas no transcorrer desta semana, o “peixe” pôs a bola debaixo do braço e, em entrevista ao Congresso em Foco, emendou, de letra: a CPI destinada a investigar suspeitas de corrupção na Confederação Brasileira de Futebol (CBF), uma das suas principais metas como parlamentar, está a caminho. Tudo sobre a Copa do Mundo de 2014
Em seu segundo ano como deputado, Romário disse estar finalizando os procedimentos burocráticos necessários para fundamentar o requerimento de criação da comissão parlamentar de inquérito. No que depender dele, a CBF, às vésperas de organizar a Copa das Confederações no ano que vem e a Copa do Mundo em 2014, administrando a troca de Mano Menezes por Luís Felipe Scolari no comando da seleção, terá muito mais trabalho e novos motivos de preocupação. A coleta de assinaturas de adesão à CPI (no mínimo 171 entre as 513 possíveis), diz Romário, vai começar já no início da próxima semana entre os colegas de Câmara. Objeto de investigação, essencial para a viabilidade regimental da comissão, não será problema: “Os problemas não são poucos”, avalia o deputado.
“Tem aquele contrato fraudulento entre CBF e TAM, tem o enriquecimento ilícito das pessoas que trabalham na CBF. Tem também esse último fato, agora, que não tem a ver, diretamente, com a CBF – mas envolve o Marco Polo Del Nero. E muitos outros [objetos de fundamentação] que vocês saberão aí pela frente”, insinuou Romário, sem querer adiantar o material que tem em mãos.
Era uma menção indireta ao ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira, e outra direta ao vice-presidente da CBF e presidente da Federação Paulista de Futebol, Marco Polo Del Nero, um dos alvos da Operação Durkheim, da Polícia Federal, que investiga um esquema de venda de informações sigilosas. Mesmo que as autoridades responsáveis pela investigação tenham dito não se tratar de suspeita de irregularidade ligada ao futebol, o fato de o dirigente ter tido documentos apreendidos pela PF, avalia Romário, já merecia um tratamento diferente ao investigado. “Eu, no lugar do presidente [da CBF, José Maria Marin], teria conversado com ele e já o teria afastado. Ele teria de sair do cargo de vice-presidente da CBF e, principalmente, do de representante do Brasil na Fifa.”
“Apoio aos covardes”
Em quase dois anos de experiência parlamentar, Romário já sabe o que determina o sucesso de uma CPI. Mas na entrevista a este site, à saída do Plenário da Câmara, o deputado parecia convicto de que o momento conturbado na CBF é o mais propício para enfrentar a chamada “bancada da bola”, grupo de parlamentares com estreitas relações com os dirigentes do futebol brasileiro. E que, por mais de uma vez, já mostrou sua força em duas comissões correlatas – a CPI do Futebol, em 2001; e a CPI da Nike, em 2008.
Mesmo depois da renúncia de Ricardo Teixeira, que está sob investigação da Federação Internacional de Futebol (Fifa), Romário acredita que a tal bancada terá de rever seus conceitos. E, em um contexto político-eleitoral, sua própria atuação.  “A bancada da bola não pode mais apoiar sacanagem, corrupção, falcatrua. O Brasil está entrando em outro momento – e, nesse sentido, o que aconteceu no julgamento do mensalão é um exemplo. Então, essa bancada vai pensar bastante, a partir de agora, em quem eles vão apoiar. Aliás, teremos eleições daqui a dois anos”, fustigou o deputado, para quem a CBF é uma instituição “covarde e corrompida”.
Na entrevista a seguir, Romário desmonta os rumores de bastidor que davam conta dos conselhos, por parte de aliados, para que ele não queimasse cartucho em uma CPI sem efetividade. Além disso, a turma do deixa disso chegou a suscitar a pouca experiência de Romário como congressista e, em última análise, como membro de CPI com tamanho poder de fogo. Acostumado com confrontos internacionais, o deputado matou o falatório no peito. “Espero e tenho muita fé em que, desta vez, a CPI vai acontecer.”
Confira a íntegra da entrevista:
Congresso em Foco – A CBF continua a fazer o que quer, sem dar satisfação ao governo ou ao povo?
Romário – Infelizmente, tanto no passado, e agora no presente. E o pior: se continuar assim, será bastante desastroso, prejudicial para nosso futebol.
O que mostrou a audiência, no Senado, sobre limite para reeleições na presidência de entidades esportivas?
O Brasil já está alerta, já entende que está na hora de modernizar. E modernizar é limitar o tempo [de gestores à frente de entidades]. Uma das formas de modernizar qualquer situação hoje, no que se refere ao esporte – tanto em confederação quanto em federação, clubes, enfim –, é limitar o tempo de mandato desses dirigentes.
Há clima favorável para a criação da CPI da CBF?
Eu estou apenas finalizando o resto da documentação para juntar no processo e, a partir de terça-feira [4], vou começar a recolher as assinaturas…
Há quem diga que não há fundamentação a justificar a instalação do colegiado…
Claro que tem! Uma é aquele contrato fraudulento entre CBF e TAM. Outra é o enriquecimento ilícito das pessoas que trabalham na CBF. Tem também esse último fato, agora, que não tem a ver, diretamente, com a CBF – mas envolve o Marco Polo Del Nero. E muitos outros [objetos de fundamentação] que vocês saberão aí pela frente…
O senhor acredita que vai reunir o número mínimo de assinaturas exigido para a instalação do colegiado?
Sim. Estou bastante consciente, entusiasmado. Espero que meus companheiros entendam, de uma vez por todas, que essa “farra do boi” tem que acabar.
Romário no ataque, bancada da bola na defesa…
Não é bem assim… Eu entendo que, para que as coisas aconteçam, a gente precisa de aliados, de votos. Temos que reunir, no mínimo, 171 assinaturas. Tempos de recolher o máximo possível, porque pode ser que aconteça o que aconteceu outra vez, quando o deputado Anthony Garotinho [PR] colheu duzentas e poucas assinaturas, e muitos retiraram. Por isso, ele não conseguiu alcançar o número suficiente. Mas eu espero e tenho muita fé em que, desta vez, vai acontecer.
A chamada “bancada da bola”, que parece em harmonia com a CBF, tem força parlamentar para barrar a CPI?
A bancada da bola não pode mais apoiar sacanagem, não pode mais apoiar corrupção, não pode mais apoiar falcatrua. O Brasil está entrando em outro momento – e, nesse sentido, o que aconteceu no mensalão é um exemplo. Então, essa bancada vai pensar bastante, a partir de agora, em quem eles vão apoiar. Aliás, teremos eleições daqui a dois anos…

