sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Isto é uma Vergonha : Moradores do Maiobão tem o seu próprio " Carandiru"

Abandonado, antigo Centro Comercial do Maiobão, que já foi palco de eventos culturais, transformou-se em local de tráfico de drogas.

Sandra Viana/O Imparcial



Duas mortes violentas chocaram as famílias que ocupam o antigo Centro Comercial do Maiobão, hoje apelidado de Carandiru. Era por volta de 21h, da última quinta-feira, quando dois homens foram executados com vários tiros, em um quarto no local. Segundo a polícia, ambos eram envolvidos com tráfico de drogas. Problema que toma conta da área que virou ponto de comércio e consumo. O resultado são brigas, assaltos, mortes e uma comunidade exposta ao crime. Um triste fim ao espaço que, há quase 20 anos, além das atividades de comércio e serviços, foi referência e palco de eventos no município de Paço do Lumiar.

Pelo menos 32 famílias vivem no prédio que fizeram de moradia e dividem as antigas lojas do Centro 1 e 2 com os poucos comerciantes que resistem. O lugar que se assemelhava a um shopping, com diversos serviços oferecidos e onde funcionava a feira do bairro, restam algumas oficinas, serralherias e salas utilizadas como depósito. Porém, a maior parte do prédio é ocupada para residência por moradores de rua. Não existe limpeza nem estrutura física para este fim. Água e energia também são precários. Quem mantém seu negócio reclama de assaltos frequentes.

A comerciante Maria das Dores, 35 anos, diz se sentir indignada com o estado do antigo centro, sobretudo, pelos riscos que representa. “Passar aqui à noite é um perigo. Traficante vive aí, mora aí e nada é feito. Esse espaço era para servir à comunidade e está abandonado. Uma vergonha”, relata. O também comerciante José Carlos Silva, 39 anos, aguarda ação dos órgãos competentes para acabar com o tráfico que se instaurou no local. “Prejudica quem trabalha aqui, quem ocupa para morar e até quem mora próximo. O negócio aqui está difícil”, garante. José Silva reclama a atitude dos gestores para acolher as famílias que ali se instalaram. “Quando vem alguém aqui é para conversar, mas nada sai do papel. Só cadastro eu já preenchi uns quatro e nem sinal de obra”, conta.

A reportagem procurou a prefeitura de Paço do Lumiar, que por meio da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Sinfra), informou já ter manifestado interesse pela gestão de espaços e prédios públicos pertencentes ao Governo do Estado do Maranhão, que estão localizados no município, a exemplo do antigo Centro Comercial do Maiobão. Segundo o órgão, até o momento ainda não obteve retorno do Governo sobre o processo de transição. A Sinfra acrescentou que um projeto de revitalização do Centro só poderá ser elaborado após a municipalização da área.

Quanto ao amparo às famílias que moram no local, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (Semdes) informou ter feito levantamento do número de residentes, mês passado, e incluiu 32 em programas sociais do município. A segurança da área é feita pela Delegacia Especial do bairro com operações de combate ao consumo e comercialização de drogas no local realizando prisões e apreensões de entorpecentes, segundo a assessoria da Polícia Militar. O maior impasse é o combate aos traficantes que sempre retornam ao local, apesar da ação da polícia.

O Governo do Estado também foi procurado e por meio de nota informou que a Secretaria de Estado de Gestão e Previdência (Segep) esclarece que não recebeu pedido formal de transferência do imóvel para o Município de Paço do Lumiar.
O referido imóvel, de propriedade do Governo do Estado, foi cedido à Cooperativa dos Feirantes do Maiobão (Coofema), por meio de Termo de Cessão Gratuito de Uso, em 1997, cuja vigência expirou em 2007, não tendo sido renovado.

SAIBA MAIS

Tempos áureos
Os dois prédios do Centro Comercial do Maiobão abrigavam cerca de 125 estabelecimentos, incluindo oficinas, ateliês, livrarias, farmácias, serralherias, academias, empresas de cursos e lojas, inclusive de grifes. Período em que o turismo fervilhava e atraía pessoas de outros estados e até países para compras e passeio. O centro de comércio era também centro de lazer, cultura e entretenimento. Segundo moradores e comerciantes da área, o descaso com o local iniciou ainda na década de 90. Sem atenção do poder público, o espaço começou a ser invadido e ocupantes aos poucos substituíram os lojistas e prestadores de serviço.

“Passar aqui à noite é um perigo. Traficante vive aí, mora aí e nada é feito. Esse espaço era para servir à comunidade e está abandonado. Uma vergonha”, Maria das Dores, 35 anos, moradora

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