
Carlos Chagas
Há
quem identifique uma relação de causa e efeito entre a queda dos
índices de audiência na programação da TV aberta, inclusive novelas, e o
início ainda este mês da propaganda eleitoral gratuita. De eleição em
eleição, cai o número de telespectadores interessados nas mensagens dos
candidatos, em especial os presidenciais. Previsões baseadas em métodos
científicos dão conta de que agora será pior. Não se fala da falta de
atenção de quem deixa os aparelhos ligados, certamente maior, mas,
apenas, daqueles que desligarão suas telinhas e telões.
A
suposição coincide com a queda de confiança do eleitorado nas práticas
políticas e nos políticos. O desinteresse atinge até canais
especializados e de muito bom nível, como a TV Senado e a TV Câmara,
excluídos da TV aberta. Desde o início das manifestações populares, em
junho do ano passado, que a rejeição à categoria adquiriu contornos
agressivos, prestes, agora, a ganhar nova face. No caso, o crescimento
dos monitores desligados.
Não
poderá passar despercebido que, caindo a audiência da propaganda
eleitoral gratuita, aumentará o número dos votos em branco, dos votos
anulados e até das ausências do eleitor no dia da votação.
Trata-se
de um sinal dos tempos a desimportância cada vez maior dada pelo
cidadão comum à sua representação político-partidária. Se por hipótese o
Congresso aprovasse a proposta do voto facultativo, acabando com sua
obrigatoriedade, o risco seria de mais de 50% dos eleitores aptos a
votar não o fizessem. As palavras fortes foram uma vez utilizadas pelo
dr. Ulysses Guimarães para definir a ditadura militar: ele disse sentir
nojo e asco do regime então vigente. Pois é mais ou menos esse
sentimento que vai dominando a sociedade, diante dos políticos.
QUEM É O CHEFE
O
episódio é conhecido mas merece ser repetido. Nos últimos dias da
vitória dos Aliados na segunda guerra mundial o marechal Bernard
Montgomery, aliás um poço de vaidade, alinhou para um grupo de
jornalistas as razões de seu sucesso: “É porque eu não bebo, não jogo,
não fumo e não prevarico”.
Winston
Churchill, ainda primeiro-ministro da Inglaterra, ficou bravo, reuniu
os repórteres e disse: “Escrevam que eu bebo, jogo, fumo, prevarico e
sou o chefe dele…”
A que partido político aplica-se o comentário?
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