segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022

Ala do PSD enfrenta Kassad e questiona viabilidade de candidatura própria do partido

 

 

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Charge do Cícero (Arquivo Google)

Daniel Weterman e Iander Porcella
Estadão

Uma ala do PSD do ex-ministro Gilberto Kassab quer que o partido desista de lançar candidato próprio à Presidência. Com a indefinição da legenda até agora, parlamentares passaram a dizer que nem o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (MG), nem o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, hoje filiado ao PSDB, têm chance de vencer.

Pacheco disse a aliados que anunciará a decisão de não entrar na campanha presidencial no início de março. Leite, por sua vez, tem dado sinais contraditórios sobre o convite para ser candidato pelo PSD. Embora tenha indicado a empresários, no último dia 18, que pode deixar o PSDB para apresentar um “projeto alternativo” há dúvidas sobre sua viabilidade eleitoral.

VIÉS PETISTA – Criador e presidente do PSD, Kassab diz que o partido terá candidato próprio ao Palácio do Planalto. Admitiu, no entanto, que se esse nome não conseguir quebrar a polarização entre Lula (PT) e Bolsonaro, a tendência será de apoio ao petista, no segundo turno.

A defesa da candidatura própria, até agora, funcionou como forma de unir o partido, hoje dividido. Mas, apesar de pesquisas em poder do Palácio do Planalto indicarem que Leite tem potencial de crescimento para aglutinar parte da terceira via, deputados do PSD não têm essa avaliação.

Na prática, o partido de Kassab exibe hoje diferentes palanques regionais. Tem uma bancada mais alinhada ao governo na Câmara e mais crítica a Bolsonaro no Senado, apesar de ainda dividida. Nas eleições de outubro, alguns políticos do PSD vão apoiar Lula, como o senador Otto Alencar, pré-candidato ao governo da Bahia. Outros estão com Bolsonaro, como o governador do Paraná, Ratinho Júnior.

NOVAS FILIAÇÕES – Na quarta-feira passada, o PSD comemorou a filiação do secretário de Apoio à Gestão Administrativa e Política do Rio Grande do Sul, Agostinho Meirelles, braço direito de Leite. Outros nomes ligados ao governador também preparam a filiação ao partido de Kassab.

Ex-petista, o prefeito de Canoas, Jairo Jorge (PSD), disse ter conversado com Leite nesta semana. Afirmou que ele está em “fase de reflexão”. As prévias do PSDB escolheram o governador de São Paulo, João Doria, como candidato do partido à Presidência. O grupo do gaúcho avalia, no entanto, que Doria deveria abrir mão da candidatura, por causa de seu baixo desempenho nas pesquisas.

Foi diante desse impasse no PSDB e da falta de apetite político demonstrada por Pacheco que Kassab convidou Leite para mudar de partido e ser candidato à sucessão de Bolsonaro. “Agora o cavalo está encilhado para ele. Não sei no futuro”, comentou o prefeito de Canoas, que é presidente municipal do PSD e articula a filiação de mais aliados de Leite.

DESTINO DE PACHECO – Na outra ponta, apoiadores de Pacheco observam que ele deve se dedicar à campanha para a reeleição ao Senado, em 2023. Até lá, tentará aprovar propostas de impacto, como a reforma tributária.

“Precisamos romper com o paradigma de que, em ano eleitoral, há um engessamento do Legislativo”, afirmou Pacheco.

Amigo do senador Pacheco, o presidente da Comissão de Constituição e Justiça, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), disse que pautará a reforma para votação no colegiado em 16 de março. “Sou cabo eleitoral do Pacheco para qualquer coisa que ele quiser”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – O verdadeiro objetivo de Kassab é ser vice na chapa de Lula. Essa intenção foi revelada há alguns meses aqui na Tribuna, com absoluta exclusividade, e hoje é vista frequentemente no noticiário político. Dentro do PSD, essa manobra de Kassab está causando descontentamento e todos já sabem que a “candidatura própria” de Rodrigo Pacheco nunca foi para valer, assim como a ideia de lançar Eduardo Leite pelo PSD também é da boca para fora, como se dizia antigamente. Nesse caso, o verdadeiro objetivo de Kassab é filiar o governador gaúcho e seu grupo, para reforçar o partido. Como dizia Ibrahim Sued, em sociedade tudo se sabe. (C.N.)  

