Por todas as partes podem ser vistas pessoas que usam drogas e apenas sobrevivem nas praças e ruas
O
bairro Redenção, na zona Sul de Teresina, apontado em relatório da
Corregedoria Geral da Justiça do Piauí como um dos bairros de Teresina
mais afetados pelo problema do tráfico, está realmente tomado pelas
drogas. Mais de 15% das prisões acontecem somente no bairro, que abriga a
Vila Jerusalém, umas das mais violentas da cidade. A dura realidade
pode ser comprovada nas ruas e praças do local, onde os usuários
(homens, mulheres, crianças) dormem, consomem e sobrevivem apenas para
voltarem a consumir novamente.
Mas o problema,
infelizmente, não é apenas do Redenção. Em toda a Teresina há centenas e
milhares de pessoas, principalmente jovens, dominados pelas drogas. No
Centro, dezenas de pessoas perambulam pelas ruas parecendo zimbis,
tomado pelo crack, principalmente. Estudo realizado pela Comissão
Especial de Estudos da Corregedoria revela o perfil dos usuários e
traficantes de drogas no Piauí. O relatório, que surgiu a partir da
preocupação da Corregedoria com os altos índices de usuários de drogas,
concluiu que o perfil do traficante de drogas no Estado caracteriza-se
por ser jovem, solteiro, com pouca escolaridade, negro ou pardo, com
profissões precárias e com pouca perspectiva de reinserção na
sociedade.
De acordo com um levantamento feito pela
Confederação Nacional dos Municípios (CNM), o crack já é uma realidade
em pelo menos 70% das cidades brasileiras. No Piauí, do total de pessoas
cumprindo pena nos presídios do Estado, que corresponde a 2.929
detentos, 20% ocorrem por conta do tráfico de drogas. Isso significa
dizer que uma pessoa em cada cinco presos está cumprindo pena por
envolvimento com drogas.
De acordo com o corregedor-geral
de Justiça, desembargador Francisco Antônio Paes Landim Filho, esse
relatório chama atenção para um problema crônico da sociedade. "É um
problema que cresce cada vez mais. Colocamos a problemática para que
possamos, conjuntamente, achar as soluções cabíveis", afirma.
Os
homens representam 76% dos usuários e traficantes do Estado e as
mulheres 24%. Porém, existe uma tendência ao crescimento do público
feminino. A pesquisa revelou que a grande maioria (59%) das mulheres
estão encarceradas por envolvimento com o tráfico de drogas, enquanto a
população carcerária masculina presa por esse mesmo motivo é de apenas
20%. "Quando os homens casados são presos, as mulheres assumem o
controle do tráfico, esse tem sido um fato relevante que leva a esse
crescimento", explica Paes Landim.
A droga que predomina
ainda é o crack, com 61% de incidência junto aos processos que tramitam
na 7ª Vara Criminal de Teresina. Em seguida, encontra-se a maconha (25%)
e cocaína (11%). Os motivos são vários, que vão desde o baixo valor de
aquisição, ao alto teor viciante provocado pela substância e pelo efeito
rápido que ela gera nos usuários.
Os números apresentados
pelo relatório são confirmados pelo delegado Willame Moraes, da
Delegacia de Entorpecentes. Segundo ele, a droga mais apreendida ainda é
a maconha, pelas características físicas que facilitam a visualização,
mas a droga mais consumida é o crack. "Pelas características físicas, a
maconha é de mais fácil apreensão, por ser mais volumosa. Já o crack,
pelo tamanho, pequeno valor e pela duração do efeito no organismo, é
mais utilizado pelas pessoas", afirma.
( Diário do Povo )
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