O Estado de S. Paulo
Na prisão, lavar roupa e cozinhar
José Dirceu já fez e refez mentalmente os cálculos de quanto tempo
passará trancado caso o Supremo Tribunal Federal rejeite os recursos de
seus advogados.
A matemática do primeiro ministro da Casa Civil do governo Lula,
personagem-símbolo do mensalão, condenado a 10 anos e 10 meses de
detenção por comandar o esquema, é a seguinte: ele tem direito a pedir
progressão de regime para o semiaberto – em que é obrigado a apenas
dormir na cadeia após um sexto da pena, mas quer cozinhar e lavar roupa
na prisão para adiantar em seis meses esse benefício.
Assim, chega ao seu tempo de cárcere: 1 ano e 4 meses.
O petista tem dito aos mais próximos que não acredita num novo
julgamento pelo Supremo, algo que lhe daria a chance de diminuir sua
pena.
Diz, segundo relatos, que gostaria de ficar preso nas proximidades de
Vinhedo, cidade onde mora, como no Centro de Ressocialização de
Limeira, a 151 km da capital paulista.
Barbosa deve pedir que réus sejam presos imediatamente
O presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, deve pedir
amanhã a prisão imediata dos réus do mensalão. Se for concluída hoje a
análise de todos os embargos de declaração e rejeitada a possibilidade
de novo julgamento para 11 dos 25 condenados, Barbosa e ao menos outros
dois ministros defenderão que a pena comece a ser cumprida
imediatamente.
Barbosa deu sinais, desde o início do julgamento dos primeiros
recursos, de que pediria a antecipação do cumprimento da pena. Em vários
momentos, o relator da ação penal afirmou que os recursos dos réus eram
“meramente protelatórios” e visavam apenas a postergação da execução da
pena.
Câmara opta por caminho mais longo para acabar com votação secreta nas cassações
Encurralada após livrar da cassação o deputado Natan Donadon (sem
partido-RO), preso desde junho, a Câmara dos Deputados aprovou ontem,
por unanimidade dos 452 presentes, uma proposta que acaba com o voto
secreto em todos os Legislativos do País. Agora, a proposta vai ao
Senado.
Apesar da aparência moralizadora, a decisão embute uma armadilha.
Trata-se do caminho mais longo para que as sessões de cassação de
mandato tenham voto aberto. Isso porque há um outro projeto, já de
tramitação mais adiantada, que poderia ser votado o quanto antes (mais
informações no quadro à direita).
Líderes da Câmara, porém, se recusam a aprovar proposta paralela que
abriria de imediato o voto em casos de cassação de mandato. Assim,
somente após a aprovação pelos senadores da nova proposta, a mudança
viraria realidade. O presidente do Senado, Renan Galheiros (PMDB-AL), já
fez críticas, ontem mesmo, ao encaminhamento dado pela Câmara ao
assunto.
STF quer julgar semana que vem ‘absolvição’ de Donadon
O plenário do Supremo Tribunal Federal poderá anular na próxima
semana a decisão da Câmara de preservar o mandato do deputado federal
Natan Donadon (sem partido-RO) que cumpre pena de mais de 13 anos de
prisão por envolvimento com desvio de recursos públicos.
Após ter se reunido com o presidente do STF, Joaquim Barbosa, na sede
do tribunal, o presidente da Câmara, Henrique Alves, disse que a Corte
poderá julgar na próxima semana o mérito da ação na qual o deputado
federal Carlos Sampaio (PSDB-SP) pede a anulação da decisão da Câmara e a
declaração da perda do mandato.
Marina diz confiar ‘em Deus e na Justiça’ para criar Rede a tempo
A ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva disse ao Estado que
confia “em Deus e na Justiça” para criar o seu novo partido a tempo de
disputar as eleições presidenciais do ano que vem. O prazo para a Rede
Sustentabilidade obter o registro no Tribunal Superior Eleitoral termina
em 5 de outubro.
