terça-feira, 26 de outubro de 2021

Frentistas abandonam Guedes, o Posto Ipiranga de Bolsonaro, que se meteu onde quis, mas não devia

 

 

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Mansueto Almeida foi um dos primeiros a debandar

Elio Gaspari
Folha/O Globo

​Num governo que já explodiu a meta da inflação, o ministro Paulo Guedes adoçou sua adesão ao estouro do teto de gastos falando difícil, com uma azeitona em inglês: “Estamos buscando a formatação final dos R$ 400, fazendo a sincronização dos ajustes das despesas obrigatórias, dos salários e do teto ou pedindo um waiver”.

Na gíria do carteado, a tradução dessa palavra é “estia”. O jogador que tem menos habilidade pede uma estia ao outro. Quanto à sincronização, Guedes conseguiu a demissão sincronizada de quatro colaboradores.

19 FRENTISTAS – Desde a posse do Posto Ipiranga, 19 frentistas já pediram o boné. Quase todos por terem percebido que estavam perdendo tempo ou queimando biografias. Na Prevent Senior diriam que elas caminhavam para uma “alta celestial”.

Guedes parece ter subestimado a saída do secretário do Tesouro Mansueto Almeida, em julho do ano passado. Mesmo antes da posse, Mansueto mostrou ao czar que uma parte de suas promessas eram fantasias.

O economista havia passado com brilho pelo Massachusetts Institute of Technology e conhecia as mumunhas de Brasília. Ao ir embora, mostrou que entendia muito de política.

DEBANDADA – A última debandada da ekipekonômika mostrou que Guedes não entendeu onde se meteu. Nenhum deles foi-se embora porque Guedes sofreu derrotas políticas, mas porque tendo-as sofrido, meteu-se numa aventura injetando cloroquina na sofrida economia nacional.

Guedes encantou-se ao ver que as portas se abrem sozinhas para deixar o excelentíssimo senhor ministro passar e por essa porta dezenove se foram.

De uma víbora: “O Posto Ipiranga de Jair Bolsonaro virou uma daquelas casas pelas quais, segundo o escritor Guimarães Rosa, homens sérios entravam, mas por elas não passavam”. E o ex-ministro Mailson da Nóbrega disse tudo: “Parece um grande manicômio.”

 

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