Eduardo Rafael Santana Lima, 35 anos, passou a atuar na Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos de Veículos (DRFRV), em Salvador
09.11.2012 | Atualizado em 09.11.2012 - 08:28
Foto: Reprodução
Eduardo trabalhava na DRFRV desde julho
Leo Barsan
Há quatro meses, o delegado Eduardo Rafael Santana
Lima, 35 anos, passou a atuar na Delegacia de Repressão a Furtos e
Roubos de Veículos (DRFRV), em Salvador.
Na noite de quarta-feira, ao chegar no prédio em que morava, no Barbalho, Eduardo se tornou uma vítima do tipo de crime que investigava. Pior: morreu depois que, de acordo com as investigações, reagiu ao assalto e foi baleado.
Dois tiros atingiram a região abdominal, um o tórax e
uma bala acertou sua coxa direita. O delegado chegou a ser levado por
PMs para o Hospital Geral do Estado (HGE), onde passou por cirurgia para
retirada do baço e um dos rins, mas morreu na manhã de ontem. O corpo
de Eduardo será sepultado hoje, às 9h, no cemitério Jardim da Saudade.
Crime Eram 23 horas quando Eduardo Rafael Lima
voltou da academia de ginástica e abriu o portão da garagem do Edifício
Compostela, na rua Engenheiro João Pimenta Bastos. No seu apartamento, a
mulher e o filho dormiam.
De acordo com vizinhos e a polícia, depois que
entrou na garagem, o delegado foi abordado por dois criminosos que
chegaram a pé. Eduardo teria reagido e tomado o revólver calibre 38 de
um dos bandidos. No embate com os assaltantes, ele acabou sendo
atingido.
Os criminosos fugiram levando o carro do delegado, um Gol branco de placa NZX-8789, além de documentos e duas armas do policial. O veículo foi encontrado na manhã de ontem, na Boca do Rio, com um abará no teto. O carro já passou por perícia.
O delegado geral da Polícia Civil, Hélio Jorge
Paixão, informou que os investigadores trabalham com a hipótese de
latrocínio (roubo seguido de morte), já que os suspeitos fugiram
deixando para trás o delegado vivo.
No prédio em que Eduardo morava, vizinhos disseram
ter passado por momentos de pânico. “Tinha terminado um jogo na TV e
percebi o portão da garagem ser aberto. Eduardo entrou na garagem.
Depois, só ouvi os tiros. Pelo que dava pra ouvir, ele lutou com os
ladrões”, contou uma vizinha, pedindo anonimato.
Segundo ela, Eduardo ainda deixou a garagem baleado,
com a mão na barriga, e atravessou a rua para pedir socorro. “Acabou
caindo na calçada. Ele ainda estava lúcido e repetia que tinham levado
os documentos”, contou.
Outra moradora do prédio afirmou ter visto um dos
criminosos deixar o local tentando disfarçar. “Um deles saiu com uma
camisa quadriculada cobrindo o rosto pra ninguém identificar”, relatou.
“A gente olha a rua quando chega alguém porque já
aconteceram outros assaltos aqui no prédio, mas nunca foi assim. Há seis
meses, um sobrinho meu foi rendido por bandidos e trancado num
quartinho da garagem, às 6h30. Os ladrões levaram o carro”, comentou a
mesma moradora.
Na garagem onde ocorreu o crime, a polícia encontrou
o revólver calibre 38 usado pelos criminosos na abordagem, além de
cinco balas disparadas e uma intacta.
Uma amiga da vítima, que também pediu para não ser
identificada, ajudou a dar os primeiros socorros. “Ele é meu amigo.
Estudo Enfermagem e corri pra ajudar a estancar o sangue”, relembrou.
Nesta quinta (8) pela manhã, no HGE, antes de a
morte de Eduardo ser confirmada, parentes, amigos e colegas do delegado
fizeram vigília. O representante comercial André Vinícius, 31, sobrinho
da vítima, resumiu como via Eduardo. “Ele era o melhor cara do mundo”,
disse.
Eduardo deixou uma filha de 6 anos, fruto de seu
primeiro casamento com uma delegada de Ilhéus, e um enteado de 3 anos,
filho de sua atual mulher, Maynara Fernandes. Pela manhã, ela esteve na
DRFRV para conversar com o delegado Nilton Borba, titular da unidade
onde o marido estava lotado.
Além das equipes da DRFRV, o delegado geral Hélio
Jorge Paixão determinou que investigadores e delegados do Departamento
de Crimes Contra o Patrimônio (DCCP) também se integrem na busca pelos
criminosos.
Investigadores do Departamento de Homicídios e
Proteção à Pessoa (DHPP), na Pituba, também estiveram no prédio onde a
vítima morava para acompanhar as investigações, coordenadas pelos
delegados Nilton Borba (titular da DRFRV) e Cleandro Pimenta (titular do
DCCP). Até o fechamento desta edição, às 22h, ninguém havia sido preso.
