MPMA oferece denúncia contra prefeito, secretários municipais, vereadores e empresários
O Ministério Público
do Maranhão ofereceu, no dia 22 de junho, denúncia ao Tribunal de
Justiça contra o prefeito de Anajatuba, Helder Aragão, secretários
municipais, vereadores e empresários, que foi protocolada e autuada sob o
número 0005006-13.2015.8.10.0000, e teve por base o Procedimento
Investigatório Criminal nº 003/2014-GAECO.
Todos foram denunciados por pertencer a uma organização criminosa
que fraudava licitações e desviava recursos públicos do município,
conforme conclusões decorrentes das investigações.
No total, foram denunciadas 27 pessoas. Além do prefeito são alvo
da Ação Penal, Edinilson dos Santos Dutra, Álida Maria Mendes Santos
Sousa, Leonardo Mendes Aragão, Luís Fernando Costa Aragão, João Costa
Filho, Georgiana Ribeiro Machado, Francisco Marcone Freire Machado,
Francisco Diony Soares da Silva, Antonio Carlos Muniz Cantanhede,
Marcelo Santos Bogéa, Domingos Albino Beserra Sampaio, Antônio José
Fernando Júnior Batista Vieira, Fabiano de Carvalho Bezerra, Antonio
Carlos Braide, Hilton José Paiva dos Reis, Glauco Mesquita de Oliveira,
José Antonio Machado de Brito Filho, Anilson Araújo Rodrigues, Ginaldo
Marques da Silva, Franklin Bey Freitas Ferreira, Marcelo Alexandre Silva
Ribeiro, José de Ribamar Costa Moura, Matilde Sodré Coqueiro, Natascha
Alves Lesch, Diego Fabrício Silva Barbosa e Maina Maciel Mendonça.
Inicialmente o processo foi distribuído para o desembargador
Raimundo Nonato Magalhães Melo, integrante da 1ª Câmara Criminal do
Tribunal de Justiça, que já havia, durante a investigação, deferido
várias medidas cautelares a pedido do MP. Como o desembargador Raimundo
Melo se deu por suspeito, por motivo de foro íntimo, o processo foi
redistribuído para o desembargador Bayma Araújo que estava de férias, e
era substituído pelo desembargador Vicente de Paula.
A partir de 1º de julho, quando retomou suas atividades, o desembargador Bayma passou à relatoria da ação penal.
ENTENDA O CASO
As investigações foram iniciadas em setembro do ano passado, após
representação do vice-prefeito de Anajatuba, Sydnei Costa Pereira. Ele
denunciou o desvio de verbas públicas por meio de licitações simuladas.
Diante da situação, o MPMA investigou contratos do Município de
Anajatuba com as empresas A4 Entretenimento, M.R. Comércio e Serviços,
Vieira e Bezerra LTDA, Construtora Construir, dentre outras que poderiam
ser identificadas no curso da investigação.
Ao realizar diligências, o Ministério Público constatou que as
empresas existiam somente no papel. Algumas estavam fechadas ou
indicavam endereços residenciais de pessoas que não conheciam o
proprietário da empresa. Outras empresas vencedoras das licitações
funcionavam sem qualquer estrutura.
Para aprofundar as investigações, o Ministério Público pediu e o
Tribunal de Justiça deferiu medidas cautelares que possibilitaram o
oferecimento da ação penal, com provas concretas dos fatos.
Segundo a denúncia, o "núcleo empresarial" do esquema operava por
meio de empresas de fachada, com sócios-laranjas que participavam de
licitações previamente acertadas com a administração municipal. O
dinheiro era dividido entre os chefes da organização e os agentes
públicos.
Juntamente com a denúncia do Ministério Público, foram efetuados
pedidos cautelares, pendentes de apreciação pelo Tribunal de Justiça.
Com relação à notícia publicada em jornal local, com a declaração
do desembargador Bayma Araújo, o Ministério Público esclarece que a Ação
Penal, autuada sob o número nº 0005006-13.2015.8.10.0000, teve por base
o Procedimento Investigatório Criminal nº 003/2014-GAECO composto por
autos principais e vários apensos, totalizando 61 volumes, sendo
regularmente protocolada em 22 de junho de 2015, no setor apropriado do
TJ/MA.
Depois de distribuída a ação foram endereçadas duas petições ao
relator: uma petição para anexar aos autos documentos e bens pessoais
dos acusados, apreendidos durante a investigação, que já foram
periciados pelo Instituto de Criminalística da Polícia Federal e que
devem integrar a ação; e outra para juntar ao processo novos laudos
periciais que ficaram prontos depois de oferecida a denúncia.
O Ministério Público aguarda a decisão do Tribunal de Justiça sobre
os pedidos cautelares formulados e sobre o recebimento da denúncia. ( O Imparcial )
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