Jacqueline Lustosa, falou ao Teresina Diário, sobre o trabalho que ela realiza sem fins lucrativos em prol da defesa animal.
Por Tiago MouraEm Teresina, existem situações lamentáveis que tiram a vida de milhares de animais silvestres que habitam a área urbana. Capivaras, cágados, soins, iguanas, são as principais vítimas de atropelamento, fiação elétrica e da caça.
Para quem trafega pela Avenida Boa Esperança, zona Norte de Teresina é recorrente encontrar na travessia da via cagados, uma espécie de tartaruga de água doce, típica da região e de hábitat aquático geralmente encontrado em lagos, rios e riachos temporários.

O atropelamento desses animais é uma preocupação de populares que moram na região. Um idoso que não quis se identificar, relatou a nossa equipe de reportagem que tem motoristas que aguarda a travessia dos cagados, enquanto outros passam por cima.
“Acompanhamos isso há muito tempo. Até nós aqui de casa tiramos do meio do caminho, pois tem pessoas que fazem questão de passar por cima por maldade e isso é ruim para esses animais e para nós que encontramos eles mortos”, relatou.

A diretora do Instituto Cágado de Barbicha, Jacqueline Lustosa, falou ao Teresina Diário, sobre o trabalho que ela realiza sem fins lucrativos em prol da defesa animal. Ela faz todo o monitoramento destes animais atropelados na zona Norte da capital, basicamente nas proximidades do Parque Lagoas do Norte e Encontro dos Rios.
“A travessia dos cágados teve início com o período chuvoso. Eu já tirei foto de vários que foram atropelados. Pedimos à Secretaria de Meio Ambiente para saber qual a solução, pois é um problema que acontece há muito tempo”, esclareceu a diretora.
Jacqueline disse ainda que toda a fauna de Teresina está prejudicada, já que a população está cada vez mais construindo em áreas antes habitadas somente por estes animais silvestres. A fiação dos postes muitas vezes termina matando eletrocutados soins e até mesmo pássaros. "Neste período também é comum o aparecimento de cobras, é necessário que a população tenha cuidado, não somente com a própria vida, mas também com a do animal”, disse.

A diretora realiza este trabalho há mais de 20 anos na capital, tendo apresentado vários projetos não somente à Prefeitura, mas também ao Governo do Estado, entre eles túneis nestes locais mais frequentes de atropelamento, em Teresina e nas BRs. “Estou monitorando e resgatando animais vítimas de atropelamentos. Na BR-343 encontrei vários animais atropelados. A região entre Altos e Piripiri é muito complicada”.
Embora existam placas na Avenida Boa Esperança, a grande parte de motoristas continuam desrespeitando a sinalização. Sendo que boa parte destas placas estão cobertas pelo mato.
Outro animal que vem sofrendo com o este ciclo predatório, são as capivaras que muitas vezes são atropeladas e até mesmo feitas de caça para alimento humano, mesmo apresentando um alto risco à saúde, ainda existem aqueles que comem a carne do animal.
Emocionada, Jacqueline disse que foi impedida de resgatar estes animais e levar para casa. "Me sinto fragilizada em não poder mais resgatar e levar para a minha casa e depois realizar a soltura”, falou pedindo uma solução urgente às instituições públicas.
Até o fechamento desta reportagem a Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semam) e a Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Semar), mas não obteve retorno.

Nenhum comentário:
Postar um comentário