Deputado Marcelo Castro, que se elegeu sem precisar da coligação, não conseguiria o mesmo feito em 2014
Se
a eleição para deputado federal já era considerada difícil pela grande
quantidade de votos necessária para um candidato ser eleito, em 2014 o
pleito promete ser ainda mais duro. Com a redução da bancada do Piauí de
dez para oito vagas na Câmara Federal por decisão do Tribunal Superior
Eleitoral, o complicado porém decisivo quociente eleitoral será ainda
mais severo. Em 2010, por exemplo, para um candidato se eleger depudado
federal sem precisar da "mãozinha" das coligações, era necessário obter
nas urnas votação igual ou superior a 166.800 votos.
Para se
chegar a esse número, basta uma simples divisão do total de votos
válidos atribuídos aos candidatos e partidos (1.668.005 naquele ano)
pelo número de vagas, no caso dez. Apenas o deputado federal Marcelo
Castro (PMDB) conseguiu o feito ao atingir 171.697 votos. Se naquele
pleito o Piauí tivesse apenas oito cadeiras na Câmara Federal, o
quociente eleitoral subiria para 208.500 mil votos, ficando o Estado sem
nenhum candidato eleito apenas pelo próprio desempenho nas urnas. Já o
número de vagas de um partido ou coligação seria definido por cada novo
grupo de 208.500 mil votos atingidos.
Ou seja, é provável que
nas próximas eleições o candidato precise de 210 mil votos para se
eleger deputado federal. Se uma coligação, por exemplo, tiver 500 mil
votos, teria direito a duas vagas e ainda ficaria com uma sobra de 80
mil votos que, neste caso, seriam distribuídos entre os partidos da
coligação com melhor desempenho. Aumenta o quociente eleitoral, aumenta
também o trabalho e os custos que os candidatos terão para conseguir
êxito em 2014. Para o advogado eleitoral Carlos Yury, a queda no número
de cadeiras nas duas casas legislativas implicará em mais esforço dos
candidatos e, consequentemente, mais gastos para concorrer ao pleito.
"As
mudanças devem resultar no aumento de gastos, já que o trabalho durante
a campanha deverá ser mais intenso. Mas só mesmo quando a campanha
estiver na rua é que se tem uma noção real dos custos de cada
candidato", afirma. O deputado federal mais votado em 2010, Marcelo
Castro, por exemplo, gastou R$ 639.565,14 para se eleger, sendo a maior
fatia consumida por publicidade de materiais impressos e locação de
veículos. Atenção: esses pouco mais de R$ 639 mil são os gastos
declarados à Justiça Eleitoral. Não contam aí eventuais despesas feitas
por fora, não declaradas.
Para o ex-deputado estadual Leal
Junior, além de aumentar os gastos com campanha, se a diminuição de
bancada se confirmar no Supremo Tribunal Federal (STF), onde o caso está
para ser apreciado, a "briga" interna da bancada ficará mais intensa.
"Ficando como está, teremos uma eleição mais disputada, mais acirrada,
uma briga interna da bancada. Eram 10 e cai para oito. De cara, dois que
já estão lá vão perder. Vai dificultar o processo e aumentar muito o
gasto eleitoral por fora, aquele que a Justiça Eleitoral não consegue
detectar", analisa Leal Junior.
Na opinião do ex-deputado, a
situação que está configurada no momento beneficiaria quem tem mais
força. "Prevalece quem tem mais força com a sua presença no governo,
porque ai casa o prestígio político com as condições para disputar
eleição. A porta para os novos (candidatos) fica mais complicada.O novo
para conseguir contingente eleitoral do nada, fica mais complexo. Quem
entra, já vai entrar perdendo. Vai ser uma briga de foice", diz Leal
Junior.(DP)
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