Ucrânia, resistência heroica até a morte; Putin amplia seu alvo para Finlândia e Suécia

 

 

Putin ataca centro de Kiev e enfrenta resistência de forças da Ucrânia

Pedro do Coutto

A resistência do governo de Kiev à invasão terrível da Rússia, que inclusive já chegou à uma área de Kiev, capital do país, está sendo heroica.  O presidente Volodymyr Zelensky armou a população civil e está disposto a resistir até a própria morte. Para isso, recusou uma proposta dos Estados Unidos para ser retirado do país. Zelenski mantém-se na capital e disposto a enfrentar os invasores de armas na mão.

A crise mundial se agravou substancialmente nas últimas 24 horas, não apenas com a invasão de Kiev, mas também pela ameaça que Putin dirigiu à Finlândia e à Suécia. Exige que os dois países não ingressem na Otan, o que deixa claro o objetivo de também invadi-los, pois o protocolo da Organização estabelece que a agressão a  um país membro acarretará a reação militar de todos os demais.

ALVOS – Portanto, Putin tem como alvos Helsinki e Estocolmo exatamente para impedir que as forças militares da Otan, incluindo as dos Estados Unidos, entrem em cena. Ficou claro o objetivo do ditador russo, sobretudo numa hora em que o terrível conflito já se generalizou na Ucrânia com a mobilização popular para impedir a progressão das forças russas.

O mundo novamente está à beira de uma tragédia global, fazendo com que a invasão da Ucrânia por Moscou se torne uma agressão mundial ao princípio de pendências dos países e de vontade de suas populações. Afinal de contas, não há a menor lógica na proibição decretada por Putin quanto ao ingresso da Suécia e da Finlândia na Otan. A guerra parece generalizar-se. A tempestade se agravou de sexta-feira para sábado.

Ao que se refere à ameaça à Finlândia e à Suécia, O Globo com base em fontes de Helsinque e Moscou, expõe nitidamente o significado de tal ultimato. Ao que se refere à invasão da Ucrânia e do certo à Kiev, a reportagem de O Globo é de André Duchiade.

PROIBIÇÃO – Na manhã de ontem, sábado, a GloboNews revelou que Putin proibiu também companhias de aviação sobrevoarem a Polônia e a Romênia, países para os quais  refugiados ucranianos se deslocam, principalmente para a Polônia.

A Polônia fica a oeste da Ucrânia, cujo norte tem fronteira com a Biellorrussia, pró-Moscou. E no sul, uma extensa fronteira com a Rússia bloqueia qualquer movimentação das famílias que tentam escapar da guerra para Crimeia. Não tem o menor sentido o ultimato dirigido pelo Kremlin aos governos de Helsinki e Estocolmo. Não pode haver outra razão a não ser a vontade agora não mais oculta de Putin  de invadir as duas nações. O universo está sob ameaça de uma explosão atômica.

POSICIONAMENTO – O Conselho de Segurança da ONU, formado por 15 países, dos quais somente cinco são permanentes e possuem poder de veto, na sexta-feira condenou por 11 votos a um, o da Rússia, a invasão de Moscou para arrasar a Ucrânia. O Brasil aprovou a resolução. Foi importante para o nosso país, pois caso contrário estaria confirmando o silêncio de Bolsonaro.

O voto contrário foi do representante russo, que usou o direito de veto, direito restrito à Rússia, aos Estados Unidos, ao Reino Unido, à França e à China. Essa última, eixo ponto político de grande importância, se absteve e não apoiou a invasão da Ucrânia pelas forças russas.

RECUO – Esse recuo confrontado com a posição inicial de Pequim deve produzir, penso, grande reflexo político internacional na medida em que representa a quebra de uma unidade registrada inicialmente entre os dois países. Abstiveram-se também a Índia e os Emirados Árabes. No caso dos Emirados Árabes, uma surpresa  dada a vinculação com grandes empresas americanas na área do petróleo.

