Helio Fernandes/Tribuna Da Imprensa )
Depois da reeleição, Obama não acerta uma. Desgastado, resolveu que tinha como obrigação “punir” a Síria pela utilização de “armas químicas” contra os rebeldes. Só que tudo o que disse, coordenou e se preparou para executar, saiu errado. (O que jornalistas, articulistas, editorialistas, colunistas e comentaristas de televisão, sem exceção, disseram: “O tiro saiu pela culatra”. Quanta vulgaridade, que tolice ao execrarem a própria língua).
Excesso de arrogância de Obama, a convicção de que cumpria “missão divina”, já que, como presidente dos EUA, se considera acima de tudo e de todos.
Na quarta-feira, falou: “A última palavra, a final e definitiva, será minha”. E concluiu: “Em hipótese alguma haverá ENVIO DE TROPA”.
O mundo inteiro entendeu. Quando Obama decidir, apertará um botão e pronto: lá se foram as “armas químicas”. Segundo o presidente, é o único objetivo dessa “guerra de longe” (a Síria fica a 200 quilômetros de onde estão os bombardeiros americanos. Sem falar nos da França e da Grã-Bretanha, aliados e coalizados, em territórios diferentes, mas também distantes. (Até este repórter acreditou que no sábado para domingo ou no domingo para segunda, tudo teria começado).
OS CINCO PONTOS DE OBAMA
PARA ESSA GUERRA INÉDITA
1 – Seu Poder de decidir sozinho, sem intervenção ou autorização de ninguém. 2 – Nessa questão, o presidente tem a última palavra, não precisa ouvir o Congresso. 3 – Está garantida a coalizão com a França e a Grã-Bretanha. 4 – O apoio da ONU, sem qualquer restrição. 5 – Não haverá impacto da opinião mundial, a ação durará apenas dois ou três dias.
Puxa, que vergonha para o presidente do país tido e havido como o mais importante do mundo, enquanto a China não supera as dificuldades internas e ultrapassa a diferença “hierárquica” com os EUA. Vejamos o que aconteceu com os cinco ponto assinalados, referendados e garantidos por Obama.
1 – Obama não tem nenhum PODER de DECIDIR sozinho. Ao contrário do que afirmou, precisa da AUTORIZAÇÃO do Congresso.
2 – Mesmo seus partidários democratas estão contra, com ligeiras exceções. Os republicanos, nem se fala. Como o Congresso só se reunirá no dia 9 (próxima segunda-feira), Obama decidiu esperar. Sete dias de expectativa e não de ação.
3 – A “entente cordiale” com a França e Grã-Bretanha não se concretizou, uma parte por motivos e razões históricas. Na Câmara dos Comuns, o partido do primeiro-ministro vetou o “acordo”, Cameron lamentou, mas não pôde fazer nada. Se insistisse, seria derrotado e provavelmente demitido. O que chamei de “razões históricas” estão muito longe. Desde 1776, quando os bravos conspiradores que se reuniam na Filadelfia desafiaram a Grã-Bretanha, com aquele belo Manifesto redigido por Thomas Jefferson.
Surgiu aí a Guerra da Independência, quando as 13 províncias sem nome derrotaram a poderosa senhora do mundo, que teve de se render em 1782. Tiveram o apoio da França, a Grã-Bretanha jamais esqueceu o fato.
Tanto que em 1800, tentaram incendiar a capital americana, que ainda não se chamava Washington, ele já não era mais presidente, só que vetou usarem sem nome na capital (tenho que parar no episódio)
Com isso lá se foi a COALIZÃO, a França “ficou”, mas hesitante.
4 – O apoio “incondicional da ONU” foi bobagem mesmo, inacreditável. Obama sabe que tudo na ONU tem que passar pelo Conselho de Segurança (órgão ao qual o Brasil tanto gostaria de pertencer, não vale nada). Esse Conselho tem 15 membros, precisa de 9 votos para qualquer aprovação, votos fáceis de obter ou até requisitar.
Só que Obama, mesmo que obtivesse 13 dos 15 votos do Conselho, não serviriam para nada. Seriam superados pelos VETOS de Rússia e China. Inevitáveis e inarredáveis. Da mesma forma que os EUA, têm vetado muita coisa.
5 – A opinião pública do mundo inteiro está contra qualquer guerra, mesmo que se “trave” de longe, possa ser chamada de “cirúrgica”, com os artilheiros usando luvas para não se contaminarem.
Mesmo internamente, Obama não sensibilizou ninguém. Uma “pesquisa meio escondida”, ficou decepcionada. Ninguém queria se manifestar. Mesmo sem aparecer, ficaram em silêncio. Sinal de que “uma guerra de dois ou três dias não preocupa os americanos”.
