sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Mãe de estudante morta por vizinho pede condenação de adolescente: ‘Pesadelo’

Familares de Tamires fazem ato pedindo 'justiça', em Goiânia (Foto: Paula Resende/G1)

 

Menor confessou o crime e passa por audiência nesta manhã; Tamires Paula de Almeida, 14, foi esfaqueada no prédio onde morava.

Por Paula Resende e Murillo Velasco, G1 GO


Tamires Paula de Almeida, de 14 anos, foi morta a facadas no Jardim América em Goiânia (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)Tamires Paula de Almeida, de 14 anos, foi morta a facadas no Jardim América em Goiânia (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)
Tamires Paula de Almeida, de 14 anos, foi morta a facadas no Jardim América em Goiânia (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)
A mãe da estudante Tamires Paula de Almeida, de 14 anos, que foi morta pelo vizinho de 13 na escada do prédio onde morava, pede a condenação do adolescente, em Goiânia. Maria Paulo de Almeida acompanha, nesta sexta-feira (22), a audiência de condução do processo que apura a morte da filha, e disse que está vivendo um “pesadelo”.
Maria Paulo conta que nada alivia a dor pela perda da filha. "Minha vida está de cabeça para baixo, um pesadelo, além da tristeza, da perda, do desgosto. Eu não sei explicar, vou ao psicólogo, mas parece que nada tem sentido. Estou perdida, parece que nada vale mais a pena".
"Estou muito angustiada, nervosa, espero que o juiz tenha bom senso e determine os 3 anos, que é o máximo permitido pela lei", disse emocionada ao G1.
A audiência acontece nesta manhã no Juizado da Infância e Juventude de Goiânia. Do lado de fora do prédio, dezenas de parentes de Tamires, vestidos com camisetas com a foto da adolescente estampada, pediam "justiça". O crime ocorreu no dia 23 de agosto, na escada do 5º andar do prédio em que vítima e o suspeito moravam, no Jardim América, região sul da capital.
Muitos familiares de Tamires saíram de Pires do Rio, no sudeste de Goiás, para acompanhar a audiência na capital. Entre eles está o padrinho da vítima, João Bosco Caixeta, de 53 anos. "Eu tenho ela como minha filha. Então o mínimo que poderia fazer era vir. Por mim, ele pegaria prisão perpétua porque os sonhos dela foram cessados, e ele ainda terá a vida toda pela frente", disse.
Maria Paulo acompanha, do lado de fora, julgamento de adolescente, em Goiânia (Foto: Paula Resende/G1)Maria Paulo acompanha, do lado de fora, julgamento de adolescente, em Goiânia (Foto: Paula Resende/G1)
Maria Paulo acompanha, do lado de fora, julgamento de adolescente, em Goiânia (Foto: Paula Resende/G1)
O promotor de Justiça Frederico Augusto de Oliveira Santos, que foi o responsável por pedir a internação provisória do menor e pela oitiva informal dele, explicou ao G1 que o estudante não será ouvido novamente.
“O interrogatório do menor ocorreu no primeiro momento e não precisa ser colhido novamente. É uma instrução simples porque as testemunhas corroboram o depoimento do adolescente, que confessa o ato”, afirmou Santos.
A mãe do adolescente já havia dito que entende que o filho deve ser responsabilizado pelos atos. Abalada, ela tenta entender o que aconteceu e as razões que o levaram a cometer o ato. Ela contou ao G1 que viu o corpo da vítima na escadaria do prédio. Na hora, ela disse que teve um “apagão” e desmaiou, sofrendo um princípio de AVC.
Familares de Tamires fazem ato pedindo 'justiça', em Goiânia (Foto: Paula Resende/G1)Familares de Tamires fazem ato pedindo 'justiça', em Goiânia (Foto: Paula Resende/G1)
Familares de Tamires fazem ato pedindo 'justiça', em Goiânia (Foto: Paula Resende/G1)

Crime

A estudante foi morta por volta das 13 horas, quando os adolescentes iam para o colégio. Segundo a Polícia Civil, o crime começou no corredor do 5º andar, onde a vítima e a mãe moravam.
“Ele ficou aguardando ela na escada e, na hora que ela chegou perto do elevador, ele a dominou com um golpe mata leão, que ele fazia jiu-jítsu, e que a levou para a escadaria onde começou a execução do crime”, relatou o delegado responsável pelo caso, Luiz Gonzaga Júnior.
O adolescente foi para a escola, onde contou o que havia feito a um coordenador. Em seguida, uma equipe do colégio correu ao prédio para tentar salvar a vítima.
O delegado defende que o crime foi premeditado. “Ele escolheu três meninas do colégio por entender que seria mais fácil de executar o crime. A Tamires mais fácil ainda por residir no mesmo prédio e estudar no mesmo colégio”.
Imagens de câmeras de segurança mostram o garoto logo após a morte da vizinha (assista acima). Primero, ele aparece dentro do elevador olhando a camiseta e as costas, pelo espelho. Em seguida entra um homem com o filho e o menino demonstra nervosismo e olha para as mãos. Ao elevador abrir, ele sai rápido do prédio, pulando os degraus em direção à escola onde ele e Tamires estudavam.
Segundo testemunhas, vítima e suspeito não tinham desavenças. “O depoimento da mãe dela veio a corroborar as provas já apresentadas de que o adolescente não tinha motivação para praticar tal crime. Segundo a mãe, tanto ela quanto a filha, não tinham relação de amizade ou de inimizade com o adolescente”, defendeu Júnior.
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Colegas da vítima foram para a porta do prédio no dia do crime (Foto: Paula Resende/G1)Colegas da vítima foram para a porta do prédio no dia do crime (Foto: Paula Resende/G1)
Colegas da vítima foram para a porta do prédio no dia do crime (Foto: Paula Resende/G1)

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