sexta-feira, 20 de junho de 2014

A deportação dos torcedores chilenos é gesto desumano e prepotente

Jorge Béja
Os torcedores chilenos presos (ou detidos) ontem no Maracanã não podem ser deportados, ou seja, mandados de volta para o Chile. Fala-se que são 88. Não importa quantos sejam. Se o governo brasileiro decidir deportá-los, cometerá ato desumano e prepotente, muito mais grave e lancinante do que ilegal.
O Brasil sedia uma Copa do Mundo de Futebol, certame que pertence à FIFA. Os estádios foram construídos com o dinheiro do povo para a FIFA. O lucro é da FIFA. Quem dá as ordens é a FIFA. As cidades-capitais do Brasil são apenas sedes. Ainda assim, somos anfitriões. Sem poder de comando, sem autoridade e mesmo inferiorizados e subservientes,  o Brasil não deixa de ser o anfitrião.
O ESTATUTO DO ESTRANGEIRO
Esses chilenos só poderiam ser deportados se a entrada deles no Brasil tivesse sido irregular, conforme dispõe o Artigo 57 do Estatuto do Estrangeiro (Lei 6815, de 19.8.1980). E irregular não foi. Eles não são criminosos, não são bandidos, não são nocivos e nem oferecem perigo à segurança nacional e do povo brasileiros. São torcedores de seu país que, no afã de assistirem ao jogo de ontem, no Maracanã, erraram. E erraram feio. Mas erro compreensível.
Não corromperam. Não subornaram. Não receberam propina. Não praticaram malversação dos dinheiros públicos. Não furtaram. Não roubaram. Não assaltaram… quiseram apenas assistir ao jogo. E perderam a cabeça. Dizem que “desacataram e depredaram o patrimônio”!!! E se tanto fizeram, são delitos que não levam o infrator à prisão, nem justifica a deportação, ainda mais “de plano”. A Constituição Brasileira garante-lhes o amplo direito de defesa e o devido processo legal. Não podem sofrer a pena de deportação.
O DIREITO DE FICAR, VER E TORCER
Têm esses torcedores chilenos que vieram ao Brasil o amplo e irrestrito direito de aqui permanecerem entre nós, assistirem aos jogos e depois retornarem ao seu país de origem. Sabe-se que em Direito Penal não há analogia. A lei define se uma conduta é ou não é criminosa, ou contravencional.
Mas indaga-se: se o furto quando é famélico não constitui crime, por que, então, criminalizar e deportar nossos irmãos que viajaram ao Brasil para assistirem e torcerem pela seleção de futebol do seu país? Eles aqui estão exclusivamente por isso. Nada mais que isso. E tomados de forte emoção e longe de casa, de suas famílias, de seus amigos…É inacreditável que para esses chilenos o Estatuto do Torcedor, que a Lei Geral da Copa revogou 29 de seus artigos, seja aplicado, sem piedade, sem compaixão, compreensão e razão.
O Brasil não pode deportar esses torcedores chilenos. Que sejam soltos, se presos ainda estiverem. Que circulem entre nós. Que assistam aos jogos. Que sejam carinhosamente tratados por nós, brasileiros. Presidente Dilma, não permita que o Brasil cometa a barbaridade de mandá-los de volta ao Chile. 
 
 

Popularidade de Dilma Rousseff segue em queda, indica pesquisa do Ibope

ChargeGrasielle Castro
Correio Braziliense
A pesquisa CNI-Ibope divulgada nesta quinta-feira (19/6) mostra que a popularidade do governo Dilma Rousseff continuou a cair, foi de 36% em março para 31% em junho. Já a confiança na presidente também registrou um declínio de 7 pontos e alcançou a marca de 41%. A aprovação seguiu os demais indicadores e teve recuo, foi de 51% para 44%. Na pesquisa anterior, divulgada em março, a popularidade do governo Dilma Rousseff tinha registrado a primeira queda desde julho do ano passado, com recuo de 7 pontos. Desde março de 2013, a avaliação positiva caiu 32 pontos.
Essa é a primeira pesquisa feita após a abertura da Copa do Mundo e a troca de farpas entre os candidatos.
A CNI-Ibope também fez um levantamento sobre a intenção de voto do brasileiro. No cenário espontâneo, a presidente Dilma Rousseff (PT) aparece em primeiro lugar com 25% das intenções de voto, seguida do candidato Aécio Neves (PSDB), com 11%, e do socialista Eduardo Campos, com 4%. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é o quarto colocado na lista, com 3%. Pastor Everaldo, do PSC, e Marina Silva alcançam a marca de 1%.
Na escolha estimulada com 11 candidatos, a presidente Dilma Rousseff continua na liderança, com 39% das intenções de voto. Em seguida, o candidato Aécio Neves tem 21% e o socialista Eduardo Campos, 10%. Entre os nanicos, o Pastor Everaldo é o melhor cotado, com 3% das intenções de voto, seguido do Magno Malta (PR), 2%, e José Maria (PSTU), 1%. Em um segundo turno, na disputa entre Dilma e Aécio, 43% dos entrevistados dizem votar na petista e 30% no tucano. Em um eventual cenário, entre Dilma e Campos, a petista continua com 43% das intenções de voto e o socialista fica com 27%.
A CNI-Ibope entrevistou 2.002 pessoas entre os dias 14 e 15 deste mês em 142 municípios. A pesquisa foi registrada do Tribunal Superior Eleitoral sob o Protocolo BR-00171/2014.