Na Folha de S. Paulo, reportagem de Igor Gielow, enviado do jornal a Moscou, relata amplamente a movimentação das tropas russas cercando Kiev e um novo ultimato de Putin exigindo a rendição do governo de Kiev. O impasse entre a vida e a morte de centenas de milhares de seres humanos está em jogo neste final de semana.

INDICAÇÃO –  O presidente Joe Biden, reportagem de Rafael Balago, edição de ontem da Folha de S. Paulo, indicou a juíza negra Ketanji Brown Jackson que atua na justiça federal para a Suprema Corte do país.

Confirmada pelo Senado, será a primeira  mulher negra a integrar a Suprema Corte americana. Biden cumpre assim compromissos da campanha eleitoral voltados para a inclusão racial em altos postos do país. A embaixadora dos Estados Unidos na ONU também é negra.

APOSENTADORIAS –  Reportagem de André de Souza, Geralda Doca e Marina Mendes, O Globo, destaca a importância da decisão do Supremo Tribunal Federal concluída na sexta-feira, que por seis votos a cinco decidiu aprovar a revisão das aposentadorias e pensões do INSS anteriores à reforma de 1994 quando o teto de contribuição e também, portanto, o teto de aposentadorias e pensões, teve o cálculo alterado do limite de 10 salários mínimos para cinco salários mínimos.

Ocorre que as contribuições dos segurados através das décadas estavam incidindo na base de 11% sobre dez salários mínimos e não sobre cinco. Portanto, houve um corte abrupto da metade do direito assegurado que não foi até hoje restabelecido.  No placar de seis a cinco inclui-se o voto do ministro Marco Aurélio Mello, que se aposentou este ano. Caso o julgamento seja reiniciado, o que não é provável e nem legítimo, votaria o ministro André Mendonça.

PRONUNCIAMENTO – O Ministério da Economia de Paulo Guedes, é claro, já se pronunciou contrariamente, alegando problemas financeiros. Mas na semana passada encaminhou projeto de decreto ao presidente Jair Bolsonaro reduzindo em 25% a contribuição das empresas para com o Imposto sobre Produtos Industrializados apoiando-se no argumento de que a receita tributária de 2021 alcançou o recorde de R$ 1,8 trilhão, superando em 17% a arrecadação de 2020.

Entretanto, como ocorre sempre, a equipe do ministro Paulo Guedes focaliza a receita tributária, mas não diz que o total da Lei Orçamentária para 2022 é de R$ 4,8 trilhões. Uma elevação de 30% em relação à receita total de 2021 que foi de R$ 3,6 trilhões. O Ministério da Economia em matéria de receita pública retira o texto do contexto, da mesma forma que a Petrobras quando se refere às oscilações do dólar nas importações de gasolina e diesel não incluem o mesmo efeito do dólar alto nas exportações de petróleo bruto.

São dois pesos e duas medidas, certamente em favor dos acionistas e do mercado, mas que pesam fortemente no bolso dos contribuintes. A questão é a seguinte: da produção de óleo alcançada no país, uma parte, em face de sua densidade, é refinada fora do país e retorna sob a forma de gasolina, diesel e gás. O outro fato é que são realizadas exportações de petróleo bruto destinados ao consumo de outros países estrangeiros.

Com mais de 530 células, Brasil já é um dos países onde mais avança o extremismo de direita

 

 

Bandeira do Brasil em preto e branco com símbolos da suástica Foto: Mateus Valadares / Reprodução

Ilustração de Mateus Valadares (O Globo)

Janaína Figueiredo
O Globo

Quando figuras como Bruno Aiub, o Monark, defendem aberta e publicamente o nazismo — no caso específico do youtuber, a criação de um partido nazista no Brasil —, elas falam para um público que vem se expandindo de forma expressiva nos últimos anos. Dados da ONG Anti-Defamation League (ADL) mostram que hoje o Brasil é um dos países onde mais cresce o número de grupos de extrema direita.

Estão concentrados, de acordo com monitoramento do Observatório da Extrema Direita (formado por acadêmicos de mais de dez universidades brasileiras e de outros países) e de pesquisa da professora Adriana Dias, da Universidade de Campinas (Unicamp), nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, principalmente.