“Nós fizemos o nosso trabalho e estamos recorrendo à Justiça para que
se dê o encaminhamento adequado para o desfecho desse processo”, disse
Marina, após dar uma palestra a executivos da Unilever em Mairiporã, na
Grande de São Paulo, na última segunda-feira. A ex-senadora, que tem
apoio da comunidade evangélica, é conhecida por sua religiosidade
“Agora, é confiar em Deus e na Justiça”, afirmou, para, em seguida,
acrescentar: “E a gente continua fazendo a coleta de assinaturas, indo
nos cartórios de manhã, de tarde e de noite. O que vai sendo certificado
a gente vai enviando (ao TSE)”.
Governo apressa projeto de satélite antiespionagem
O governo espera iniciar em outubro a construção do satélite
geoestacionário brasileiro, um projeto orçado entre U8$ 600 milhões e
US$ 660 milhões. A iniciativa, que já estava em andamento, ganhou
impulso após as denuncias de que as comunicações de dados do Brasil,
inclusive as da presidente da República, estariam sendo monitoradas
pelos Estados Unidos.
Grupo desvia R$ 47 mi de Trabalho, diz PF
A Polícia Federal prendeu ontem sete gestores da ONG Centro de
Atendimento ao Trabalhador (Ceat) – inclusive um padre e a presidente da
entidade, Jorgette Maria Oliveira – e um assessor do Ministério do
Trabalho, Gleide Santos Costa, lotado na Secretaria de Políticas
Públicas de Emprego da pasta, capturado em flagrante por corrupção. Em
poder de Costa, os federais encontraram R$ 30 mil em dinheiro que ele
teria recebido de propina para facilitar aditamento a um convênio com o
ministério que, desde 2009, já garantiu à ONG o repasse de R$ 47,5
milhões.
Pelo menos R$ 18 milhões desse montante, segundo a PF, teriam sido
desviados pela organização por meio de contratos fraudulentos com oito
empresas prestadoras de serviços cujos sócios fazem parte do quadro de
gestores da ONG.
Ministro decidiu exonerar assessor, afirma pasta
A assessoria do ministro Manoel Dias, do Trabalho, informou que ele
“tomou a decisão de exonerar” Gleide Santos Costa, servidor
comissionado na pasta há mais de dois anos. Foi aberto procedimento
administrativo disciplinar. O ministério destacou que está cooperando
com as investigações da Polícia Federal. Os alvos da Operação Pronto
Emprego foram indiciados por quadrilha, peculato, corrupção e lavagem
de dinheiro. Os 7 gestores do Ceat estão presos em regime temporário por
5 dias. A Justiça Federal bloqueou suas contas e bens.
Folha de S. Paulo
Deputado condenado afirma que pagará sua ‘dívida’ na prisão
O deputado federal Valdemar Costa Neto (PR-SP), condenado no
julgamento do mensalão, se prepara para cumprir pena numa cela em
Brasília. Ele já está desocupando o apartamento funcional cedido pela
Câmara. Alugou um flat na capital da República. Concluirá essa transição
na semana que vem e ficará pronto para “pagar essa dívida com a
sociedade”.
Condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 7 anos e 10 meses de prisão
e multa de R$ 1,1 milhão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro,
Costa Neto terá direito a cumprir sua pena no regime semiaberto,
dormindo na prisão e saindo para trabalhar.
Ele ficará impedido de disputar eleições por nove anos. Hoje com 64
anos, só poderá retomar a vida partidária plena aos 73, em 2022. Em
entrevista à Folha e ao UOL, disse que deixará o cargo de dirigente do
PR assim que começar a cumprir a pena e trabalhará como assessor na área
administrativa do partido.
Na atual fase do julgamento, o STF rejeitou todos os recursos de Costa Neto, condenado por receber R$ 8,8 milhões do mensalão.
Câmara aprova fim do voto secreto, mas impasse resiste
Em uma ação orquestrada com o objetivo de minimizar o desgaste
causado pela absolvição do deputado Natan Donadon (ex-PMDB-RO), a Câmara
aprovou ontem um projeto que acaba com o voto secreto no Legislativo.
Na prática, contudo, acabou criando mais obstáculos para que a medida
saia do papel.
Sem acordo com o Senado, o presidente da Câmara, Henrique Eduardo
Alves (PMDB-RN), desengavetou uma polêmica proposta parada havia sete
anos, que coloca fim a todas as votações secretas no Congresso, nas
Assembleias Legislativas e nas Câmaras Municipais.