Desânimo no Banco Central com a onda de pessimismo


Vicente Nunes
Correio Braziliense
Executivos de bancos e analistas de mercado que estiveram no Banco Central nos últimos dias notaram um clima de desânimo entre os diretores comandados por Alexandre Tombini. Ainda que o discurso não seja claro, a sinalização é de que a instituição está se sentido isolada num governo que tem metido os pés pelas mãos e correndo atrás dos prejuízos, quando deveria estar se antecipando aos fatos para reverter a pesada onda de pessimismo que está empurrando o país para a recessão.
O BC acredita que já fez a sua parte no esforço a fim de reverter o pior dos males para a presidente Dilma Rousseff na caminhada à reeleição: a inflação alta. Ao elevar a taxa básica de juros (Selic) de 7,25% para 11% ao ano, desde abril de 2013, a autoridade monetária deu um tranco na atividade, que ajudou a reduzir a demanda e a tirar pressões sobre os preços. Ontem, por sinal, técnicos da instituição chamavam a atenção para o forte recuo do IGP-10, com deflação de 0,67% em junho.
Conforme relatos de executivos e analistas, o BC está convencido de que o quadro preocupante da economia certamente seria outro se houvesse um empenho maior do governo para resgatar a credibilidade na política econômica. Em vez de fazer um ajuste fiscal consistente, o Tesouro Nacional continuou recorrendo a manobras para fechar as contas. Ao contrário de dar um choque de gestão para ampliar os investimentos em infraestrutura, o Palácio do Planalto optou por improvisos que só contribuíram para ampliar o mau humor de empresários e das famílias. Não à toa, os desembolsos para o aumento da produção e o consumo estão em queda.
O que mais preocupa o comando do BC é a falta de perspectivas, garantem os executivos ouvidos pela coluna. Com as eleições chegando, não se espera nenhuma mudança de postura do governo no sentido de reverter a desconfiança. Pior: a se confirmar a contração do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre, certamente o fogo amigo vai se virar para a autoridade monetária, acusada de pesar demais a mão sobre os juros e comprometer o crescimento do país justamente no ano de eleições.
TOMBINI É GUERREIRO
Na defesa do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, amigos próximos garantem que não há a menor possibilidade de ele perder o entusiasmo à frente da autoridade monetária. Garantem que, se o desânimo chegar, Tombini terá coragem suficiente para entregar o cargo. “Ele está trabalhando com todas as forças para que a economia tenha o melhor resultado possível neste ano. E podem esperar: a promessa dele de derrubar a inflação vai se concretizar mês a mês. É só ter paciência”, afirma um aliado do comandante do BC.

