terça-feira, 10 de junho de 2014

Com greves e sindicatos, mudou o perfil dos protestos

Na tentativa de entender o que está acontecendo, cientistas políticos observam as movimentações e geram um debate sobre os porquês que levaram os sindicatos às ruas. Apesar das diferentes opiniões, os especialistas concordam que 2014, ano de Copa do Mundo e de eleição, é o momento mais oportuno.
“Junho de 2013 tirou os movimentos sindicais e as instituições da inércia”, é o que acredita o cientista político Rudá Ricci. “Os sindicatos estavam enferrujados, mas, depois do ano passado, eles viram que a rua voltou a se tornar a principal arena de reivindicação e de legitimação de lideranças. Os líderes sindicais serão pressionados a não serem apenas negociadores e a pensarem em carreira política. A crise de representatividade é de todas as instituições”, afirmou.
SOCIEDADE CIVIL
Para o cientista político Gilberto Damasceno, os levantes de junho de 2013 não têm relação direta com as greve e os protestos dos sindicatos. O estudioso frisa que a pauta de reivindicações das entidades é mais específica. “É o melhor momento para a sociedade civil e para os sindicatos se posicionarem, mas os servidores têm foco na condição de trabalho e na campanha salarial. Já a sociedade civil busca questões mais globais”, analisou.
Damasceno não acredita que os dois possam estar juntos nas ruas durante a Copa do Mundo. “Você faz greve agora para não precisar fazer depois. As manifestações da sociedade civil serão mais fortes durante o evento porque a proposta é mostrar insatisfação com o que foi gasto para fazer a Copa”, finalizou.
Na visão do cientista político e sociólogo Moisés Augusto Gonçalves, a busca dos sindicatos pelas ruas é um indicativo da importância que a praça pública voltou a ter no mundo e um novo ciclo de participação popular. “Os protestos que aconteceram e estão acontecendo em todo o planeta remontam a rua como espaço de reivindicação, o que coincide com o surgimento de outros atores sociais que anseiam por mudanças. Os sindicalizados também estão inseridos neste contexto. Além disso, eles estão dentro da máquina administrativa e sabem o que deve ser mudado nas repartições”, observou.
NA ÁFRICA DO SUL
Em 2010, greves também aconteceram na África do Sul pouco antes de a Copa começar. As paralisações ocorreram no transporte público e nos portos, por meio dos estivadores, o que interrompeu a exportação de commodities e carros para Europa e Ásia.
E em 2012, antes de começar as Olimpíadas de Londres, o sindicato dos rodoviários comunicou ao governo a possibilidade de greve. Antes da suspensão dos serviços, os empregados conseguiram direito a um bônus de £ 577 pelos dias trabalhados durante as competições.
 
 

Nenhum comentário:

Postar um comentário