O texto, por exemplo, elimina o voto secreto para a análise de vetos
que a Presidência da República faz a projetos aprovados no Congresso. A
votação sigilosa, nesse caso, é considerada essencial para que o
Congresso não sofra pressão do Planalto.
Para ministro, decisão cria ‘mandato salame’
O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes disse
ontem que a posição do colega Luís Roberto Barroso de defender que a
Câmara dê a palavra final sobre a cassação de congressistas condenados
em caráter definitivo pode criar a figura do “mandato salame”.
Na opinião de Mendes, seria uma espécie de mandato fatiado, com parte
sendo cumprida na prisão e outra parte com as atividades parlamentares
normais.
“Ele está preso. O sujeito vai do [sistema] fechado para o semiaberto
e depois pode voltar. E fazer o mandato depender disso? (…) É isso é
que estou chamando de mandato salame.”
Caso Donadon é o maior desgaste da história da Casa, afirma Alves
O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), disse ontem
que a manutenção do mandato do deputado federal Natan Donadon
(ex-PMDB-RO) promoveu o maior desgaste da história na imagem da Casa,
superando até mesmo episódios do período da ditadura.
“Enfrentamos ditadura, passamos por momentos difíceis nesta Casa (…)
mas o dano maior que esta Casa sofreu na sua imagem, na sua
credibilidade, foi na última quarta [na sessão que salvou o mandato do
Donadon].”
O Globo
Agora só falta o Senado
Seis dias após salvar o mandato do deputado-presidiário Natan Donadon
(sem partido-RO) em uma votação secreta, a Câmara dos Deputados tentou
dar ontem uma satisfação à sociedade e aprovou, em segundo turno, por
unanimidade, com 452 votos favoráveis, a Proposta de Emenda
Constitucional (PEC) 349, que põe fim ao voto secreto para todas as
decisões tomadas em sessões plenárias do Parlamento. A votação em
primeiro turno aconteceu há sete anos, e o texto segue agora para o
Senado, onde a tramitação deve demorar, no mínimo, um mês. Se aprovado
pelos senadores, todos os futuros processos de cassação de mandato
parlamentar terão o voto aberto dos seus colegas.
A decisão de pôr a medida em votação partiu do presidente da Câmara,
Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). Ainda pela manhã, ele chegou à Casa
informando que pautaria a proposta na sessão da noite e que informaria
aos líderes sua decisão. Henrique estava emparedado pela decisão do
ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, que na
segunda-feira suspendeu a decisão da Câmara que não cassou o mandato de
Donadon.
Obrigação de revelar voto foi determinante
Depois da surpresa geral da semana passada, quando faltaram 24 votos
para a cassação do mandato do deputado-presidiário Natan Donadon (sem
partido-RO), líderes partidários decidiram ontem mobilizar os
parlamentares de suas bancadas para garantir a aprovação da PEC que
acaba com todos os votos secretos. Mas muitos deputados fizeram o dever
de casa, uma resposta à sociedade, a contragosto. Na reunião de líderes
pela manhã, os diálogos foram reveladores nesse sentido.
Os próprio líderes reconheciam que, apesar de a proposta encontrar
resistências entre boa parte dos parlamentares, a aprovação só seria
possível pelo fato de, desta vez, os deputados serem obrigados a mostrar
se estão a favor ou contra a transparência. Ou seja, com voto aberto,
exposto no painel, enquanto na semana passada os que defenderam Donadon
foram protegidos pelo sigilo do voto secreto.
Gilmar ironiza decisão de Barroso de suspender sessão
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ironizou
ontem a decisão do colega Roberto Barroso que anteontem suspendera a
sessão da Câmara que manteve o mandato do deputado Natan Donadon (Sem
partido-RO). Gilmar Mendes disse que decidir se um parlamentar condenado
pode ou não permanecer no cargo com base no regime de prisão cria o
“mandato-salame” — fatiado conforme os benefícios conseguidos pelo
preso.
