
Valmor Stédile
Há meses a mídia nacional com a TV Globo à frente deflagrou os escândalos da Petrobras, atirando contra a presidente Dilma Rousseff e poupando o ex-presidente Lula mesmo que estivesse carregando em suas manchetes fatos do governo passado (embora petista também, o presidente era ele).
Por quê será? E não custa lembrar que, durante todo este e outros episódios, a atual presidente adotou procedimentos diferenciados do antecessor, determinando, por exemplo, o comparecimento de seus subordinados ao Congresso para prestarem esclarecimentos.
Depois veio um Ibope puxando a presidente pra baixo uns 13% e o que Dilma declarou? Que seria candidata mesmo assim, pra ganhar ou perder. Nesta época vieram à tona as denúncias contra o deputado André Vargas, com revelação de que ele coordenava grupo de 40 parlamentares do movimento intitulado “Volta Lula”.
Ainda no mês de março deste ano o PDT aprovou indicativo de apoio à Dilma, num momento em que as cúpulas do Congresso a abandonavam com recados de que não a apoiariam para a reeleição. E a presidente avisou que seria candidata mesmo sem o apoio da base. As ações obscuras de adeptos do “Volta Lula” continuaram e continuam.
Agora na abertura da Copa ocorreu esse xingamento imbecil contra a presidente da República que estava lá como autoridade pública, solitária, enquanto o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), e o ex-presidente Lula escancaravam suas covardias se ausentando do evento. Não devem ter faltado por falta de convites ou recursos…
Isto tudo sem contar no filmete GETÚLIO bem montado sobre “Corrupção, Poder e Política” isentando Getúlio – como a de fato a história o isenta – com claros sinais de isentar Lula das falcatruas do Mensalão. Escrevi várias vezes a respeito, na Tribuna da Imprensa e aqui nas redes sociais, antes e depois de assistir ao filme.
Os grupos econômicos e as “classes dirigentes” (como dizia Brizola) devem estar tremendo de medo com essa mulher solta três meses em campanha, sobretudo num processo apertado como deverá ocorrer. E é bom que seja mesmo porque aí será sinal de que não a amarraram por cima, quem sabe assim ela poderá experimentar surpreendentes traições e isto acabe sendo positivo para o país..
Isto porque Dilma se revelou lulista quando traiu o PDT de Leonel Brizola nas eleições de 2000, mas assumiu a Presidência ‘brizolando’ com aquela operação faxina e traindo o ‘legado’ de Lula… Enquadrada pelo ex-presidente que até ria enquanto a chamavam de poste, deve ter se inspirado em João Goulart com seu recuo estratégico.
Agora está se impondo candidata no PT sem que consigam impedir; afinal, é a vez dela. Destemida e determinada ela é, quem a conheceu nos seus 20 anos de PDT gaúcho sabe disso. Se para as “classes dirigentes” (como diria Brizola) ela está ruim no poder, pior será para o país sem ela em campanha porque aí não saberemos as questões que os separam. Podem crer.
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