(Foto: Ronald Junqueiro / Agência Pará)
Terceira
maior colônia japonesa no Brasil, atrás apenas de São Paulo e Paraná, o
Pará quer estreitar, ainda mais, as relações com o país do “Sol
Nascente”. Na viagem de sete dias que fez pelo Japão, o governador Simão
Jatene conversou com diferentes grupos empresariais do país e mostrou
que o Estado está de portas abertas para novos investimentos que
permitam expandir uma nova economia
local, moderna e cada vez menos agressiva ao ambiente. Vários contatos
foram feitos e conversas foram iniciadas para estimular novos negócios
que vão do turismo à fruticultura, passando pela mineração e pela
geração de energia.
Um símbolo deste novo momento
das relações entre o Pará e o Japão, baseado na transferência não
apenas de recursos – inclusive humanos – mas também de tecnologia, foi a
assinatura do contrato de empréstimo no valor de R$ 320 milhões com a
Jica (Agência Internacional do Japão), na sede da empresa,
em Tóquio, para implantação do Bus Rapid Transit (BRT), que integra o
novo traçado de vias de trânsito em Belém e mais quatro municípios da
Região Metropolitana. A assinatura fechou um ciclo de duas décadas de
negociação e que, segundo o próprio vice-presidente sênior da agência,
Hideaki Domichi, representará, quando finalizado, um marco histórico na
nova fase da mobilidade urbana na capital do Estado.
Durante a assinatura
do acordo, o governador destacou os resultados positivos que virão com a
implantação do BRT, sistema que beneficiará especialmente a camada mais
pobre da população.
DO AÇAÍ AO TURISMO
DO AÇAÍ AO TURISMO
Mas esse não foi o único
ganho obtido com a viagem. Uma das indústrias visitadas foi a Fruta
Fruta, que importa polpa de frutas de Tomé-Açu, via cooperativa Camta,
uma das mais antigas agroindústrias de capital japonês no Pará e símbolo
da primeira fase, iniciada em 1929, da imigração no Estado. Durante o
encontro com Jatene, os executivos da Fruta Fruta levantaram algumas
questões que dificultam a expansão das importações – hoje em 600
toneladas anuais de polpa de açaí - como a sazonalidade e as
dificuldades de armazenamento – cujo custo é muito alto no Japão. Jatene
se comprometeu a buscar, em conjunto com os empresários, alternativas para superar estas barreiras.
O exemplo de sucesso da empresa
japonesa, que distribui seus produtos feitos com base no açaí paraense
em mais de mil pontos espalhados pelo país e que tem como seus
principais clientes as mulheres na faixa dos 30 anos, reforçou, segundo
Jatene, a necessidade de intensificar o programa de qualidade do açaí
paraense, com a padronização e criação de um selo de qualidade do
produtos destinado à exportação. “Uma outra coisa que estamos estudando
dentro do governo é a possibilidade expandir a exportação de açaí por
meio do programa de agricultura familiar do fruto envolvendo os
produtores tradicionais da ilha do Marajó e da chamada região das
ilhas”, afirmou o governador. Segundo ele, no setor da agroindústria, as
relações entre o Pará e o Japão ainda podem crescer muito, firmando o
Estado como um pólo de produção agrícola de alta qualidade e
ambientalmente sustentável que incorpora os pequenos produtores à escala
industrial de produção.
Jatene também participou de reuniões
com executivos da mineradora Nippon, onde apresentou as oportunidades de
negócio no Pará. Os empresários mostraram-se interessados em ampliar
seus negócios no Brasil e, especialmente no Pará, levantaram a
possibilidade de criar fábricas para a produção de lata e de chapas de
alumínio. Jatene convidou os executivos a visitarem o Estado e
conhecerem o modelo, já implantado no município de Tailândia, onde uma
planta industrial produz chapas de alumínio.
Jatene participou ainda de uma reunião
no Japan National Tourism Organization (JNTO), onde foram discutidas
formas de intensificar o turismo para a Amazônia, tendo o Pará como
porta de entrada. “Hoje, pelo que ficou claro no encontro, os turistas
saem do Japão e vão direto para Manaus, até porque há uma certa confusão
entre entre a Amazônia e o Amazonas. Então precisamos rever isso. Uma
possibilidade levantada foi a da criação de voos entre o Pará e o Japão.
Também deixei aberta a perspectiva de que a seleção Japonesa use o Pará
como centro de treinamento durante a Copa do Mundo. Uma ideia que será
discutida melhor mais adiante”, disse o governador.
(Diário do Pará)
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