Carro roubado do delegado foi encontrado pela polícia na Boca do Rio
Colegas
Prima da vítima, a delegada Ana Francisca, plantonista da 4ª Delegacia (São Caetano), entrou em desespero no HGE ao saber da morte. “Ele era uma pessoa maravilhosa, excelente profissional. Não merecia isso, meu Deus!”, desabafou, amparada por outros colegas.
Prima da vítima, a delegada Ana Francisca, plantonista da 4ª Delegacia (São Caetano), entrou em desespero no HGE ao saber da morte. “Ele era uma pessoa maravilhosa, excelente profissional. Não merecia isso, meu Deus!”, desabafou, amparada por outros colegas.
Quem também não conseguiu esconder a dor foi o
delegado Adailton Adan, titular da 22ª DT (Simões Filho). Ele conheceu
Eduardo Rafael há sete anos, trabalhando em Ilhéus. “Ele se tornou um
irmão. Era um profissional muito competente, comprometido com a causa
policial. Trabalhamos juntos na 11ª Delegacia (Tancredo Neves). Era
muito comunicativo, brincalhão, querido por todos”, afirmou. Adan e
Eduardo se falavam com frequência.
O delegado geral Hélio Jorge também lamentou a
perda. “Estamos solidários à família de Eduardo, que neste momento sofre
conosco a perda de um ente querido e profissional exemplar”, disse.
“A Polícia Civil da Bahia está muito triste hoje,
mas mantém a cabeça erguida na busca da identificação e prisão dos
autores”, completou.
Vitimou em operações de destaque
Apaixonado por animais silvestres e amante de video games, o delegado Eduardo Rafael Lima entrou na Polícia Civil há oito anos. Ele passou pela Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos de Veículos em 2008 e voltou em julho deste ano.
Apaixonado por animais silvestres e amante de video games, o delegado Eduardo Rafael Lima entrou na Polícia Civil há oito anos. Ele passou pela Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos de Veículos em 2008 e voltou em julho deste ano.
“Ele era bom profissional e muito educado, não
levantava a voz para ninguém. Por isso veio pra cá, uma delegacia
especializada. Com a gente, participou de quase todas as últimas
operações importantes”, comenta o delegado titular da unidade, Nilton
Borba.
Ele destaca a atuação de Eduardo na Operação
Babuíno, que desarticulou uma quadrilha na região do CIA há cerca de
três meses, e na Operação Leoa, que prendeu um grupo especializado em
roubo, furto e receptação de veículos, com ramificações em Salvador,
Feira de Santana e Juazeiro, além de Pernambuco e Sergipe.
Em 2004, Eduardo foi titular em Coaraçi, no Sul do
estado. Depois, foi plantonista na Delegacia de Furtos e Roubos de
Ilhéus, também na região Sul. Em 2007, passou a trabalhar em Salvador,
onde atuou nas delegacias de São Caetano, Pituba e Tancredo Neves.
Camaçari: delegado foi morto enquanto dava entrevista
“Peraí, peraí!”. O pedido do delegado Clayton Leão Chaves foi interrompido por tiros que atingiram a sua cabeça, na manhã de 26 de maio de 2010. O então titular da 18ª Delegacia (Camaçari) foi morto enquanto concedia entrevista por telefone, ao vivo, a uma rádio local.
“Peraí, peraí!”. O pedido do delegado Clayton Leão Chaves foi interrompido por tiros que atingiram a sua cabeça, na manhã de 26 de maio de 2010. O então titular da 18ª Delegacia (Camaçari) foi morto enquanto concedia entrevista por telefone, ao vivo, a uma rádio local.
Clayton, que havia chefiado a Coordenadoria de
Operações Especiais (COE) da Polícia Civil, estava com a mulher, parado
no acostamento da Estrada das Cascalheiras, quando foi abordado por um
trio. O caso mobilizou a polícia baiana.
Cerca de 300 policiais - entre civis, militares e
federais - se deslocaram para a região. Horas depois, dois suspeitos
foram presos. Com Edson dos Santos e Rinaldo Valença de Lima foram
apreendidas duas armas. Magno de Menezes foi preso no dia seguinte. Nas
investigações, a perícia mostrou que a arma utilizada no assassinato foi
um 357 que estava enterrado no quintal da casa de Edson.
Rinaldo Valença de Lima foi quem disparou. Antes de
abordar o delegado, o trio roubou um Corsa Classic, que depois foi
queimado. Os três foram denunciados por latrocínio (roubo seguido de
morte), mas Rinaldo foi morto pela polícia em 2011, após fugir.
( Ibahia )
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