OBAMA DIZ QUE NÃO DESISTIRÁ
É possível, é possível. Mas como seus cinco pontos foram totalmente destroçados, terá que correr riscos, principalmente internos. O vice Joe Biden, que pretende (ou pretendia) ser o sucessor de Obama, em todas as reuniões aparece insatisfeito. Visivelmente.
Nixon, eleito em 1968, assumiu em 1972 já abalado, ameaçado, intimidado. E afinal obrigado a renunciar para não ser derrubado. Nixon não tinha vice, a Casa Branca foi ocupada pelo presidente da Câmara, Gerald Ford.
OBAMA RIDICULARIZADO E ENFRENTADO
O ex-KGB Putin, desde quinta-feira não sai das televisões. Não apenas da Rússia, mas do mundo e falando para o mundo. Contesta Obama abertamente, o mínimo que diz, em tom de desprezo: “Se o presidente dos EUA tivesse provas de que o presidente Assad usou armas químicas, bastaria mostrar essas provas”.
Jamais falou assim a respeito de Obama. E foi mais longe, perguntando-afirmando: “Por que o presidente Assad usaria armas químicas, se está ganhando a guerra?”. Como Obama garantiu que vai esperar até o dia 9, Putin vai se divertir muito, como fazia nos tempos da KGB.
A PALAVRA DO PAPA
Ontem, Francisco se manifestou contra as guerras. Mas fez questão de incluir a Síria no discurso. Textual: “Temos que fazer um apelo contra as guerras, seja na Síria ou em outro lugar”. Não foi acaso que o Papa chamou a atenção do mundo.
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PS – Quando Stalin estava no auge, o Papa fez um discurso duro contra ele. Tranquilo, mas certamente preocupado, perguntou: “Quantas Divisões ou Regimentos tem esse Papa?”. Obama ainda terá que ouvir muito até decidir. E sem represália da sua parte.
PS2 – Insensato, arrogante, decepcionante, jogou fora todo o capital acumulado pelos mais diversos motivos. Acreditou no que dizem, “a melhor defesa é o ataque”, ficou vulnerável e em posição quase indefensável. Se esperar mesmo a autorização do Congresso, antes disso pode até se REABILITAR. Como? Ele foi tão longe, que deve saber.
ALDO REBELO E OS
“ELEFANTES BRANCOS”
O ministro do Esporte estava sendo entrevistado ontem no ESPN, num excelente programa, chamado “Bola da Vez”. Os entrevistadores faziam restrições aos gastos elevados com estádios, que custaram fortunas, e não serão aproveitados.
O ministro se irritou, supostos comunistas não gostam de críticas ou contestações. Revidou: “Vocês questionam as arenas (é estádio, ministro), mas não fazem qualquer restrição ao Teatro Municipal, também construído com dinheiro público.
Ah!, ministro, entrou um “elefante branco” no seu conhecimento. O Teatro Municipal, doação T-O-T-A-L do governo da França. É exatamente igual ao Teatro da Opera de Paris. Foi inaugurado em 14 de julho de 1909, o presidente era Nilo Peçanha, que como vice, substituía Afonso pena que havia morrido.
CESAR MAIA-EDUARDO PAES
O próprio ministro do Esporte deveria questionar e imediatamente investigar o que aconteceu com o Engenhão. Na construção e na irresponsabilidade da insegurança do público, “com ventos” até de pouca velocidade, tudo isso muito acima do preço convencionado, na administração (?) Cesar Maia.
A PARTICIPAÇÃO DE EDUARDO PAES
O estádio foi construído para os Jogos Panamericanos de 2007. Com Cesar, lógico. Ia ficar como “patrimônio” popular, tudo desapareceu. Paes foi eleito, tomou posse, logo, logo descobriu que o estádio não tinha segurança, interditou-o cinco anos depois.
Por que tanto tempo? O indispensável para que a empreiteira amiga (dele, de Cesar Maia e de cabralzinho) se livrasse de pagar qualquer coisa.
Agora recomeçam, não ficará pronto para a Copa de 2014. E o custo da “reconstrução”? Alucinante, bem na “cara” de administradores alucinados.
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PS – E por hoje nem quero falar nos gastos espantosos do governador cabralzinho com o Maracanã. E Rebelo como ministro. As denúncias COMEÇAM com o custo de 1 bilhão e 200 milhões, fora todo o resto. É imprescindível que esse “maracanaço” de cabralzinho e os parceiros, seja investigado.
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