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Liza Prado (PROS) foi condenada por improbidade administrativa
A deputada estadual Liza Prado (PROS) foi condenada por improbidade
administrativa em ação do Ministério Público (MP) por beneficiar
empresas no período em que era coordenadora do Procon de Uberlândia, no
Triângulo Mineiro.
Conforme a decisão do juiz João Ecyr Mota Ferreira, Liza Prado terá que
ressarcir aos cofres públicos os valores referentes aos produtos doados
irregularmente, como prevê a lei 8.429/92 que trata de improbidade
administrativa. Além disso, a deputada foi condenada à perda de sua
função pública, à suspensão de seus direitos políticos por cinco anos e à
proibição, pelo mesmo prazo, de contratar com o Poder Público.
Segundo ação movida pelo MP, a deputada teria aplicado, indevidamente,
penas alternativas a cinco empresas envolvidas em processos
administrativos conduzidos pelo órgão, além de realizar doações de bens
públicos sem a devida avaliação e não apresentou a prestação de contas
mensal do órgão.
Entre as penas estavam fornecimento de ingressos de cinema para
consumidores reclamantes, doação de ingressos, transportes e lanches a
alunos de escola municipal, além de fornecimento de calçados para que o
Procon pudesse doar a alunos e a mães de alunos de instituições de
ensino do município. Neste último caso, o MP considerou que foi lesão ao
patrimônio público já que a doação foi feita sem avaliação prévia.
O juiz então acatou os pedidos da promotoria quanto às penas
alternativas, mas negou a denúncia em relação à prestação de contas, já
que o próprio Ministério Público reconheceu que não havia nenhuma
irregularidade na contabilidade do Procon. Ele entendeu que as doações
feitas pelas empresas contribuíram para a hoje deputada, se elegesse
vereadora de Uberlândia.
“Ao oferecer ingressos de cinema, com transporte e lanche gratuitos, a
alunos da rede pública de ensino, e ao doar calçados às mães desses
alunos, a ré fez mesura com chapéu alheio, colhendo, no final do ano de
2008, os frutos em forma de votos”, afirmou em sua decisão, lembrando
que a acusada, naquele ano, após ser exonerada do Procon, tornou-se
vereadora em Uberlândia.
Mas, por ser de primeira instância, a deputada deve apresentar recurso
já nos próximos dias. Segundo ela, a condenação tem fins políticos já
que Liza Prado é pré-candidata ao Legislativo mineiro e pretende se
candidatar, nas próximas eleições municipais, à prefeitura de
Uberlândia. "Isso é perseguição política, uma retaliação, em função de
uma denúncia de superfaturamento do pescoço de frango em Uberlândia,
quando eu já era vereadora na cidade, em 2009", disse a deputada à
reportagem do Hoje em Dia.
Ainda segundo Liza Prado, as penas alternativas tratam-se, na verdade,
de Termos de Ajustamento de Condutas (TACs) previstos em lei. "O que eu
fiz foram acordos com empresas infratoras para reverter multas em
benefício da população, especialmente levando crianças carentes ao
cinema. Por que é errado beneficiar escolas públicas?" questionou a
deputada.
Ela acrescentou ainda que a decisão da Justiça é ilegal já que uma
agravo regimental a um recurso extraordinário no Supremo Tribunal
Federal (STF) suspendeu todas as ações de improbidade administrativa
praticadas contra agentes políticos e que, como deputada estadual à
época em que a ação foi impetrada, o processo deveria ter sido aberto
diretamente do Tribunal de Justiça de Belo Horizonte, e não na comarca
de Uberlândia.
"É uma sentença totalmente nula e que certamente será cassada. Não
houve enriquecimento ilícito, nem dano ao erário, então não há que se
falar em improbidade administrativa. Foi uma decisão apenas para tentar
me prejudicar já que estamos em ano eleitoral, mas eu incomodo e vou
continuar incomodando", afirmou. Liza Prado concluiu dizendo que as
doações não tiveram nenhum cunho eleitoral e que, se assim tivesse sido
constatado pelo MP, a denúncia teria que ter sido apresentado à época e à
Justiça Eleitoral.
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