segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Pará quer investidor do Japão em solo paraense



Pará quer investidor do Japão em solo paraense (Foto: Ronald Junqueiro / Agência Pará)
(Foto: Ronald Junqueiro / Agência Pará)

Terceira maior colônia japonesa no Brasil, atrás apenas de São Paulo e Paraná, o Pará quer estreitar, ainda mais, as relações com o país do “Sol Nascente”. Na viagem de sete dias que fez pelo Japão, o governador Simão Jatene conversou com diferentes grupos empresariais do país e mostrou que o Estado está de portas abertas para novos investimentos que permitam expandir uma nova economia local, moderna e cada vez menos agressiva ao ambiente. Vários contatos foram feitos e conversas foram iniciadas para estimular novos negócios que vão do turismo à fruticultura, passando pela mineração e pela geração de energia.
Um símbolo deste novo momento das relações entre o Pará e o Japão, baseado na transferência não apenas de recursos – inclusive humanos – mas também de tecnologia, foi a assinatura do contrato de empréstimo no valor de R$ 320 milhões com a Jica (Agência Internacional do Japão), na sede da empresa, em Tóquio, para implantação do Bus Rapid Transit (BRT), que integra o novo traçado de vias de trânsito em Belém e mais quatro municípios da Região Metropolitana. A assinatura fechou um ciclo de duas décadas de negociação e que, segundo o próprio vice-presidente sênior da agência, Hideaki Domichi, representará, quando finalizado, um marco histórico na nova fase da mobilidade urbana na capital do Estado.
Durante a assinatura do acordo, o governador destacou os resultados positivos que virão com a implantação do BRT, sistema que beneficiará especialmente a camada mais pobre da população.

DO AÇAÍ AO TURISMO
Mas esse não foi o único ganho obtido com a viagem. Uma das indústrias visitadas foi a Fruta Fruta, que importa polpa de frutas de Tomé-Açu, via cooperativa Camta, uma das mais antigas agroindústrias de capital japonês no Pará e símbolo da primeira fase, iniciada em 1929, da imigração no Estado. Durante o encontro com Jatene, os executivos da Fruta Fruta levantaram algumas questões que dificultam a expansão das importações – hoje em 600 toneladas anuais de polpa de açaí - como a sazonalidade e as dificuldades de armazenamento – cujo custo é muito alto no Japão. Jatene se comprometeu a buscar, em conjunto com os empresários, alternativas para superar estas barreiras.
O exemplo de sucesso da empresa japonesa, que distribui seus produtos feitos com base no açaí paraense em mais de mil pontos espalhados pelo país e que tem como seus principais clientes as mulheres na faixa dos 30 anos, reforçou, segundo Jatene, a necessidade de intensificar o programa de qualidade do açaí paraense, com a padronização e criação de um selo de qualidade do produtos destinado à exportação. “Uma outra coisa que estamos estudando dentro do governo é a possibilidade expandir a exportação de açaí por meio do programa de agricultura familiar do fruto envolvendo os produtores tradicionais da ilha do Marajó e da chamada região das ilhas”, afirmou o governador. Segundo ele, no setor da agroindústria, as relações entre o Pará e o Japão ainda podem crescer muito, firmando o Estado como um pólo de produção agrícola de alta qualidade e ambientalmente sustentável que incorpora os pequenos produtores à escala industrial de produção.
Jatene também participou de reuniões com executivos da mineradora Nippon, onde apresentou as oportunidades de negócio no Pará. Os empresários mostraram-se interessados em ampliar seus negócios no Brasil e, especialmente no Pará, levantaram a possibilidade de criar fábricas para a produção de lata e de chapas de alumínio. Jatene convidou os executivos a visitarem o Estado e conhecerem o modelo, já implantado no município de Tailândia, onde uma planta industrial produz chapas de alumínio.
Jatene participou ainda de uma reunião no Japan National Tourism Organization (JNTO), onde foram discutidas formas de intensificar o turismo para a Amazônia, tendo o Pará como porta de entrada. “Hoje, pelo que ficou claro no encontro, os turistas saem do Japão e vão direto para Manaus, até porque há uma certa confusão entre entre a Amazônia e o Amazonas. Então precisamos rever isso. Uma possibilidade levantada foi a da criação de voos entre o Pará e o Japão. Também deixei aberta a perspectiva de que a seleção Japonesa use o Pará como centro de treinamento durante a Copa do Mundo. Uma ideia que será discutida melhor mais adiante”, disse o governador.
(Diário do Pará)

Nenhum comentário:

Postar um comentário