Na decisão, Barroso ponderou que presos em regime fechado não podem
comparecer ao Congresso e, portanto, não podem exercer a atividade
parlamentar. Mas a situação de quem está em
regime semiaberto seria diferente, porque existe a possibilidade de
trabalhar durante o dia e, portanto, ir à Câmara. Sem citar o nome de
Barroso, Gilmar Mendes argumentou que um preso em regime fechado poderia
não conseguir a progressão para o regime semiaberto se tiver mau
comportamento. E mesmo os presos no semiaberto não têm a garantia de
sair da prisão para trabalhar durante o dia. Esse benefício depende da
autorização de um juiz de execução.
Em 2010, Mesa da Câmara declarou perda de mandato
Em agosto de 2010, a Mesa Diretora da Câmara, então presidida pelo
atual vice-presidente da República, Michel Temer, declarou a perda de
mandato do deputado Jerônimo Reis (DEM-SE), que havia sido condenado por
improbidade administrativa pela Justiça de Sergipe. O ato foi lido no
plenário da Casa, e o suplente Pedro Valadares (DEM-SE) foi convocado a
assumir a vaga imediatamente.
O caso foi invocado como precedente que autorizaria o atual
presidente da Câmara, Henrique Alves, a apenas declarar a perda de
mandato do deputado-presidiário Natan Donadon (sem partido-RO). O tema é
controverso na Câmara e no Supremo Tribunal Federal.
CPI da Espionagem pede proteção policial para jornalista americano
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado para investigar
as denúncias de espionagem por parte do governo dos Estados Unidos
contra brasileiros, inclusive a presidente Dilma Rousseff, foi instalada
ontem. E já na primeira sessão a CPI aprovou um requerimento de
proteção policial ao jornalista Glenn Greenwald, responsável pela
publicação dos documentos secretos que relatam as interceptações, e seu
companheiro, David Miranda. Os senadores temem pela segurança da dupla
que, segundo relataram, ainda teria um intenso volume de informação a
respeito do caso.
O relator da CPI, senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES), contou que, em
sessão da Comissão de Relações Exteriores, Greenwald disse que sua casa
havia sido invadida após a publicação das primeiras reportagens que
revelaram a vigilância de civis pela Agência de Segurança dos Estados
Unidos (NSA, na sigla em inglês).
Governo vê ‘data centers’ como escudo contra espiões
A instalação de centrais de processamento e armazenamento de dados
(data centers) no país poderá facilitar a ação do governo para impedir
tentativas de espionagem sobre as comunicações do cidadão brasileiro.
Para isso, o Ministério das Comunicações negocia incluir no Marco Civil
da Internet um novo artigo exigindo das empresas a construção de data
centers no Brasil.
A negociação vem sendo feita entre o Ministério das Comunicações e o
relator do projeto na Câmara, deputado Alessandro Molon (PT-RI). O
secretário de Telecomunicações do ministério, Maximiliano Martinhão,
disse que, se o data center estiver funcionando no país, qualquer
violação de dados terá de ser submetida à legislação brasileira.
Ministério cancela licitação de cisternas
O ministro da íntegra-ção Nacional, Fernando Bezerra Coelho,
determinou ontem o cancelamento da concorrência para a compra de 187,5
mil cis-temas de plástico, ao custo estimado de quase R$ 600 milhões. A
licitação havia sido suspensa por uma decisão liminar do Tribunal de
Contas da União (TCU), conforme O GLOBO revelou no último sábado. O
ministro tomou a decisão após consultar ontem o tribunal.
O pregão para a compra das cisternas em seis estados era conduzido
pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do
Parnaíba (Codevasf), empresa vinculada ao Ministério da Integração
Nacional. Em ofício enviado ao presidente da Codevasf, o ministro
informou que a manutenção da licitação “se mostrou inconveniente para a
administração”. “Neste sentido, orienta-se a esta empresa pública que
promova o cancelamento da ata de registro de preços, em consonância com
as balizas estabelecidas pelo Tribunal de Contas da União. Em resumo,
que não mais se promova a contratação e a emissão de ordens de serviços
com base na ata resultante daquela licitação” disse.
