O Estado de São Paulo -
Desgastado, o clã Sarney tenta promover no vale-tudo o
“candidato-poste” que vai disputar a sucessão de Roseana Sarney (PMDB)
no Maranhão. O secretário de Infraestrutura, Luis Fernando Silva, de 58
anos, faz minicomícios no interior animados por claques financiadas por
prefeituras dependentes de repasses estaduais e federais.
À
espera do início oficial da campanha e do reforço das estrelas petistas
Lula e Dilma Rousseff no palanque – um trauma para a esquerda -, ele
percorre povoados pobres para anunciar asfalto e tentar melhorar nas
pesquisas, lideradas pelo presidente da Embratur, Flávio Dino (PC do B).
Do
fim de janeiro para cá, Luis Fernando esteve em 41 municípios para
assinar ordem de serviço de obras de pavimentação de um programa
financiado pelo BNDES, com meta de asfaltar 1.100 quilômetros. Na manhã
de 25 de fevereiro, mulheres e crianças carregavam baldes de água
retirada de uma bica em Icatu, a 133 km de São Luís, no momento em que
funcionários da prefeitura soltavam fogos para anunciar a chegada do
secretário. A moradora Maria José Silva, de 49 anos, não se animou com a
promessa de quatro quilômetros de asfalto. “Vou continuar carregando
água na cabeça cinco vezes por dia”, disse.
Combustível. Luis
Fernando chegou num Toyota Hilux escoltado por 200 motociclistas. “O
prefeito (José Ribamar Moreira, do DEM) vai pagar 3 litros de gasolina
para cada um”, admitiu Pedro Henrique da Silva, presidente do sindicato
dos mototaxistas do município.
A
prefeita Roberta Barreto (PMDB), de Axixá, foi mais generosa. Após Luis
Fernando anunciar quatro quilômetros de asfalto, os motociclistas
tumultuaram o posto de gasolina na entrada da cidade para receber 4
litros de gasolina cada.
Na tarde de
sol do dia 26, a prefeita de Rosário, Irlahi Moraes (PMDB), mandou um
grupo de idosos fazer ginástica no povoado de São Miguel. Ali, Luis
Fernando anunciaria três quilômetros de asfalto. “Só não sei o que a
prefeita mandou a gente fazer aqui”, disse a aposentada Dayse Teixeira
Frazão.
Luis Fernando afirma que as
visitas fazem parte do programa de governo itinerante e foram agendadas
há tempos. A assessoria do secretário afirma que eventos costumam ser
cancelados quando há exageros.
“Aqui,
minha agenda é só de secretário”, disse ele em Cachoeira Grande, onde
poucos atenderam ao apelo do prefeito Francivaldo Vasconcelos (PSD) para
prestigiar outra assinatura de ordem de serviço. O evento foi
transferido de uma área aberta para um jardim de infância.
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