O vereador Leonelzinho Alencar (PT do B) prestou depoimento, ontem, em procedimento administrativo instaurado pelo Ministério Público estadual para apurar denúncias de acúmulo de cargo, nepotismo e aplicação de recursos da Prefeitura de Fortaleza no Instituto Jader Carvalho.
No depoimento ele confirmou que além dele são empregados na Prefeitura de Fortaleza, a sua mulher, o seu pai, uma irmã, tios e prima. Para a imprensa ele disse que havia prestado todos os esclarecimentos, desqualificando as denúncias e atribuindo o fato a perseguição política.
O depoimento prestado ao promotor de Justiça Ricardo Rocha, do Núcleo de Defesa do Patrimônio Público, durou duas horas, das 9h30min às 11h30min. O vereador compareceu acompanhado do advogado criminalista Paulo Quezado.
Sobre a denúncia de acúmulo do cargo, exercendo funções nas prefeituras de Fortaleza e de São Gonçalo do Amarante, além da função de vereador na Capital disse que havia esclarecido tudo e estava disposto a prestar qualquer informação. Negou também a prática de nepotismo (emprego de parentes), informando que duas pessoas relacionadas não as conhece. Sobre a aplicação de recursos da Prefeitura no Instituto Jader Carvalho informou que recursos alocados foram por meio de emendas parlamentares, aprovadas pelo plenário da Câmara Municipal.
Para ele o que está acontecendo é fruto de perseguição política na área de Messejana, seu principal reduto eleitoral, ressaltando que "é o único lugar onde o PSOL anda de braços dados com o PSDB". Essa expressão foi utilizada no encerramento do seu depoimento ao promotor Ricardo Rocha, a quem declarou as denúncias feitas por Renata seriam falsas porque recebeu "propina" para dar o depoimento, segundo informação do irmão de Renata. André Luiz Silva Costa seria o pagador da propina, disse Leonelzinho.
Vínculo
Ao ser interrogado sobre as pessoas acusadas de serem pagas pelo Município e prestarem serviço ao Instituto Jáder Alencar, disse que conhecia todas, mas nem todas trabalham no Instituto. Disse também que não sabia se tais pessoas têm vínculo funcional com a Prefeitura ou com a Câmara e não conhece duas das pessoas citadas como parentes dele, no caso, Leonel Ferraz Bastos e Leonel Marques de Sá Filho. Disse ainda que o pai dele, Leonel Alencar trabalha no Gabinete da Guarda Municipal.
Em seu depoimento Leonelzinho Alencar declarou que a única função que tem no Município é de agente de saúde, concursado, em 2008. Ele admitiu que recebeu dinheiro da prefeitura como vereador e como servidor de janeiro de 2009 a 30 de agosto de 2010. Não soube informar quantos meses recebeu, mas assegurou que houve erro e os recursos foram devolvidos.
Também confessou que recebeu cumulativamente, de janeiro de 2009 até março deste ano, as funções de vereador em Fortaleza e professor de educação física em São Gonçalo do Amarante, mas ficava em um gabinete que o prefeito de São Gonçalo tem em Fortaleza, na Av. Santos Dumont.
Mulher
Ele reconheceu parentesco com pessoas que trabalham na Prefeitura, mas negou qualquer interferência política nesse sentido. Disse que a esposa dele trabalha na AMC, mas porque é técnica, encaminhou o currículo e foi selecionada. Disse que o tio dele Jáder Alencar Filho é funcionário da prefeitura desde a administração Juraci Magalhães e que Marília Gabriela Fernandes Alencar, filha de Jáder, é concursada em Aquiraz e está à disposição do município de Fortaleza.
O promotor Ricardo Rocha disse que as declarações serão confrontadas com os documentos existentes, com a documentação que ainda vai requisitar e com os depoimentos que ainda serão colhidos. "Todas as pessoas serão ouvidas, isso será confrontado e no final vamos ver quem está dizendo a verdade", enfatizou o promotor.
( Diário do Nordeste )
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