BRASÍLIA
– Com a prioridade de reeleger a presidente Dilma Rousseff, a direção
nacional do PT tem interferido nos planos eleitorais de seus diretórios
estaduais com o objetivo de agradar aliados ou minimizar estragos. A
mais de um ano da eleição já há pelo menos dois casos de possível
intervenção da direção nacional, ainda que informal. No Pará, setores do
partido resistem em apoiar a candidatura de Helder Barbalho, filho do
senador Jader Barbalho (PMDB), para o governo do estado. No Maranhão, o
comando nacional acompanha com atenção o racha petista quanto à
manutenção do apoio ao PMDB da família Sarney.
No
Rio de Janeiro, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, já entrou em
campo para conter o pré-candidato petista ao governo do estado, senador
Lindbergh Farias, que queria que o partido desembarcasse do governo
Sérgio Cabral (PMDB) antes de outubro. O diretório regional do PMDB do
Rio é o que tem mais votos na convenção nacional do partido, que
decidirá o rumo na eleição para presidente da República em 2014.
—
Convencionamos com Lindbergh que não vamos tomar essa decisão (de sair
do governo) antes de outubro. O mais provável é lá para dezembro — disse
Falcão.
O presidente nacional do PT
também já determinou ao diretório estadual do Pará o apoio à candidatura
de Helder Barbalho. Além disso, Falcão se comprometeu pessoalmente com
Jader, em jantar há 13 dias em Brasília. Além de reeleger Dilma, a
prioridade da direção nacional do PT é aumentar as bancadas na Câmara e
no Senado. Assim, o comando nacional está exigindo sacrifícios de sua
base nas disputas para governador.
Desafiando
a orientação nacional, o deputado federal Claudio Puty, pré-candidato
petista a governador do Pará, disse, em artigo veiculado na internet
esta semana, concordar que o ponto central para 2014 é reeleger a
presidente Dilma, mas que esse objetivo “não pode destruir simbólica e
materialmente o PT, ao transformá-lo em sublegenda de projetos
contraditórios com o nosso programa histórico”.
Integrante
da segunda maior corrente interna do PT, a Mensagem ao Partido, Puty
foi o coordenador da campanha derrotada à reeleição da então governadora
Ana Júlia Carepa (PT), em 2010. O deputado disse que há uma rejeição
“gigantesca” da militância petista em apoiar a candidatura de Helder
Barbalho.
— Não definimos nada
oficialmente. No Pará, o diretório (regional) não decidiu ainda. O Puty
quer ser candidato, mas isso não quer dizer que ele vá ser — disse
Falcão.
Em 2006, Jader apoiou, no
segundo turno, a campanha vitoriosa de Ana Júlia Carepa ao governo do
estado. No decorrer do mandato, porém, petistas e peemedebistas se
desentenderam e, na eleição seguinte, o PMDB não só lançou candidato
contra Ana Júlia como, no segundo turno, apoiou informalmente a
candidatura de Simão Jatene (PSDB), que saiu vitorioso. Agora, às
vésperas do lançamento da candidatura de Helder, os peemedebistas
desembarcaram mais uma vez do governo.
No
Maranhão, o PT está rachado entre o apoio ao candidato da família
Sarney e a candidatura de Flávio Dino (PCdoB). Embora já tenha
enquadrado o PT local em 2010, impondo o apoio à governadora Roseana
Sarney (PMDB) contra o próprio Dino, essa é uma saia justa para a
direção nacional petista. Isso porque, de um lado, o senador José Sarney
(PMDB-AP) foi um apoiador de primeira hora dos governos Lula e Dilma;
de outro, o PCdoB é um aliado histórico, que esteve junto com o
ex-presidente Lula desde 1989.
— Se
tivermos que reeditar a aliança com o PMDB será um apoio mais cartorial,
porque a militância do PT já está com o Flávio Dino — afirmou Marcio
Jardim, integrante da executiva estadual petista no Maranhão.
No
fim de abril, a direção nacional do PT determinou a retirada do ar de
inserção de televisão no Maranhão, na qual eram feitos ataques ao
governo Roseana.
— O Maranhão continua
ostentando os piores indicadores sociais do país. Somos os piores na
saúde e na educação. Vivemos num estado de profunda insegurança, medo e
violência. Com o PT, haveremos de inaugurar um tempo de mudança,
renovação e esperança no Maranhão — dizia o programa.
Presidente
do PT no estado, Raimundo Monteiro divulgou, na época, uma nota
afirmando que foi surpreendido pelo conteúdo crítico à administração
Roseana: “Não fosse pela contradição de o PT criticar o governo do qual
faz parte, também não faz sentido investir contra uma liderança que tem
apoiado desde o início o nosso projeto nacional”.
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