As forças sociais e a nação

Gaudêncio Torquato
A expressão da vendedora de loja, na ligeira conversa que mantinha com o cliente, é uma síntese do momento: “Parece que o país vai explodir”. Essa é a percepção que preocupa milhões de brasileiros. Mas a explosão a que se referia a lojista não dizia respeito aos urros cívicos de torcedores, face às eventuais vitórias da seleção canarinho nas exuberantes arenas esportivas que passam a acolher o maior evento esportivo mundial. Referia-se à tensão das ruas, às manifestações e aos movimentos que se espraiam por todos os lados. Seu olhar era para a dura realidade que a fez chegar ao trabalho três horas após sair de casa.
O imenso contraste entre o ar pesado do momento e o clima descontraído aponta para múltiplos significados. O primeiro deles é o de que a batizada “Copa das Copas” se desenvolverá sob um tecido social esgarçado, a exibir a incapacidade do Estado no acolhimento às demandas da sociedade.
Causa perplexidade o corpo social em intensa ebulição e por tanto tempo. Alguns perguntam: onde estaria o espírito cordato, a tendência à harmonia, ao diálogo, à confraternização, quando movimentos contestatórios fluem em todas as direções e sob a atenção de um Estado sem condições de acolher reivindicações de setores e categorias? Para começo de conversa, nossa alma pacífica é uma quimera. Se há um traço de união entre os eventos que pontuaram nossa história, ele é a ineficiência do Estado na administração das demandas populares. O clamor das ruas não é de hoje.
O fato é que o Brasil moderno flagra uma sociedade correndo à frente das instituições. Dentro dessa moldura, é possível interpretar o que se passa. Primeiro, é oportuno lembrar os valores que contribuíram para balizar o ethos social. Por aqui, a “estadania” fixou-se antes da cidadania. Os direitos sociais vieram antes dos direitos civis e dos direitos políticos. Tal situação gerou a dependência para com o Estado, que foi obrigado a ampliar os braços assistencialistas que, na esteira da competição política, incorporaram um viés populista.
AUMENTA O COBERTOR...
Infelizmente, o cobertor, em vez de diminuir, aumenta. Veja-se o programa Bolsa Família, que começou com 8 milhões de famílias e, atualmente, conta com 13 milhões, quando a lógica aponta para a diminuição dos assistidos. Chega-se, assim, à esfera da política, que não se renova. Os métodos são os mesmos do passado. Escândalos explodem. A corrupção campeia. Os problemas se repetem.
Sobressaem, na radiografia, o país da sociedade organizada e a estampa de um território de gastos superlativos, obras inacabadas, desvios de dinheiro e escândalos. Ora, não resta outro caminho que o protesto, a indignação. A pimenta nesse caldo é o pleito eleitoral. A violência faz parte da estratégia. A ciência política mostra que, na maior parte das sociedades, a paz cívica é impossível sem alguma reforma, e a reforma é impossível sem alguma violência.
Já os flagrantes de nossas ruas estão a indicar que os confrontos só amainarão quando as estruturas governativas atenderem o clamor social e quando as reformas forem feitas. Enquanto isso não ocorrer, as forças sociais, como locomotiva, continuarão a puxar as instituições. (transcrito de O Tempo)

Fim de um grande time

Tostão
O Tempo
O Brasil, se vencer Camarões, será o primeiro da chave, a não ser que o México goleie a Croácia, o que é muito improvável. Se o árbitro não tivesse anulado os dois gols legítimos do México, contra o time africano, seria hoje o primeiro do grupo.
A seleção da Argentina deve vencer os três jogos e ser também a primeira de sua chave. A Bósnia é superior ao Irã e à Nigéria. O primeiro tempo ruim da Argentina, contra a Bósnia, serviu para o técnico concluir que a melhor formação do time é com dois zagueiros, em vez de três, e três atacantes.
A Alemanha, apesar de ter vencido Portugal com facilidade, deverá ter dificuldades contra Estados Unidos e Gana, duas boas equipes. Há um equilíbrio entre Portugal, Gana e Estados Unidos para definir o segundo classificado, ao lado da Alemanha.
A Bélgica, na vitória de virada sobre a Argélia, e a Rússia, no empate contra a Coreia do Sul, jogaram menos do que se esperava, principalmente a Bélgica, tão elogiada. Mas os dois – Bélgica e Rússia – têm mais chances de se classificar. Argélia e Coreia do Sul são fracas.
Holanda e Austrália fizeram uma excelente partida. Se o modesto e organizado time da Austrália estivesse em um grupo mais fraco, teria chance de se classificar. A contusão do zagueiro da Holanda foi determinante na vitória. Entrou o jovem Memphis, no ataque, pela esquerda, que confirmou sua enorme qualidade.
O Chile, mais uma vez, mostrou sua força, contra a envelhecida Espanha. Os chilenos mostraram amadurecimento. Pela primeira vez, vi um time veloz e insinuante no ataque, sua principal característica, e também muito bem posicionado na defesa, sem deixar espaços nos contra-ataques, que era sua deficiência.
A atuação da Espanha, especialmente de Xabi Alonso, foi desastrosa. Pena que acabou o grande time da Espanha. Terá de ser renovado. Vai deixar muitas saudades.

A despedida saudosa do poeta Augusto Frederico Schmidt


O empresário e poeta carioca Augusto Frederico Schmidt (1906-1965), no poema “Despedida”, aborda sentimentos guardados desde a infância e que nem todas as pessoas podem entender.
DESPEDIDA
Augusto Frederico Schmidt
Os que seguem os trens onde viajam moças muito doentes com os olhos chorando
Os que se lembram da terra perdida, acordados pelos apitos dos navios
Os que encontram a infância distante numa criança que brinca
Estes entenderão o desespero da minha despedida.
Porque este amor que vai viajar para a última estação da memória
Foi a infância distante, foi a pátria perdida, e a moça que não volta.


