domingo, 6 de junho de 2021

Veja as confissões de uma jovem senhora que gosta de ser colecionadora de palavras

 

 

Charge do Nani (nanihumor.com)

Victoria Silva

O que mais aprecio na língua portuguesa é o ritmo. Não sei se você sabe que a maior parte das palavras é paroxítona. Tal fato confere uma musicalidade, um “ molejo” que não se encontra em outros idiomas. E, claro, dependendo da região é mais cantada ainda.

Imagine alguém que não entenda as palavras escutando alguém em português.  E como se ouvisse uma canção. Outras línguas não têm essa música.

VOCABULÁRIO – Existem cerca de 400 mil palavras em nosso idioma, sem contar os termos técnicos e científicos.
O brasileiro médio tem um vocabulário de cerca de 3.000 palavras. As pessoas mais cultas têm um vocabulário de 4.000 a 5.000 palavras.

Atualmente o vocabulário dos brasileiros caiu para cerca de 1000 palavras. VejaM o empobrecimento de nosso idioma.
Não me incomodo com termos estrangeiros, mas me irrito com certos jargões “ estartar”, “ fazer um call”, “delivery “  “ printar” e por aí vai.

Sem falar nas palavras e expressões da moda, repetidas ad infinitum, sem que se saibam exatamente o significado. Como empatia, obscurantismo, negacionismo etc.

UMA COLECIONADORA – Quem sou eu, no entanto, uma senhora “ da terceira idade “ , anacrônica, bizarra, quiçá desusada, cuja opinião é, provavelmente, duvidosa, suspicaz, contestável, equívoca…

Tornei-me uma colecionadora de palavras. Quando ouço ou leio alguma que não faça parte de meu vocabulário cotidiano, eu anoto para usá-la eventualmente.

Dirá você: “Uma absurdidade, um desvario, um  disparate, completa insânia!”

Retrucarei, aferrada que sou: “Mas eu gosto…”

(Crônica enviada por Mário Assis Causanilhas)

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