quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Projeto de escola estadual muda hábitos alimentares de alunos e estimula pesquisa

Na escola, professores e alunos desenvolvem projeto interdisciplinar e o resultado é transmitido à comunidade.

Isabel Cardoso/Ccom
CEMTI João henrique de Almeida (Foto:Francisco Gilásio)
Sair da escola pública só para a universidade. Esse é o lema dos alunos Laíse Cristina, Myllena Santila, Cristhyan Kaline, Isaac Ramon, Francisca Castro e Bárbara Bomfim, que estudam no Centro de Ensino de Tempo Integral João Henrique Sousa, escola estadual referência na região Sul de Teresina.
Para eles, alunos, professores, direção, coordenação e todos os servidores formam uma grande família. “Passamos o dia na escola, estudamos e construímos conhecimento”, dizem.

CEMTI João henrique de Almeida ( Foto: Francisco Gilásio)
Um referencial da escola são os projetos desenvolvidos a cada ano na área do bem-estar: o "Cemti Saúde", coordenado pela professora de Educação Física, Deusenira Santos. Segundo ela, quando foi implantado o Tempo Integral na escola, havia um problema difícil com relação à alimentação. “Os alunos não queriam a comida da escola por terem dificuldade em ingerir frutas e verduras. Então, buscamos uma alternativa para conscientizar os alunos sobre alimentação correta e saudável”, informa.
Diante desse fato, junto com outros professores, Deusa, como é chamada pelos estudantes, elaborou um projeto de pesquisa que envolvesse todas as pessoas da escola, com a realização de seminários, palestras e exposição de material.

No primeiro ano, tudo foi voltado para a saúde alimentar, em que os alunos pesquisaram e produziram vasto material sobre alimentos. Foi, segundo ela, uma forma de conscientização sobre o valor das frutas, verduras, ingestão de gorduras, quantidade de calorias, a importância de cada refeição e o resultado de uma alimentação à base de frutas, legumes e verduras.

CEMTI João henrique de Almeida ( Foto: Francisco Gilásio)
O projeto deu certo. Os alunos passaram o ano pesquisando e hoje, eles se adaptaram ao cardápio da escola, que é supervisionado por nutricionistas da Secretaria Estadual da Educação. Melhor, eles mudaram os hábitos alimentares e levaram essa experiência para casa. Realizadas as primeiras pesquisas, os estudantes tomaram gosto pelos estudos e também por descobrir, elaborar e construir o conhecimento. Em 2010, a escola trabalhou o meio ambiente que interfere na qualidade de vida. “Fazemos os projetos e a cada fim de ano temos a culminância, com relatórios feitos pelos estudantes e a sugestão da temática do ano seguinte”, informa.
Neste ano, os alunos se debruçaram sobre o tema “Envelhecer bem até mais de 100”. Cada sala fica responsável por desenvolver um segmento e, dentro dessa temática, os estudantes foram pesquisar a relação entre saúde e beleza, a influência da tecnologia na saúde, importância do aprendizado no envelhecimento intelectual, mostrando a importância da cultura. “Outra turma ficou responsável por estudar e fazer uma relação entre a alimentação brasileira, espanhola e americana”, diz a professora Deusa, acrescentando que as turmas também pesquisaram sobre o envelhecimento populacional envolvendo as disciplinas de Geografia e Matemática. No campo da Biologia, pesquisa sobre o envelhecimento dos sistemas nervosos e órgãos do corpo, como o nervoso, redução do nível de visão, da voz. “É um projeto interdisciplinar”, comenta.

CEMTI João Henrique de Almeida ( Foto: Francisco Gilásio)
O projeto de 2013, também inclui a questão da velhice saudável. “Para chegar à 3ª idade com independência, e ativa é preciso se preparar, pois o homem envelhece a partir do momento da concepção”, afirmam os alunos, enfatizando que os projetos realizados os tornam cidadãos conscientes e mais responsáveis. Método é aprovado por alunos
Laíse Cristina, de 17 anos, aluna do 2° ano A, garante que evoluiu muito com a realização dos projetos. “É importante para adquirir conhecimento e passar para outras pessoas”, diz, declarando que o projeto permite o trabalho em equipe.
Para quem não tinha o costume de consumir verduras, Myllena Santila, 16 anos, diz que mudou depois de entrar no Cemti João Henrique. “Melhorei em tudo, desde a alimentação à disciplina e gosto também de pesquisar e descobrir coisas novas para transmitir comunidade”, diz, declarando que neste ano, seu foco foi a 3ª idade e mostramos como obter uma velhice saudável e passamos isso para a comunidade.
Futura socióloga, Cristhyan Kaline, 18 anos, explorou dentro da temática de envelhecer bem a genética. “Todo aluno do Ensino Médio tem que se preparar para fazer o curso superior e essa forma de estudar, pesquisando  e elaborando é mais positiva. Lembro das três edições anteriores do projeto e todo o conteúdo ficou guardado na mente”, diz.
Isaac Ramon, aluno do 3° ano, que pretende cursar Engenharia, diz que a metodologia da escola é eficiente. “Quando pegamos um livro, fazemos a leitura para uma prova, com o tempo, podemos esquecer o assunto. No entanto, quando vamos atrás do conteúdo, através de pesquisa, não esquecemos, levamos para a vida”, conta.
Alunas do 1° ano, Francisca Castro e Bárbara Bomfim, afirmam que a escola ajuda o estudante a desenvolver o seu conhecimento como pesquisador. “Neste primeiro ano de escola, nos envolvemos bastante pesquisamos e já aguardamos o próximo ano para saber a temática e cair no campo”, dizem.
Segundo o diretor Gideão Machado, esse modelo de gestão escolar cria um vínculo com os alunos. “Aqui, a relação professor-aluno é de confiança, amizade”, diz, enfatizando que para dar certo é preciso envolvimento dos professores e disciplina. “Aqui, os alunos não podem entrar com celular”, afirma.
Essa restrição é aprovada pelos alunos. Francisca Castro viu que era possível ficar o dia sem celular. “Na escola não sentimos falta e quando chegamos em casa, vemos o que tem de mensagem, quem ligou”, diz.
Assim, com disciplina e vontade de estudar, a escola tem aprovação dos alunos. Bárbara, por exemplo, diz não gostar de feriados e nem do período de férias.  “Na escola estamos por prazer. E uma prova de que a escola é bem aceita é o fato de muitos alunos que concluíram o Ensino Médio voltam para rever professores e simplesmente ficar na escola”, dizem Cristhyan e Isaac.

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