quarta-feira, 4 de maio de 2016

Janot oferece denúncia contra Lula ao Supremo


 

Procurador enviou ao STF pedido de abertura de inquérito para investigar Dilma, Lula e Cardozo


 
Paralelamente à ação da PGR, autos do pedido de prisão contra o ex-presidente chegaram à 13ª Vara Criminal da Justiça Federal em Curitiba (PR) ( Foto: AFP )
Brasília A Procuradoria-Geral da República (PGR) ofereceu ao Supremo Tribunal Federal (STF) denúncia contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no inquérito que investiga se houve trama para comprar o silêncio e evitar a delação do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró.
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, informou ao Supremo que houve um aditamento na denúncia que foi apresentada contra o senador Delcídio do Amaral (ex-PT-MS) sobre a operação para barrar a delação de Cerveró. Ele disse que a empreitada envolveu o pecuarista José Carlos Bumlai e seu filho Maurício Bumlai.
"Se constatou que Luiz Inácio Lula da Silva, José Carlos Bumlai e Maurício Bumlai atuaram na compra do silêncio de Nestor Cerveró para proteger outros interesses, além daqueles inerentes a Delcídio e André Esteves, dando ensejo ao aditamento da denúncia anteriormente oferecida". Segundo o procurador-geral da República, há "diversos outros elementos" comprovando a participação de Lula na empreitada, além da colaboração de Delcídio.
O ministro Teori Zavascki, relator da Lava-Jato no STF, analisará a denúncia. Ele vai elaborar um voto e apresentar à Segunda Turma do Tribunal, composta por cinco integrantes. Se o colegiado aceitar a denúncia, Lula e os outros investigados serão transformados em réus. Não há data prevista para esta análise.
Dilma na mira
A PGR também enviou ao STF pedido de abertura de inquérito para investigar a presidente Dilma Rousseff, o ex-presidente Lula e o advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, por suspeita de obstrução da Lava-Jato. O pedido está oculto no sistema do Supremo e também será analisado por Zavascki. Se o inquérito for aberto, Dilma passa a ser formalmente investigada.
A linha de investigação da PGR leva em consideração a delação de Delcídio, a tentativa de evitar que o senador fechasse acordo de delação, a indicação de Lula à Casa Civil e a nomeação de ministro Marcelo Navarro Ribeiro Dantas para o Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Outros políticos
Janot também pediu a inclusão de Lula e de outros 29 investigados, especialmente das cúpulas do PT e do PMDB, no principal inquérito da Lava-Jato no STF, que apura se organização criminosa atuou na Petrobras.
Entre os petistas, Janot pede a inclusão, além de Lula, de Jaques Wagner (chefe de gabinete da Presidência), Ricardo Berzoini (ministro da Secretaria de Governo), Edinho Silva (ministro da Secretaria de Comunicação Social) e Giles Azevedo, assessor especial da presidente Dilma Rousseff. Também foi solicitada a inclusão dos os ex-ministros Antonio Palocci e Erenice Guerra, do presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, e do ex-presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli. Do PMDB, a PGR pede a inclusão do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (RJ), do senador Jáder Barbalho (PA), e do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado.
Este inquérito já investiga 39 pessoas por suspeita de terem participação no esquema de corrupção que atuou para desviar bilhões da Petrobras. Segundo Janot, a inclusão de novos investigados se deve ao avanço das apurações.
Em nota, o Instituto Lula diz que a PGR indica suposições e hipóteses. "Trata-se de uma antecipação de juízo, ofensiva e inaceitável, com base unicamente na palavra de um criminoso".
O ministro Ricardo Berzoini se disse totalmente tranquilo em relação às investigações e Edinho Silva afirma que não houve ilegalidades nas contas da campanha de Dilma em 2014, aprovadas pela Justiça Eleitoral.
Jaques Wagner sustenta que não teve acesso à petição e que suas atividades são motivadas pelo interesse público. Jáder Barbalho diz que não teve participação no fatos apurados. Outros citados não se pronunciaram ou não foram encontrados.

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