Do blog da Sílvia Tereza
Por Jacir Moraes*
Há
duas semanas, acordei pela zoada de alguém batendo em minha porta, o
que me causou estranheza pelo avançar da hora, aproximadamente três da
manhã, e insistentemente alguém de fora empurrava-a querendo botá-la
abaixo, quando ele com mais dois mandaram a mensagem: bota o dinheiro
pra fora agora, não conversa rapaz (interessante, querer tirar dinheiro
de um aposentado da previdência é muita coragem). Eu disse: aqui não tem
dinheiro. Retruquei, mas eles não se convenceram e continuaram a forçar
com intuito, imagino eu, de arrombar a porta.
A
minha cuidadora, que estava a serviço naquela noite, ficou totalmente
transtornada de medo e apelou para a sensibilidade dos homens, que não a
tem, e disse: moço não mexa com ele, que sofre do coração e pode
morrer. O ladrão respondeu: eu quero dinheiro, largue de conversa e,
insistentemente, tentou arrombar a porta.
Eu
afirmo que foi um momento de pavor que vivemos, mesmo os ladrões não
chegando a arrombar a grade, pois a minha cuidadora teve a lembrança de
oferecer aos bandidos o seu celular e disse: moço, eu tenho um celular,
pegue meu e largue ele de mão, no que o ladrão disse: passe o celular…
Agora eu quero o dinheiro. Eu disse: rapaz está ruim porque eu não
tenho…
Daí a cuidadora ligou para uma
pessoa da minha família para que acionasse o 190 que, costumeiramente,
demora a chegar e, naquela noite, não foi diferente. Mas, de posse do
celular, eles foram se acalmando e eu dizendo que não tinha dinheiro
para dá-los. Os mesmos resolveram deixar a minha casa, assim como eu
tomei também a uma decisão: deixei aquela moradia de forma definitiva.
Infelizmente,
dado o índice de violência por que passa a cidade, não é possível
divulgar meu novo endereço, mas quando me procurarem lá na Rua Pau
d’arco não estarei mais, pois acabo de me mudar para outro local. Pelo
menos, quero viver mais um dia sem ser incomodado pelos bandidos que
grassam em nossa cidade a desafiar as autoridades que se dizem de
segurança. A sociedade paga seus impostos para que tenha serviço de
qualidade; e o que acontece, na maioria das vezes, é o contrário..
Desprotegidos
– Mesmo sem a proteção da Segurança Pública e, diante da ameaça dos
bandidos, continuarei morando na ilha de São Luís. No entanto, me
encontro impedido de dar o endereço porque posso ser “visitado”, mais
uma vez, por aqueles “donos do alheio” que não medem o grau de violência
para subtrair os pertences do cidadão.
E
a policia continua, como se sabe, em muitos casos, fazendo parceria com
os bandidos, trabalhando em comum acordo com eles, o que me faz lembrar
a época em que existiram, em São Luís, as duplas de policiais chamadas
de “Cosmo e Damião” que agiam em conjunto.
Que
me desculpem os cidadãos de bem que integram as fileiras da Policia
Militar do Maranhão, mas eu não posso ficar alheio a tudo que está
acontecendo no setor da Segurança Pública, onde não sabemos quem é
cidadão, quem é policial, quem é militar e quem é bandido. Estão aí
exemplos no sul do país, onde mascarados, flagrados recentemente, eram
homens do Exército brasileiro, aqueles que vão tomar conta da nossa
fronteira para que outros países não nos invadam.
Veja
a que grau de irresponsabilidade e fragilidade do poder chegamos. O
cidadão tornou-se refém, em sua própria residência, onde é comum se
colocar grades nas moradias e nos comércios da periferia por causa dos
bandidos que atacam a toda hora. Muito lamentável!
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*Jacir
Moraes é jornalista e colaborador deste blog. Esse texto contou com a
participação de Carmem Moraes na digitação devido a minha incapacidade
visual que me impede de escrever.
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