sexta-feira, 4 de junho de 2021

General Paulo Sérgio Nogueira consultou Alto Comando antes de desistir de punir Pazuello

 

 

Fidelidade eterna a Bolsonaro custará caro a Pazuello

Pedro do Coutto

O comandante do Exército, Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, matéria de Jussara Soares no O Globo desta quinta-feira, decidiu ouvir o Alto Comando para poder então tomar uma decisão em relação ao caso Pazuello.

Ficou clara, a meu ver, a tendência do general Paulo Sérgio Nogueira no sentido de aplicar alguma sanção contra Eduardo Pazuello. Se a sua tendência fosse negar, já teria decidido pessoalmente, arquivando o processo.

DIVISÃO DE RESPONSABILIDADE – No entanto, se foi consultar o Alto Comando, é porque queria dividir a responsabilidade efetiva em um momento de grave crise política no país. A decisão, portanto, é mais do Alto Comando do que do próprio comandante.

Jair Bolsonaro não desejava que o general Pazuello seja punido, tanto assim que o nomeou, nesta semana, para um cargo no governo. Ao se decidirem, os generais do Alto Comando preocuparam-se também com aa posições dos generais Luiz Eduardo Ramos, chefe da Casa Civil, Braga Netto, ministro da Defesa, e Augusto Heleno, do Gabinete de Segurança Institucional.

ECONOMIA –  Na edição de terça-feira da Folha de São Paulo, Eduardo Cucolo e Leonardo Vieceli, publicaram reportagem analisando o relatório do IBGE que apontou um crescimento da economia na ordem de 1,2% no primeiro trimestre, em relação ao trimestre anterior.

A inflação foi de 5,4% no ano passado. Os salários não acompanharam este reajuste inflacionário, mas o Produto Interno Bruto subiu, causando uma surpresa. Os investimentos cresceram 4,6% segundo o IBGE, mas o consumo cresceu 0,1%. Não encontro explicação lógica. O consumo foi muito maior. Esta parte do documento do IBGE sobre o PIB está, a meu ver, esperando uma explicação nítida, pois 0,1% é irrisório para um trimestre.

Além disso, o PIB tem que ser comparado com o mesmo trimestre do ano passado, entretanto se o avanço do produto fosse cotejado com o resultado do trimestre anterior, outubro, novembro e dezembro, o crescimento estaria anulado. O problema do cotejo do PIB tem que ver os números absolutos para se distinguir o superficial do supérfluo.

DEPOIMENTO À CPI –  A médica Luana Araújo, cuja atuação foi destacada no depoimento à CPI da Pandemia, afirmou categoricamente ser contrária à cloroquina, afirmando não saber porque foi convidada a trabalhar no Ministério da Saúde e, dez dias depois, ter sido afastada. A matéria é complexa, tão quanto um claro enigma, para citar o poeta Drummond de Andrade. Ela foi afastada justamente por ser frontalmente contra o tratamento precoce através de remédios sem comprovação científica encomendados pelo governo como parte ativa ao combate ao coronavírus.

Na noite de quarta-feira, o presidente Jair Bolsonaro falou em rede nacional. Como consequência, houve panelaços em várias capitais brasileiras. Aos panelaços devem se juntar também como manifestação popular legítima, as concentrações ocorridas no último fim de semana contra o governo que continua sem um projeto definido, apesar de ter assumido o país há dois anos. O projeto do presidente da República volta-se exclusivamente para as urnas de 2022

SALLES – Decisão da ministra Cármen Lúcia autoriza a abertura de inquérito policial contra o ministro Ricardo Salles, que ainda permanece à frente da pasta do Meio Ambiente, apesar das ondas contrárias a sua atuação e também do seu posicionamento favorável ao desmatamento de florestas verdes.

Esse inquérito, decidido na quarta-feira, é mais um dos que Salles enfrenta como decorrência agora principalmente da denúncia do ex-superintendente da Polícia Federal na Amazônia Alexandre Saraiva. A abertura de mais esse inquérito foi solicitada pela própria PGR em face de notícia-crime apresentada por Saraiva.

LEGITIMAÇÃO –  Salles tentou legitimar um volume enorme de árvores abatidas com por desmatadores que tentam exportá-las. Mas não conseguirão porque o próprio governo americano nega-se a permitir a entrada nos Estados Unidos de tal quantidade de madeira sem a devida aprovação legal.

Portanto, o fato escandaloso serviu para derrubar antigas árvores cujos troncos somados atingem a cifra recorde de 200 mil metros cúbicos. Sem a aprovação de entidades ambientais, as transações não serão concluídas. Concluído está, aos olhos de todos, a atuação negativa de Ricardo Salles no Meio Ambiente.

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