DIVERSAS CATEGORIAS – Os últimos dados em mãos dos pesquisadores, passados com exclusividade para O Globo, confirmam que São Paulo é o estado com maior presença de grupos, chegando a um total de 137, dos quais 51 estão na capital. Também foram encontradas células de extrema direita em Piracicaba, Campinas, Ribeirão Preto e São Carlos.

Em todo o país, já são mais de 530 células extremistas que, em relatório feito nos primeiros meses deste ano, Adriana dividiu em categorias, de acordo com suas ideologias, como Hitlerista/Nazista, Negação do Holocausto, Ultranacionalista Branco, Radical Catolicismo, Fascismo, Supremacista, Criatividade Brasil, Masculinismo Supremacia Misógina e Neo-Paganismo racista.

Em 2019, a especialista detectou 334 células. Em três anos, tiveram crescimento de 70%, aproximadamente,

15% DOS BRASILEIROS – No Rio de Janeiro, foram encontrados 36 grupos, 15 deles na capital. Entre os bairros cariocas com maior presença de células de extrema-direita estão Méier, Tijuca e Copacabana. Em Niterói, os pesquisadores identificaram outras duas agrupações. Uma delas se apresenta como Cali, e foi responsável pelo ataque à produtora do grupo de humor Porta dos Fundos, em 2019.

— Desde 2018, o Brasil se transformou no país com maior crescimento de grupos de extrema direita. Este fenômeno tem a ver com a eleição de Jair Bolsonaro que, num nível subterrâneo, está vinculado a estas ideologias. Hoje, estima-se que 15% dos brasileiros são de extrema direita — afirma Michel Gherman, membro do Observatório da Extrema Direita, professor de Sociologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e coordenador do Instituto Brasil-Israel.

Gherman afirma que a eleição de Bolsonaro criou no Brasil uma “Disneylândia do neonazismo”, pois os que o defendem “passaram a se sentir mais à vontade”.

AGINDO ÀS CLARAS – Segundo o professor, apesar de muitos grupos já existirem antes de 2018, o que se observava era “algo periférico”, sem a legitimidade de agora. A opinião é compartilhada por Karl Schuster, professor das Universidades de Pernambuco e Vigo, na Espanha:

— Estas mais de 530 células ganharam autorização para aparecer. A pergunta fundamental não é se estes grupos são ou não fascistas, e sim por que eles trazem para si aspectos do fascismo histórico. O que eles ganham se aproximando desses discursos?

Schuster é especialista em História Contemporânea e acaba de lançar, junto a Francisco Carlos Teixeira, o livro “Passageiros da tempestade: fascistas e negacionistas no tempo presente”.

NEGAR O HOLOCAUSTO – “Estes grupos seguem o princípio da alteridade, de negar o outro. Muitos negam o Holocausto, outros dizem que o Holocausto foi o único erro do fascismo histórico. Querem ressignificar o sentimento de culpa — diz Schuster.

O fascismo, diz o especialista, atrai nas redes um público cada vez maior. O importante, reflete, é tentar entender por que tantas pessoas se aproximam desse discurso, e por que estes grupos estão crescendo.

O professor, que também monitora o avanço da extrema direita, diz que, além de grupos, há os chamados lobos solitários, como em Pernambuco. Ele observa a necessidade de saber se tais lobos estão em contato com redes dentro e fora do Brasil.

VIERAM PARA FICAR – O professor de História Contemporânea da UFJF, Odilon Caldeira, autor do livro “O fascismo em camisas verdes”, também encontrou grupos de extrema direita no Ceará, a maioria em Fortaleza.

Ele afirma que “a extrema direita veio pra ficar no Brasil” e que ela busca permanentemente referências internacionais, articulações e incorporar agendas da extrema direita global:

— Nossa extrema direita tem várias facetas, vertentes, origens e tradições históricas. Um setor busca se articular em torno de Bolsonaro, mas outros vão além. Incorporam a teoria política russa, ucraniana, americana e do centro da Europa. Mesmo se Bolsonaro não se reeleger, a extrema direita permanecerá — frisa.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – A reportagem esqueceu a Ucrânia e outros países europeus, além dos Estados Unidos, onde a extrema direita e o neonazismo florescem muito mais do que no Brasil. Além disso, embora a reportagem não cite, geralmente esses grupos de extrema direita estão impregnados de racismo, o que é espantoso no Brasil, justamente o país mais miscigenado do mundo e que se torna exemplo de  convivência racial. É revoltante que já existam esses militantes sectários por aqui, mas a democracia é assim mesmo e nela também se formam grupos de pervertidos político-sociais, digamos assim. (C.N.)