Mais Médicos que faltam ao trabalho
Em pelo menos sete estados, médicos brasileiros inscritos no programa
Mais Médicos, do governo federal, faltaram, desistiram ou não se
apresentaram nos locais de trabalho. Levantamento do GLOBO, feito ontem,
aponta que os profissionais alegaram doença — um deles chegou a assumir
e, no dia seguinte, entrou com pedido de licença médica remunerada —,
baixo salário e até carga horária alta. Na cidade do Rio, um dos médicos
que desistiram chegou a dizer que “mesmo no interior, atendendo duas
vezes por semana, cobrando R$ 60 a consulta, o médico já ganha muito
mais” O salário é de R$ 10 mil por mês.
Correio Braziliense
Mensaleiros não terão privilégios, afirma juiz
O juiz da Vara de Execuções Penais do Distrito Federal, Ademar Silva
de Vasconcelos, determinou à direção do Centro de Progressão
Penitenciária (CPP) que não deve ocorrer nenhum tipo de tratamento
diferenciado em relação aos presos que cumprem pena no local. Diante da
denúncia de que quatro celas estão sendo reformadas sob medida para
abrigar deputados condenados no chamado processo do mensalão, o
magistrado telefonou, na tarde de ontem, diretamente para o diretor da
unidade prisional, Afonso Emílio Alvares. “Não pode existir nenhum tipo
de tratamento diferenciado”, disse. Quatro deputados cumpririam pena na
unidade caso as penas sejam mantidas: João Paulo Cunha (PT-SP), José
Genoino (PT-SP), Valdemar Costa Neto (PR-SP) e Pedro Henry (PP-MT).
Salame, o novo tipo de mandato
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), avalia
que a solução encontrada pelo colega Luís Roberto Barroso para suspender
a decisão da Câmara que manteve o mandato do deputado presidiário Natan
Donadon (sem partido-RO) abre espaço para distorções. Na avaliação de
Mendes, a brecha estabelecida por Barroso, que permite a permanência de
políticos condenados ao regime semiaberto na função de parlamentar, cria
uma espécie de “mandato salame”, no qual o exercício do cargo eletivo
fica “fatiado” em partes, com o congressista ora na prisão ora no
parlamento. O entendimento fixado na decisão que anula a votação da
Câmara tem potencial para beneficiar três dos quatro deputados
condenados no julgamento do mensalão. José Genoino (PT-SP), Pedro Henry
(PP-MT) e Valdemar Costa Neto (PR-SP), que vão cumprir o regime
semiaberto, poderão continuar com o mandato caso prevaleça no plenário
do STF a interpretação de Barroso.
Sob pressão, Câmara derruba voto secreto
Na ânsia de dar uma satisfação imediata à sociedade após manter o
mandato do deputado presidiário Natan Donadon (sem partido-RO), o
plenário da Câmara aprovou ontem, em votação aberta, por unanimidade dos
452 presentes, o fim do sigilo em todo tipo de votação no Congresso,
nas assembleias legislativas e nas câmaras municipais. A Proposta de
Emenda à Constituição (PEC) nº 349/2001, que agora segue para o Senado,
acumulava poeira na Casa desde 2006, quando tinha sido aprovada em
primeiro turno, e enfrentava resistências de todos os lados. De repente,
acabou ressuscitada e aplaudida por todos os parlamentares, fazendo com
que a outra proposta que acabaria com o voto secreto apenas para a
cassação de mandatos, já aprovada no Senado, perdesse força. Com a ação,
a Câmara completa o jogo de empurra sobre o tema, em que uma Casa vota
uma versão do assunto e envia a conclusão do problema para a outra. O
resultado, por enquanto, é que o voto aberto continua sendo somente uma
promessa.
Senado atrasa vale
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) deposita
pontualmente o auxílio-check-in para os parlamentares, mas se recusa a
pagar o vale-transporte aos servidores comissionados da Casa. O direito
foi regulamentado em 2012, e a dotação orçamentária para esse fim foi
aprovada no início do ano. Apesar disso, 78 funcionários que solicitaram
o benefício continuam sem recebê-lo.
Assim como os funcionários do governo federal, os do Legislativo têm
direito ao auxílio-transporte, desde que comprovem a necessidade e
concordem com o desconto de 6% sobre os vencimentos. Mas, mesmo com a
previsão, os do Senado continuam privados do auxílio.( Com informações do Congresso Em Foco )
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