terça-feira, 3 de maio de 2016

PSDB vai apoiar governo Temer, mas ainda quer o afastamento dele, diz deputado tucano


 

“Nós não vamos de jeito nenhum tirar essa ação no Tribunal Superior Eleitoral pedindo o afastamento da Dilma, pedindo o afastamento do Michel”, afirmou Raimundo Gomes de Matos


 
Para o deputado cearense, mesmo querendo o afastamento de Temer pelo TSE, a participação no governo dele é “automática” ( Foto: Reprodução )
PSDB entregará nesta terça-feira (3) ao vice-presidente Michel Temer uma lista com pontos a serem observados por ele a fim de garantir o apoio tucano em seu possível governo, caso o Senado vote pelo afastamento de Dilma Rousseff noprocesso de impeachment. Entretanto, ao mesmo tempo em que garante a composição do eventual futuro governo, o partido liderado por Aécio Neves ainda quer o afastamento de Temer pelo TSE.
A ressalva foi feita na manhã desta terça pelo deputado federal Raimundo Gomes de Matos (PSDB-CE), antes de embarcar para Brasília, onde participa da reunião que entregará a lista de reivindicações para garantir o apoio ao atual vice-presidente. “São vários itens que efetivamente nós iremos apresentar para fazer essa pactuação”, disse. 
Contudo, parlamentar ressaltou que “de jeito nenhum”, o partido deixará de apoiar a cassação da chapa que venceu as eleições presidenciais em 2014. “Deixando bem claro: o PSDB é signatário de uma proposta no TSE de afastamento da Dilma e afastamento do Michel. Nós não vamos de jeito nenhum tirar essa ação no Tribunal Superior Eleitoral pedindo o afastamento da Dilma, pedindo o afastamento do Michel”, repetiu. “Em momento nenhum nós vamos reduzir essas nossas ações”, completou.
Segundo ele, os itens da pactuação com o provável novo governo foram definidos por lideranças do partido. “O presidente do PSDB, Aécio Neves, ouviu os deputados federais, os senadores, governadores, as maiores lideranças a fim de nós sinalizarmos um apoio efetivo ao futuro presidente Michel Temer, assim se concretizando o afastamento da Dilma”, afirmou. 
Para o deputado cearense, mesmo querendo o afastamento de Temer pelo TSE, a participação no governo dele é “automática”. O partido deliberou que, automaticamente, poderia apoiar, mas nós queríamos colocar nossas propostas. Precisaria ter esse pacto”, destacou.
O partido tucano afirmou que o pacto teria 15 pontos, mas Gomes de Matos explicou que eles podem chegar a 18 itens que, cumpridos, garantirão o apoio. Dentre eles, está a garantia de continuidade da operação Lava-Jato. “Um dos fundamentais é não ceder à pressões e diminuir os trabalhos da Lava-Jato, dar apoio às estruturas do Ministério da Justiça, como também da Polícia Federal, fazendo com que nós possamos ter transparência nas ações governamentais”, reforçou.
Outros pontos do documento pedem, de acordo com o parlamentar, o fortalecimento dos municípios e uma reforma política “que vá ao alcance da população brasileira, defendendo o voto distrital, defendendo a cláusula de barreira [que limita a participação no Congresso Nacional de partidos que não alcancem determinado percentual de votos], fazendo com que nós possamos ter essa diminuição da quantidade de partidos, para termos uma proposta política mais decente”, frisou. 
Também constam no termo do pacto a busca pela solução para a “briga fiscal que existe nos estados com o ICMS” e medidas que possibilitem “a recuperação da nossa economia, diminuindo a carga tributária, não aumentando mais impostos, mantendo e melhorando os programas sociais”, explicou.
Com informações do jornalista José Maria Melo./Diário do Nordeste )

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