domingo, 1 de setembro de 2013

Deputado federal no Piauí só se elege com 210 mil votos

Deputado Marcelo Castro, que se elegeu sem precisar da coligação, não conseguiria o mesmo feito em 2014



Se a eleição para deputado federal já era considerada difícil pela grande quantidade de votos necessária para um candidato ser eleito, em 2014 o pleito promete ser ainda mais duro. Com a redução da bancada do Piauí de dez para oito vagas na Câmara Federal por decisão do Tribunal Superior Eleitoral, o complicado porém decisivo quociente eleitoral será ainda mais severo. Em 2010, por exemplo, para um candidato se eleger depudado federal sem precisar da "mãozinha" das coligações, era necessário obter nas urnas votação igual ou superior a 166.800 votos. 
Para se chegar a esse número, basta uma simples divisão do total de votos válidos atribuídos aos candidatos e partidos (1.668.005 naquele ano) pelo número de vagas, no caso dez. Apenas o deputado federal Marcelo Castro (PMDB) conseguiu o feito ao atingir 171.697 votos. Se naquele pleito o Piauí tivesse apenas oito cadeiras na Câmara Federal, o quociente eleitoral subiria para 208.500 mil votos, ficando o Estado sem nenhum candidato eleito apenas pelo próprio desempenho nas urnas. Já o número de vagas de um partido ou coligação seria definido por cada novo grupo de 208.500 mil votos atingidos. 
Ou seja, é provável que nas próximas eleições o candidato precise de 210 mil votos para se eleger deputado federal. Se uma coligação, por exemplo, tiver 500 mil votos, teria direito a duas vagas e ainda ficaria com uma sobra de 80 mil votos que, neste caso, seriam distribuídos entre os partidos da coligação com melhor desempenho. Aumenta o quociente eleitoral, aumenta também o trabalho e os custos que os candidatos terão para conseguir êxito em 2014. Para o advogado eleitoral Carlos Yury, a queda no número de cadeiras nas duas casas legislativas implicará em mais esforço dos candidatos e, consequentemente, mais gastos para concorrer ao pleito. 
"As mudanças devem resultar no aumento de gastos, já que o trabalho durante a campanha deverá ser mais intenso. Mas só mesmo quando a campanha estiver na rua é que se tem uma noção real dos custos de cada candidato", afirma. O deputado federal mais votado em 2010, Marcelo Castro, por exemplo, gastou R$ 639.565,14 para se eleger, sendo a maior fatia consumida por publicidade de materiais impressos e locação de veículos. Atenção: esses pouco mais de R$ 639 mil são os gastos declarados à Justiça Eleitoral. Não contam aí eventuais despesas feitas por fora, não declaradas.
Para o ex-deputado estadual Leal Junior, além de aumentar os gastos com campanha, se a diminuição de bancada se confirmar no Supremo Tribunal Federal (STF), onde o caso está para ser apreciado, a "briga" interna da bancada ficará mais intensa. "Ficando como está, teremos uma eleição mais disputada, mais acirrada, uma briga interna da bancada. Eram 10 e cai para oito. De cara, dois que já estão lá vão perder. Vai dificultar o processo e aumentar muito o gasto eleitoral por fora, aquele que a Justiça Eleitoral não consegue detectar", analisa Leal Junior.
Na opinião do ex-deputado, a situação que está configurada no momento beneficiaria quem tem mais força. "Prevalece quem tem mais força com a sua presença no governo, porque ai casa o prestígio político com as condições para disputar eleição. A porta para os novos (candidatos) fica mais complicada.O novo para conseguir contingente eleitoral do nada, fica mais complexo. Quem entra, já vai entrar perdendo. Vai ser uma briga de foice", diz Leal Junior.(DP)

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