terça-feira, 5 de agosto de 2014

Nojo e asco diante dos políticos


Carlos Chagas
Há quem identifique uma relação de causa e efeito entre a queda dos índices de audiência na programação da TV aberta, inclusive novelas, e o início ainda este mês da propaganda eleitoral gratuita. De eleição em eleição, cai o número de telespectadores interessados nas mensagens dos candidatos, em especial os presidenciais. Previsões baseadas em métodos científicos dão conta de que agora será pior. Não se fala da falta de atenção de quem deixa os aparelhos ligados, certamente maior, mas, apenas, daqueles que desligarão suas telinhas e telões.
A suposição coincide com a queda de confiança do eleitorado nas práticas políticas e nos políticos. O desinteresse atinge até canais especializados e de muito bom nível, como a TV Senado e a TV Câmara, excluídos da TV aberta. Desde o início das manifestações populares, em junho do ano passado, que a rejeição à categoria adquiriu contornos agressivos, prestes, agora, a ganhar nova face. No caso, o crescimento dos monitores desligados.
Não poderá passar despercebido que, caindo a audiência da propaganda eleitoral gratuita, aumentará o número dos votos em branco, dos votos anulados e até das ausências do eleitor no dia da votação.
Trata-se de um sinal dos tempos a desimportância cada vez maior dada pelo cidadão comum à sua representação político-partidária. Se por hipótese o Congresso aprovasse a proposta do voto facultativo, acabando com sua obrigatoriedade, o risco seria de mais de 50% dos eleitores aptos a votar não o fizessem. As palavras fortes foram uma vez utilizadas pelo dr. Ulysses Guimarães para definir a ditadura militar: ele disse sentir nojo e asco do regime então vigente. Pois é mais ou menos esse sentimento que vai dominando a sociedade, diante dos políticos.
QUEM É O CHEFE
O episódio é conhecido mas merece ser repetido. Nos últimos dias da vitória dos Aliados na segunda guerra mundial o marechal Bernard Montgomery, aliás um poço de vaidade, alinhou para um grupo de jornalistas as razões de seu sucesso: “É porque eu não bebo, não jogo, não fumo e não prevarico”.
Winston Churchill, ainda primeiro-ministro da Inglaterra, ficou bravo, reuniu os repórteres e disse: “Escrevam que eu bebo, jogo, fumo, prevarico e sou o chefe dele…”
A que partido político aplica-se o comentário?

 
 

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