quarta-feira, 26 de maio de 2021

CPI do Transporte Público: Empresa opera sem licitação, afirma empresário

 

 

Hoje foram ouvidos mais dois empresários, os representantes Alberlan Euclides Sousa, da Viação Piauiense e Hebert Campelo, da Emtracol.

Por Pedro Silva
CPI do Transporte Público: Empresa opera sem licitação, afirma empresário
As oitivas acontecem no Plenário da Câmara Municipal / fotos: Pedro Silva

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara Municipal de Teresina realizou nesta terça-feira (25) mais uma série de depoimentos, que investiga a licitação do transporte público coletivo da capital.

Hoje foram ouvidos mais dois empresários, os representantes Alberlan Euclides Sousa, da Viação Piauiense e Hebert Campelo, da Emtracol.

Durante depoimento, Alberlan Euclides Sousa, confirmou que um empresário de São Luís, que não teve o nome identificado, opera em Teresina mesmo sem ter ganhado a licitação. Ele explica que o ocorrido acontecendo quando a empresa Teresenses declarou falência e precisou demandar mais veículos. Nessa época a prefeitura exigia novos ônibus com ar-condicionado.

“Não tínhamos crédito para comprar ônibus novo. Procuramos esse colega de São Luís e ele concordou em comprar ônibus novos como investidor. A Prefeitura concordou. Conversamos e chegamos ao acordo e ele está autorizado a rodar pela Strans como se houvesse licitação, pois está regular. Tudo foi feito com anuência do poder público”, declarou.


O empresário ainda afirmou que de 2015 a 2020 houveram acordos judiciais e extra judiciais e citou os valores pagos à empresa Piauiense. “Foram quatro acordos judiciais, com o pagamento dividido em parcelas. O primeiro foi no valor de R$1,5 milhão, dividido em 18 meses; o segundo foi de R$3 milhões, dividido em 36 meses; o terceiro foi de R$129 mil, pagos entre novembro de 2019 e fevereiro de 2020; o quarto é de quase R$500 mil, cujo pagamento ainda está pendente. O acordo extra judicial foi de R$ 936 mil”, disse Alberlan.

Após o depoimento do responsável pela empresa Piauiense, foi a vez do representante da Emtracol, Herbert Campelo, ser ouvido. Ele afirma que a sua empresa recebeu, nos últimos cinco anos, um subsídio de cerca de R$9,7 milhões e relata as mesmas dificuldades citadas pelo primeiro depoente, mas garante ter condições de continuar prestando os serviços na capital se os pagamentos forem regularizados. 

O presidente da CPI, Dudu Borges (PT) destaca a importância de ouvir as empresas e posteriormente confrontar as informações apresentadas em documentos com as do poder público.


“A sistemática de ouvir empresa por empresa é muito produtivo, pois estamos vendo caso a caso. Eles insistem em dizer que os custos operacionais são cobrados de acordo com os custos que estão na licitação. Estamos pendidos várias informações do poder público e dos empresários para que confronte com o que eles estão dizendo e o que está nos documentos que serão apresentados e teremos um balizador eficaz”, falou o presidente da Comissão.

Jeová Alencar, vereador e presidente da Câmara de Teresina, avaliou a atual situação do transporte público da capital.


"Atualmente temos uma cidade sem ônibus, frota precária. As empresas eram para rodar 419 ônibus, só estão rodando 180, mas ela cobra valor dos 419", relatou o parlamentar.

Ainda de acordo com o parlamentar, a principal função da CPI é ouvir os empresários e pessoas envolvidas para chegar a uma resolução.

"Primeiro dizer que a CPI não vai consertar o sistema, isso é uma atitude do executivo e tenho certeza que ele irá fazer. A CPI vai mostrar os problemas. SETUT diz que a prefeitura não repassou o dinheiro. A prefeitura tem boa vontade, quer resolver. Nos tivermos audiência pública, foi acertado para a prefeitura passar parceladamente o que está devendo, depois voltaram atrás e não aceitou", disse o Jeová.

 

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