O deputado Vicente Cândido (PT-SP), embora não esteja sob investigação e não figure em qualquer denúncia de irregularidade, é sócio do presidente da Federação Paulista de Futebol, Marco Polo Del Nero, alvo recente de ação da Polícia Federal. O que isso pode representar?
Independentemente de ser sócio do Vicente, quem aparece no escândalo é apenas o Del Nero – então é apenas dele que a gente pode falar. Não posso falar nada sobre meu companheiro Vicente Cândido. O que eu quero dizer é que só o fato de ele aparecer em um escândalo desse… Eu, no lugar do presidente [da CBF, José Maria Marin], teria conversado com ele e já o teria afastado. Ele teria de ser afastado do cargo de vice-presidente da CBF e, principalmente, como representante do Brasil na Fifa – ele representa, hoje, o Brasil no lugar do Ricardo Teixeira. Mas como essa instituição [CBF] é bastante corrompida, covarde e desonesta, não vai acontecer nada.
Como o senhor viu a queda do Mano Menezes e, na sequência, de Andrés Sanchez? Tem a ver com a crise na CBF?
A saída do Andrés Sanchez foi porque – na concepção dele, e eu respeito bastante – ele foi voto vencido em relação à saída do Mano, que eu comemoro como uma grande decisão, porque estava na hora de ele sair. Mas o Andrés Sanchez tem a bandeira dele, vê o Mano como um cara competente e queria continuar com o Mano. Eu o respeito, [Andrés] é um dos poucos caras sérios que tinha na CBF. O que eu posso dizer é o seguinte: como saíram o Mano e o Andrés, tinha que sair agora o Del Nero e o próprio presidente, para vermos se melhora alguma coisa.



Todas as crianças são iguais, mas algumas são mais iguais que as outras




Paulo Nogueira (Diário do Centro do Mundo)


Michael Gove, ministro da Educação do Reino Unido, é um conservador. Faz parte do gabinete do premiê David Cameron. Não há nele, portanto, nenhum resquício do que o PIB (o Perfeito Idiota Brasileiro) classificaria de esquerdismo.





