terça-feira, 26 de outubro de 2021

Na última década, 64% dos generais do Alto Comando foram nomeados para cargos políticos

 

 

Brum ar Twitter: “Charge da Tribuna do Norte #brum #charge  #chargespoliticas #governobolsonaro #militares #militarizacao #cargoscivis  #governomilitar… https://t.co/YtEITkGx1f”

Charge do Brum (Tribuna do Norte)

Bernardo Mello e Jan Niklas
(O Globo)

O Alto Comando do Exército, que configura o topo da hierarquia militar, também vem representando — especialmente no governo Bolsonaro — um estágio que antecede a obtenção de cargos políticos. Levantamento do Globo com os promovidos ao Alto Comando na última década mostra que, de 33 generais hoje na reserva, 21 — isto é, 64% ou aproximadamente dois em cada três — foram nomeados para funções de confiança, cuja remuneração se acumula à aposentadoria militar.

Na prática, as nomeações configuram uma espécie de “porta giratória”, permitindo o retorno a cargos públicos para oficiais compulsoriamente retirados do serviço ativo, por esgotarem o prazo de permanência no Alto Comando.

RESERVA E ATIVA -A maioria das nomeações ocorreu sob a presidência de Jair Bolsonaro, e depois de esses generais esgotarem seu ciclo de promoções no Exército. Dos 21 generais, 17 receberam seu primeiro cargo fora da estrutura militar depois de terem ido à reserva.

Entre as exceções nomeadas quando ainda eram da ativa, dois são ministros de Bolsonaro: Walter Braga Netto (Defesa) e Luiz Eduardo Ramos (Secretaria-Geral da Presidência). Metade dos egressos do Alto Comando em cargos de confiança foi nomeada a partir de 2019. Especialistas avaliam que houve uma “exacerbação” da presença no governo de militares do topo da hierarquia.

POLITIZAÇÃO – O Alto Comando é formado pelos 17 generais de quatro estrelas da ativa, que podem ficar até quatro anos nesse estágio hierárquico. Por ser o último degrau do Exército, é obrigatória a passagem à reserva após esse prazo. No levantamento, O Globo desconsiderou cargos inseridos na estrutura das Forças Armadas, como os de chefe do Estado-Maior e de ministro do Superior Tribunal Militar (STM), bem como em estatais, fundações e autarquias com finalidade militar, casos da Imbel e da Fundação Habitacional do Exército. Também não foram contabilizados cargos eletivos, como o do vice-presidente Hamilton Mourão.

— Em que pese a qualificação dos generais, a exacerbação de cargos ocupados por eles não é boa nem para a corporação, nem para a sociedade. Ela traz antagonismos políticos para uma instituição, o Exército, que deveria ser funcional — avalia Eurico Figueiredo, ex-diretor do Instituto de Estudos Estratégicos da Universidade Federal Fluminense (UFF), que desenvolveu pesquisas em cooperação com a Escola de Comando e Estado Maior do Exército (Eceme).

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – A intenção de Bolsonaro ficou muito clara. Ele queria cooptar o Alto Comando do Exército para que apoiasse o golpe de Estado que acalentou desde o início do mandato. Foi por isso que convocou para a Casa Civil dois generais da ativa, que estavam na chefia do Estado Maior quando foram nomeados – Luiz Eduardo Ramos e Walter Braga Netto. Ou seja, em dois anos, Bolsonaro obrigou que a chefia do Estado Maior sofresse substituição duas vezes. Depois, para endurecer o ansiado golpe, nomeou Braga Neto para o Ministério da Defesa e trocou os comandantes militares. Mesmo assim, o Alto Comando disse não ao golpe, no Sete de Setembro, retirou a escada e deixou Bolsonaro suspenso, com a broxa na mão, como se dizia antigamente. Agora, para continuar no poder, vai ter de ganhar a eleição, e isso não será nada fácil. (C.N.).

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