Ucrânia é exemplo de que qualquer país sem armas nucleares pode ter desrespeitada a soberania

 

 

Cerca de 800 soldados russos foram mortos em confronto, afirma Ucrânia | Agência Brasil

Rússia ataca com bombardeios para dominar a Ucrânia

José Antonio Perez

Em acordo assinado com Estados Unidos, Rússia e Reino Unido (Memorando de Budapeste), a Ucrânia entregou as bombas nucleares e seus 1,6 mil mísseis, e deu no que está dando. Desrespeito e invasão do seu território, porque de repente passou a querer instalar novos mísseis, desta vez ocidentais, da OTAN.

Fica demonstrado que, na política internacional, país que não tem armas nucleares simplesmente obedece e ponto final. Melhor fazermos uma política nuclear por nossa vontade, solicitando apoio inclusive financeiro, ou depois teremos que fazer o dever de casa à força.

QUESTÃO DA AMAZÔNIA – Diante dessa invasão da Ucrânia, é bom o Brasil dar um basta na devastação da floresta amazônica ou sofreremos “sanções” de todo tipo. Podem apostar.

Haverá intervenção internacional na Amazônia, se a situação de momento continuar, não tenho dúvidas a esse respeito. Além do Brasil, os outros países da região estão devastando a floresta e poluindo implacavelmente os rios, especialmente a Bolívia com liberdade total para o garimpo.

Aqui no Brasil, abriremos um precedente perigoso se continuarmos com essa irresponsabilidade ambiental. O governo, seja com Bolsonaro ou algum sucessor, tem de exigir o cumprimento do Código Florestal, que manda preservar 80% da área de qualquer propriedade rural na Amazônia. Mas isso agora é só no papel…

CASA ARROMBADA – Depois que nossa soberania for desqualificada, já era! É como casa arrombada, não adianta colocar uma tranca. Nunca mais será como antes.

As grandes potências, a qualquer pretexto se intrometem em assuntos internos em países que lhes despertem interesse, como as nações produtoras de petróleo, tipo Iraque, Líbia e Síria.

A situação é de altíssimo risco. Se partirem com a OTAN para cima da Rússia, a Terceira Guerra Mundial estará declarada. O presidente russo Vladimir Putin age como um covarde, mas não há dúvida de que é bom de briga e bom de tiro. Recordem como ele recentemente salvou a Síria da dominação norte-americana.

Portanto, todo cuidado é pouco.

Troca na Polícia Federal amplia o poder do ministro da Justiça no governo Bolsonaro

 

 

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Delegado Márcio Nunes vai ampliar a blindagem presidencial

Malu Gaspar
O Globo

Se pudesse ter escolhido ele mesmo o diretor-geral da Polícia Federal quando se tornou ministro da Justiça, Anderson Torres nunca teria optado por Paulo Maiurino. Os dois assumiram seus cargos em abril passado no mesmo dia, em abril de 2021, logo após a tumultuada saída de Sérgio Moro do cargo.

Seu preferido sempre foi o ex-superintendente do Distrito Federal, Marcio Nunes, amigo pessoal, que ele nomeou secretário-executivo e agora, diretor-geral (ou DG, como se diz em Brasília).

PODER CONSOLIDADO – Com a troca, Torres consolida seu poder sobre uma área vital para a sua pasta. Espera-se agora que sejam remanejados também alguns superintendentes da corporação em estados considerados chave para o governo neste ano eleitoral.

No final de janeiro, o ministro da Justiça indicou também o novo corregedor-geral da Receita Federal, substituindo o anterior, que contrariou Flávio Bolsonaro ao comandar uma investigação mostrando que não houve nenhuma ilegalidade nas apurações do órgão sobre o caso das rachadinhas.

O avanço de Torres representa uma vitória da ala mais próxima à família Bolsonaro, que nomeou Maiurino em um dos mais tensos momentos de sua difícil relação com o Supremo Tribunal Federal.

