
Charge do Newton Silva (Arquivo Google)
Carlos Newton
Aconteceu alguma coisa com a política brasileira e ninguém se deu conta. E isso ocorreu não mais que de repente, diria Vinicius de Moraes, um poeta-diplomata que acompanhava com atenção o noticiário e tinha um amor imenso pelo Brasil. Realmente, foi de uma hora para a outra que as pesquisas eleitorais simplesmente sumiram.
Nesse segmento da prestação de serviços à sociedade, digamos assim, houve uma grande transformação nos últimos anos. Dos institutos mais conhecidos, só restou o Datafolha. O mais antigo, que era o Ibope, mudou de nome e de dono, agora é Ipec, e os outros procriaram como coelhos, e hoje tem tanto instituto que a gente se surpreende a cada momento.
CADÊ ELES – A cada semana, estavam saindo pesquisas a mancheias, como se dizia antigamente, algumas eram até divulgadas no mesmo dia, fazendo uma confusão infernal na cabeça do eleitor. Mas essas são as pesquisas oficiais, a maioria patrocinada por bancos ou instituições financeiras – um estranho fenômeno, pois nada pode explicar esse inusitado interesse empresarial por eleições…
Há também muitas outras pesquisas, cujos resultados não chegam ao público, porque são encomendadas pelos partidos e pelos candidatos a eleições majoritárias de senadores prefeitos, governadores e presidentes.
E os resultados? Bem, acredite se quiser, diria o genial jornalista e artista plástico americano Robert Ripley. Na realidade, a única certeza é que não se pode confiar nessas pesquisas nem se basear nelas para definir o voto, embora um número enorme de eleitores ainda não tenha percebido.
FIZ UMA PESQUISA – Realizar esse tipo de levantamento é tão fácil que até o editor da TI já fez uma pesquisa eleitoral. Corria o ano eleitoral de 1988 e o empresário Hélio Paulo Ferraz queria ser candidato a prefeito do Rio, porque dois anos antes tentara o Senado, fazendo campanha pelo PFL como “Super-Helinho”, e foi o segundo colocado, com 1,7 milhão de votos.
Com base nessa precedente, mandou fazer uma pesquisa, que o colocou tecnicamente empatado com o favorito Marcello Alencar, do PDT. Animadíssimo, Hélio Ferraz me procurou na Última Hora, jornal que eu então dirigia, e me mostrou a pesquisa que encomendara.
Não acreditei no resultado e mandei fazer minha própria pesquisa, com base num questionário que preparei. Assim, durante uma semana, todos os repórteres da UH saíram em campo com dupla tarefa e fizeram uma pesquisa muito confiável, porque realizada em muitos bairros e com camadas diversas da sociedade carioca.
RESULTADO SURPREENDENTE – Quando fizemos a totalização, o resultado era muito diferente da pesquisa encomenda pelo empresário. Deu Marcello Alencar na frente, com 25%, depois Jorge Bittar (PT), Artur da Távola (MDB) e Hélio Ferraz em quarto lugar, com apenas 4%.
Mostrei a pesquisa da UH a ele, que desistiu da candidatura mas acabou sendo vice de José Colagrossi, terminaram em quinto lugar. E assim o “Super-Helinho” desistiu da política.
É por isso, meus amigos, que lhes digo: não acredite em pesquisa eleitoral. Se você não aceita votar em Lula da Silva ou Jair Bolsonaro, tenha paciência. Espere mais um pouco, que as coisas vão clarear e a chamada terceira ganhará consistência e viabilidade.
Nenhum comentário:
Postar um comentário