JOÃO DOMINGOS - Agência Estado
O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), carrega consigo o
fantasma dos parentes. Até uma audiência da Associação dos Juízes
Federais (Ajufe) e da Associação Nacional dos Magistrados do Trabalho
(Anamatra), na qual os representantes das duas entidades pediriam a
Sarney ajuda para a votação de projetos que reajustam o salário do
Judiciário, teve a ajuda de uma sobrinha. A reunião ocorreu ao meio-dia,
no gabinete do senador.
Cópia de um
e-mail da assessoria das duas entidades, distribuída pouco antes do
encontro, relatava como seriam as audiências do dia de ontem da Ajufe e
da Anamatra no Congresso. A primeira, marcada com Sarney, dizia que o
contato para a agenda fora entregue para uma sobrinha do presidente do
Senado, "juíza federal". A audiência, marcada inicialmente para as
11h30, foi realizada ao meio-dia.
Presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP)
Da parte de Sarney, sua assessoria informou que são feitos mais de cem
pedidos de audiência a ele por dia. E que para receber a Ajufe e a
Anamatra não precisaria da solicitação de uma sobrinha. Mas um assessor
das duas entidades confirmou que a sobrinha tem sido muito útil na
negociação de suas agendas com o senador.
Os juízes marcaram também audiências com outras autoridades do
Congresso. E, em pelo menos um caso, também recorreram a um pistolão. O
encontro com o líder do PSB, Givaldo Carimbão (AL), foi intermediado
pela deputada Sandra Rosado (PSB-RN), segundo o documento distribuído
pela assessoria de ambas as entidades.
Já as audiências com o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), o
líder do PTB, Jovair Arantes (GO), o líder do PT, Jilmar Tatto (SP), e o
líder do PSD, Guilherme Campos (SP), não tiveram intermediários.
Os representantes dos juízes foram ao Congresso comunicar que os
magistrados da Justiça do Trabalho e Federal decidiram paralisar suas
atividades por dois dias - ontem e hoje - para mostrar ao governo que
tiveram perdas salariais de 28,86% desde 2005. Disseram ainda que não
vão participar da Semana Nacional de Conciliação do Conselho Nacional de
Justiça (CNJ), que teve início ontem e vai até o dia 14. Afirmaram que
retomarão as conciliações depois do dia 14. As informações são do jornal
O Estado de S. Paulo
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