domingo, 18 de outubro de 2020

Acredite se quiser! Senado ensaia movimento para salvar mandato senador da cueca

 

 

STF julgará na quarta-feira (21) afastamento de senador pego com dinheiro  da cueca - Tribuna Feirense

Charge do Borega (Tribuna Feirense)

Deu em O Tempo
(Estadão Conteúdo)

O Senado ensaia um movimento para derrubar a decisão do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou o afastamento do senador Chico Rodrigues (DEM-RR) por 90 dias. A ideia é reagir à “canetada” de Barroso e empurrar a discussão sobre o futuro do mandato de Rodrigues ao Conselho de Ética, que não está funcionando por causa da pandemia do coronavírus, mesmo se o plenário do STF mantiver a decisão do magistrado. A situação pode dar sobrevida ao senador.

Para evitar um desgaste maior, colegas sugerem que Rodrigues peça licença do mandato por contra própria. Além disso, muitos senadores investigados, alguns deles réus da Lava Jato, também se preocupam com o fato de o STF começar a interferir no Legislativo.

FLAGRADO PELA PF – Aliado do presidente Jair Bolsonaro, Rodrigues foi flagrado pela Polícia Federal (PF) com R$ 33,1 mil dentro da cueca na quarta-feira, 14. A operação investiga desvio de recursos no combate do coronavírus. O esquema de desvio de dinheiro para o enfrentamento da pandemia foi identificado pela PF e pela Controladoria-Geral da União (CGU). Diante do escândalo, Bolsonaro afastou Rodrigues do cargo de vice-líder do governo no Senado. Em nota, o senador afirmou que vai provar sua inocência.

A decisão do Supremo, porém, só se torna prática se o Senado referendar o afastamento. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (DEM-AP), ainda não comunicou qual será o encaminhamento para o caso. À espera de conseguir apoio para se candidatar à reeleição no comando do Senado, Alcolumbre leva o assunto, por enquanto, em “banho-maria”. A recondução de presidentes da Câmara e do Senado, na mesma legislatura, é proibida pela Constituição.

AUTOPROTEÇÃO – A situação de Rodrigues deve ser discutida em uma reunião de líderes partidários, na segunda ou terça-feira. Até lá, os principais caciques do Senado optaram pelo silêncio e evitam se posicionar publicamente sobre a situação. De acordo com relatos feitos reservadamente, há um sentimento de “autoproteção” entre os parlamentares.

Nos próximos dias, o Senado terá de tomar duas decisões em relação a Chico Rodrigues. Primeiro, se vai referendar ou reverter o afastamento determinado por Barroso — que ainda deverá ser julgado pelo plenário do STF. Segundo, se dará andamento ou não a processos no Conselho de Ética da Casa, que são mais lentos, pois exigem notas técnicas, espaço para defesa do senador, apresentação de relatório, votação no colegiado e no plenário.

CORONEL PROTESTA – “Não podemos ficar calados vendo essa interferência do Supremo no Poder Legislativo, no caso do Senado. Nós vamos juntar todos os senadores para que saiamos urgentes como uma posição, chamar o senador Chico Rodrigues para o Conselho de Ética para que ele possa se explicar ou não e a partir daí o senador dá o veredicto”, disse o senador Angelo Coronel (PSD-BA), integrante do colegiado. “É papel do Senado cassar ou não o mandato de um senador, e não do Supremo Tribunal Federal.”

Para reagir à decisão do Supremo, senadores vão recorrer ao caso de Aécio Neves (PSDB-MG), em 2017. Na época, o Senado barrou uma decisão do Supremo e devolveu o mandato ao tucano, investigado por corrupção passiva e obstrução da Justiça no caso da empresa JBS. Na ocasião, a Advocacia do Senado emitiu um parecer afirmando que um mandato parlamentar jamais pode ser suspenso por ato unilateral do Poder Judiciário.

“Temos que derrubar a decisão, sim. O Senado não deve aceitar essa usurpação de poder. O caminho para punir o senador é o Conselho de Ética e depois o Plenário. E nós temos que fazer isso”, afirmou o senador Plínio Valério (PSDB-AM).

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Muito pior do que um senador usar dinheiro como papel higiênico, sem dúvida, é o fato de aparecer um número enorme de senadores a defendê-lo e tão poucos a pedir a cassação dele. Desse jeito, o Senado fica parecendo a caverna dos 40 ladrões, que Ali Babá tanto perseguia. E a política brasileira segue em ritmo de Mil e Uma Noites. Só faltam as bailarinas de Alcolumbre aparecem com a dança do ventre. (C.N.)

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