quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Querem perturbar a festa

 


Carlos Chagas




Através das redes sociais, anônimos baderneiros  estão se aproveitando dos naturais movimentos  de protesto programados para o Sete de Setembro para estimular o confronto entre os manifestantes e as forças armadas, que na manhã de sábado,  estarão desfilando pelas avenidas das capitais do país. Uma coisa serão as passeatas de quantos não se sentem contemplados com serviços públicos de qualidade e que,  em nome da nação,   exigem reformas institucionais e mudanças  profundas no estado e no governo. Outra bem diferente são as quadrilhas de meliantes vestidos de preto e com a cara encoberta, ávidos de depredar patrimônio público e particular e, mais grave ainda, invadir e roubar estabelecimentos comerciais dispostos ao longo de suas trajetórias ainda desconhecidas.
Na medida em que as autoridades públicas consigam separar a minoria da maioria, respeitando uns,  mas reprimindo outros, a data passará como algo incômodo mas aceitável. Trata-se, porém, de missão quase impossível. Agentes provocadores contam com o inconformismo da juventude para misturar protestos com vandalismo.
Esses animais já  programaram as manifestações para a parte da manhã em três cidades tidas como chamariz para as demais: Brasília, Rio e São Paulo. Nessas três capitais concentram-se as preocupações do governo federal e dos dois estaduais. Estão mobilizadas  a Polícia Federal e as Polícias Militares e Civis  para ocuparem os principais pontos de concentração popular. Os serviços de segurança da presidência da República e dos governos estaduais distribuirão seus servidores em torno dos palanques e no meio da multidão, se é que o cidadão comum se arriscará sair às ruas  em  número semelhante a anos anteriores.  Quem comparecer com mochilas, sacolas e sucedâneos será revistado nos locais de entrada. 
As forças armadas estarão atentas para o entorno dos desfiles, ainda que nada possam fazer os soldados escalados para marchar.
Em suma, há  tensão no país inteiro. Como, sem a menor dúvida, há estrategistas do lado da baderna traçando planos para perturbar a festa.
BALÃO DE ENSAIO?
Ousará a presidente Dilma cancelar a visita de estado a Washington,  marcada para outubro? Há quem suponha tratar-se de simples balão de ensaio o rumor de que caso os Estados Unidos não se expliquem a contento a respeito da espionagem praticada contra o governo brasileiro, a presidente suspenderá a viagem.  Seria precipitação, ainda que movida por justa indignação. Afinal, a quem interessa a ruptura em  nossas relações? Não mais aos comunistas, que saíram pelo ralo. Muito menos aos americanos, certos de que no Brasil inexistem focos terroristas iguais aos estabelecidos no Oriente Médio e alhures.
Existem outros meios para lavar a honra nacional que se presume atingida pela arapongagem dirigida por nossos irmãos do Norte. Teremos mais a perder do que eles, em  termos econômicos e políticos. Bastaria, nesse bate-cabeça inesperado, que a presidente Dilma denunciasse o abuso americano em foros internacionais, a começar pelas Nações Unidas, cuja abertura da Assembléia Geral já se aproxima. E, de tabela, celebrar com a Suécia, a França  ou a Rússia a compra dos tão decantados e jamais concretizados 36 aviões de caça de que tanto necessitamos.
“MISTER, PONHA-SE DAQUI PARA FORA!”
Nos últimos meses de 1966 o  marechal  Costa e Silva havia sido indicado pelos militares para suceder o marechal Castello Branco. Mesmo depois de o Congresso referendar a escolha, seus auxiliares viviam em permanente tensão. O antecessor não  queria  o sucessor e tentou aprontar diversas vezes contra ele.  Assim, com o título de “presidente eleito”, Costa e Silva decidiu não passar recibo na disputa e  empreender prolongada viagem pelo mundo, sob o pretexto de partilhar experiências de governos distantes. O périplo encerrou-se em Washington, a poucos dias da posse. Hospedado na Blair House, defronte à Casa Branca, o marechal recebeu inúmeras figuras do governo americano, depois de demorado encontro com o presidente Lyndon Johnson.
Um dos visitantes foi o ex-embaixador dos EUA no Brasil, Lincoln Gordon, então subsecretário de Estado para Assuntos Latino-Americanos. Arrogante por haver sido um dos artífices do golpe militar de 1964, o outrora professor universitário começou a dar lições a Costa e Silva sobre como deveria governar o Brasil. Quase que exigiu que a política econômica de Roberto Campos fosse mantida, se possível com a permanência do próprio ministro do Planejamento. Sua desfaçatez foi tão grande que o anfitrião, em determinado momento, esticou o indicador e finalizou:  “olha aqui, seu mister, do meu governo cuido eu e ponha-se daqui para fora!” Um escândalo, que os principais jornais brasileiros preferiram não publicar ou, no máximo, em notinhas nas últimas páginas.
Essa historia se conta a propósito da viagem anunciada e ainda não adiada da presidente Dilma aos Estados Unidos. Não será  por encontrar-se em território americano que ela abrirá mão de nossa soberania e independência.  (Tribuna Da Imprensa )

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