Correio Braziliense
Em meio ao quadro caótico vivido pelo país, combinando crise política com turbulências na economia, era imprescindível que o Banco Central funcionasse como um pilar de credibilidade. Ao emitir sinais de segurança aos mercados, por meio de ações transparentes, a instituição certamente contribuiria para amenizar o nervosismo que tomou conta dos investidores e jogou o dólar para o nível mais alto em quase 11 anos. Infelizmente, não é o que se está vendo.
O BC brasileiro, comandado por Alexandre Tombini, tornou-se um manancial de incertezas. Ao manter uma comunicação errática com os mercados, seja em relação ao câmbio, seja em relação à inflação e ao crescimento econômico, embaralha o horizonte. O jeito encontrado pelos investidores para se protegerem nesse quadro nebuloso foi comprar dólares.
A confusão criada pelo BC começa pela taxa básica de juros (Selic). A cada decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), a instituição indica um caminho. No início de dezembro do ano passado, alertava sobre a necessidade de parcimônia no aumento da Selic. Semanas depois, garantia que faria tudo o que fosse possível para conter o avanço da carestia. Depois, passou indicar o fim do ciclo de aumento dos juros. Não satisfeito, o banco voltou a indicar que não toleraria a alta da inflação. Agora, sinaliza que pode estender o arrocho que, se acreditava, acabaria em abril, com os juros a 13%.
VAIVÉM DANOSO
Mesmo em um quadro de calmaria, esse vaivém do BC já seria danoso para a economia. Mas, com o país acuado pelo embate entre o Congresso e o Palácio do Planalto e diante das dúvidas crescentes quanto à capacidade do ministro da Fazenda, a indecisão da autoridade monetária agiganta a onda de desconfiança que atormenta os agentes econômicos e provoca pesados prejuízos nos mercados futuros de juros. Para compensar essas perdas, os investidores estão correndo em busca de dólares, cuja a consequência é mais inflação e mais juros.
O descontrole do BC faz estragos, também, no caixa do Tesouro Nacional. Como ninguém acredita na capacidade da autoridade monetária de levar à inflação para o centro da meta, de 4,5%, até o fim de 2016, uma vez que o time de Tombini nunca entregou o que prometeu, o governo está sendo obrigado a fazer emissões recordes de Letras do Tesouro Nacional (LTNs), títulos de curto prazo que têm custos elevadíssimos. No leilão desses papéis realizado na última quinta-feira, as taxas ficaram em 13,23% ao ano. Foram vendidos R$ 18,6 bilhões em LTNs, títulos que estão reduzindo, significativamente, o prazo de vencimento da dívida pública.
E O DÓLAR?
Mas não é só. O BC não sabe o que quer com o dólar. Ao mesmo tempo em que indica que manterá as intervenções no câmbio, por meio dos contratos de swap cambial (espécie de vendas futuras da moeda norte-americana), sinaliza que reduzirá sua presença no mercado. Essa postura esquizofrênica só alimenta a confusão.
Por lei, o único mandato do BC é para manter a inflação dentro das metas. Mas o que se tem visto é a instituição também preocupada com o ritmo do crescimento econômico e com o dólar, agindo como uma biruta, que gira ao sabor dos ventos. Para desespero de todos, não acerta uma.
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