Prefeito (de preto) anda com segurança policial (Foto: Divulgação)
Testemunhas
já identificaram os ocupantes de um Honda Civic que, na noite do último
sábado, dispararam três tiros contra a residência do prefeito de
Tomé-Açu, Josehildo Taketa Bezerra (PT). Com base nos relatos das
testemunhas, a polícia intensificou as investigações para prender a
qualquer momento os executores do atentado e eventual mandante. Uma das
testemunhas também teria identificado o atirador, que estaria refugiado
na zona rural do município. Bezerra escapou por pouco de morrer.
Quem planejou o atentado sabia que ele tem o
costume de ficar assistindo televisão na sala do segundo andar do
prédio de três andares, em cujo primeiro andar funciona uma emissora de
rádio da família. No último andar da propriedade reside o pai de
Bezerra, que ficou muito assustado com o que ocorreu. O prefeito estava
na residência no momento do atentado. O delegado de Tomé-Açu, Cláudio
Gomes, que preside o inquérito, informou que o carro parou em frente à
residência e os disparos foram efetuados. As balas atingiram uma porta
de vidro que fica na varanda da casa, que dá acesso à sala. Uma perícia
foi feita no local, que deverá apontar a arma utilizada.
Levado para uma reunião na Secretaria de
Segurança Pública com o secretário Luís Fernandes, o delegado-geral,
Rilmar Firmino, e o delegado do interior, Silvio Maués, pelo deputado
Carlos Bordalo, líder do PT na Assembleia, Legislativa, Bezerra contou
que vinha recebendo ameaças telefônicas de morte e recados e que estava
temeroso de que algo pudesse lhe acontecer. Diante das declarações do
prefeito, Fernandes e Firmino informaram-no de que ele e sua família
teriam à disposição uma segurança policial.
Essa segurança deve acompanhar o prefeito
aonde ele for, inclusive em sua rotina de despachos no prédio da
prefeitura de Tomé-Açu. Antes de ir à Segup, Bezerra esteve com o
presidente da Alepa, Márcio Miranda, narrando o clima de medo no
município. “Não podemos aceitar esse clima de violência no município e
estamos cobrando providências do governo estadual para que a população
de Tomé-Açu tenha um pouco de paz”, afirmou Bordalo em entrevista ao
DIÁRIO. Segundo o deputado, o problema é que ainda viceja na região onde
está localizado o município o velho e histórico conceito de se querer
“resolver tudo na bala”.
Impunidade
Para Bordalo, o que ocorre tem o reforço da
impunidade dos criminosos e também do problema social vivido com a
implantação de um megaprojeto de exploração do dendê na região. “Esses
projetos são bons porque geram desenvolvimento, mas trazem também
eventos e situações que agravam a questão social e suas carências, que
não são resolvidas”, acrescentou o petista.
Ele prometeu fazer nesta terça-feira, da
tribuna da Alepa, um pronunciamento sobre a tentativa de homicídio
contra Bezerra e também contra a violência que domina o Pará a ponto de
ela transformar o estado, de acordo com estatísticas oficiais, no
segundo mais violento do país, atrás apenas de Alagoas.
(Diário do Pará)
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