Carlos Chagas
Joaquim
Barbosa viaja para Miami logo depois de deixar a presidência do Supremo
Tribunal Federal e sua cadeira de ministro, dia 30. Pretende ficar por
um tempo longo nos Estados Unidos, com um projeto específico: escrever
um livro onde muitos capítulos serão dedicados ao mensalão, mas não se
limitará ao episódio. Sua trajetória até a mais alta corte nacional de
justiça merecerá igual destaque.
Tem
gente tremendo desde já, supondo que em função de sua personalidade,
Barbosa não usará meias palavras nem poupará pessoas. Da discriminação
que sofreu no Itamaraty até a campanha que vem sofrendo por parte de
advogados dos mensaleiros, nomes e situações serão apresentados por
inteiro.
Quanto
à realidade política atual, o ministro tomou a decisão de não apoiar
nem Aécio Neves nem Eduardo Campos, apesar dos seguidos telefonemas do
ex-governador mineiro e das visitas recebidas por dirigentes do Partido
Socialista. Para ele, os dois candidatos diferem muito pouco dos atuais
detentores do poder. Dias atrás, ficou chocado ao ver nos jornais
fotografias de Aécio com Jorge Piciani ao lado e Jair Bolsonaro ao
fundo. Da mesma forma, não entende como Eduardo Campos se apoia numa
aliança com a política canavieira atrasada do Nordeste. Desses
candidatos, tem dito a amigos, quer mesmo é distância. Não vai apoiar
ninguém, na sucessão presidencial.
Até
o momento em que deixar a toga, Joaquim Barbosa poderá produzir mais
surpresas, como a desta semana, quando renunciou à condição de relator
do processo do mensalão. Seu gesto é atribuído à atuação dos advogados
dos mensaleiros, que passaram a comportar-se politicamente visando
pressioná-lo e partindo para insultos pessoais. Agora mesmo pediu ao
Procurador Geral da República que denuncie o advogado de José Genoíno
por crimes de calúnia, difamação e injúria.
Há
quem imagine, também, que o ainda presidente do Supremo abandonou a
relatoria do mensalão para não sofrer o constrangimento de ver colegas
derrubando suas decisões, como a de que antes de cumprir um sexto de
suas penas, os mensaleiros não tem direito a trabalho externo. O novo
relator, Luís Roberto Barroso, irá rever os pedidos os advogados dos
réus.
Ainda
que de propósito deixando passar o prazo para candidatar-se às eleições
de outubro, Barbosa não afasta, para no futuro, seu ingresso na
política. Mas nada para já. Registrou, apenas, que nas pesquisas
recentes recebeu apoio de 26% dos consultados.
CULPA DO BICHO ERRADO
Pouca
gente protestou ou reagiu contra a decisão do governo de estimular a
escolha do tatú como mascote da atual copa do mundo. Bem que o Brasil
possui outros animais de mais personalidade, a começar pela onça
pintada. O resultado pode estar à vista: nosso selecionado ir para o
buraco, junto com o bicho…
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