Candidatura de José Roberto Arruda em Brasília depende de decisão da Justiça

José Carlos Werneck
A candidatura de José Roberto Arruda, ao governo do Distrito Federal, depende da decisão do Tribunal de Justiça, que já pautou para o próximo dia 25 o julgamento da ação de improbidade administrativa ajuizada contra ele. Se condenado até 5 de julho próximo, prazo final para registros da candidaturas, o ex-governador ficará inelegível. O mesmo se estenderá aos outros réus na mesma ação.
No final de 2013, o ex-governador, alvo da Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, foi condenado pela Segunda Vara da Fazenda Pública. O processo é fruto da delação de Durval Barbosa, acusado de ser o operador do esquema de corrupção no governo de Joaquim Roriz, que entregou à Polícia Federal um vídeo em que Jaqueline Roriz, filha do então governador, aparece ao lado do marido no gabinete de Barbosa colocando numa bolsa dinheiro vivo.
O advogado de Arruda, o conceituado criminalista Edson Smanioto, entende que o fato ocorreu durante o governo de Roriz, pai de Jaqueline, e ambos apoiavam outra candidatura, da então vice-governadora Maria de Lourdes Abadia.
- Não é possível imaginar que sua própria filha receberia dinheiro para atuar em favor do adversário do pai – afirma Smanioto.
Atualmente deputada federal, Jaqueline Roriz é também ré nesse processo, junto com seu marido Manoel Neto e o próprio delator Durval Barbosa. De acordo com o Ministério Público, Barbosa passou a entregar dinheiro arrecadado do esquema a Arruda e a quem ele determinasse. José Roberto Arruda chegou a ser preso, pouco depois que o esquema foi descoberto à tona em 2009, com a operação da Polícia Federal.
Em dezembro de 2013, Arruda, Jaqueline e Dias foram condenados a ressarcir integralmente 300 mil reais equivalente ao prejuízo aos cores públicos, além de multa de duas vezes ao rombo causado e pagamento de danos morais de R$ 200 mil cada um, e tiveram suspensos seus direitos políticos por oito anos.

Às vésperas da convenção do PT, a grande dúvida é saber quem irá defender a candidatura de Lula


Carlos Newton
Aqui no blog da Tribuna da Internet, indagamos o que acontecerá se algum delegado subir à tribuna na Convenção Nacional do PT, este sábado, e defender a substituição da candidatura da presidente Dilma Rousseff para que a legenda seja entregue a Lula.
De Brasília, o jurista José Werneck, sempre bem informadíssimo, então nos mandou a seguinte mensagem: “Tome nota: ISTO VAI ACONTECER”. Ou seja, Werneck conta o milagre, mas não revela o santo.
Se não tivesse ocorrido a Operação Lava Jato da Polícia Federal, que já levou o deputado paranaense André Vargas a sair do PT antes que o expulsassem, certamente seria ele o encarregado de propor a substituição da candidatura de Dilma Rousseff, porque até então era o mais destacado líder do movimento “Volta, Lula”.
Mas hoje Andre Vargas não existe mais no PT. A defesa de Lula então será feita por outros delegados que integram o movimento, porque em mensagem anterior o próprio Werneck já havia avisado que “Lula é candidatíssimo”. E surge outra dúvida: nesta hipótese, quem terá coragem de defender a candidatura de Dilma e rejeitar Lula?
SAIA JUSTA
Quer dizer, não importa a indumentária escolhida pela presidente Dilma Rousseff para comparecer à Convenção, já se pode dizer que existe uma saia justa à espera dela. E pode ser que não apenas um, mas vários delegados do PT defendam a candidatura de Lula, inflamando os demais convencionais, até que ele enfim aceite disputar, repetindo Dom Pedro no chamado Dia do Fico: “Se é para o bem de todos e felicidade geral da nação…”
Os candidatos mais cotados da oposição, Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) torcem desesperadamente para que Dilma consiga derrotar Lula e sair realmente candidata. Motivos: 1) Aécio e Campos reconhecem que Lula é muito mais forte eleitoralmente do que ela; 2) sabem que se Dilma for candidata, o PT vai dividido para as urnas e o próprio Lula não repetirá o desempenho de 2010, quando foi incansável e percorreu todos os Estados pedindo votos para ela.
Bem, hoje é quinta-feira e a Convenção será sábado. Até lá, quem conseguirá dormir. Então, haja Lexotan e Rivotril…
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