Érico Firmoericofirmo@opovo.com.br
As investidas da família Ferreira Gomes contra o PMDB são antigas, de antes mesmo de romperam com Eunício Oliveira. Mutuamente, fingiam que uma coisa não tinha nada a ver com outra e que os problemas dos peemedebistas em Brasília não eram extensivos aos seus pares no Ceará. Quando o rompimento se consumou, há cerca de um ano e meio, o confronto se aprofundou ainda mais.
As críticas de Ciro Gomes (PDT) a Eduardo Cunha (PMDB-RJ) são antigas, muito anteriores ao presidente da Câmara dos Deputados se tornar protagonista na política nacional. Em 2009, conforme O POVOmostrou à época, o então deputado federal dizia que Cunha era o “relator dos trambiques que se fazem nas medidas provisórias”. E acrescentava: “O que se fala dele não é publicável”. O caso foi parar na Justiça. Este ano, houve o episódio de Cid Gomes (PDT) e os “achacadores”, que derrubaram o ex-governador do Ministério da Educação.
Porém, os irmãos têm sido cada vez mais enfáticos sobre personagem de ainda mais revelo no PMDB – o vice-presidente da República, Michel Temer. Já em 2010, Ciro dizia que Temer é “o chefe dessa turma de pouco escrúpulo” – a turma, no caso, é o PMDB.
Normalmente mais comedido que Ciro, Cid foi um passo além. Ao se filiar ao PDT, três semanas atrás, Cid chamou o vice-presidente não mais de “chefe da turma de pouco escrúpulo”, conforme definira o irmão. Chamou Temer de “chefe dessa quadrilha que achaca e assola o nosso País”. Segundo informou o jornalista Ilimar Franco, do O Globo, o vice-presidente encomendou aos advogados análise do caso para processar Cid. Mas, não ficou por aí. Em entrevista concedida nesta terça-feira, 3, ao colega Eliomar de Lima, Ciro chamou Cunha de “Câncer” e se referiu a Temer como “parceiro íntimo de longas datas”.
Pelo menos desde a eleição de 2010, quando Ciro Gomes tentou se cacifar para ser candidato, ele é muito crítico do PMDB. Cid, que tinha entendimentos locais com Eunício Oliveira e dependia dos peemedebistas para sua articulação política, só tardiamente se incorporou aos ataques. Porém, nas primeiras referências a Temer, o peemedebista era presidente da Câmara. Agora, as ofensivas atingem diretamente o vice-presidente, que até recentemente era articulador político da presidente da República. Assim, chegam muito perto da própria Dilma Rousseff (PT).
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