(Foto: Alzyr Quaresma)
Oito
pessoas presas e 7,6 milhões de cigarros interceptados. A Polícia Civil
do Pará impediu que aproximadamente R$ 450 mil fossem adquiridos em
troca da mercadoria contrabandeada vinda do Suriname com destino ao
município de Abaetetuba, interior do Estado. Toda a carga dividida em
760 caixas de várias marcas do produto foi descoberta pelo velho ditado
popular: “Ladrão que rouba ladrão...”, mas, nesse caso, não tem “cem
anos de perdão”. Pelo contrário: os oito homens envolvidos foram presos
autuados por contrabando e descaminho, formação de quadrilha, cárcere
privado e porte ilegal de armas. Quatro são policiais, três militares e
um policial civil pertencentes ao Estado do Amapá. Ainda um empresário
filho de uma juíza, outro surinamês, o sétimo é proprietário de uma
embarcação de pequeno porte e o último é um tripulante.
O esquema do contrabando envolve dois
grupos. O primeiro se trata de um barco do Pará, chamado Kauê, que
contratou os policiais do Amapá, que vinha do Suriname com destino a
Abaetetuba. Porém, o segundo grupo, da embarcação Iate Globo, fez reféns
os tripulantes do primeiro barco e este seguiu para a costa norte da
Ilha do Marajó, ancorando em uma fazenda da família da juíza, no
município de Chaves, cujo dono é o tio da magistrada, sendo o irmão do
proprietário do terreno também detido.
Após a denúncia feita por tripulantes
do barco Kauê a respeito do roubo e do sequestro, na segunda-feira
passada (22), através do Grupamento Fluvial da Polícia Civil, o delegado
Dilermando Junior passou a investigar o caso. “Desconfiei porque só há
sequestro e roubo por dinheiro ou por crime passional. Foi quando
instiguei os denunciantes, um advogado de um tripulante que contou a
história. A partir daí, conseguimos identificar a carga na fazenda
Globo. Quando o barco Iate ancorou em Santana, no Amapá, os policiais
envolvidos renderam os responsáveis por aquela carga, porém nada
encontraram, pois já havia sido despachada em Chaves, no Marajó”,
explicou o delegado.
Segundo ele, os policiais envolvidos
foram identificados por tenente Azarias, sargento José Edmundo e cabo
Rosalvo Cascais, todos lotados do 1º Batalhão de Polícia Militar, e,
ainda, o policial civil Mário “Pichula”, lotado na Corregedoria de
Polícia Civil. Os outros quatro são o engenheiro eletrônico surinamês
Jona Bene Abrahão, 42, que afirma não ter conhecimento da carga, apenas
teria sido contratado para orientar os tripulantes do barco Kauê e
receberia R$ 3 mil pelo serviço; Nelson da Silva, 40, que alegou ter
sido “obrigado” a conduzir o Iate Globo por oito pessoas; José Miranda,
46, que teria apenas alugado para Jona uma lancha com o intuito de
buscar um delegado em Chaves, e no transporte receberia R$ 2 mil como
pagamento, porém foi detido pela polícia; e Jodson Moureiro, 61, tio da
juíza, irmão do proprietário da fazenda, Adelson, que aguardava a
chegada dos tripulantes do Iate na fazenda.
Para o delegado, a dimensão do caso é
complexa, pois envolve dois grupos que agiram de forma ilícita, sendo
necessária a duração do procedimento de aproximadamente dois dias após a
chegada da Polícia Civil, que contou com o apoio do grupamento aéreo. O
barco da polícia com a carga contrabandeada já chegou a Belém, e ela
foi entregue à Receita Federal. Além da mercadoria, a polícia apreendeu
duas armas de calibre 38. Os presos foram encaminhados à Delegacia de
Repressão ao Crime Organizado (DRCO) e ontem mesmo, com o reforço do
Comando de Operações Especiais (COE), foram transferidos para o Estado
do Amapá.
(Diário do Pará)
Nenhum comentário:
Postar um comentário