Por José Reinaldo Tavares
A
notícia da semana vem da Secretaria do Tesouro Nacional. Treze estados
brasileiros apresentam um grande rombo fiscal, ou seja, estão gastando
mais do que arrecadam. O Maranhão, depois de muito tempo, volta a ter
déficit, o décimo maior rombo fiscal do país. Isto equivale a 0,44 do
PIB estadual, o que corresponde a 263,7 milhões de reais em 2013.
Em
outras palavras, o estado não cumpre a lei de responsabilidade fiscal. E
vamos observar que depois de anos sem empréstimos – no meu governo e no
de Jackson Lago – Roseana tomou mais de onze bilhões de reais, além de
alongar dívidas já equacionadas em 600 milhões de dólares (oriundas de
empréstimos internacionais), com juros maiores e carência durante o
restante de sai gestão, jogando tudo para as costas do próximo governo
pagar. Claro, pois, uma vez que deixa de pagar agora, libera recursos
substanciais do atual orçamento para a gastança habitual sem nenhuma
consequência para desenvolvimento do estado. Sim, porque não há nenhum
projeto em andamento com essa finalidade. Só gastança mesmo.
E
pior, como disse antes, nenhum projeto importante foi realizado ou está
em andamento. Pelo contrário, nada funciona bem no Maranhão e, por
falta de políticas corretas, os indicadores sociais do estado afundam
cada vez mais e são os piores do país. Um governo no mínimo calamitoso e
que deixará consequências ruins no futuro próximo.
Mudando
de assunto, denunciei aqui o verdadeiro crime que está para ser
cometido contra o Maranhão. Não mereci resposta, como se o assunto fosse
desimportante. Infelizmente não é, pelo contrário, é fundamental para
que possamos ter aqui um porto capaz de atrair indústrias, aproveitando,
finalmente, sua excelente condição natural, sua grande profundidade e a
proximidade com os grandes mercados consumidores mundiais.
Trata-se
da questão do gás, importante para o crescimento industrial, porque é
um combustível muito mais barato e, por isso, superatrativo para o
estabelecimento de grandes conglomerados industriais geradores de
emprego e renda.
Chamei atenção para o
anúncio feito por parte do Ministério de Minas e Energia de audiência
pública para a construção de um gasoduto de mais de 700 quilômetros de
extensão para levar o gás da bacia do Parnaíba a Barcarena no Pará,
exatamente para atender indústrias que hoje consomem óleo a preços mais
elevados. Tudo em detrimento do Porto do Itaqui, muito mais importante e
maior que Barcarena, uma decisão incompreensível economicamente em
relação aos interesses do Maranhão. Nosso gás, nesse caso, não vai
atender aos maranhenses, mas na visão do Ministério – que tem como
ministro um maranhense, diga-se de passagem – nosso precioso gás natural
deve atender aos paraenses, sabe-se lá por quê. E prejudicados ficamos o
porto e o estado, por nos tirarem condições fundamentais para o
desenvolvimento de que tanto precisamos.
Vejamos
o quanto é importante o gás para o desenvolvimento e as atuais
dificuldades e brigas pelo seu uso, principalmente agora com a escassez
de chuvas. Ou seja, o gás agora está sendo ultra disputado pelas
geradoras de energia elétrica. E o que temos não é para nós… Vejamos o
que nos diz uma das especialistas do setor:
A
diretora do Departamento de Gás Natural do Ministério de Minas e
Energia, Symone Christine Araújo, [...] explicou [...] que falta oferta
de gás para sustentar a expansão da malha. A diretora garantiu ainda que
não há risco de falta de gás na indústria. Somos responsáveis pela
regulamentação do capítulo da Lei do Gás que trata do plano de
contingência. E estamos à vontade, porque não vislumbramos a curto,
médio ou longo prazo nenhum risco ao abastecimento, afirmou.
No
entanto, o presidente da Associação Brasileira de Grandes Consumidores
Industriais de Energia e Consumidores Livres (Abrace), Paulo Pedrosa,
disse que o governo precisa ser mais ágil. Estamos perdendo indústria,
os nossos concorrentes no exterior estão tendo acesso a um gás mais
competitivo. Esperamos mais protagonismo, reforçou.
Para
aumentar a oferta de gás, Symone Araújo lembrou que o País fez várias
licitações de blocos de exploração de petróleo e gás em 2013. Segundo
ela, nos próximos cinco anos, o cenário deve mudar.
A
maior parte do gás natural comercializado no país é importada. A rede
de gasodutos de 9.500 quilômetros vem sendo formada há apenas 15 anos,
com a entrada do produto boliviano. O plano de expansão da malha de
transporte de gás ficará em consulta pública até o dia 26 de fevereiro.
Guardem
então, leitores e amigos, que dia 26 de fevereiro é a data que poderá
selar o destino do nosso gás. A governadora do estado está se lixando
para o assunto, não tem o mínimo interesse. E vejam que quem está
patrocinando a consulta de 26 de fevereiro é o Ministro Lobão. Pois bem,
o gás do Maranhão corre o risco de ser entregue para o Pará.
Chega de tanta irresponsabilidade. O medo e a submissão calam a todos!
Nenhum comentário:
Postar um comentário