Considere, diante disso, o que Gove disse a respeito da mobilidade social entre os britânicos. Gove colocou o foco na educação. Apenas 7% dos britânicos são educados em escolas privadas. São os filhos das famílias ricas, é claro.
O que acontece, então? Os alunos saídos das escolas particulares têm, na vida adulta, imensa vantagem sobre os demais. “Mais do que em quase todo país desenvolvido, na Inglaterra o berço dita o progresso da pessoa”, disse Gove. “Aqueles que nasceram pobres provavelmente permanecerão pobres e aqueles que herdaram privilégios provavelmente transmitirão os privilégios a seus filhos. Para aqueles de nós que acreditam em justiça social, esta estratificação e esta segregação são moralmente indefensáveis.”
Justiça social? Nosso PIB tremeria diante dessa expressão de comunistas ateus que comem criancinhas e amordaçam a “imprensa crítica”, para usar a nova e engraçada expressão usada pela Folha de S. Paulo. E correria para ler o que Reinaldo Azevedo diz sobre “justiça social”, para se sentir protegido e reassegurado em suas convicções.
Mas atenção. Michael Gove é, repito, conservador, exclamação. Jornalista de formação, articulista do Times, de Murdoch, Gove é 100% capitalista.
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CAPITALISTAS
Mas, ao longo da história, muitas vezes homens públicos liberais como Gove se viram na obrigação de defender o capitalismo dos capitalistas.
Ted Roosevelt, presidente americano do começo do século 20, foi um caso clássico. Ele inaugurou a chamada Era Progressista, nos Estados Unidos, ao longo da qual os monopólios foram desfeitos e os direitos dos trabalhadores e dos negros começaram a ser afirmados.
Seus amigos magnatas reclamaram dele, e Roosevelt lamentou, certa vez, que eles não percebessem que ele estava agindo em benefícios dos queixosos mesmos, para evitar transtornos sociais que poderiam levar à esquerdização do país.
O Instituto Millenium, reduto da vanguarda do atraso nacional, poderia ouvir Michael Gove. O Millenium, uma espécie de Tea Party caipira, fala em meritocracia, mas como você pode falar nisso, sem cair no ridículo, quando você vive num país cuja transmissão de privilégios pela via da educação em escolas privadas é muito maior do que aquela descrita pelo ministro da educação da Inglaterra?
Considere agora. Onde está esse debate no Brasil? Me refiro à perpetuação de privilégios pelo berço e pela escola, e pela intrínseca negação à meritocracia encerrada nela?
Em nenhum lugar? Talvez fosse o momento então de iniciá-lo.

Você sabe quanto custa a Justiça brasileira?



Roberto Monteiro Pinho


A demanda de ações judiciais no Brasil é impressionante, hoje ultrapassando 90 milhões de processos, o que justifica esse gigantismo dos tribunais brasileiros. São ao todo 154 mil funcionários públicos lotados no Judiciário, um orçamento anual na ordem de R$ 68 bilhões deste, 93% só para atender a folha salarial dos servidores.





Não apenas pela questão do ordenamento legal, ou pela educação dos seus integrantes, o Judiciário brasileiro deveria se curvar, solene, diante do que o advogado proporciona à sua manutenção. Se um magistrado não o faz, este macula todo um segmento, cabe então aos próprios integrantes do Judiciário, que não comungam com este tipo de aviltamento e desdenho às prerrogativas dos advogados, a iniciativa de coibir este malfadado tratamento dispensado a eles nos tribunais.
Com a Constituição de 1988, o advogado passou a ser reconhecido como indispensável à administração da Justiça, sendo que no seu ministério privado exerce função social e presta serviço público relevante, e no processo judicial colabora na postulação de decisão favorável ao seu constituinte e ao convencimento do julgador, consistindo os seus atos num verdadeiro múnus público (art. 133 da CF c/c o art. 2º, §§ 1º, 2º e 3°, da Lei nº 8.906/94- EAOAB).
Ademais o artigo 6º do Estatuto da OAB, in litteris: “Não há hierarquia nem subordinação entre advogados, magistrados e membros do Ministério Público, devendo todos tratar-se com consideração e respeito recíprocos”.
Parágrafo único: “As autoridades, os servidores públicos e os serventuários da justiça devem dispensar ao advogado, no exercício da profissão, tratamento compatível com a dignidade da advocacia e condições adequadas a seu desempenho”.
 ( Tribuna da Internet )