Carlos Newton
Depois de destruírem a concorrência e se tornarem praticamente hegemônicos, absorvendo a maior parte das verbas publicitárias dos governos (federal, estaduais e municipais), agora a família Marinho, a mais rica e poderosa do país, faz um mea culpa e diz que foi um erro ter apoiado a ditadura militar.
Este foi o principal assunto do Jornal Nacional de hoje, que se baseou no projeto Memória de O Globo. Vejam abaixo que beleza de texto os Marinho estão divulgando.
“UMA VERDADE DURA…”
“Desde as manifestações de junho, um coro voltou às ruas: “A verdade é dura, a Globo apoiou a ditadura”. De fato, trata-se de uma verdade, e, também de fato, de uma verdade dura.
Já há muitos anos, em discussões internas, as Organizações Globo reconhecem que, à luz da História, esse apoio foi um erro.
Há alguns meses, quando o Memória estava sendo estruturado, decidiu-se que ele seria uma excelente oportunidade para tornar pública essa avaliação interna. E um texto com o reconhecimento desse erro foi escrito para ser publicado quando o site ficasse pronto.
Não lamentamos que essa publicação não tenha vindo antes da onda de manifestações, como teria sido possível. Porque as ruas nos deram ainda mais certeza de que a avaliação que se fazia internamente era correta e que o reconhecimento do erro, necessário.
Governos e instituições têm, de alguma forma, que responder ao clamor das ruas.
De nossa parte, é o que fazemos agora, reafirmando nosso incondicional e perene apego aos valores democráticos, ao reproduzir nesta página a íntegra do texto sobre o tema que está no Memória, a partir de hoje no ar:
“Diante de qualquer reportagem ou editorial que lhes desagrade, é frequente que aqueles que se sintam contrariados lembrem que O GLOBO apoiou editorialmente o golpe militar de 1964.
A lembrança é sempre um incômodo para o jornal, mas não há como refutá-la. É História. O GLOBO, de fato, à época, concordou com a intervenção dos militares, ao lado de outros grandes jornais, como “O Estado de S.Paulo”, “Folha de S. Paulo”, “Jornal do Brasil” e o “Correio da Manhã”, para citar apenas alguns. Fez o mesmo parcela importante da população, um apoio expresso em manifestações e passeatas organizadas em Rio, São Paulo e outras capitais.
Naqueles instantes, justificavam a intervenção dos militares pelo temor de um outro golpe, a ser desfechado pelo presidente João Goulart, com amplo apoio de sindicatos — Jango era criticado por tentar instalar uma “república sindical” — e de alguns segmentos das Forças Armadas”.
CONCLUSÃO
Conforme já assinalei aqui no Blog da Tribuna, a direção das Organizações Globo está assustada com as manifestações de rua, que chegaram até a porta de suas dependências, com a sede comercial do Leblon apedrejada no Rio de Janeiro. Para não perder o bonde da História, os miméticos filhos de Roberto Marinho agora fazem esse mea culpa, querendo passar a borracha no passado. Chega a ser patético. É como um criminoso que enriquece roubando e depois de miliardário entra para a Igreja e quer fazer as pazes com Cristo.(Tribuna Da Imprensa )
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