Na
tentativa de entender o que está acontecendo, cientistas políticos
observam as movimentações e geram um debate sobre os porquês que levaram
os sindicatos às ruas. Apesar das diferentes opiniões, os especialistas
concordam que 2014, ano de Copa do Mundo e de eleição, é o momento mais
oportuno.
“Junho
de 2013 tirou os movimentos sindicais e as instituições da inércia”, é o
que acredita o cientista político Rudá Ricci. “Os sindicatos estavam
enferrujados, mas, depois do ano passado, eles viram que a rua voltou a
se tornar a principal arena de reivindicação e de legitimação de
lideranças. Os líderes sindicais serão pressionados a não serem apenas
negociadores e a pensarem em carreira política. A crise de
representatividade é de todas as instituições”, afirmou.
SOCIEDADE CIVIL
Para
o cientista político Gilberto Damasceno, os levantes de junho de 2013
não têm relação direta com as greve e os protestos dos sindicatos. O
estudioso frisa que a pauta de reivindicações das entidades é mais
específica. “É o melhor momento para a sociedade civil e para os
sindicatos se posicionarem, mas os servidores têm foco na condição de
trabalho e na campanha salarial. Já a sociedade civil busca questões
mais globais”, analisou.
Damasceno
não acredita que os dois possam estar juntos nas ruas durante a Copa do
Mundo. “Você faz greve agora para não precisar fazer depois. As
manifestações da sociedade civil serão mais fortes durante o evento
porque a proposta é mostrar insatisfação com o que foi gasto para fazer a
Copa”, finalizou.
Na
visão do cientista político e sociólogo Moisés Augusto Gonçalves, a
busca dos sindicatos pelas ruas é um indicativo da importância que a
praça pública voltou a ter no mundo e um novo ciclo de participação
popular. “Os protestos que aconteceram e estão acontecendo em todo o
planeta remontam a rua como espaço de reivindicação, o que coincide com o
surgimento de outros atores sociais que anseiam por mudanças. Os
sindicalizados também estão inseridos neste contexto. Além disso, eles
estão dentro da máquina administrativa e sabem o que deve ser mudado nas
repartições”, observou.
NA ÁFRICA DO SUL
Em 2010, greves
também aconteceram na África do Sul pouco antes de a Copa começar. As
paralisações ocorreram no transporte público e nos portos, por meio dos
estivadores, o que interrompeu a exportação de commodities e carros para
Europa e Ásia.
E
em 2012, antes de começar as Olimpíadas de Londres, o sindicato dos
rodoviários comunicou ao governo a possibilidade de greve. Antes da
suspensão dos serviços, os empregados conseguiram direito a um bônus de £
577 pelos dias trabalhados durante as competições.
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