REDE DE INTRIGAS – Maiurino, que tinha sido assessor de José Dias Toffoli na presidência do Supremo Tribunal Federal e do ministro Humberto Martins no Superior Tribunal de Justiça, era visto como uma opção “política”, de acomodação entre os poderes.

Com esse status, Maiurino nem sempre consultava Torres e por vezes despachava sozinho com o Bolsonaro, o que deixava o ministro bastante irritado.

Torres, muito mais bolsonarista do que Maiurino, também aproveitava as operações que ocorriam à revelia do DG  – como as que miravam o ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles ou os inquéritos contra o próprio Bolsonaro –– para lembrar ao presidente da República que ele não tinha controle total da PF.

MAIS DESGASTE – Nesse contexto, as ações de Maiurino para atender aos interesses do governo –– como a varredura em busca de informações de investigações que apontassem para fraudes em urnas eletrônicas, ou o desmonte do setor de inquéritos contra autoridades com foro privilegiado no Supremo, ou ainda a nota oficial contra o ex-juiz da Lava Jato e agora presidenciável Sérgio Moro –– só geraram mais desgaste com os delegados.

As razões para a troca ser feita neste momento ainda não estão claras, mas três delegados com cargos na hierarquia da PF a quem consultei dizem que uma delas seria a decisão do ministro da Justiça de não concorrer a deputado pelo Distrito Federal em 2022, como ele vinha cogitando.

Ao decidir ficar até o final do governo, apostando na vitória de Bolsonaro, Torres teria ganhado o direito de escolher seu próprio DG. Outra razão teria sido o fato de que as atenções da opinião pública estão voltadas para a guerra da Ucrânia, em pleno Carnaval, e a troca chamaria menos atenção do que em circunstâncias normais. Tais fatores certamente contaram, mas quem conhece bem a PF aposta que há mais por vir à tona. E não vai demorar.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
 Malu Gaspar, sempre bem-informada, diz que a troca na Polícia Federal amplia o poder do ministro da Justiça no governo Bolsonaro. Em tradução simultânea, isso significa que a troca na PF amplia também a blindagem da família Bolsonaro e de seus amigos, conforme o presidente da República deixou bem claro naquela reunião ministerial de 22 de abril de 2020, quando Moro deixou o governo. Aliás, na época o Planalto declarou que a reunião não havia sido gravada, mas a mentira era tão primária que a gravação apareceu alguns dias depois, lembram? (C.N.)

Telegram enfim recua, acata ordem do Supremo e bloqueia o blogueiro Allan dos Santos

 

 

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Imagem reproduzida do site Poder360

Marcos Losekann e Fernanda Vivas
TV Globo — Brasília

O aplicativo de mensagens Telegram bloqueou neste sábado (26) três perfis ligados ao blogueiro bolsonarista Allan dos Santos. A providência foi tomada após a determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

Na decisão que ordenou a medida, o ministro tinha estabelecido que o aplicativo de mensagens poderia ser retirado do ar por 48 horas e ter de pagar multa de R$ 100 mil, caso não cumprisse a ordem.

DISCURSO DO ÓDIO – Segundo as investigações, as contas estavam sendo utilizadas para propagar discurso de ódio e disseminar informações falsas.

A informação sobre a decisão que determinou o bloqueio das contas foi divulgada na sexta-feira (25) pelo jornal Folha de São Paulo e confirmada pela TV Globo.

O ministro Moraes afirmou, no documento, que os canais de Allan dos Santos estavam sendo usados “como verdadeiros escudos protetivos para a prática de atividades ilícitas, conferindo ao investigado uma verdadeira cláusula de indenidade penal para a manutenção do cometimento dos crimes já indicados pela Polícia Federal, não demonstrando o investigado qualquer restrição em propagar os seus discursos criminosos”.

Ataques às instituições – O relator pontuou também que o blogueiro bolsonarista usou o alcance dos perfis no Telegram “como parte da estrutura destinada à propagação de ataques ao Estado Democrático de Direito, ao Supremo Tribunal Federal, ao Tribunal Superior Eleitoral e ao Senado Federal, além de autoridades vinculadas a esses órgãos”.

