Retirado das páginas do Jornal
Pequeno, texto do ex-governador José Reinaldo Tavares mostrando numa
leitura simples, os acontecimentos que abateram o estado durante a
desastrosa gestão da filha mimada de José Sarney.
Roseana e a explosão de violência
O governo de Roseana Sarney faz sempre
uma leitura muito particular dos dados e indicadores sociais do
Maranhão. Para eles o Maranhão está melhorando e vai muito bem. Acontece
que para a população e para o Mapa da Violência 2014 – que não por
acaso é uma entidade especialista nos indicadores de violência no país –
o quadro é muito ruim e reflete de fato um descontrole. Com o Maranhão
envolvido em uma onda de violência como nunca se supôs acontecer no
antes pacato estado, dentro ou fora das cadeias, nas ruas ou nas
prisões, nos tornamos conhecidos como uma terra violenta e carente de
segurança. Essa é a realidade sentida pelo povo do Maranhão e pelos
especialistas.
O efeito disso é terrível, social ou
economicamente, pois além de afetar o dia a dia dos moradores, também os
turistas evitam vir para cá. Óbvio que não só a insegurança latente faz
esse papel, mas também há outros fatores, como a poluição das praias,
que refletem de maneira direta no baixo nível de empregos e no baixo
retorno financeiro para quem investiu na construção de hotéis e outros
equipamentos típicos da indústria do turismo. O que antes parecia uma
vocação nata do estado – por causa das praias, dos Lençóis Maranhenses,
das quedas d’agua, dos chapadões, do casario colonial, da ‘São Luís
Patrimônio Cultural da Humanidade’, da culinária, do povo alegre e
receptivo, perfil que atraía tanta gente para cá, ávida por conhecer as
belezas maranhenses – tudo isso ficou no passado e nem o famoso carnaval
e as festas de São João conseguem fazer com que as pessoas se animem a
vir para cá.
Os hotéis vazios testemunham o que digo.
Enquanto isso, ansiosos por divulgarem
qualquer fato que possa parecer positivo, os meios noticiosos da família
Sarney deram grandes manchetes sobre o Mapa da Violência 2014, pois ao
pegarem o número isolado da taxa de homicídios por mil habitantes no
Maranhão, tentaram mais uma vez enganar a população, “informando” que o
estado apresentava a sexta taxa do país e que, portanto, éramos um
estado razoavelmente seguro, com apenas 26 homicídios por 100 mil
habitantes.
Já diz o velho adágio popular que
mentiras têm perna curta e – mais uma vez – basta a leitura do Mapa da
Violência de 2014 (os dados vão até 2012, e não incluem ainda o
‘recorde’ macabro de 2013 e dos primeiros meses do ano de 2014, que
trazem dados muito piores que os divulgados) para observar que temos a
terceira maior taxa de crescimento de homicídios por 100 mil habitantes
do país (162%) no período entre 2002 e 2012. Ou seja, são 9,9
assassinatos a cada 100 mil em 2002 e assustadores 26 assassinatos por
100 mil em 2012. A taxa maranhense só cresceu menos do que a da Bahia
(221,6%) e a do Rio Grande do Norte (229,1%). E a capital, São Luís, é a
sétima mais violenta de todas, contando com 55,4 assassinatos por 100
mil habitantes. Só perde para Manaus, Vitória, Recife, Salvador, João
Pessoa, e Maceió. Dentro do estado, só Presidente Dutra e Imperatriz
apresentam resultado piores do que São Luís.
Pois bem, flagrados na mentira, disseram
que entre 2002 e 2012, o período mais violento ocorreu no meu governo e
que no governo de Roseana teria melhorado. Contudo, é fácil ver na
publicação as mentiras que apregoam. Em 2006, quando saí do governo, a
taxa de homicídios por 100 mil habitantes era de 15,0 (quase metade da
taxa do Brasil, que era de 26,3) e em 2012 – em 2013 piorou ainda mais –
a taxa do maranhão já estava em 26,0 (quase igual a do Brasil, que é de
29,0). Isto prova indubitavelmente o crescimento descontrolado da
violência no governo de Roseana Sarney, muito maior do que o crescimento
da média nacional, evidenciando de forma escancarada que o governo dela
perdeu o controle da violência no estado. Na capital então é
inacreditável o que aconteceu.
Infelizmente essa é uma realidade brutal,
resultado de tanta indolência e indiferença da parte de um governo
omisso e irresponsável para com a população maranhense.
Para finalizar, comento o artigo da
semana passada, sobre o qual um leitor atento lembrou ainda da luta que
tivemos para trazer a Embrapa para o Maranhão. Esta é uma iniciativa que
precisa ser completada, tal a importância para o nosso desenvolvimento,
particularmente da agricultura em geral e principalmente para a
modernização da agricultura familiar do estado. O leitou salientou que
com todo o poder do senador José Sarney, com a ressalva de ter sido
presidente da República por cinco anos, nunca decidiu trazer esse órgão e
o deixou ir para o Piauí.
Como sempre, o Maranhão ficou privado dos
benefícios que decorrem em sediar um órgão com singular importância de
pesquisa e desenvolvimento, razão pela qual é desejado por vários países
pobres espalhados pelo planeta.
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