“Efetivamente, o uso do Telegram se revela como mais um dos artifícios utilizados pelo investigado para reproduzir o conteúdo que já foi objeto de bloqueio nestes autos, burlando decisão judicial, o que pode caracterizar, inclusive, o crime de desobediência a decisão judicial”, escreveu o ministro.

O aplicativo é apontado como uma ferramenta que dissemina discurso de ódio e serve de veículo para disseminação de publicações falsas, segundo o ministro.

FAZIA RESISTÊNCIA – No Brasil, a plataforma Telegram, que tem sido utilizada principalmente pelo presidente Jair Bolsonaro e seus apoiadores, resistia a contatos para cumprir ordens judiciais e para fechar acordos de cooperação destinados a combater fake news.

No fim do ano passado, o Tribunal Superior Eleitoral enviou um ofício a executivos do Telegram propondo uma reunião para discutir possíveis medidas de cooperação para o combate à informação.

O documento foi enviado para o suposto endereço-sede da empresa nos Emirados Árabes. Após quatro tentativas, a carta não foi recebida e retornou ao TSE. Agora, enfim o aplicativo acata a ordem do Supremo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – O aplicativo Telegram, que nem possui representação no Brasil, tentou desconhecer as ordens judiciais do TSE e do Supremo. Porém, quando o tempo esquentou, acabou afinando na hora da verdade, como se dizia antigamente. Quanto a Allan dos Santo, gravou mensagem no Youtube neste sábado: “Não é o meu canal que foi derrubado. É o Brasil que está no mesmo patamar da China, da Coreia do Norte, de Cuba etc”, afirmou em um novo perfil que criou no aplicativo. (C.N.)

Governadores usam crise na Ucrânia para defender a equalização dos preços de combustíveis

 

 

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Charge do Babu (Arquivo Google)

Camila Turtelli e Matheus Lara
Estadão

Governadores querem aproveitar o calor das discussões sobre os ataques da Rússia à Ucrânia para insistir na criação de um fundo de equalização dos preços dos combustíveis no Brasil, como alternativa à proposta de um valor fixo para o ICMS.

A estratégia será condenar o conflito e ao mesmo tempo tratá-lo como momento oportuno para repensar soluções para os picos da gasolina e do diesel no País.

FALSO ROBIN HOOD – O impacto da crise europeia na cotação do petróleo vai ser objeto de análises nos encontros entre secretários de Fazenda dos Estados com parlamentares. Com o adiamento do debate sobre o tema no Senado, eles querem retomar a discussão com a Petrobras, resistente à ideia do fundo.

“A Petrobras é um Robin Hood invertido, tirando dos mais pobres para dar aos mais ricos”, disse o coordenador do Fórum de Governadores, Wellington Dias (PT-PI) ao Estadão, acrescentando:

“Basta ver o tamanho do lucro da Petrobras para perceber que há um verdadeiro aspirador de dinheiro para lucratividade fácil”.

SEM CONTINGÊNCIA – “Se tivéssemos um governo com alguma eficiência, já teríamos um programa de contingência para ser colocado em prática, mas não há sensibilidade quanto ao impacto deste conflito no cotidiano dos brasileiros, sobretudo os mais pobres”, avaliou o governador João Doria (PSDB-SP).

Os governos dos Estados também já se preocupam com o impacto dos conflitos na Ucrânia para além dos combustíveis, afetando outras importações indispensáveis.

“Vai aumentar muito os alimentos também”, avaliou o governador paraense Helder Barbalho, do MDB, citando o trigo.

ESQUIZOFRENIA? – Do ex-ministro das Relações Exteriores no governo Lula, o embaixador Celso Amorim: “A reação do governo de Jair Bolsonaro à invasão da Ucrânia é esquizofrênica. Cada um faz o que quer. Bolsonaro se solidariza com a Rússia, o vice quer guerra”.

Amorim considera “razoável” a nota do Itamaraty que pediu o fim imediato das “hostilidades” e a retomada de negociações para uma solução diplomática.

Mas há quem tenha achado muito branda para a gravidade da situação.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Amorim está correto. Como diplomata de carreira, sabe que a neutralidade é a posição mais sensata quando se trata de disputas internacionais que deviam ser solucionadas sem guerra, através de mediação, como ensinava o Barão de Rio Branco. (C.N.)